Como Sobreviver Num Acampamento De Nerds

31 Dica 31 - Só faça apostas que pode ganhar.


Notas iniciais
É, eu sei que já fazem meses. É, eu sei que é madrugada. É, eu sei que tem várias reviews sem resposta. É, eu sei que tem MPs sem resposta... Entretanto, 10 mil palavras foram escritas para o que deveria ser um capítulo, então postarei por partes. Senti saudades daqui. Não tenho uma explicação certa para minha ausência. Foi uma mistura de perda de arquivos, perda de criatividade e necessidade de estudar que me fizeram distanciar do Nyah. Mas estou aqui, cheia de capítulos novos e com um grande: PEDIDO DE DESCULPAS! MIL DESCULPAS! Vocês são meus leitores, e eu os amo por isso. Por isso, peço imensas desculpas a todos! Espero que gostem. Se quiserem me xingar, fiquem a vontade kkk estou aceitando qualquer tipo de brutalidade. Entretanto, se quiserem apenas curtir o capítulo, fiquem a vontade! :] amanhã postarei a segunda parte e a terceira. Se quiserem apenas comentar na terceira, no problems. Mais uma vez... SINTO MUUUUITO!

Dica 31 – Só faça apostas que pode ganhar.

Finalmente eu parei. FINALMENTE! São exatamente 4h37m da manhã, e eu estou suja, cansada e acabada. Hoje, o dia foi incrivelmente maluco! Se eu escrevesse em apenas uma dica, seria capaz de deixar alguém maluco também. Não existe dica que possa contemplar todos os momentos esquisitos que vivi hoje... Ontem. Que seja.

Não consigo mais me prender a dicas, as memórias estão fluindo tão rapidamente que não me deixam pensar em muita coisa. É, esse caderno é uma porcaria de diário, como Matt falou. Eu sei que é estranho admitir algo que ele já havia dito, sei mesmo! E lá venho eu, parecendo um cachorrinho com o rabo entre as pernas com agonia torturante, admitir que ele falou... É ele falou.

Primeiramente, para iniciar esse dia esplendoroso, vem minha dica do diário: Só faça apostas que pode ganhar. Eu sei que isso é meio lógico, mas às 4h39m da manhã, essa é a única coisa que me vem a mente para dizer a vocês sobre a parte do dia de hoje.

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– Eu vi tudo! – Jeon falou ainda mais alto. Consequentemente, eu fiquei vermelha como jamais havia ficado. – Aí, quando eu estava para correr e pegar água para apagar o fogo, a Lucy pulou em cima do Matt e rasgou a camisa dele, salvando-o da morte certa.

Todos da mesa ficaram boquiabertos. Matt, por sua vez, ria sozinho com a lembrança ridícula da minha proeza. Já comigo, não havia um músculo do meu rosto que conseguia se mover... Para não dizer que eu havia petrificada, posso admitir que minhas entranhas subiam pela garganta.

– Mas eu não vi nada disso. – Charlotte retrucou, olhando fixamente para mim e para Matt como se procurasse nossa negação. Não negamos – Não acredito.

Meu rosto pegava fogo numa mistura de nervosismo e raiva. Todos da mesa estavam na minha frene, encarando! Do meu lado, estavam sentados, respectivamente, Matt, Jeon e eu.

Imaginei que poderia matar Jeon ali mesmo.

– Não foi exatamente assim. – falei, tentando me defender.

Aí Jeon falou sua sentença de morte:

– E o melhor foi que depois, ela deitou no peito dele e ficou ridiculamente derretida, enquanto ele choramingava por quase ter morrido!

De imediato, peguei uma faca em cima da mesa para atravessar a goela dele! Cheguei a posiciona-la a menos de 10 cm da garganta de Jeon! Ao mesmo tempo, Matt agarrou o cabelo dele com uma mão, enquanto a outra estava cerrada para soca-lo.

– Quem aqui choramingava?

– Quem aqui se derretia?

Falamos ao mesmo tempo. Em seguida, nos entreolhamos como se mandássemos o outro recuar da ameaça. Entretanto, a sensação de estarmos agindo em conjunto... Em casal... Foi tão bizarra que os dois voltaram para suas posições iniciais devagar, virando os rostos para lados completamente contrários.

Jeon, por sua vez, deu um sorriso amarelo. Ele estava suando frio com certeza!

– Então, vocês realmente estão juntos? – Jonathan falou.

Eu neguei com toda velocidade que minha cabeça era capaz de fazer, mas Matt só foi capaz de rir para me desmentir.

Sei o que você está pensando: “Mas, Lucy, você não estava blerg?”. Sim, na noite anterior. Na noite anterior, eu olhei para Matt devagar, sabe? Olhei para seu rosto, seus ombros, seu percoço, seu cabelo... Na noite anterior, eu estava lá, e Matt estava lá. Nós estávamos naquele clima medonho que me assustou! Assustou de verdade!

Em momento algum pela manhã, Matt e eu trocamos palavras.

– Atenção, campistas! – o Sr. Turner falou no microfone, chamando a atenção de todos. Os monitores estavam ao lado dele, todos em frente às bandeiras de suas respectivas bandeiras – Como todos sabem, esta noite teremos o famoso Teste de Coragem! – muitos campistas berraram de emoção descomunal – Então, para que haja surpresa para todos este ano, e como costume nos dias que antecedem o teste, vocês estão liberados das atividades pelo período da tarde em seus dormitórios. O almoço e a janta serão servidos para vocês lá mesmo. Somente quando tudo estiver liberado, vocês serão direcionados por seus monitores.

Retorci a boca, achando aquilo esquisito.

– Ei, Eric. – murmurei para ele o mais baixo que pude – Nós vamos ser trancados nas barracas por que?

Ele sorriu e ajeitou os óculos antes de me responder:

– Os monitores vão organizar o Teste de Coragem. Ele se extende por quase todo o acampamento, então, como é praticamente tudo surpresa, nós temos que ficar em um lugar separado.

Assenti com um movimento de cabeça, voltando minha atenção ao Sr. Turner.

–... Então, todos os campistas serão divididos em duplas por seus líderes de equipe. Outros direcionamentos serão feitos por seus monitores, além de explicações mais aprofundadas. Por hora, estão todos liberados.

Gradativamente, os campistas se levantavam, mas eu demorei mais por observar com o canto do olho se Matt vinha para perto de mim para me cutucar, para me chamar a atenção ou para brigar comigo. Ele não veio. Estava com sua feição desinteressada perdida e com os cabelos embaraçados cobrindo a testa, tão alheio a mim que me incomodou.

Poxa, só recapitulando: Matt havia me beijado duas noites atrás. Ontem (na verdade, antes de ontem já que aqui já passou da meia noite), Matt e eu tivemos aquele clima terrível. E eu quase admiti! Eu quase falei, quase me retorci e me joguei nos braços de um maluco insano. Era lógico que eu queria a atenção dele!

A minha raiva se acalmou em uma conformação nojenta que eu não queria. Não queria mesmo.

Eu o olhei de canto, enquanto se levantava e passava atrás de mim, e suspirei. Desejava que ele fosse falar comigo, como sempre fez, mas tive que entender que: se eu queria falar com ele, eu tinha que ir falar.

– Anã... – a voz que só poderia ser dele (sim, dele) soou atrás de mim no instante em que me levantei de meu próprio banco. Um arrepio fantasmagórico subiu minha nuca. Agora, além de delinquente, Matt era invocador de espíritos, um necromante! – Formiga...

Tentando não dar a atenção que ele queria (e que eu, aparentemente, também queria) para não chamar a atenção de Jeon, Jonathan, Charlotte, Jenna e Eric, virei-me com o olhar mais desdenhoso que consegui e um retorcer de boca digno de vilã de novela mexicana.

– O que foi, desvirtuado júnior?

Toda minha pose se desfez, quando, no instante em que encarei seu rosto, a mão grande e magra dele veio direto para a minha cara, agarrando minhas bochechas com força! Foi humilhante e dolorido!

– Inseto pequeno e chato, achou que ia passar a manhã sem falar comigo? – ele disse, rindo e balançando minha cabeça até que eu me jogasse para trás na tentativa de me soltar de sua sadice – E então, vai ser minha dupla, não vai?

Imediatamente, os olhos grandes e curiosos de Charlotte, Eric, Jonathan e Jeon nos encararam! Jenna não deu bola e seguiu seu caminho, mas os outros quatro simplesmente ficaram nos encarando como se esperassem minha resposta romântica ou sarcástica!

Voltei a fitar Matt, pensando que ele estaria com sua feição de deboche. Ele não estava... Fui olhada por seus olhos verdes seriamente. Tão seriamente que sua mão começou a descer das minhas bochechas pelo meu braço até tocar meu cotovelo. Aquilo me deu arrepios.

– Hahaha, você acha? – retruquei, dando um passo para trás e para longe da mão dele. Eu não poderia dar aquela bandeira na frente dos outros sem que fosse algo certo. O que não era, afinal Matt havia deixado bem claro diversas vezes que só queria me beijar.

Mas que droga hahahaha ele só queria me beijar. E eu com aqueles pensamentos malucos sobre querer falar com ele, apenas falar.

Matt ficou desconcertado com a minha reação, deixando o queixo cair com todo o peso que tinha. Não foi minha culpa, foi culpa da minha mente geniosa sem noção que só conseguia pensar nas frases malucas de Matt de três noites atrás.

“Lucy, você não está levando a sério. Quando eu disse que queria te beijar, foi uma verdade.”

– Como? – ele gaguejou, acompanhando meu olhar em seguida e vendo que eu estava preocupada com os quatro curiosos nos olhando. Então, balançou a cabeça como se assentisse, mas sua feição estava bem enraivecida – Ah, entendi. Você está com vergonha.

Pisquei os olhos com velocidade imediatamente.

“Você é maluca!”

– Vergonha? – indaguei na esperança que ele entendesse meu desconforto – Eu?

– Para com o papo furado. – ele resmungou, passando a mão na nuca e fitando nossos queridíssimos amigos – Vocês já podem ir embora?

Jeon faltou urinar nas próprias calças de tanta animação com a tal conversa secreta, saindo entre saltos e risadas finas de asiático. Jonathan deu um sorriso pretensioso para Matt que não me disse muita coisa, mas eu sabia que ali não tinha nada de santidade. Já Charlotte e Eric se mantiveram com as expressões desajeitadas, enquanto se retiravam com os outros.

Suspirei por fim. Minha tentativa de fazer aquilo o mais discreto possível foi por água abaixo.

– Por que veio me perguntar sobre as duplas? – falei e me virei para ele, encarando seu rosto.

Eu não podia negar, Matt tinha qualidades de beleza. Ele não era feio... Chegava a ser bem bonito com os cabelos emaranhados de cachos e ondas, maçãs do rosto magras. ECA! ESTOU TÃO GAY HOJE! AAAAARGH! E tem mais de onde essas baboseiras vieram.

“O problema é que você vai se apaixonar por mim.”

– Ora, por que? Porque você não me respondeu com eles nos olhando. Por isso.

Ao falar, Matt se desdobrou no seu alterego gentil e risonho. Ele estava sorrindo e me olhando com meiguice. E eu não queria estar blerg. Não queria notar nada, absolutamente nada nele. Queria só ficar um tempo ao lado dele sem dar brecha de que era o que eu realmente queria.

– O que te faz pensar que eu te responderia algo diferente depois que eles fossem? – forcei uma resposta sarcástica que só o fez achar graça. Ele riu! E eu estava sendo o mais grossa que conseguia. – Matt, era para você ter achado ruim esse meu comentário.

– Ruim? Para que achar ruim, se está bem na cara para mim? – ele falou, dando entreombros. – Ou no pulso...

E com aquilo, deu uma gargalhada forte e estrondosa. Entretanto, eu NÃO ENTENDIA que porcaria de piada era aquela com o meu pulso. Que idiota eu sou, não conseguia entender algo tão simples.

– Você tem sérios desequilíbrios mentais. – brinquei, sorrindo devagar. – Quer mesmo fazer dupla comigo? Da última vez, não deu muito certo.

– Da última vez, a gente se odiava.

– Da última vez, você era um babaca. – falei, mas de imediato recolhi meus lábios para dentro da boca, achando que ele diria algo como “e agora, o que eu sou?”.

– Deixa eu te contar um segredo. – Matt murmurou, passando os olhos ao nosso redor e rindo. Lentamente, ele se aproximou do meu rosto, dobrando quase totalmente sua coluna para que sua boca ficasse na altura da minha orelha. – Eu ainda sou um babaca.

Babaca. E que babaca! Que tipo de babaca admite que é babaca? Tentei processar aquilo por um tempo, mas não deu. Não deu para engolir a seco que ele queria que eu o visse como idiota.

E então, o raciocínio ridículo ecoou na minha cabeça: Será que ele notou que eu estou, teoricamente, blerg por ele? Afinal, ele já disse que era algo ruim eu me apaixonar por ele, não disse? Não disse? Disse. Ele disse e repeliu de diversas formas há duas noite qualquer coisa que pudesse levar a um sentimento. Por isso, um peso enorme em chumbo desceu sobre meus ombros.

– É, é um babaca. – falei devagar e com um sorriso sem vida. – E você quer fazer dupla comigo?

Ele assentiu com a cabeça. Com absoluta certeza, ele era um sádico louco que queria me ver atrapalhada com a tal história do “blerg”.

– Ganharemos se pararmos de discutir. Porém, sem discussão vai ter beeem menos graça. – ele falou, achando a maior graça o próprio comentário. – Estamos combinados, então.

Retorci a boca, ainda tentando manter o sorriso. Quase que imediatamente depois, dei meia volta e segui meu caminho com o intuito de chegar nas barracas femininas o mais rápido possível, deixando Matt para trás com toda e qualquer expectativa que ele tinha para aquela noite. Ele tentaria me beijar por apenas querer. Ele daria um jeito de me deixar furiosa e iria rir como louco daquilo. Que babaca.

Entretanto, meus planos de chegar nas barracas femininas o mais rápido possível foram bloqueados no instante em que passei pela porta de saída do refeitório da Grande Casa! Duas mãos agarraram brutalmente meus ombros e me puxaram para o lado, quase me fazendo cair! E no milésimo de segundo que olhei para trás, notei a maluca da minha amiga perfeita: Charlotte.

– Pshhhh... – ela assoviou para que eu fizesse silêncio com o dedo indicador na boca. Estranhei, logicamente, vendo que ela se preocupava com as pessoas que passavam por nós. Não demorou até que Charlotte suspirasse e voltasse a me encarar – E então? Vocês estão namorando ou o que?

Charlotte era DEFINITIVAMENTE bipolar!

Primeiro veio com aquele papo de “Você está como o cheiro do Matt” e depois “Eu o dou a você, Lucy. Com muito pesar, ele é seu.”. Veio até com “Não vou achar ruim você dizer que está palavra proibida”. E BAM! Agora queria saber se eu e o Matt estávamos namorando.

– Lógico que não estamos namorando. – resmunguei, afastando-me um pouco dela. Dava para ver que Charlotte tinha entrado em um nível de ciúme que ela mesma não queria, provavelmente por eu ser sua amiga. – Por mais blerg que eu esteja ou possa ficar, ele não quer nada romântico. Ele não quer sentimentos...

– Mas vocês...

– A gente nada. – cortei mais grossa do que queria. Grossa como papel de enrolar prego. Grossa como a panturrilha do Fanático. Suspirei. Não queria ter sido grossa assim. – Desculpa. Só estou revoltada porque ele é um babaca. Estou esquecendo quão legal esse acampamento é por causa dessas bobagens de romance.

Ela piscou seus olhinhos azuis e se recostou na parede da Grande Casa, admitindo:

– Somos duas, minha amiga. Acredita que estou fugindo do Jeff?

Ergui uma sobrancelha apenas e a julguei com todo meu coraçãozinho de Lucy. Poxa, Jeffrey era realmente algo além do comum para ser jogado para fora daquela forma. E, bem, o universo e seus controladores alienígenas gostam de me ver em situações embaraçosas...

Olhei por meio segundo para o lado e vi que Jeffrey caminhava na nossa direção, balançando seus braços magros e sua camisa pólo que não lhe fazia justiça aos músculos. Ele me levantou no dia em que eu fui parar nas barracas masculinas, então eu sei do que estou falando.

– Não olhe agora, Jeffrey está vindo na nossa direção. – murmurei e causei uma abertura assustadora nos olhos azuis de Charlotte. Ela não chegou a olhar para ele, apenas correu como uma bala para longe, beeeem longe.

Todo o rostinho angelical e inocente de Jeffrey se desfez em insatisfação mórbida. Logicamente, ele tinha notado que causava algo. Entretanto, ele veio caminhando até mim ainda sereno, dizendo:

– E então, Lucy? Está preparada para o Teste de Coragem?

– Eu sou bem corajosa, vou conseguir me cuidar. – eu disse com uma risadinha. – Vai fazer dupla com quem?

– Bette, quase logicamente. – falou entre os ombros como se aquilo fosse natural. Pobre coitado. – Não poderia deixar ninguém com minha irmãzinha, afinal.

Não só poderia, como deixou. Mas chegaremos lá logo logo...

– É, eu não poderia imaginar a Bette com outra pessoa. Mas seria uma ideia extraordinariamente cruel deixa-la com o Jonathan... – falei e os chifres do diabo praticamente cresceram na minha testa – Só dizendo, é apenas uma ideia...

Ele riu. Aquela era uma idéia sadista demais até para mim. De qualquer forma, Jonathan não é a pior companhia do mundo e eu queria vê-lo com Jenna para um, quem sabe, flashback. Back pra valer!

– Você vai com quem? Com o Eric? – ele disse devagar com seu sorriso fofo que dava vontade de por no bolso. Eu neguei com a cabeça, sorrindo COMPLETAMENTE involuntariamente. – Vou dar um palpite que está meio na cara, mas... Matt? Sério?

Assenti e pus as mãos para cima, tentando me declarar inocente. Eu não era inocente de jeito nenhum, eu queria aquela porcaria de dupla e queria poder ficar mais um tempo com ele e com os malucos dos nossos amigos. O sentimento do blerg tomava de conta de mim. E era uma droga.

– Eu tenho que ir agora. – falei devagar, dando passos para trás. Imaginei o sentimento agonizante de Charlotte naquele momento. – Nos vemos mais tarde quando eu ganhar de você.

Novamente, Jeffrey riu. COMO DIABOS EU E CHARLOTTE ERAMOS CAÍDAS PELO MESMO CARA COM O PRÍNCIPE CHAMADO JEFFREY BEM ALI? Como? Como?

Aí uma ideia me veio a cabeça para me tirar do sério e dar início o desastre que essa noite foi: Eu faria Charlotte dar uma chance de verdade para Jeffrey, oferecendo algo que ela provavelmente queria.

Na mesma hora, corri todo o caminho de terra que dava para as barracas femininas em meio a várias outras garotas que andavam em grupo com conversinhas divertidinhas e bobagens. Charlotte não estava no meio delas, então zarpei sem fôlego para nossa barraca, escancarando a porta assim que cheguei e vendo uma expressão de susto nela e em Louise Morgan, que também estava dentro.

– Tudo bem, anã? Parece que viu um monstro. – Louise falou com um sorriso irônico.

Charlotte se levantou de sua própria cama e veio ao meu encontro com certa preocupação no rosto, falando:

– Você está bem? Também correu do Jeffrey?

– Charlotte! – berrei de uma vez, o que a assustou. Tive que puxar muuito ar para conseguir falando. – Conte-me... Sobre o tal Teste de Coragem. Conte-me, agora.

Ela estranhou e riu, franzindo as sobrancelhas.

– Bem, não tem muito o que dizer. Somos todos divididos em duplas de nossas próprias equipes e ganhamos um mapa com pontos específicos do acampamento para explorar, além de uma bússola. – Charlotte disse com simplicidade, curiosa pelo meu olhar elétrico – No trajeto pelo acampamento, muitas duplas encontram desafios com outras e podem ser desclassificadas. Outras são pegas por monitores fantasiados e disfarçados para nos assustar, o que raramente funciona. O ponto final é a caverna, mas é a melhor parte e...

– Você quer ser dupla do Matt para provar se realmente gosta dele?! – eu a interrompi como um raio. Louise praticamente saltou com aquela minha declaração.

Entretanto, a expressão de Charlotte não foi de surpresa. Minha loira favorita ficou imóvel, completamente petrificada.

– Nossa, a Esther vai se roer demais de ciúmes. – Louise riu-se com a imagem de Esther sendo definhada pelo monstro verde do ciúme.

Coloquei minhas mãos nos ombros de Charlotte e a encarei nos olhos, falando o mais sério que eu conseguia com o fôlego que ainda tinha:

– O negócio é o seguinte: Nós duas iremos competir em algo. Se você ganhar, você fará dupla com o Matt. Se eu ganhar, entretanto, você vai dar uma chance para o Jeffrey. Não uma chance qualquer, você vai olhar para ele nos olhos e conversar só com ele nesses últimos dois dias de acampamento.

– Feito.

Sua palavra foi tão imediata que me surpreendeu.

– Espera, você aceitou mesmo? – balbuciei sem acreditar que tinha sido tão automático. – Não vai parar para pensar em nada?

Charlotte negou com a cabeça, tentando suprimir um sorriso que surgia no cantinho do seu rosto enquanto falava:

– Eu disse que dava o Matt para você, mas ainda assim você veio com essa proposta para que eu possa me encontrar. Eu aceito. Por você, lógico.

Que cara de pau de mentir, ela tinha. Aquilo me fez dar uma risada. Eu simplesmente adorava aquela garota!

– Está certo. – assenti com a cabeça, largando os ombros dela e segurando minha própria cintura – E então, no que competiremos?

Charlotte ia responder alguma coisa, mas Louise surgiu repentinamente entre nós duas com um sorriso de ponta a outra, falando com excitação:

– O que acham de eu ajudar com o desafio? – ela falou. O que foi muito estranho, já que Louise não tinha absolutamente nada a ver com a situação em questão. Eu e Charlotte chegamos a nos entreolhar antes que ela continuasse com seu plano maléfico – Convençam Bette Larsen a brigar com a Esther. Quem conseguir algo parecido com uma discussão, na qual eu serei a juíza, ganha e leva o Matt para o Teste de Coragem.

Aquilo foi diabolicamente genial. Em momento algum dos últimos dias de acampamento, eu recordo de ter visto Bette Larsen e Esther Devosso trocarem olhares, quanto mais conversar. As duas eram insuportáveis e o plano era ridiculamente divertido.

– Tô dentro! – praticamente berrei.

Charlotte me encarou contrariada, falando:

– Você tem certeza? Isso pode dar um sério problema, dadas as pessoas em questão...

– Não, Char... Isso é genial! – afirmei, rindo e arqueando as sobrancelhas.

Ela franziu a testa e assentiu com a cabeça, por fim, como se concordasse também com os termos estabelecidos. Aquilo foi o suficiente para Louise dar uma gargalhada e agarrar nossos pulsos, arrastando nós duas para fora da barraca, onde várias meninas campistas ainda estavam reunidas e conversando sem prestar atenção no que estávamos prestes a fazer.

– Vocês duas tem até o almoço! – Louise falou e nos soltou. – Preparar... Apontar... Vão!

Notas finais
Responderei as MPs em um horário mais favorável kk assim como a maioria dos review. De qualquer forma, estamos nos aproximando do final :] e, mais uma vez, mil desculpas pela ausência!