Como Sobreviver Num Acampamento De Nerds
15 Dica 15 - Nunca deixe nada em barracas de outras pessoas
Notas iniciais
Décima Quinta Dica: Nunca deixe nada em barracas alheias
Jack não estava se escondendo, no fim das contas. O pobrezinho foi transformado em um refém por minha causa. Então a dica fica bem clara: não deixe absolutamente nada em barracas alheias! Principalmente se essas barracas são de pessoas de times inimigos, tem complexo por sutiãs e são futuros psicopatas sem sentimentos, mas que FINGEM ter sentimento... E ainda melhor: acredite que há algo de errado em risinhos de pessoas como o Jeon. Esses risinhos podem salvar a sua vida ou a do seu jacaré de estimação.
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– BOM DIA, ACAMPAMENTO! – O Sr. Turner berrou no microfone num entusiasmo duvidoso que estourou nossos tímpanos.
– Hoje é o dia que eu farei meu dever de cidadã e ajudarei a diminuir o índice de criminalidade nos Estados Unidos da América. – falei com uma voz sádica, fazendo parecer a coisa mais normal do mundo com meu sorriso. E por isso, Charlotte riu.
Desde a noite anterior, quando Matt cutucou o urso com vara curta ao me arrancar não UM, mas DOIS beijos na frente de todo mundo, eu repetia que iria matá-lo. Eric me fez desistir da idéia de assassinato para apenas uma tortura saudável para ambas as partes: eu me vingaria e ele sairia com uma cara menos feia.
Por conta do incidente do refeitório, decidi que jamais deixaria Jack na barraca dos meninos, nem mesmo por um momento. Jeon também não estava a salvo por não ter conseguido parar de rir – o que fez com que ele quase morresse engasgado com a própria saliva, e fosse salvo por Jean Devosso e uma respiração boca a boca que ele jamais esqueceria. Então com esse contratempo, não tive chance de conversar com Lucky sobre a estadia de Jack na barraca deles, mas Jeff me confirmou que conversaria com os rapazes de sua barraca com a seguinte afirmação:
– Lucy, não se preocupe. Cuide do Jeon por enquanto que eu resolvo o resto. E quanto ao Matt... Bem, você sabe o que faz. Ele sabe o que faz. Não entendi, mas... Deixa pra lá.
Eu não tive nem mesmo chance de me desculpar! E eu nem tive culpa pelo que aconteceu! Por que iria me desculpar? Eu simplesmente tomei culpa e responsabilidade, assumindo que tinha algo entre eu e Jeff pela qual eu tinha que me desculpar. Fiquei louca com esse pensamento! Eu realmente estava me enlaçando na idéia de que Jeff estava gostando de mim, o que não faria muito sentido! Afinal, há quanto tempo estávamos naquele acampamento?!
Enfim, Jack ficou com eles e Jeon sobreviveu. Matt recebeu palmas de muitos rapazes e eu não entendi coisa alguma! Por que ele era tratado como herói entre os homens?! E eu?! EU QUE BEIJEI AQUELA BOCA IMUNDA!
Bem, continuando... Isso não é um diário, é um caderno de dicas.
Aconteceu a noite em que os Amarelos foram anfitriões, que foi até legalzinha, mas não chegou aos pés dos Verdes. Naquela apresentação eu realmente me arrepiei (não pela parte da noite em que dei de cara com Matt pelado, mas o show deles foi realmente legal). Começou com um show de mágica iniciante e se tornou um grande show de malabarismo. Umas moças vestidas de diabretes completaram o cenário circense, enquanto outro grupo tocava teclado junto.
E eu não consegui pregar o olho até chegar a manhã e o café. Então fiquei repetindo de pouco em pouco tempo que mataria Matt.
– Eu vou matar o Matt. – falei enquanto me levantava, dando um susto em Louise e em Bette.
– Eu vou matar o Matt. – falei no meio do caminho para o banheiro.
– Eeeeeu vooou mataaaaaaaar o Matt. – cantei no banho.
– Eu fou mafar o mafff. – murmurei, escovando os dentes.
– Eu vou matar o Matt. – falei, sorrindo, no caminho para a Grande Casa.
– Eu vou matar o Matt! – falei, brilhando como o sol, no momento que me sentei ao lado de Charlotte, Eric, Jenna, Jonathan e Jeon.
– Você está dando muito importância a esses beijos. – Eric disse, acanhado. – Deixa pra lá, ninguém leva a sério o Matt e ele já conseguiu o que queria: chamar a atenção da Esther.
– Eric, meu amigo, você não entendeu ainda? – Jeon riu, mordendo um pedaço da própria maçã e falando com a boca cheia – Ele tinha duas pessoas pra chamar atenção e fazer ciúme. Ele se vingou de duas pessoas.
Levantei o queixo e resmunguei cheia de mim:
– E me pôs no meio dessa besteira. Ele vai ver o que vai acontecer, minha vingança será bem melhor...
– Lucy, esquece o Matt. – Charlotte falou, coçando a testa. Imaginei se ela estava cansada dessas nossas briguinhas. – Além do que, nas atividades de hoje vai ser difícil planejar uma vingança, pode esperar.
– Até mesmo se nós formos fazer parte do decatlo de latim, eu vou arrumar um jeito de humilhá-lo. Não foi só pelo beijo, foi porque ele se aproveitou de mim na frente de todo mundo! Nós já não tínhamos o melhor histórico por conta da cabana do pescador, e agora estamos na pior!
Jonathan arrotou e tirou nossa concentração. Por conta disso, Jenna se forçou a sair de perto de nós num segundo com um revirar de olhos e uma expressão amedrontadora.
– Mas o que vocês vão ter hoje, afinal? – Jonathan disse sem ao menos notar que Jenna tinha se retirado. – Jeffrey não quis falar sobre nossa atividade de hoje.
Ela sorriu, animada, mas nada respondeu, levantando-se rapidamente e deixando a bandeja de comida em cima da mesa das bandejas usadas. Foi com eu comecei a notar que os líderes dos times se retiraram mais cedo e se dirigiram para fora da Grande Casa, cada um na frente da sua bandeira como estávamos acostumados a fazer, nos outros dias.
Todos os campistas foram em direção às suas bandeiras quando o café da manhã acabou. Todos perguntavam aos seus respectivos líderes que tarefa aconteceria, mas nenhum deles abria a boca, deixando transparecer que estavam animados também com o que aconteceria. Até que os monitores todos subiram no palanque na frente das bandeiras, ao redor de um monitor dos Verdes, magricelo e cheio de espinhas.
– Bom dia, campistas! – ele disse e todos o responderam sem um pingo de entusiasmo – Bom, como nós deixamos bem claro numa reunião que tivemos ontem com seus líderes, nenhum de vocês tem a mínima idéia das atividades de hoje... Agora perguntem “Por que?”.
– Por que?! – todos berraram.
– Nós preparamos uma incrível e divertida dinâmica de cultura atual para vocês, jovens! Todos os anos é escolhido um tema para a dinâmica cultural, como sabem, e este ano escolhemos literatura e televisão atual. Então seus líderes levarão vocês e os monitores explicarão melhor como será dada a dinâmica. Nos veremos em breve!
De primeira fiquei confusa quanto a isso de “dinâmica cultural”. Eu realmente devia ter lido o papel explicativo de Charlotte no segundo dia de acampamento.
– Eric, do que se trata essa dinâmica? – perguntei enquanto caminhávamos todos juntos na direção do campo e das quadras.
– Lucy, você devia ter lido as explicações da Charlotte. – ele falou o que eu já pensava – Bem, ano passado foi um tipo de quermesse cultural de comidas. Fomos divididos de forma que todos participaram, se desafiaram na parte de fazer e comer. Foi bem legal, o Jonathan ganhou na parte de comer pizzas e o Matt ficou em segundo... Os dois passaram a noite vomitando. Já a Esther e a Charlotte se enfrentaram na comida mexicana e fizeram pratos dignos de programas de televisão. E o Jeon perdeu pontos por ter feito um bolo em formato de peitos.
– Hmm. Está ficando interessante.
Interessante foi a pior palavra que eu poderia ter usado para o universo de maravilhas que cresceu da noite para o dia no campo! Um UNIVERSO imenso e maravilhoso! Havia um toldo gigante com vários ambientes refrigerados e destacados. Cada um mais lindo que o outro.
Literatura e televisão foi o tema do ano! Havia um xadrez gigante, onde as peças eram personagens de O Senhor dos Anéis! Um pedaço do campo foi transformado num campo de quadribol gigante, com vassouras modeladas no mesmo estilo das utilizadas nos filmes de Harry Potter! Uma batalha naval com tela gigante foi alterada para simbolizar invasões zumbis! Num canto estavam tecidos dos mais diversos que seriam usados para competição de vestidos medievais! Havia uma entrada para guerra de LASER TAGS com uniformes de Star Trek! Uma área para construção do DeLorean de De Volta Para O Futuro... E O MELHOR! O MELHOR DE TODOS:
UMA ARENA DE BATALHA DE SABRES DE LUZ COM DIREITO A ROUPAS CARACTERÍSTICAS DE JEDIS E SITHS!
– Eu to na Disneylândia. – falei com a boca quase tocando o chão.
Olhei para os lados e TODO o acampamento estava de queixo caído. Passamos um bom tempo assim até recobrarmos consciência do que estava acontecendo. Eu nunca estive em lugar tão perfeito e tão maravilhosamente projetado como aquele! O SR. TURNER NÃO DEVIA TER COM O QUE GASTAR O DINHEIRO!!!
– Bom, como todos já viram, essa é uma daquelas atividades DAS BOAS! – Charlotte começou a explicação quando já tínhamos secado as babas e voltado ao mundo real. – A maioria das atividades é feita em grupo, grupos aleatórios, então vocês podem escolher o que farão hoje, com exceção do torneio Jedi e do xadrez. Essas duas atividades são as principais do dia, então temos que escolher dentro do nosso time as melhores pessoas para competir nelas. Alguém quer se voluntariar para a votação?
Antes mesmo de Charlotte terminar de falar, eu ergui minha mão o mais alto que pude! Não que fosse muita coisa, mas até mesmo na ponta dos pés eu fiquei para deixar claro o quanto eu queria estar ali.
– Vai dar cãibra. – Eric brincou e também levantou o braço.
– Certo, temos então Lucy, Eric, Chris, Rider, Marlene e Matt. Vamos fazer uma votação rápida para onde cada um irá, certo?
Eu pulei no mesmo lugar, estava absorta de entusiasmo para uma luta com sabres de luz! O resto parecia legal, mas o fato de poder lutar era maravilhoso! Eu tinha de ser escolhida! Falei de minhas habilidades de luta, doso meus movimentos rápidos, de como uma pessoa baixa é um alvo menor... Usei todas as armas que tinha para poder finalmente escutar:
– Certo, então a Lucy e o Matt vão para o torneio de sabres de luz.
E meu mundo caiu.
– Por que eu tenho que ir com o Matt?! Poxa, ele é um sonso e não faz nada direito! – fiz birra.
– Vai ter que me aguentar, marciana em miniatura. – ele brincou, mas eu não ri – Vamos, seremos uma boa dupla Jedi.
– Mas eu quero te matar, Matt! – berrei e ninguém me deu ouvidos. Fomos eleitos e ponto final, estava tudo acabado.
Fiquei tão frustrada que sai andando pelo campo cultural, visitando cada uma das atrações e vendo como o nosso time estava se saindo.
Onde estavam reconstruindo o DeLorean, fiquei fascinada! As peças do carro estavam dispostas e vários manuais diferentes eram distribuídos em gradeados que cercavam aquela área. Um rapaz que eu não lembro o nome do nosso time Azul parecia completamente perdido, enquanto Marlene dava um banho nos outros competidores, explicando cada função de tudo do carro.
Na batalha de laser tag, eu assisti algumas filmagens. Era realizada num ambiente escuro e revestida por uma câmara fria, enquanto tocava a trilha sonora de Star Trek VIII. Podíamos ver de fora por umas pequenas telas o que se passava lá dentro, mas era muito difícil reconhecer quem era de qual time.
Bette Larsen estava se sentindo uma verdadeira princesa na recriação de roupas medievais, perambulando de um lado para o outro com um vestido que ela pegou em um cabide modelo. Acompanhei todo o seu “saltitar” até o outro lado do campo quando DE REPENTE e despretensiosamente... PUFT! Esbarrei em uma montanha grande e quase caí para trás. Fui segurada apenas por uma mão forte no meu braço, que me aguentou e me trouxe de volta para as minhas pernas.
– Você está bem, Azul?
Pisquei duas vezes e reconheci Lucky na minha frente. Eu já estava achando estranho não ter esbarrado em nenhum conhecido enquanto perambulava.
– Ah, estou sim. – falei rapidamente e o encarei. Os olhos dele eram verdes bem claros. – Espero que você tenha se machucado com meu empurrão haha, só assim para vencermos os Brancos hoje.
Ele sorriu bem aberto e disse com um entusiasmo repentino:
– Vai ser difícil vocês subirem mais de 50 pontos hoje. Mas ano que vem você pode entrar para os Brancos, não temos problema em receber Azuis.
– E é possível mudar de time?! Achei que o seu time seria, tipo, para a vida toda.
– Você pretende passar a vida toda vindo para o acampamento? – ele brincou e eu não vi muita graça. Se bem que agora penso e vejo que vai ser complicado voltar no próximo ano, essas pessoas são loucas demais. Os nerds melequentos eram absurdamente estranhos. – E como anda seu novo relacionamento?
Dois moleques passaram correndo e cambaleando entre nós dois, antes que eu pudesse demonstrar meu desagrado.
– Estou planejando um jeito de me vingar daquele aproveitador. Mas, me conta, como o Jack passou a noite?!
Ele riu um pouco.
– Jack é o jacaré, certo? Passou bem. Sinta-se a vontade para pegá-lo quando quiser. – falou antes de parar e me encarar no fundo dos olhos. Passamos um segundo bem longo apenas nos olhando, o que me incomodou de forma até estranha. Digo, Lucky era bonitinho, mas o que estava acontecendo? Então, ele passou os dedos na superfície da minha bochecha, fazendo com que eu me arrepiasse. – Quanto a sua vingança, você poderia me beijar e deixá-lo com ciúmes.
“Você poderia me beijar e deixá-lo com ciúmes.” SIM! ELE USOU ESSAS PALAVRAS!
– Oi? O que disse?
– Que você deveria me beijar. – ele repetiu, rindo.
Engasguei com aquilo.
– Espera, isso é sério? Digo, sério mesmo? Isso de você dizer que está apaixonado e agora me pedir para te beijar?!
Lucky balançou a cabeça negativamente e, por um momento, imaginei que ele fosse desmentir a brincadeira. Mas não.
– Eu não pedi, eu sugeri. E eu estou sim apaixonado. Desde a caça aos sutiãs, quando você me impediu de continuar a tradição mais divertida do acampamento, decidi que ia te fazer minha até o fim do acampamento. – então ele fez uma longa pausa e eu deixei a boca completamente aberta, franzindo ao máximo a testa. – Eu vou ganhar seu sutiã daqui para lá.
SIM, ele falou exatamente essas palavras! Ou a minha emoção nerd tinha me deixado louca, ou aquele cara era um pervertido com princípios morais deturpados! Então fez sentido o que Louise falo e o motivo de Jeon estar se acabando de rir de mim no dia anterior.
– Sabe quando você vai ter o meu sutiã e o meu beijo? – bufei, batendo na mão dele para retirá-la do meu rosto. – Nun-ca.
– Quer apostar, querida Lucy? Em três dias eu consigo um beijo seu, e em até a última noite de anfitriões eu consigo seu sutiã.
Revirei os olhos e o chamei de maluco, mas ele me segurou pelo braço antes que eu pudesse fugir dali e resmungar para os quatro cantos o quanto eu tinha problemas com os homens daquele acampamento.
– Está falando sério?
– Estou seriamente disposto a apostar. Principalmente porque tenho em minha barraca algo de sua extrema estima.
Jack não havia fugido de um vendedor de drogas e pseudogigolô morto de fome, mas tinha entrado no covil do próprio demônio. Eu havia jogado meu bebê para se tornar refém de um maníaco tarado e sociopata.
– Que aposta você quer fazer? – cerrei os punhos e os olhos, desejando empurrar Lucky para uma briga. Ele tinha acabado de entrar para a minha lista mais negra e tinha tomado a prioridade de morte, que antes pertencia ao Matt.
– Se os Azuis vencerem os Brancos hoje em uma modalidade, você pode até escolher qual, eu te devolvo Jack. Se os Brancos vencerem, você me beija na frente do Matt, o que acha?
Parei um instante para pensar. Como um ser humano poderia ser tão desprezível e ainda superar Matt? Não havia nenhuma modalidade que nosso time tivesse quase certeza de chance de vencer... Até eu lembrar que também competiria. Olhei para a arena do torneio Jedi e apontei, rapidamente.
– Vamos aumentar isso. – falei, segura de mim – Se os Azuis vencerem os Brancos, além de você me devolver o Jack, vai ter que andar com a cueca por fora da calça durante a noite. Se os Brancos nos vencerem, eu te entrego na frente do acampamento o meu sutiã.
– Gata, você tem meu coração com essa garra toda hahaha. Está feito. Quem serão os seus competidores?
Eu sorri e pisquei, pensando que sairia por cima da discussão.
– Eu e Matt seremos os dois competidores, gato.
Então, Lucky subitamente aproximou o rosto do meu, estalando um beijo na minha bochecha. Saltei a cabeça para trás com um olhar fuzilador.
– Hoje é meu dia de sorte. Estaremos competindo um contra o outro, pois eu sou representante dos Brancos. Você vai, literalmente, ficar caída por mim.
E saiu de perto com um sorriso de orelha a orelha que só me fez querer bater nele até perder metade dos dentes. Os nerds desse acampamento tinham muita coisa errada, eles eram quase todos tarados alternativos! Senti realmente falta dos melequentos iguais a Eric.
Uma voz parecia com a de Jean Devosso soou nos alto-falantes: “Aos competidores do Torneio Jedi: Por favor, reúnam-se ao lado da arena para as explicações das regras e o início das escalações. As batalhas acontecerão depois do almoço”.
Corri com tudo o que tinha para onde aconteceria a reunião. Eu não podia contar com Matt, ainda que ele não fosse como o lobo sociopata chamado Lucky, então tinha que dar o máximo de mim e escutar atentamente as regras para bolar uma estratégia genial de vencer.
– As regras são básicas: Se alguém acertar um membro seu, ele será inutilizado pelo resto da partida, e se alguém acertar sua cabeça, você estará fora imediatamente. Serão atirados, no meio da partida, projéteis para simbolizar tiros externos ao conflito. Se você sair da arena, está eliminado da partida. Se o tempo acabar, aquele com mais membros intactos é eleito vencedor. Atingir a roupa não significa atingir um membro. Os juízes estarão dentro da arena para possibilitar melhor fiscalização e evitar trapaças. Que a Força esteja com vocês.
Quentin-lindo-maravilhoso explicou rápido demais as regras aparentemente básicas. Mas apesar de eu estar na primeira fileira para escutá-lo mais atentamente, ele não me olhou sequer uma vez.
– Está pronta, Lucy? – Eric chamou minha atenção quando a explicação acabou. Fitei ele com a cara mais séria que eu conseguia.
– Agora é questão de vida ou morte. Serei a Jedi mais habilidosa, você verá.
Alguém me cutucou naquele instante. Era Matt, para completar minha raiva momentânea.
– Nervosa, pequena? Quem te mordeu para te deixar assim estressada? Não, espera, foi você quem me mordeu. – ele zombou e bagunçou meu cabelo. – Ainda está sentida com o que aconteceu?
– Agora, você não é minha prioridade de vingança, carreirinha. Estou querendo bater num peixe maior antes de bater em você. – resmunguei e ele deu entre ombros. – É bom ficar atento para vencer essa coisa, ouviu? Se perder, vou acabar com você.
– O que eu mais gosto nessa garota é que ela criou essa intimidade toda com todos nós da noite para o dia. – Matt brincou, falando para Eric que concordou. – Então vai almoçar e torcer para eu não te pegar na arena. Não, espera, eu já peguei! Hahaha. Prepare-se, pequena. Da próxima vez, eu vou por a língua.
E ficou aqui decidido que assim que eu arrancasse o olho de Lucky, arrancaria a língua de Matt. EU ODEIO ESSES HOMENS MALDITOS!
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