Como Sobreviver Num Acampamento De Nerds

20 Dica 20 - Não deixe bêbados andarem desamparados


Notas iniciais
Demorou, ta gigante, mas ta aí! hahahaha. Espero que gostem e fiquem curiosos com o final *-* não me batam pelo que vai acontecer kkk Ahh, e muito obrigada pela recomendação liinda, UnicórnioTerrorista

Vigésma Dica: Não deixe bêbados andarem desamparados

Sim, bêbados... Você deve lembrar que a definição geral de um bêbado é: “Que está intoxicado pelo excesso de bebida(s) alcoólica(s) no organismo; que se embriaga com frequência; que possui grande tendência para se embriagar”. Siiim, alguém ficou bêbado, e alguém (eu) perdeu esse alguém bêbado, e outro alguém acabou encontrando o primeiro alguém, deixando-o em locais não muito agradáveis... Em suma, não deixe de maneira alguma, algum bêbado solto em um acampamento com atividades mortais, com jacarés escondidos e com nerd pervertidos.

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– ... Aí eu vi aquela multidão de pessoas correndo atrás de mim! Eu pirei! Surtei! Corri com o resto do resto de tornozelo que tinha para me salvar, mas, depois de tanto correr, tropecei em uma raiz de árvore e caí! – eu contava a história na mesa e escutava os risinhos divertidos de Eric, Charlotte, Jeon e Jonathan. Jenna também estava entre nós, mas não ria nem esboçava emoção alguma além das sobrancelhas levantas.

– Mentirosa. – Matt resmungou. Inconvenientemente, ele também estava sentado conosco. – Não deu sequer três passos antes de tropeçar e cair. Aí então, eu te salvei.

Revirei os olhos e fiz uma careta desagradável. Matt sempre cortava o meu barato. Eric, Jeon e Charlotte se entreolharam e cutucaram uns aos outros, provavelmente pensando outra vez que algo acontecia entre eu e Matt.

– Vocês querem parar com isso? – briguei e eles não responderam. Continuaram achando graça. – É muito chato ser combinada com esse idiota.

– Eeei, me respeita! – o delinquente disse antes de retorcer a boca – Quem ia querer ser combinado com um Tarzan de samambaia quando a Esther continua solteira por aí.

Charlotte fez que ia vomitar, falando:

– Misericórdia, Matt! Você podia escolher alguém melhor. Existem várias outras garotas bonitas no acampamento e você escolhe logo a minha irmã?

Esther era insuportável, mas eu tinha que admitir que era uma moça bonita. Todas as Devosso que eu conhecia eram bonitas, imagino que a mais velha também fosse igualmente bela.

– Ah, certo. Vou já já ali atrás da Bette Larsen. – ele ironizou e Jeon riu muito alto – Charlotte, eu te respeito pra caramba, mas se inventar de me jogar para Bette Larsen eu...

Não deixei que ele terminasse de falar e me levantei do banco. Estávamos no jantar, logo após o paintball da Secessão. Vasculhei todo o salão em busca da minha nova maneira de importunar Matt...

– Bette! – berrei assim que a vi. Pude notar de imediato que o delinquente estapeou a própria face, já imaginando do que se tratava a situação – Vem aqui! Rápido!

Bette estava saltitando com suas bochechas rosadas enormes e seu vestido bufante de debutante – o que eu não duvidava que ela fosse – quando me viu chama-la. Ficou assustada, eu presumo, e fingiu que não havia escutado nada. O que deixou Matt bastante aliviado.

– Não brinque com fogo, catatau. – ele falou e se levantou também, espreguiçando e estralando as costas como se não fosse nada – Cara, esse negócio de paintball é de matar mesmo. Char, não quer fazer uma massagem em mim não? Sou seu vice-líder lindo e amado.

Ela negou com a cabeça.

– Matt folgado. – Jonathan resmungou com certo humor na fala. – Quer todas as Devosso.

– Acho que vou dormir mais cedo hoje. Sério, to muito morto. – o delinquente continuou a resmungar.

Nunquinha fique escutando reclamações sem fundamento de preguiçosos delinquentes. Isso é o tipo de dica que eu deveria por aqui no caderno se essa de agora não fosse tão importante... Foi no meio dessas reclamações que houve o primeiro convite para uma loooonga noite.

– Dormir? – Jenna murmurou, fazendo com que todos ficassem em silêncio – Hoje não é o dia do encontro?

Todos se entreolharam como se soubessem de algo. Charlotte abriu um sorrisão gigante de modelo metida e assentiu com a cabeça.

– O que é encontro? – perguntei, mas não fui respondida.

– É hoje então?! Por que não disse antes? – Jonathan disse, animadíssimo. Eu não entendi o motivo da animação. Ele estava quase pulando da cadeira. – Charlotte, temos que avisar a elite toda!

Elite? Encontro? – continuei sem resposta – Do que estão falando?

Matt sentou-se outra vez, rindo, passando a mão na cabeça e dizendo:

– Esquece isso de cansaço! É hoje mesmo?

– É sim! Charlotte já tinha falado comigo e com Jeon! – Eric levantou os braços enquanto falava.

– Ah, eu estava esperando a discussão acabar para poder falar do encontro para a Lucy. – Charlotte murmurou, fazendo sinal que eles falassem mais baixo. – A maior parte da elite já foi chamada agora pela tarde. Já, inclusive, acertei as coisas com o James Galliard.

Cocei a cabeça, ansiosa e inquieta. DO QUE DIABOS ELES FALAVAM COM TANTA ANIMAÇÃO?!

– Parem de falar de coisas que eu não entendo na minha frente! – rosnei e Jeon gargalhou.

– Miúda, esse é o melhor evento clandestino do acampamento. – o asiático tarado falou, e eu imaginei que tinha algo relacionado a strippers.

Arqueei as sobrancelhas enquanto via a situação de nossa mesa de uma maneira melhor e mais clara: Todos estavam absurdamente animados com algo que eles chamavam de “encontro” com pessoas que eles caracterizavam como “elite”. Jonathan estava mais alegre que o normal, Jenna estava algo muito próximo de feliz, Charlotte tentava controlar os ânimos de todos, Matt esqueceu completamente o cansaço, Eric já sabia de tudo... E eu via Jeon imaginando strippers com certeza.

– Temos que falar com o Tuck! – Jonathan começou a contar nos dedos, cada segundo mais entusiasmado – E também falar com a Hanna, a Louise, a amiga da Louise (ele provavelmente estava falando de Anna), o Harley, o Ratt... Já avisaram ao Jeffrey, certo? Cadê esse homem?

Jonathan olhou pelos cantos até encontrar Jeffrey a duas mesas de distância de nós. Geralmente, ele não sentava conosco, preferia ficar com Bette e com outras pessoas... Eu realmente nunca tinha reparado quem eram as outras pessoas com quem ele se sentava. Então, não evitei olhar.

Eram moças e rapazes bonitos, pessoas com dentes brancos e sorrisos grandes e afetuosos que pareciam se divertir a cada palavra trocada. Pouco depois, Jonathan me explicou que aquelas pessoas eram populares em todos os cantos onde estudavam, moças e rapazes ricos em sua maioria.

Charlotte logo me explicou do que se tratava a felicidade do chamado “encontro”:

– Lucy, todos os anos nós temos noites de anfitriões, de peças de teatro, de teste de coragem, de luau... Coisas assim. Entretanto, de uns dois anos para cá, alguns participantes do acampamento e eu criamos uma reunião informal intergrupal. Nós chamamos essa reunião de “encontro”.

Matt então se virou para mim rapidamente.

– Resumindo de forma que você entenda. – ele disse e olhou ao redor de nós antes de falar baixo e claramente – Esse encontro é uma festa clandestina que apenas pessoas legais são convidadas.

Eu funguei e expressei de forma um pouco bruta o que me passou pela cabeça no momento:

– Está me dizendo que os nerds tem segregação também aqui no acampamento? Tipo no colégio, cheio de panelinhas e etc?

Ele deu entre ombros, mas Charlotte interveio.

– Não, essa é uma reunião para amigos.

– Charlotte acha que ainda é coisa de amigos o encontro. – Jonathan murmurou, tirando sarro dela. – Enfim, ao que parece, você está na lista de entrada.

Retorci a boca, achei aquilo muito highschool. Isso de rebeldia contra sistema era legal e tudo mais, mas uma festa em um acampamento? Como eles conseguiam? Foi aí que Jeon passou algo para Charlotte em forma de grãos numa sacolinha.

– O que é isso? – perguntei. De primeira, parecia cocaína, o que me assustou muuito.

– Não faça alarde, Lucy. – Charlotte falou mansamente – É que todas da nossa barraca, com exceção da Bette, foram convidadas. Ano passado o mesmo aconteceu, e a Esther, que estava na barraca dela, colocou isso na sua água para ela dormir tranquilamente.

Resumindo: eles iriam drogar Bette Larsen. Eu soltei uma gargalhada muito alta, mas fui repreendida por olhares de todos.

– E então? Você vai?! – Jeon falou rapidamente, e todos me olharam fazendo pressão.

Assenti com a cabeça. Com exceção de Matt e Jenna, meus companheiros se animaram. Tive um mau pressentimento medonho que me tremeu as juntas. Sinceramente, não me reconheci naquele dia! Tremendo as bases, ficando assustada, sem coragem de atirar no Jeff e coisas assim...?! QUEM ERA EU?!

Charlotte nem mesmo saiu conosco da mesa. Ao que parecia, ela tinha mil coisas para resolver antes do tal encontro, então fui na direção das barracas acompanhada de Jenna (que deveria me dar detalhes da festa clandestina) e de mil pensamentos que não me deixavam em paz – principalmente os que rodeavam as possíveis strippers de Jeon.

– Jenna, como é essa festa que vocês estão falando? – perguntei e ela arregalou os olhos.

Rapidamente, Jenna pôs a mão na minha boca e olhos para nossos lados, falando baixinho:

– Não fale em voz alta. Em todo canto estão escondidos os espiões. Por conta dessas pessoas, Charlotte e os outros só divulgam o encontro horas antes de acontecer.

Ta certo... – falei com a mão dela ainda na minha boca. Demorou um pouco para que tudo parecesse seguro, e Jenna tivesse coragem de largar minha boca. – Mas quem está no comando além da Charlotte? Isso começou faz muito tempo? Há quanto tempo a Charlotte vem ao acampamento.

Ela revirou os olhos e continuou a andar.

– Você faz perguntaas demais, Lucy. – falou friamente, como de esperado. – Tudo começou antes mesmo de a Charlotte entrar com o atual monitor dos Laranjas e a atual monitora dos Amarelos, na época em que eram líderes e o Laranja e Amarelo eram times incríveis. Charlotte deu continuidade com ajuda deles. Jeffrey também seria um dos líderes, mas não quis se comprometer.

– Então os monitores ajudam?

Jenna QUASE sorriu.

– Você vai ver. A festa deve começar por volta de 1h. É melhor deixar suas coisas prontas...

Arqueei as sobrancelhas e fui em frente, já começando a imaginar que a festa seria algo totalmente divergente da ideia das strippers de Jeon. O que não foi exatamente um engano, nem exatamente um acerto no fim das contas.

Quando chegamos na barraca, Louise e Anna cochichavam alegremente, enquanto brincavam com Jack sobre a cama de uma delas. Assim que nos viram, soltaram risos alegres e mostraram o dedo mindinho. Jenna fez o mesmo gesto e me disse para fazer também, era um tipo de código para identificar quem estava na lista.

As informações realmente corriam rápido no acampamento... Lembro absurdamente bem do(s) episódio(s) que envovia(m) Matt. Todo o acampamento parecia pegar no nosso pé desde o “Aprendendo a Confiar”.

– E aí, sabem se deu certo dar o veneno da Esther para a Bette? – Anna falou com os olhos atentos e vivos.

Eu ri.

– Sempre soube que a Esther era uma cobra peçonhenta. – falei na cara de pau. Louise e Anna até acharam graça, mas não deram muita atenção ao comentário, estavam mais preocupadas em Bette perceber nossa falta na barraca.

De repente e do nada (ultimamente, tudo estava acontecendo DO NADA) a porta da barraca se abriu, e ninguém menos do que Bette Larsen adentrou. Nenhuma de nós esperava, então ficamos encarando o olhar curioso e estranho dela para nós.

– O que estão olhando? – Bette Larsen falou, fitando o próprio vestido, pegando no cabelo e girando no próprio eixo. – Suas estranhas.

Como eu tinha que agir naturalmente, insultei:

– Olha quem fala...

Ela bufou, eu bufei, e nós duas ficamos em cantos diferentes e distantes da barraca, como esperado.

– Não entendo como você suporta essa... Insuportável. – Bette resmungou para Jenna, que deu entre ombros normalmente. Mas a medida que andava para a própria cama, a chatinha irmã de Jeffrey cambaleou.

Louise e Anna abriram sorrisos, já imaginando que estava dando certo.

– Está tudo bem, Bette? – Anna se aproximou na maior falsidade. – Deite-se, você parece estar tonta.

– E sonolenta! – Louise falou, também ao lado de Bette – Está com sono?

A outra assentiu com a cabeça, falando com sua voz enjoenta:

– Estou um pouco cansada. Obrigada por se preocup-

Não terminou nem de falar, caiu com tudo em cima da cama. E eu olhei para aquilo horrorizada, imaginando quando Esther faria o mesmo comigo! Sério, drogaram a coitada e insuportável da Bette!

Todas ficaram satisfeitas e foram dormir. Jenna novamente me lembrou que por volta de uma hora da madrugada a festa começaria, o que fazia sentido mostrar que estávamos dormindo. Apesar disso, ninguém comentou em momento algum onde seria a tal festa, ou como faríamos para chegar lá...

– Ei, acorda. – ouvi uma voz me chamar. Eu tinha me embriagado num sono tão profundo que demorei para reconhecer que era Louise quem me acordava. Ela estava com roupas de gliter e lantejoulas, realmente chique. O salto estava nas mãos. – Vai se arrumar, anã. Saímos em três minutos.

Levantei-me rapidamente e vi que Anna também estava arrumada como Louise, ambas com acessórios vermelhos chamativos. Já Jenna, vestia-se com um corpete preto e tinha maquiagem forte também preta além de lábios vermelhos berrantes.

VELHO! ESTÁVAMOS EM UM ACAMPAMENTO! NÃO INDO PARA UMA BOATE!

– Wow! Vocês vão arrumadas assim?! Eu não tenho roupas arrumadas! – exclamei e elas me assoviaram um “shhhhh” para eu fazer silêncio.

Louise coçou a cabeça e se enfiou dentro da própria mala, antes de me jogar um pedaço de pano grosso preto e falar rapidamente:

– Esse serve para você, fica bem folgado em mim. – sim, aquela lagartixa me chamou de gorda... – Saímos em dois minutos e meio.

Revirei os olhos e peguei o que ela havia me dado. Era uma saia rodada escura, que, por conta do meu sono, não pude identificar a cor ao certo.

– Vá com algum acessório ou parte de roupa azul, Lucy. – Anna murmurou, observando Bette que dormia e roncava como um monstro – Temos que nos caracterizar com nossos grupos.

Revirei minha cabeça, pensando se eu tinha algo usável e AZUL! Bem, eu tinha e usei... Uma camisa propositalmente rasgada e azul escura com suspensórios beeeem hipsters (isso fora o e coturno para meus pés macios). Nunca que eu iria me imaginar usando roupas assim dentro de um acampamento... Sequer tive chance de pentear os cabelos ou me maquiar como uma garota normal! Louise, Anna e Jenna já estavam do lado de fora. E eu sou uma garota normal, isso posso garantir!

Devo admitir também que nunca havia imaginado Jenna tão sexy quanto ela estava. Aquela garota era muuuuito estranha.

Saimos ligeiramente pelo meio das barracas no meio da escuridão. Louise levava consigo uma lanterna, o que nos confortou no meio dos barulhos das corujas, dos grilos e das cigarras. As barracas femininas se localizavam em uma clareira rodeada de vegetação alta (vegetação essa que os outros e eu nos metemos dentro para achar Jack).

– Ali! Para aquele lado! – Anna falou, apontando para um canto atrás do banheiro.

Percebi que algo brilhava no chão naquela direção, seguida de outro brilho e outro brilho. Uma trilha! Que conveniente!

– Vamos para aquele lado. – Jenna falou quase congelando o clima entre nós de tão fria.

– Ei! Espere! – alguém falou atrás de nós.

Olhei e vi duas moças de cabelos loiros pouco menos arrumadas que as minhas companheiras de barraca. Procurei por acessório com cor e vi que tinham cintos brancos em seus vestidos quase iguais. Logicamente, eram membros do grupo Branco.

Seguimos, todas juntas no meio das árvores, os brilhos no chão que sumiam à medida que nos aproximávamos, surgindo então os mais longínquos. Não havia caminho de volta sinalizado... Passamos por várias clareiras, pelo heliporto e por uma cerca que delimitava a propriedade do Sr. Turner.

Fomos até onde os saltos finos das meninas aguentaram ficar sem muita sujeira. Coincidentemente, chegamos ao nosso destino final: um moinho de vento!

Por todos os lados tínhamos tochas com fogo para iluminar um caminho de pedras que dava para várias pessoas bem arrumadas em frente ao moinho de vento iluminado por grandes holofotes. Eu fiquei tão maravilhada com a tal festa clandestina que sequer notei que tipo de música tocava!

– Eu não acredito que vocês fazem esse tipo de coisa! – falei para Jenna.

– Sabe, festa de populares no ginásio são legais, mas os nerd realmente sabem dar festas bem elaboradas. Veja o Eric, ele é o maior exemplo de técnico pirotécnico, além de ter visão empreendedora para tudo isso. – Jenna murmurou, indicando detalhes como máquinas de faíscas beem distantes, atrás do moinho. Ao que parecia, teríamos um show! – A Charlotte é outro exemplo, só que ela também faz parte dessas panelinhas mais populares no colégio em que estuda.

– Não é a toa. Charlotte é bonita demais para ser nerd. – falei normalmente. Entretanto, ao lembrar, acho que pareceu com um resmungo.

– Aí estão vocês! – alguém nos interrompeu. Olhei para frente e dei de cara com os óculos gigantes de Eric relizindo com o fogo das tochas – O Matt já começou a virar os shots! O Tuck dos Amarelos está comandando a distribuição de bebidas e... Do que estão falando?

Jenna arqueou as sobrancelhas assim como eu. Realmente era muito bonitinho ver Eric entusiasmado com aquela festa, como se nunca tivesse participado de nada assim antes.

– Lucy estava estranhando tantos nerds parecendo pessoas legais e populares. Eu estava para listar para ela o que a Charlotte é fora daqui.

Eric sorriu e mostrou os dedos, afirmando com ainda mais animação:

– Líder de torcida, monitora da turma, presidente do grêmio estudantil, rainha do colégio, amazona, ginasta campeã e uma fã secreta de...

Os gemidos terríveis de Anna por conta dos calos nos pés cortaram Eric e sua lista. Ele realmente sabia muuuita coisa sobre Charlotte! E ao que parecia, Jenna também sabia! Não sei se senti orgulho ou inveja das mil qualidades da minha líder.

– EI! EI! – outra pessoa berrou atrás de Eric.

Jeon surgiu com uma camisa vermelha berrante e uma calça igualmente vermelha! Além de óculos escuros no meio da noite e uma risada que ecoava mais que o som da festa.

– O Jeon está fantasiado de que?! – eu ri quando ele se aproximou e me abraçou. Estava fedendo a bebida. – Pode me listar o que você bebeu já, asiático tarado.

– Vamos veeeer... – ele começou a falar, largando meu pescoço e colocando uma garrafa de vodca na frente do meu nariz – Fora essa garrafa aqui, eu joguei beer-pong com o Jonathan e depois drinking race... LUCY! VOCÊ TEM QUE JOGAR CONOSCO DRINKING RACE!

Eu fiquei parada como estátua com um “Oi? Não entendi” estampado na minha testa, antes de ser arrastada (sim, fui arrastada) até o meio da festa. Jeon gritava para as pessoas ao nosso redor, e estas gritavam de volta para ele. Não entendia lá muita coisa, mas distingui algumas frases como:

“TO PEGANDO!”, “HOJE EU ME DOU BEM!” e “VOU APANHAR DO MATT E DO JEFFREY!”.

Enfim, rangi os dentes e por vezes tentei me soltar. Não adiantou, cheguei com a mão de Jeon atada ao meu pulso no nosso destino: The drinking race!

O monitor dos Laranjas segurou meu ombro e me empurrou para uma fila, ditando as regras com a fala arrastada:

– Preeestem atenção, vermes imundos! – ele brigou e nós rimos. Tomou mais um gole da própria cerveja antes de continuar – Na sequência das filas, todos tem que virar o copo da bebida na sua frente. A fila que terminar primeiro ganha! Os perdedores levarão a tinta que restou da noite de anfitriões dos Brancos na cara!

Devo dizer logo que eu já havia bebido álcool antes, mas nunca demais. No máximo, eu e meu irmão Ed nos escondíamos debaixo da arquibancada com nossos colegas mal-encaminhados para beber um pouco enquanto aconteciam os jogos de futebol. Entretanto, eu NUNCA fiquei bêbada! Não como eu vi outra pessoa...

– PAAAAARA!

O berro veio de uma pessoa bêbada louca que eu poderia imaginar ser qualquer uma... Menos quem realmente era...

– C-Charlotte?! – eu balbuciei.

Charlotte Devosso, a perfeita, chegou com seus enormes cabelos loiros e seus olhos cintilantes sobrepostos por maquiagem, enquanto cambaleava nos saltos de 15cm. Charlotte estava COMPLETAMENTE bêbada! Olhei para ela de cima a baixo para ver sua situação: roupas intactas e sem machucados. Fiquei um pouco aliviada com aquilo.

– Eu vou jooooogar! – ela riu e se colocou ao meu lado, tomando um susto ao me ver. Devo também admitir que fiquei uma formiga ao seu lado – Oh, Lucy! Dão (não) te bi (vi) aíí.

– Charlotte... – eu murmurei, enquanto o time adversário se arrumava na linha – Você está bêbada... E você é a líder dos azuis! A organizadora disso aqui!

– Yeeeessssssss, darling. – ela silvou como cobra. Não evitei arquear as sobrancelhas e rir. – Não sssssei porque as pessoas me cobram tantiiiu! Só sssssó a lhíder (líder) dos axuis (azuis). Vamos começar? Vamossss, Bernie!

Gargalhei profundamente e me aprontei. Aquilo seria absurdamente divertido, foi o que eu imaginei...

– Sério, você está muito louca. – brinquei.

– Baby, loucox (loucos) xão (são) aquelessssss carassss que se matam pra te pegar. Pronto! Falei! Matty vai axchar tãããão ruim eu falar essssssasssss coisasssss pra vocês... E o Jeff?! O Jeff não... Mas o Eriquí (Eric) vai apoiar mais que o Matty. Matty é fofinho... É fofinho falar Matty... Tenho que falar com elê (ele). Liga pra elê (ele) por mim? Já quebrei o coração, não posssssso lhigar (ligar).

– Preparar... – o líder dos Laranjas a interrompeu – Apontar... BEBAM!

Os campistas ao nosso redor começaram a berrar “Bebe! Bebe! Bebe! Bebe!”, e a nossa fila quase se engasgava com os copos! Tinham ao todo 6 ou 7 pessoas, eu não lembro de ter contado, misturando uma das meninas do Branco que nos seguiu mais cedo, e mais alguns Verdes e Amarelos.

Charlotte bebeu primeiro que eu, mas não fez nem mesmo uma caretinha! Na minha vez, engoli com tudo o que tinha no copo! Desceu rasgando e esquentando até os meus próprios países baixos (o que me faz lembrar da péssima lembrança de Matt essa história de denominar o “você sabe o que” de países baixo). Só depois fui saber que tinha uma mistura de tequila, vodca, groselha e gim. ECA!

– Que bebida estraaanha, não é, Charlotte? – murmurei e me virei para ela de imediato, quando me deparei com o nada. Charlotte havia sumido! – Charlotte? Cadê você?!

O último rapaz em nossa linha bebeu primeiro e todos comemoraram. Tínhamos vencido, então o outro time ficaria completamente colorido. Eu, entretanto, não pude curtir o momento, pois a Charlotte bêbada tinha sumido! Comecei a procurá-la por entre as pessoas concentradas demais naquela festa.

O álcool chegou na minha cabeça e eu cabaleei, esbarrando em ninguém menos do que Jeffrey Larsen e seu jeito galanteador em blusa de botão clarinha.

– Opa! – ele disse, rindo e me desmanchando... Ok, eu tenho que controlar o que escrevo aqui! – O que está fazendo, Lucy?

Fiquei paralisada antes de responder algo como:

– Ah, eu fui convidada pela Charlotte para vir, entãão...

– Não não, estou perguntando o que você está fazendo haha. Está com uma cara de barata tonta, perdida no meio da festa...

A luz acendeu na minha mente e eu corei. Estava parecendo uma boba.

– Bem, estou procurando a Charlotte. Você não a viu por aí? – falei devagar, sentindo minha língua ficar dormente enquanto falava. Eu não podia estar ficando bêbada já, podia? – Ela está um pouco alterada, então eu fico meio nervosa de deixá-la sozinha. Meu irmão Ed fazia muita besteira quando bêbado, então meu instinto protetor é ativado ao ver meus amigos assim.

Jeffrey me olhou com os olhos comprimidos antes de, com sua altura fenomenal, dar uma sondada nos arredores.

– Não vejo Charlotte, mas vou procurá-la com você, tudo bem?

Falando isso, ele segurou meu pulso e me puxou para fora da imensidão colorida de pessoas fendendo a álcool. A música começou a ficar mais alta. A mão de Jeffrey era quente... Eu não podia ficar assim! Acabei me dando conta de como eu estava meiguinha demais, molenga demais!

Tomei a frente e puxei Jeffrey ao invés de me deixar levar! Eu era a pessoa que levava, não a pessoa levada! Fiquei tão convencida daquilo que esbarrei em OUTRA pessoa!

– Pequenina que não consigo ver nem com um microscópio, olha por onde anda!

Logicamente, foi ele quem disse aquilo...

– Matt! – resmunguei ainda com a mão no pulso de Jeffrey. – Sai da minha frente, cone de trânsito!

Ele abriu os olhos enormes e fitou justamente minha mão e a de Jeffrey. Nós soltamos de imediato quando o vimos prestar atenção naquilo e falar com toda a pretensão sarcástica enjoenta:

– Hmmm, já estão se assumindo? Será que devo anunciar para o acampamento? JONATHAN!

– Não, imbecil! – berrei e bati no seu ombro – Estamos procurando a Charlotte! Ela está completamente bêbada por aí!

– Completamente? – Jefrrey balbuciou de sobrancelhas arqueadas – Você só disse que ela estava alterada.

– Não, ela está muito muito bêbada. – falei e tenho certeza que assustei Matt e Jeffrey.

Jonathan então apareceu na nossa frente com uma garrafa de cerveja em uma mão e uma garrafa de outra bebida aparentemente estranha na outra mão, rindo e suando como um porco.

– LUCY! Venha cá me dar um beijinho! – ele berrou indo ao meu encontro e já pondo a mão em meu pescoço! Eu vi (como não vi quando Matt me assediou) ele lascando um beijo em mim! Então dei um passo para o lado, fazendo com que ele passasse direto, como um toureiro faz com um touro. – Por que você me evita assim?

Então vi Jenna ao nosso lado revirando os olhos e cruzando os braços pela cena. Ela realmente parecia que estava odiando tudo, principalmente ver pessoas como Jonathan daquela forma desagradável.

– Vamos atrás da Charlotte. – Matt falou rapidamente, batendo na cabeça de Jonathan e pegando a cerveja da sua mão. – Você a viu por aí?

Ele negou com a cabeça, o que o deixou mais tonto do que estava.

– Eu a vi. – Jenna murmurou, e nossas atenções se voltaram de imediato. – Ela estava passando mal, e a Esther a levou para algum lugar. Tenho um mau pressentimento quanto a isso.

Todos tivemos um péssimo pressentimento. Esther era sem sobra de dúvida uma cobra! Fiquei me perguntando se ela era capaz de fazer algo ruim com a própria irmã! Aquela vaca Vermelha...

– Por que essa ridícula é mesmo convidada para esses eventos legais? Que estraga prazeres. – resmunguei, antes de ser censurada por Matt com seu olhar – Que foi? Ela é mesmo uma vaca.

– Temos que encontrar Charlotte antes que qualquer outra pessoa encontre. – Jeffrey falou baixo, apesar da música alta que nos rodeava.

Foi quando, em meio às nossas divagações, alguém pegou um microfone com algumas caixas de som e começou a berrar:

– Que as luzes nos guiem todos os anos! Que as luzes não nos deixem jamais! Que as luzes nunca se apaguem! Pois há uma luz que não se apaga! E essa é a luz dos nossos corações!

O show pirotécnico de Eric se iniciou! Várias faíscas e fagulhas subiram aos céus com um grande fogo de artifício que cobriu o espaço da festa inteiro. Imaginei como era possível que mais ninguém no acampamento era capaz de ver aquilo, ou o que passava pela cabeça dos que viam.

Algumas pessoas se abraçaram e berraram de emoção, vendo a chuva dourada descer sobre nós. Vi alguns se beijando, outros jogando bebidas para cima e até mesmo alguns chorando. Foi lindo e quase nos distraiu de Charlotte.

A música aumentou e Jeffrey falou mais alto:

– Eu vou atrás da Charlotte, se quiserem podem ficar aqui.

Matt o impediu, passando por ele e dizendo claramente enquanto colocava uma mão no bolso dianteiro da calça:

– Essa é o seu último encontro. Eu vou atrás da Char. Cuide do chaveirinho aí.

Jeffrey ameçou seguí-lo. Eu imaginei que Matt tinha razão, aquela era a última festa clandestina de Jeff, eu não poderia deixar que ele a perdesse porque eu fui incapaz de cuidar de Charlotte.

– Você fica. Pode deixar que eu acho a Charlotte. Imagino que a Esther a levou para algum lugar escuro e...

– Aquela Esther ali? – Matt me interrompeu, indicando com o dedo o corpo magro e esguio (característico das Devosso) que se se aproximava de nós, vindo das cercas que nós passamos no caminho de ida para a festa.

Retorci a boca e fui até ela com toda fúria e toda revolta que eu consegui concentrar em uma fala:

– Onde está a Charlotte?!

Esther riu maleficamente e me falou calmamente o que ela fez com a própria irmã. Fiquei revoltada! Abismada! Quase pulei para cima de Esther, mas fui detida por Matt e Jeffrey. Entretanto, quando os dois souberam do que Esther foi capaz, também ficaram revoltados.

Nós três corremos de volta para o terreno do acampamento com todo o fôlego (e com o meu restinho pequenininho de tornozelo) que tínhamos. Por algumas vezes, eles tiveram que diminuir o passo para que eu chegasse junto.

Bem, Esther fez algo maléfico que nós não fomos capazes de impedir... Ela entregou Charlotte bêbada, juntamente a Jack, para ninguém menos do que... Valentina.

Quando chegamos na minha barraca, Valentina estava encarando Charlotte e Jack com uma expressão muuuuito desagradável. E, me desculpe pelo palavreado, mas...

Fodeu de vez...

Notas finais
Curiosos? kkk ficaram com pena do Jack, o único que não tem a ver com nada e que paga o maior pato de todos? tadinho hahahaha.