Como a número um
24 Capítulo 24
Notas iniciais
–Não sou viciada. –Olie pega de mim a caixinha.
–Então o quê é isso? –Aponto para a caixa. –Aí tem o suficiente para causar uma overdose.
–Sim. –Ela suspira. –Essa é minha caixa de precaução.
–Como assim?
–A história é longa.
Ela caminha até a janela e fica encostada lá. Aproximo-me dela. Estou assustado. Ela nunca foi o que parece problemática. Vejo seu olhar triste, e sei que ela está chorando. O vento bate em seus cabelos.
–Eu tenho depressão, Christopher. Não aquelas bobinhas, mas sérias de verdade. De chegar ao ponto de eu tentar me suicidar.
–Você já tentou?
Ela confirma com a cabeça.
–Você não se perguntou por que estou aqui no Estados Unidos? Não é só pelo o meu sonho. Eu queria sair do Brasil também. Eu mantinha muita magoa de lá... Karen fez eu vim para cá.
“No começo, estava tudo bem. Nada de problemas, estão aconteceu algo... Eu vou te poupar disso. Comecei a sair com um grupo. Passei um mês só me drogando, me destruindo. Acordei um dia no hospital, havia acabado de voltar de um coma alcóolatra. Karen voltou de sua viagem e me salvou. Isso –Ela aponta para a caixa. –Eu joguei tudo fora depois.
–E agora?
–Você se foi. Eu estava com medo que a depressão voltasse, pois eu estava muito ruim. Fui atrás de um antigo amigo e ele me deu o que eu pedi. Mas estão você voltou.
–Era o que você estava fazendo naquela noite.
–Sim... –Ela olha para além de mim. –Mas estou limpa de drogas por 2 anos.
–Por que você ficou tão mal quando eu fui?
Ela abaixa a cabeça, e suspira. Posso ver várias reações pelo seu rosto, como respostas. Ela olha para mim. Suas lágrimas escorrem pelo o rosto. E sorri.
–Por que eu me apaixonei por você. –Seu rosto de fecha, e ela fica sombria. –E você já tinha outra em seu coração.
Demoro para entender o peso de suas palavras. Meu coração está batendo forte. Respiro, respiro, e respiro. Tento entender o quê ela disse. Encaro-a. Como assim? Ela... me ama... Então ela se afasta.
–Mas como sou idiota. Por que você gostaria de uma garota infantil como eu? Um problema.
Então a puxo para perto e beijo-a.
Pov Ollie.
Estou na parede. Meus lábios estão nos dele. E minhas pernas embaralhadas com as suas. É um sonho? Fiz uma pergunta parecida quando cheguei e vi Christopher com um dos meus segredos na mão.
Eu não devia conta, não devia. Ele ia fugir.
Mas ele me beijou. Ele me beijou como se quisesse me tirar da escuridão... como se ele fosse a luz. Ele me beijou com força e urgência. E eu o segui.
–Eu também... –Ele diz quando estamos sem ar com as testas juntas. -Eu também estou apaixonado por você.
Imagina você pulando de uma ponte. Se chocando com a agua sem ter puxado ar antes de novo. Você começa a ficar sem ar dentro d’agua... morrendo... É assim que estou me sentindo.
Christopher me beija outra vez. Ele está apaixonado por mim. Por mim. Isso é errado, muito errado. Mas... tão bom. E esses pensamentos sempre se relacionam com o fim. Fim é igual á se apaixonar também. Sempre alguém se ferra.
Penso nisso por um segundo, apenas um segundo. Depois estou no chão, e Christopher está por cima de mim. Seus lábios passam para o meu pescoço. Estou morrendo, só pode.
–Ollie... –Ele diz suavemente meu nome na minha orelha. –Eu quero saber tudo sobre você.
Ele se senta no chão, e eu o sigo. E suspiro.
–Eu tinha 13 anos quando começou. Eu já era meio problemática antes, mas nessa época foi que piorou. Eu brigava muito com a minha mãe, e comigo mesmo. Via coisas onde não tinham. Eu mesma me chamava de aberração, ou decepção...
Não ouso encarar ele agora.
–Então passei a me cortar sempre que fazia algo errado, chorava toda noite... Mas durante o dia eu fazia com que as pessoas achassem que eu vivia uma vida perfeita. Melhorou quando comecei a namorar, e coisas assim.
“Passei a beber com 16, que vou a mesma época que fumei pela primeira e última vez. Eu fiquei limpa com 17. E só fui beber e fumar quando tive crise, aos 18...”
–Quando veio para cá?
Concordo com a cabeça.
–Karen sabe?
Concordo outra vez.
–Do meu aborto também.
–ABORTO?
–Não. –Dou uma risada. –Só falei isso para ver se você estava prestando atenção mesmo.
–Ufa...-Ele diz fechando os olhos.
–Christopher, por que ainda está aqui?
–Eu já disse, estou apaixonado por você. Nada que diga vai mudar isso. –Ele sorri.
–Por quê?
–Por que... juntos... podemos mudar tudo isso.
–Como assim?
–Você não é nenhuma aberração, ou decepção, Olívia... Você é fantástica. E eu vou fazer você enxergar isso.
–Por que você me acha fantástica?
–Mulher, tu faz muitas perguntas...
Começo a rir.
–Faço, e você também.
–No momento tenho apenas uma pergunta.
–Qual?
–Posso te beijar agora?
–Hum... não. –Levanto-me, mas ele me puxa para o seu colo e me beija.
–Eu gosto de te beijar.
–Eu gosto quando você me beija. –Sorrio entre os beijos. –Mas Christopher...
–O quê? –Ele está se divertindo beijando o meu rosto.
–Como vamos contar a novidade?
–Hum... –Ele parece pensar. –Assim.
Vejo-o pegar o celular. Antes que eu o impeça, ele me beija outra vez ( e cai entre nós, ele beija muito bem, não dá para parar quando começa) e ouso o barulho da câmera. Ele escreve alguma coisa no celular. Encaro-o com suspeita e corro até o meu celular. “Christopher Shane postou nova foto no Instagram” Clico no ícone.
É uma foto nossa de agora se beijando. Saiu fofinha. Com efeitos. E o Christopher está gato. Leio a descrição: “Deem uma legenda; P.S. Eu e minha namorada”. Começo a rir. É fofo demais.
– É só esperar a mídia espalha para o mundo. –Ele sorri e eu respondo. –Posso te beijar agora?
–Á vontade.
***
Após isso, uma hora depois, onde eu fosse havia alguém falando da foto. Gente brigando, ou amando. Alguns falavam que a gente tinha voltado por causa da entrevista, outros que era pegadinha. Outros riam da descrição da foto. E outros surpresos.
E eu? Com medo. Algo me diz que problemas estavam por vim. E eles não serão problemas de matemática ou amigáveis.
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