Como Treinar o seu Dragão Interior 2
7 Será amor?
Notas iniciais
No dia seguinte, um pouco depois de amanhecer, os planos de Soluço foram postos para funcionar; nos dividimos em grupos para fazer as buscas por pistas. Enquanto Perna-de-Peixe e Helga faziam as investigações internas e Olavo cuidava da vigia, eu e Soluço levamos os outros para onde começou a nossa dor de cabeça, a montanha de gelo. E só para ficar mais bizarro, a montanha não derreteu nem mesmo uma gota, e estávamos em pleno verão!
— É bem grande. – Disse Stormy impressionada.
Dag se aproximou do gelo e o tocou com a palma da mão.
— E está tão fria, como se tivesse acabado de se formar. Quem a fez estava com muita raiva.
Os gêmeos-zíper fecharam os olhos e respiraram fundo; foi a primeira vez que os vi tão sérios.
— Também é poderoso, o gás de gelo é bem concentrado. – Disseram alternando a frase entre si.
— Alguma ideia de onde podemos começar a procura? – Soluço perguntou.
— Vamos olhar na direção que o gelo foi criado e depo... – Stormy foi interrompida por Dag que ergueu o braço pedindo silêncio.
— Qual o problema? – Cheguei perto dele sussurrando e com uma das mãos no meu machado de guerra.
— Não estamos sozinhos.
Nesse momento, todos nós ficamos quietos e preparamos as nossas armas. O tempo parou, nem os Cabeças disseram nada, enquanto esperávamos acontecer alguma coisa. Tudo voltou a funcionar quando vimos uma rede girando no ar em direção a um de nós.
— Cuidado!— Soluço gritou me tirando da frente da armadilha. Ao fazer isso, ele acabou ficando preso, Soluço tentou se soltar com suas garras e dentes, até ameaçou com sua expressão de fera, porém as cordas eram resistentes.
Quando viu seu amigo de infância naquela situação, Melequento assumiu a sua outra forma; era um dragão magro e vermelho com a barriga amarela, com garras e dentes afiados e focinho comprido, ele pegava fogo nas costas, asas e calda. – Eu nunca tinha visto essa forma direito, então confesso que me distrai um minuto. – Ele foi correndo até Soluço e o libertou tirando a rede com sua boca.
Quase ao mesmo tempo em que Soluço ficou preso, nós fomos cercados. Os dragões revidavam usando seus poderes e eu e os gêmeos usávamos nossas armas; por um motivo de honra, Melequento foi aconselhado a voltar para a forma humana e se juntar a luta mano a mano.
Ao verem que eu não era tão ágil e rápida quanto os dragões, e por eu estar mais isolada que os outros, os oponentes deduziram que eu era humana e se concentraram em mim. Eu fui cercada e rendida por uma espada ameaçando meu pescoço e um braço que me imobilizou. Mulheres costumam ter uma visão periférica, então consegui ver uma das características de quem me capturou: uma tatuagem no queixo.
— Rendam-se agora ou sua amiga morre! – Ordenou ele.
Eu fiz que não, mas Soluço foi o primeiro a se ajoelhar com as mãos atrás da cabeça, os outros fizeram o mesmo logo depois. Mesmo que tenham se rendido sem causar problemas, os dragões foram jogados contra o chão de maneira tão bruta a ponto de fazer sangue respingar. Os humanos, eu e os gêmeos cabeças, fomos segurados com os braços nas costas e ajoelhados.
Quando teve certeza de que ninguém iria fazer nada, o homem da tatuagem foi andando em direção ao Soluço, fez sinal para que o deixassem de joelhos, eles o fizeram e ainda puxaram o cabelo do Menino-Dragão para força-lo a olhar nos olhos do bárbaro.
— É, pessoal – Começou ele. –, parece que os planos mudaram. – Nesse momento, os olhares do de tatuagem e o da Stormy se encontraram, ele se distraiu um minuto, mas conseguiu ignorar e virou seu rosto de volta para Soluço. – Draco vai adorar falar com você.
— Quem é esse Draco?! – Desafiou Soluço entre dentes mandando sua expressão de fera para intimida-lo.
Nossos oponentes riram.
— O nome dele é Draco Sangue Bravo. – Dessa vez outras pessoas falaram no lugar do líder da tropa. Foi no mesmo instante em que ele mesmo daria a explicação, porém sem protestos.
— Um dos guerreiros mais temidos deste lado do poente.
— E o único capaz de domar essas feras! – Quando teve a atenção voltada para si novamente, o da tatuagem falou apontando sua espada para Soluço. Seus companheiros o ovacionaram.
— Há quanto tempo sabem das metades?! – Intervi.
— Não te interessa! – Urrou ele vindo até mim e ameaçando com sua espada. – Mas a gente já sabe tem um tempinho, Draco foi o primeiro a descobrir. – Parou de ameaçar, tenso por um motivo que eu não entendi direito.
— Então, Eret, o que faremos agora? – Perguntou um homem qualquer.
— Vamos leva os prisioneiros até o Draco. Um deles vai ter que falar. – Seu sorriso era sínico, mas percebi que Eret tinha engolido seco.
Depois disso, veio um silêncio fúnebre, os dragões se entreolharam e Soluço exibiu um sorriso estranho.
— Não, valeu. – Disse ele abrindo seus braços se libertando com a sua força.
Ao conseguir afastar os brutos, Soluço se transformou em dragão e ajudou a libertar os outros; os dragões se transformaram e lutaram, já eu aproveitei a distração e consegui me libertar sozinha, peguei meu machado e corri para a garupa de Soluço, os Cabeças fizeram o mesmo com os Erics, entretanto, os bárbaros não deixaram por isso mesmo, todos tivemos que lutar para conseguir escapar. Por sorte conseguimos. Quando eu estava no céu percebi que faltava um dragão, Stormy continuava no chão na sua forma humana olhando fixo Eret que fez o mesmo, sem ameaças nem nada.
— Stormy! – Chamei. Stormy olhou para mim de relance e depois voltou para Eret, sem que ele a impedisse, Stormy correu e se transformou nos seguindo. – O que foi aqui... – Me interrompi quando notei que ela estava estranha. Eu conheço aquele olhar...
Quando voltamos para a ilha, Dag voltou para a forma humana e foi direto confrontar a Stormy.
— Stormy, que ideia foi essa?! Você podia ter sido capturada e sabe se lá o que fariam! – A falta de tato do Pesadelo-Monstruoso o impediam de ver que a Nader-Mortal estava meio pensativa.
— Dag, chega! – Separei os dois. – Stormy, por que você ficou lá parada?
— Porque... – Stormy respirou fundo. – Aquele homem que tentou nos sequestrar se chama Eret: filho de Eret... E eu o conheci no ano passado.
— Isso é importante? – Soluço entrou no assunto.
— Sim... Eu sei com o que estamos lidando.
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