Como a número um
36 Capítulo 36
Notas iniciais
–Não está grávida.
Não posso conter o alivio que enche meu corpo. Mas enquanto estou feliz, sinto Chris duro ao meu lado.
–Parece que você só teve uma infecção e uns problemas com remédios. Sua pressão aumentou um pouco. –Ele pisca para mim. Talvez eu tenha esquecido de tomar algum remédio. –O quê é ruim para sua epilepsia.
–Recomendo que tome alguns remédios de stress e mais isso. –Ele anota tudo num papel e concordo.
Ele recomenda mais algumas coisas, como trabalhar menos. Chris não disse nada e quando saímos do consultório também. Entramos no carro, após o mar de câmeras, e não tive coragem de falar algo. Quando chegamos em casa ele foi em direção ao quarto.
–Chris... –Pego sua mão. –Eu sei... você queria muito ser pai...
–Por que você parece feliz por não estar esperando um filho meu? Eu pensei que você só estava com medo, mas agora percebo que você não queria filho mesmo.
Devo estar vermelha de raiva.
–Eu não queria mesmo. Chris, eu sou nova para ser mãe! Mesmo eu te amando, eu não quero. E eu tenho medo sim, de machucar o bebê. –Grito. –Eu não gosto de choro, não gosto de criança, não gosto! Eu seria uma péssima mãe, mesmo o amando.
–Por isso serve os pais.
–Talvez, mas você tem uma carreira, Chris. E... – Abaixo a cabeça. –Eu só queria saber do por que você querer ser pai.
Christopher me abraça forte, e beija meu pescoço. Só percebo que estou chorando depois de segundos. Estou tonta, não posso me descontrolar, uma convulsão não seria legal agora.
–Eu só... preciso ficar sozinho. –Ele se afasta.
–Tudo bem?
–Sim...
–Eu te amo, ok? Não se esqueça.
–Sempre vou lembrar, sempre vou te amar, por toda eternidade.
–Eterno.
Ele me dá um selinho e entra no quarto. Ouso a porta se trancar quando a fecha. Suspiro e saio. Não sei, pare ver Chris feliz, eu gostaria de estar grávida agora.
Deito no sofá e começo a estuprar o replay da nossa música. Começo a ficar com sono e quando vejo estou sonhando.
Eu estava na praia, o sol estava se pondo. Estou usando um vestido branco, e parece um de noiva. Então sinto braços em minha volta. Olho para o lado e vejo Chris, sorrindo.
–Minha esposa. -Ele me beija.
–Esposa?
–Claro! – Ele sorri mais ainda. O quê?
Sinto algo puxando o meu vestido do outro lado, olho para baixo e vejo uma criança de mais ou menos 5 anos e ele parece que se machucou, pois está chorando.
–Mamãe, a irmã não deixou eu brincar com o potinho.
–Mas o quê?
–Ah, filhão. –Vejo Christopher pega-lo no colo e roda-lo até que lágrimas sejam substituídas por risos. –Cadê sua irmã má?
–Lá.
Uma menina vem correndo, ela deve ter a mesma idade do menino, e eles são iguais. Gêmeos. Meus gêmeos.
–Era a minha vez de brincar! -Ela bate o pé.
Acho que estou me sufocando, pois não consigo respirar. As crianças começam a brigar, e Chris se vira para mim.
–Crianças, param, vocês estão machucando a mamãe e o irmãozinho de vocês.
O QUÊ? MAIS UM?! AI... Não, não, não. Meu corpo amolece e eu caio na areia. Então tudo vem, choro de crianças, coisas quebrando e...
Um grito.
–OLIVIA! ACORDE!
Levanto-me com tudo, como se eu estivesse me afogando e me lembrei como nada. Christopher me abraça, enquanto meu corpo treme.
–O quê aconteceu?
–Não sei... Eu cheguei e você estava tremendo. Eu pensei que era outra crise.
–Uhum...
Meu coração está batendo muito forte, e estou suando.
–Um sonho?
Concordo outra vez.
–Sobre o quê?
Levanto-me e vou até a sacada, crianças...
–Nada.
–Ollie...
–Nada.
Ouso Chris respirar fundo. Por que eu não posso gostar de crianças? Tudo por causa daquele dia. Por que eu topei em sair com as minhas amigas naquele dia? Nunca vou esquecer-me da mulher batendo tanto no filho que começava a sangrar, e a criança chorava tanto. Começo a chorar só de lembrar. Ás vezes tem pesadelos com isso.
Lembro-me das brigas com a minha mãe, e meu medo de não entender meu filho.
Sinto Chris me pegar no colo, e estou amarrada em seu peito. Ele me coloca na cama e me cobre. Estou chorando tanto que dói.
–Descanse um pouco mais.
–Não –Soluço- me deixe.
–Nunca.
Ele se deita por trás e me abraça. Estou com tanto frio, e tudo passa por minha cabeça. Como Chris me aguenta? Como? Ele seria melhor sem mim? Com certeza, mas... Começo a dizer coisas malucas, iguais á que eu falava quando chorava muito antes. Mas sei que não passa de um sussurro que só eu posso ouvir. Meu próprio consciente. Começo a cantar:
“Love will scar your makeup
Lip sticks to me, so now I'll maybe leave back there
I'm sat here, wishing I was sober
I know I'll never hold you like I used to
But the house gets cold when you cut the heating
Without you to hold I'll be freezing
Can't rely on my heart to beat it
'Cause you take part of it every evening
Take words out of my mouth just from breathing
Replace with phrases like 'when you leaving me?”
Chris começa a cantar comigo também, até que eu pare de chorar. Viro-me bruscamente para ele.
–Você quer ter filhos? –Ele me encara confuso, e meio que concorda. –Então vamos ter filhos.
Puxo-o para mim e começo a beija-lo. Ele só continua parado por um segundo, antes de me beijar de volta. Logo estamos sem roupa.
Engraçado. Antes eu sempre sentia um vazio, sabe, como se faltasse algo ou alguém. Mesmo com tudo. Então eu conheci o Christopher, e pensei que tudo mudou. Não, não mudou. Só quando estou com Christopher o vazio vai embora, por quê mostrei que esse algo que eu esperava é real. É real, é amor.
Por isso, que quando estávamos fazendo amor, não é apenas sexo ou “amor” o meu estado de felicidade completa. É mais, pois está me completando de felicidade também. E o quê me deixa mais feliz, é que Chris também sente isso. Pois eu era a peça que faltava nele, e ele a minha. É o que eu penso pelo menos, uma vez que ele me ama e me aguenta.
Então, se é para ficar com Christopher, eu posso aguentar tudo que eu sempre tive medo, pois Christopher me completa, me fortalece, e meus medos desaparecem. Posso casar, ter filhos com ele, fazer de tudo, pois sei que ele estará lá, e me manterá em pé.
Mas... o destino pode fazer algo pior do que colocar perigos e desavenças, podia nos separar. Mas não queria pensar nisso, queria viver o momento. Carpe Diem.
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