Como Sol e Chuva
10 Capítulo 10
Notas iniciais
-Vampiros? Você está brincando comigo, só pode ser – Sorri. Ela já estava exagerando – Tudo bem que a sua lenda foi impressionante, mas vampiros? Todo mundo sabe que essas coisas não existem.
- Quem disse isso? As mesmas pessoas que disseram que só havia vida na Terra?
-Bom...
-Eu não estou querendo te provar nada. São só lendas, pensei que quisesse ouvir – Cruzou os braços. Ela sabia que eu não deixaria passar.
-Eu quero, só acho meio absurdo.
-Você pode achar o que quiser. Como eu disse, são só lendas.
-Tudo bem, deixarei você contar.
-Taha Aki viveu o tempo de vida de três homens, e só decidiu envelhecer quando encontrou na terceira esposa, sua companheira espiritual. E muito tempo depois dele ter desistido de seu espírito guerreiro, um grande problema começou ao norte, com a tribo Makah. As mulheres da tribo começaram a sumir e o chefe pediu ajuda aos Quileutes, para resolver o mistério.
-Os vampiros? Eles pegaram essas mulheres?
-Calma, ainda não chegou nessa parte. –Me acalmou. É claro que eu não acreditava nessa história, mas se Leah defendia, fazia parte de suas crenças e eu jamais faria algo que pudesse magoá-la. Porém, mesmo não acreditando, não conseguia esconder meu fascínio por novas histórias -Taha Wi, filho mais velho de Taha Aki, liderou um grupo de cinco lobos, em busca das filhas do chefe da tribo. Vasculharam as florestas na região e a cada vez que adentravam mais sentiam um cheiro fétido e doce totalmente desconhecido. Avistaram uma trilha de sangue, e ao chegar no fim, viram uma criatura pálida, com olhos vermelhos tomando o sangue de uma das mulheres que eles procuravam. A outra já estava morta.
“Quando a criatura avistou o bando, quebrou o pescoço de sua segunda vitima e começou a enfrentá-los. Ele era demasiado rápido para eles, mas os lobos estavam em maior numero. Mesmo assim foram pegos desprevenidos, e a criatura acabou matando Taha Wi. Dentre os cincos lobos restantes, estavam mais dois filhos de Taha Aki, e o segundo assumiu a liderança do bando. Conseguiram atacá-lo, rasgando-o em pedaços e levando até a tribo, para que todos pudessem ver o que estava atacando as mulheres. Mostraram a criatura despedaçada para Taha Aki, que percebeu que os pedaços estavam querendo se ligar, como se ela pudesse renascer. Ordenou que pusessem fogo nos destroços, guardando as cinzas em um saquinho, que levava ao peito, para sentir qualquer sinal de que a criatura queria se restituir.
Mas a criatura, ao qual eles chamaram de bebedor de sangue, tinha uma parceira, que ficou furiosa com o que acontecera e queria vingança. Taha Aki, alertado com o perigo, juntou o seu bando e ordenou que seu filho mais novo e mais três lobos, saíssem dali e se restabelecessem em outro lugar, para que a mágica não morresse. Foi assim que alguns membros da tribo Quileute se espalharam pelo mundo, deixando sua descendência. E é assim que poderão vir a surgir, de diferentes partes do planeta, pessoas cujo sangue Quileute ainda corre nas veias e que por isso poderão se transformar em lobos quando o perigo dos vampiros se revelar.”
Lee estava fitando a janela por cima do meu ombro, chovia lá fora. Tentei formular uma pergunta coerente antes que o silêncio imperasse naquele lugar.
-Lee Lee? – Comecei chamando sua atenção. Se eu não o fizesse ela nem escutaria o que eu estava dizendo. Era como se não estivesse mais aqui comigo.
-Hm?-Passou a me olhar nos olhos, o que me deixou com a velha febre, um sentimento agora comum, já que não nos desgrudamos desde o primeiro dia. Senti-me extraordinariamente bem.
-Você acredita realmente nisso? Nas lendas que acabou de contar? – Tentei soar o mais carinhoso possível, para não parecer que estava desfazendo de suas crenças. A última coisa que eu ia querer agora era um mal entendido que fizesse Leah me odiar. Eu não suportaria ter o seu desprezo.
-Não sei o que posso dizer a você, Jay. Não sei como lidar com isso.
-Tudo bem, vou deixar pra lá essas perguntas bobas. São curiosidades – Já tive diversas comprovações de que invadir a vida dela não adiantaria nada. Aguentaria a curiosidade por mais alguns dias, e iria descobrir lentamente um pouco mais sobre os seus pensamentos. Estava virando quase um esporte, um jogo, essa coisa de descobrir a cada dia um pouco mais dela, dos seus gostos, pensamentos, personalidade e opiniões.
-Mas eu tenho uma pergunta muito importante pra te fazer. Espero que não se importe, já que não dei uma resposta decente a sua.
-Pode. Mas se cometeram um crime e disseram que era minha culpa, não fui eu. Sou totalmente inocente. –Fiz uma cara de santo bem exagerada e ela riu.
-Não é nada disso, seu bobo. – Disse ainda rindo.
-Então o que é? Não é justo me deixar duplamente curioso.
Ela hesitou, e quando pensei que desistiria da pergunta finalmente falou.
-Eu... eu quero saber se você se sente da mesma forma que eu.Você gosta de mim, Jamie?
-Claro que gosto. –Ela havia me pegado de surpresa. Essa era realmente a última coisa que eu esperava que ela me perguntasse.
-Bem, acho que não foi isso que eu quis dizer. Eu quero saber se você me ama, assim como eu.
-Eu te amo se é isso que quer saber. Desde a primeira vez que te vi, e não me peça pra explicar porque eu não entendo, apenas sinto.
-E me amaria independente de qualquer coisa?
-Sim.
-Mesmo se eu não fosse boa pra você?
-Ainda assim, tudo continuaria igual em mim.
-E se fosse como nas lendas? E se eu fosse um lobo cinza gigante que pudesse se transformar em humana? Você iria me amar? – Lágrimas rolaram de seus olhos direto para a camisa – Você estaria aqui se eu precisasse estar com você? Mesmo se eu não pudesse te dar filhos? –Mais lágrimas.
-Shh – Disse pegando a sua mão – Escute o que vou te dizer. Não importa o que aconteça, eu nunca vou soltar a sua mão. Nunca vou te abandonar. Eu juro.
Lee Lee sorriu, mesmo com os olhos cheios de lágrimas. Abracei-a fazendo um grande esforço pra não chorar também. Ela se inclinou para sussurrar em meu ouvido.
-Eu te amo. Mais que a minha própria vida.
E meu coração inchou de felicidade naquele momento. Os últimos quinze minutos fez toda a minha vida de sacrifícios valer à pena.
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