Notas iniciais
Posto agora, mas com a promessa de que em breve ela se desmembrara em uma fic.
Pensem nela, como se fosse um trailer.
Bjuxxxxxxx

Como um Sonho...

Por Jujuba de Azevedo

“- Aquele mais forte que qualquerfeixe de luz...

... Mas escuro, do que a própria escuridão.”

(Trecho retirado do ep. 17 de Berserk.)

Por ele eu matei.

Por ele eu morreria.

Ele era como um sonho.

Por você eu tentei ser quem eu não sou. Griffiph, eu tentei viver no seu mundo, enxergar com seus olhos, viver o seu sonho, porém por mais que você fosse envolvente eu nunca me deixei levar totalmente. Eu fui à única que conseguia ver que por de trás de todo seu encanto se escondia à morte, esta que por sinal ceifou a vida de todos os seus companheiros. E agora reclama a minha.

Encosto-me em uma árvore, não agüento mais andar. Acabo de escapar do castelo de Midland, mas não sem uma lembrancinha de meu amado, uma flecha cravada em meu abdômen.

Retiro a flecha, de sua ponta se desprende um aroma adocicado. Veneno.

-- Desgraçado... – digo não contendo o riso. Eu sempre desconfiei desse fim, desde que conheci Griffith naquela maldita taberna e me tornara um membro relutante do Grupo do Falcão, relutante porque eu não participava das batalhas, nem ao menos andava com o grupo. Sou uma assassina não uma guerreira. Então, eu ia e vinha conforme a minha vontade, ou melhor, conforme o meu desejo de você.

As noites voluptuosas que passamos juntos, os beijos cheios de desejo, carícias possessivas, gemidos, suor, os... “Preciso de você”, “Fique Comigo”, “Você é minha” ditos ao pé do ouvido, todo um teatro construído para me enfeitiçar definitivamente. Meras tentativas suas de me dominar para que eu fosse mais um dos seus brinquedinhos como os outros, que faziam qualquer coisa por você. Porém eu sempre ia embora ao amanhecer e você acordava sozinho, era minha maneira de dizer somos iguais, pensamos iguais.

Eu não caio nessa.

De longe eu assisti sua elevação à nobreza, e me alegrei por cada degrau que você subiu em direção ao seu sonho. E nos momentos certos dei minha contribuição, tais como: Os mercenários que seqüestraram a filha do ministro o que lhe permitiu chantageá-lo, o veneno que induzia ao estado aparente de morte e minha máxima, o incêndio que matou todos os seus inimigos dentro do castelo. Tudo por você, só que do meu jeito e quando eu quisesse.

E assim como o vi subir, o vi cair.

Uma noite de sexo com a princesa Charlotte e tudo pelo que você havia lutado fora pelo ralo. Preso, torturado, durante aquele ano me torturei com a pergunta: “Se eu estivesse por perto quando Gutts foi embora, você teria ido para o quarto da princesa?”. Eu me sentia indiretamente culpada pelo o que passou, então agi. Não foi difícil convencer Charlotte de que ela precisava fazer alguma coisa, afinal você a amava e estava sofrendo tudo aquilo por causa desse amor.

E não é que ela acreditou!

Daí para o Grupo do Falcão lhe resgatar foi um pulo, mas a pessoa que saiu daquela cela não era mais o Griffith que conhecíamos. Demoramos demais, você havia sido destruído. Esquelético, frágil, os tendões de mãos e pés cortados, sem língua, sua pele antes macia e branca como o leite, era crosta de cicatrizes por cima de cicatrizes.

Não tive forças para ir lhe ver, somente chorei. Você nem sequer soube que eu estivera no acampamento para saber de você.

Alguns meses se passaram, então me chegara a noticia de sua coroação. – “Como?”. Tive que ir lhe ver com meus próprios olhos.

Midland estava diferente, lia-se medo em todos os olhos. No castelo, tentei entrar escondida, mas fui capturada pelos guardas que me levaram diretamente para você.

Você não mudara nada, parecia o mesmo Griffith de antes sentado em seu trono, as paredes cobertas de espadas, lanças, facas flechas, a luz do sol entrava pelas janelas refletindo em sua pele conferindo-lhe um brilho angelical. Onde estavam as cicatrizes, os tendões cortados? Estava perfeito como sempre fora, eu mal conseguia esconder o meu espanto por vê-lo.

-- Isabel! – proferiu meu nome com aquela mesma voz aveludada, minha velha conhecida. Mas a língua não havia sido cortada? Algo estava errado, eu sentia. – Soltem-na! Nos deixem a sós. – ordenou.

-- Você parece estar bem. – falei desconfiada.

-- E porque não estaria? – Me perguntou se aproximando a passos calmos.

-- Bem, me disseram que havia sido torturado por quase um ano... – hesitei avaliando seu rosto. Era a mesma face já conhecida, os longos cabelos muito claros, a boca pequena, o nariz bem feito e os olhos azuis... Ali!havia algo de diferente no olhar.

-- O que disseram exatamente do meu estado? – perguntou sorrindo.

-- Algo sobre tendões cortados, muitas cicatrizes, desfigurado e... sem língua. – respondi.

-- Se eu não tivesse língua como poderia fazer isso? – Antes que eu o percebesse me beijara, sua língua procurava a minha. – Você é Minha.

Seus olhos mudaram de uma ora para outra adquirindo um brilho rubro maligno. Aquilo me assustou, impulsivamentesaquei um de meus facões e lhe cravei no baixo ventre. Saltei para trás me desvencilhando dele, precipitei me pela porta por onde eu havia entrado. Dois guardas avançaram para mim, com o outro facão matei os dois, corri em direção ao local por onde entrei, a mesma passagem secreta por onde haviam outrora resgatado Griffith. Já estava quase lá quando me deparei com uma criatura assombrosa, de asas enormes, a pele parecia mais uma armadura negra.

-- Para onde pensa que vai? – me perguntou a criatura. – Você é minha.

-- Griffith? – perguntei assustada. Eu não acreditava em meus próprios olhos, aquela criatura era Griffith.

-- Griffith não existe mais. – falou calmamente. – Me chame de Fenmto.

-- Me deixe ir embora. – ordenei.

-- Eu posso lhe dar tudo, qualquer coisa. – falou sedutoramentese aproximando. O elmo de sua antiga armadura havia se tornado negro e se fundira em sua nova pele. – Fique comigo, eu preciso de você.

-- Eu não sou sua. – respondi ríspida. – Não ficarei com você.

-- Então morra. – disse a criatura e antes que eu pudesse me defender ele cravara uma flecha em meu abdômen. – Esse foi um presente que Yurius, o irmão do antigo rei, tentara cravar em meu coração quando eu comecei a me destacar. – Um ultimo olhar para o meu rosto. Uma ultima caricia em meus cabelos e desapareceu na escuridão.

Então, estou eu aqui. A dor é insuportável, o sangue escorre da ferida aberta manchando a grama. – “Como algo tão belo pode ser capaz de destruir tudo o que toca?”. Talvez seja um dom nato que nós compartilhamos, e em breve, compartilhávamos.

Apesar dos apesares me sinto feliz de morrer por suas mãos, sejam elas como forem. A única coisa que me incomoda é que, no final das contas você é melhor assassino que eu.

Escuro.

Vazio.

Notas finais
Bjuxxxxxxx
^_^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!