Como Sol e Chuva
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Os olhos de Alice mudaram um pouco de foco e após uns segundos se voltaram pra mim.
-Se você quer perdoá-la, o que eu lhe garanto ser a melhor decisão, deve ir logo. Quer que eu te leve até ela?
-Não, é que...Não me sinto bem sendo carregado por mulheres, mesmo elas tendo muito mais força que eu.
-Orgulhoso!-Disse com um sorriso no canto dos lábios.
-Sou mesmo, não leve pro lado pessoal, mas prefiro procurar Leah sozinho, pra pensar mais um pouco.
-Tudo bem, vou voltar pra casa. Tenho que levar Nessie ao shopping, a garota puxou à mãe... Mas nada que um dia com titia Alice não resolva.Tchau!
-Tchau Alice, muito obrigado pelo conselho.
-Por nada, sabe, eu gostei mesmo de você, garoto, trouxe muitas coisas boas para nós, eu é que tenho que agradecer.- Alice me abraçou e me surpreendi com seu toque. Era gelado demais para que eu pudesse abraçá-la normalmente.
Sentei novamente enquanto olhava Alice partir. Caminhou até onde minha vista alcançava a passos humanos, e acelerou a uma velocidade que meus olhos não eram capazes de acompanhar.
Alice estivera aqui com um propósito: Convencer-me a falar com Leah. E ela estava certa. Era o que meu coração sempre quis, achar legal, fazer muitas perguntas, mas o orgulho não permitiu.
Eu amava Leah e não seria justo com nenhum de nós ficarmos separados por uma reação exagerada. Fiquei chateado por não saber antes, mas Leah ficou com medo de me perder, tentou falar da melhor maneira possível, e isso explicava sua conversa com Jacob. Se estivesse no lugar dela, talvez agisse da mesma forma.
Levantei decidido em ir falar com Lee Lee. Minhas pernas estavam um pouco dormentes e doía quando o sangue voltava a circular. Havia me sentado em uma posição muito desconfortável, o que fez minha coluna doer também.
Caminhei lentamente alongando meus músculos, e quando o sangue voltou a circular novamente em meu corpo, apressei o passo de volta ao lugar onde tinha deixado Lee em forma de lobo. Tinha uma esperança de encontrá-la lá e acertar depressa as coisas, eu não suportaria me distanciar dela.
-Leah- Gritei quando vi que o local estava vazio. -Leah, eu pensei melhor, a gente precisa conversar. Eu só quero acertar as coisas, e facilitaria muito de você aparecesse. -Da altura que falava, Lee escutaria mesmo não estando tão perto de mim. Sua audição devia ser boa. –Por favor, Lee!
-Desde que você não me acuse injustamente e não diga que sou uma grande mentirosa, posso conversar. -Fiquei surpreso pela voz atrás de mim.Tinha olhado por todo esse lugar e não havia nenhum sinal dela, devia estar sentada em algum canto como eu estava quando Alice me encontrou.Virei pra lhe encarar. Seus olhos estavam vermelhos, seu rosto era a figura do medo, denunciava facilmente que estava chorando.
Senti meus braços envolverem seu corpo antes mesmo de reconhecer o movimento.
-Pensei melhor, exagerei na reação. Não quero que me odeie nem que sofra por minha causa como sofreu por Sam.
-Eu não te odeio, nunca seria capaz disso. E...espera, como sabes de Sam?
-Alice me contou. Conversamos um pouco.
-Ah, isso explica a súbita mudança de idéia.
-Ela me aconselhou. Foi uma grande amiga, me ajudou a pensar na hora em que minha cabeça estava confusa.
-E pensar que passei todos esses anos odiando os Cullen – Sorriu sem humor- Justo uma deles me defender.
-Pois é, o mundo dá voltas. Mas qual o motivo do ódio?
-É que por causa deles sou Loba. Cada vez que aparece um vampiro novo na cidade, uma criança se transforma. Foi assim que aconteceu comigo.
-Eu não sabia que era assim. — Pensamos sobre isso por uns instantes. Era tão injusto mudar tanto a vida de jovens que nem sabem o que está acontecendo, mas desde quando a vida é justa? — Leah? –Falei antes que o silêncio imperasse. – Você pode se transformar de novo?
-Claro, quer com emoção ou sem emoção? – Piscou sugestivamente.
-Sem emoção, da última vez teve emoção demais. Sei que queria que eu acreditasse, e funcionou, mas quando disse constrangedor foi uma forma delicada de falar.
-Tudo bem então, vai ser rápido e sem constrangimento para ambos. –Sorriu e desfez nosso abraço. Estava tão bom que nem havia percebido estar nele por todo esse tempo.
Afastou-se de mim e virei de costas. Sem constrangimentos dessa vez.
Dei-me conta que ontem mesmo eu achava suas lendas somente criativas, e que eu sabia que ela acreditava nelas, mas não percebi que eram reais. Eu cheguei tão perto, e ela me falou com todas as letras como se fosse apenas uma suposição. Perguntou se eu a amaria se ela fosse um lobo cinza gigante que pudesse se transformar em humana e que não pudesse me dar filhos e eu respondi que nunca a abandonaria. E vou cumprir a minha promessa.Independente do que Leah seja, não consigo ficar longe dela por mais que tente.
Para ela pode ter sido imprinting, mas pra mim foi o mais puro amor à primeira vista, daqueles que pensei só existir em novelas antigas e melosas. Talvez eu tenha sido afetado por essa coisa de lobo também, mas eu a amaria de qualquer forma, mesmo sem a magia sobre nós.
Leah andou em minha direção latindo o que eu achei que fosse um sorriso, mas não dava pra saber, não com ela naquela forma estranha.
Ela bateu sua cabeça gigante de leve em minha mão e deitou-se no chão.Sentei ao seu lado, apoiando minha mão sobre sua cabeça e desembaraçando seu pelo, da mesma forma que Wanda havia feito na noite passada.
-É incrível como você consegue ficar bonita de todas as formas. Cinza está em alta no inverno.-Sorri e Lee soltou aquele latido novamente.
Após alguns minutos senti seu corpo relaxar e fitamos o céu sem muitas cores nessa manhã de inverno por um longo tempo, pensando.
-Sabe, antes de me meter nessa confusão toda — Comecei. Não tinha idéia de como dizer que minha família estava partindo, mas tinha que falar de alguma forma – eu tinha que te falar uma coisa muito importante. O pessoal vai voltar pra casa semana que vem, e eu disse que não voltaria se você quisesse que eu morasse aqui. Ficar longe de você é uma coisa totalmente fora de questão.
Rápido e direto. Era a melhor forma pra que ela entendesse as minhas intenções e não pensasse que eu queria abandoná-la por ela ser um lobisomem.
-A decisão é sua – Completei. Leah desviou-se do meu toque, se colocando de pé e caminhando em direção as suas roupas. Virei de costas e logo Lee já estava sussurrando em meu ouvido.
-Quero ir com você, se não se importa.
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