Como a número um
44 Capítulo 44
Notas iniciais
–Ollie...
–Deixa eu dormi.
–Já é tarde, eu preciso levantar. –Chris beija meu rosto, e assim eu acordo. –Dorminhoca.
–Isso é mesmo.
Ele me ajuda a levantar e me põe na cadeira. Ainda visto a roupa que sai do hospital, de ontem. É confortável. Chris me leva para o closet e vai para o banho. A médica me aconselhou a usar vestido. Tudo bem... Vasculho pelas roupas por muito tempo e nada serve, desisto e pego um florido. Vamos ver... Consigo tirar a camisola com dificuldade. Haviam levado algumas roupas para mim no hospital, como calcinha e sutiã. E assim fiquei sem a camisola. Tento colocar o vestido, mas como descer até minhas pernas?
–Tudo bem?
Viro-me para um Christopher só de toalha, e ai meu coração. Ele já era gostoso com camisa, imagina sem. Mordo os lábios.
–Olívia?
–O quê?!
–Precisa de ajuda?
–Hum... sim. –Digo tirando meus olhos dele. –Como sou inútil.
Chris me ajuda a levantar e a descer o vestido. Dou um sorrisinho para ele enquanto vai se vestir. Ando com a cadeira até o quarto de volta. Encontro um porta-retratos na comada. Creio que seja eu e Christopher, abraçados num tapete vermelho. É bonito. Deixo de volta na comada quando o vejo voltando.
–Vamos?
Ele me leva para a cozinha, onde reconheço seus amigos. Eles haviam ido me visitar no hospital, e eram engraçados. Eu gostava deles, mesmo não tendo nenhum rastro de lembrança deles.
–Bom dia. –Digo baixinho quando eles me cumprimentam. Aproximo-me da mesa.
–Bom dia, Liv.- Responde quem eu acho que é o Ed.
–Seus remédios. –Christopher me entrega a caixinha. –Então, hoje tem reunião?
–Acho que sim. –Dá nos ombros o moreno, Thalles, eu acho. –Tudo está estranho sem a Liv.
Dou um sorriso amarelo para ele. Não acreditei no primeiro momento, que sai da Flash! E virei assistente dos chefes deles.
–Aqui, Ollie. –Christopher começa a fazer meu café. –Do jeito que você gosta.
–Chris, eu consigo fazer isso sozinha. Eu perdi os movimentos das pernas, e não dos braços, sabia? –Sorrio para ele. Mas todos ficam quietos, eles não gostam de tocar nesse assunto e a que não pode andar aqui sou eu.
Ficamos num silêncio constrangedor. Começo comer, porque como sempre, estou com fome. Encontro os bombons na mesa e pego um. Não é bom eu comer muito chocolate, me faz ter dor de cabeça, foi o quê a médica disse. Dane-se. É chocolate caro... Ah, da França! Agora que eu como.
–Ollie, é chocolate...
–Chocolate... É... Estava com saudades. –Digo com um monte na boca. Todos riem.
–O que vamos fazer hoje? –Pergunta Luca, foi o único que eu gravei de verdade.
–Pode vir surfar comigo. –Diz Ed e ele se vira para Thalles.
–Luiza. E você?
–Tenho que ir ver minha mãe. Você vem comigo se quiser, Olívia. –Christopher diz. Olho para baixo, não gosto quando ele me chama pelo nome todo.
–Eu tenho consultas em casa, de qualquer jeito. –Digo com cara de tédio.
Eu posso fazer brincadeiras, mas saber que não posso andar e o fato que talvez isso dure para sempre, dói muito. Saio da mesa momentos depois, como já acabei. Me despido e saio para o quarto. Chris vem ao meu quarto depois dizendo que vai sair para a reunião, e eu concordo.
Estou sozinha.
Uma hora depois estou tendo uma com meu médico. Ele me ajuda a fazer exercícios. Prefiro fazer isso na piscina. Hoje estamos flexionando meus joelhos e dou um gritinho quando sinto dor neles.
–Isso é bom. –Diz o médico. –É como tirar ferrugem.
–Dói um pouco, mas estou tão feliz.
–Quer tentar ficar em pé?
Olho para ele, aturdida. Isso é fantástico. Imagino toda a alegria de voltar a andar.
–Quero.
Por milagre, consigo levantar com um pouco de ajuda. Estou de pé. Meu coração bate mais forte. Se eu pudesse, estaria pulando de alegria. Começo a balançar as mãos e dou um grande grito de felicidade. Não importar se Sr.Will ainda me segura. Eu tenho força nas pernas de novo, pelo menos.
–Não estou mais te segurando, Olívia. Parabéns.
Caio no chão com tudo, mas nem isso pode me deixar triste. Mas estão algo vem na minha cabeça com tudo, e eu sei que é uma lembrança:
“Estou no chão, sentada, e Chris está do meu lado. Estamos jogando. Então me levanto e tiro toda minha roupa.”
“Estou na faculdade. Fazendo uma prova, e está muito difícil. Olho para os lados, e vejo que todos parecem saber suas respostas”.
“Estou num banheiro fazendo um exame de gravidez. Coloco o palito em cima da pia e me visto. Espero alguns minutos, e estou impaciente e nervosa. Grávida não. Pego o palito e vejo apenas um risquinho. E dou um grito de felicidade.”
“Estou transando com Stephen, num quarto todo vermelho e provavelmente de uma boate.”
–Senhorita. Olívia! –O médico chacoalha as mãos na minha frente. –Uma lembrança?
–Várias.
–Eu conheço uma amiga psicóloga que pode te ajudar com isso. –Ele pega algum cartão do bolso e me entrega. –O número.
–Obrigada.
–Acabamos por hoje...
–Oi. –Christopher está me observando da porta.
O doutor vai até lá e vejo-os batendo um papo. Quando ele se vai, Chris vem no meu lado e fica me olhando. Até que me abraça. Vejo-o sorrir e isso é tão bom. Seu cheiro. Mas então ele se separa tão rápido.
–Eu disse que você voltaria a andar rápido. –Ele sorri mais.
–Quero passar o natal sem essa cadeira idiota. –Digo com um biquinho.
–Você vai. –Ele me gira com a cadeira. –Eu tenho uma surpresa.
–Algo me diz que você gosta de me fazer surpresas. –Quando digo isso, ele para e seu sorriso (se é possível) fica maior.
–Está certa. Sempre me dizia isso, e como eu gostava de te puxar. –Assim ele me puxa para a porta.
Quando estamos indo para a casa da sua mãe, fico curiosa. Não pela surpresa, e sim pelo o fato que a única coisa que penso é se ele parou de me amar. Agora que estou me apaixonando por ele de novo.
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