Como Sobreviver Num Acampamento De Nerds
5 Dica 05 - Cuidado com o inimigo!
Notas iniciais
Quinto Capítulo: Cuidado com o inimigo.
O inimigo não é APENAS um inimigo. Inimigos podem ser amigos, mas, ao mesmo tempo, são seus piores concorrentes. Podemos ficar aflitos ou desesperados, não adianta muito. O importante mesmo é manter a calma e perceber que a gente só fica mais forte desafiando nossos medos...
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Quando acordei, olhei para os lados com uma cara taxada de drogada. Tudo bem, o nível de antialérgico que eu tomo normalmente é bem grande e sempre fico com essa sensação de perdida no tempo ao acordar.
Eu estava deitada numa cama da enfermaria e me via refletida num espelho bem na frente dela. Provavelmente aquele espelho fosse colocado para que a gente se desse conta de quão feio era assim que acordava. Que cruel.
Minha cabeça girava um pouco, por isso levantei lentamente, analisando minha pele me seduzindo por não estar vermelha. O relógio dizia que eram quatro da manhã, meu estômago dizia que já passava do meio dia de um dia que eu não tinha comido absolutamente nada.
Ao lado da minha cama tinha uma sacolona enorme com um bilhete em cima:
“Lucy, queremos agradecer por ter se juntado ao grupo azul. Todos adoraremos sua presença e faremos o possível para castigar os garotos que fizeram a pegadinha com você... Tomei a liberdade de pegar roupas para você em suas coisas, caso quisesse tomar um banho ao acordar. Ao lado estão as listas de atividades desta tarde, o mapa do nosso ponto de encontro secreto e etc...
Até o café da manhã, sinceramente,
Charlotte Devosso, líder do grupo Azul.
Jean Devosso e Quentin Ranger, monitores do grupo Azul.”
Ok, eu não tinha confirmado nada e, pelo visto, já tinham me encaixado no grupo Azul... Que fosse, não importava muito.
Levantei e fui até o banheiro, tomando a ducha mais rápida de todos os tempos, tinha os cabelos ainda cheirando ao aromatizante da gelatina caseira que jogaram em cima de mim na tarde anterior. E quando finalmente saí, o sol estava raiando com um brilho reluzente.
A enfermaria estava vazia, era enorme e eu saí com facilidade dela, já que não havia ninguém para me barrar. Levava nas costas apenas a bolsa que estava comigo e o papel que Charlotte me mandou. Ela era bem ao lado da Grande Casa, por isso eu me localizei mais facilmente no tempo e no espaço.
De repente, alguém estava em pé na frente das placas de direção, chutando a terra do chão. Fui chegando mais perto para saber quem era a pobre criatura acordada àquela hora da manhã.
–Jenna? – eu balbuciei. Jenna, recapitulando, era uma das minhas colegas de barraca – É Jenna Summers?
Ela se virou para mim rapidamente. Jenna tinha cabelos extremamente lisos, devia fazer propaganda de shampoos.
– Novata-Lucy? – ela disse, indo ao meu encontro – Está melhor da alergia?
– Estou sim... Mas, o que você está fazendo acordada por aqui? Digo, ainda não são nem cinco da manhã.
Jenna me olhou nos olhos, já estava com maquiagem pesada e tinha uma expressão de desdém que me assustou. Rapidamente, mirou o relógio em silencio. Estava esperando.
– Cinco... Quatro... Três... Dois...
PEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEM.
Essa foi uma onomatopeia que demonstrou o som ensurdecedor que escutamos naquela hora. Exatamente às quatro e cinquenta e três, o sinal para levantarmos soava.
– Que diabos de barulho foi esse?! – berrei para Jenna.
– Esse é o sinal. Tipo o grito inicial, como dizem... – ela respondeu lentamente, andando na direção das barracas – É bom você arrumar seu relógio para cinco horas, temos que acordar a essa hora todos os dias, Azul.
Eu a segui no fim das contas.
Todas as meninas estavam acordando eletricamente e eu, com cara de tacho, andava despreocupada no meio das várias barracas, indo para a minha.
– Lucy! – disse Charlotte, sentada numa cadeirinha de madeira na entrada da barraca – Está melhor?
– Estou sim. – eu respondi, ainda olhando para a agitação das garotas – Tem como me situar? Estão fazendo algum treinamento especial ou coisa do tipo?
Charlotte sorriu para mim, indo ao meu encontro.
– Na verdade não. Todos os dias são assim no acampamento, temos que ficar prontas antes das seis, são mais de cem garotas para tomar banho, fora as monitoras... Pelo visto, você já está pronta.
– É, eu tomei banho na enfermaria, e mal acordei já encontrei com a Jenna da nossa barraca. Sabe me dizer como fui parar naquele lugar? Eu apaguei ontem...
– A Jenna tem insônia, ela não dorme aqui no acampamento com frequência. – AQUELA GATORA ERA HUMANA? – Bem, você foi levada pelo...
Antes que Charlotte terminasse a fala, Bette Larsen se meteu no meio de nós duas com uma cara embirrada repleta de maquiagem, tendo as bochechas do estilo “Lado Rosa da Força”.
– Ora ora, se não é a falsa da novata Azul. – ela reclamou.
Eu não sei se esse pessoal percebeu, mas eu não disse “EU SOU DO GRUPO AZUL”, ok?
– Bette, pare de encher. – Charlotte falou revirando os olhos – Já cansei de você só nesse primeiro dia. Já não basta o que os meninos fizeram com a pobre garota ontem?
– Obrigada, Charlotte. – eu ri baixinho, colocando a mão no ombro dela.
– Foi algo mais do que merecido. Ela me deu esperanças para coloca-la nos Vermelhos e muda para os Azuis de uma hora para a outra. O Jeffrey nunca deveria ter ido cuidar de você!
– Ahnm? Como assim? – indaguei. Na verdade, não tinha entendido direito.
Não deu tempo para receber as respostas, Valentina passou por nós berrando feito louca:
– VAMOS LOGO COM ISSO, MENINAS! DIRETO PARA A GRANDE CASA! – ela virou-se para nós três e gritou ainda mais alto com um cone que aumentava sua voz – CHARLOTTE! VÁ AGORA PARA A GRANDE CASA, SUA LÍDER INÚTIL! VOCÊ TAMBÉM, BETTE! JEFFREY TE ESPERA NA GRANDE CASA!
– Ta certo, já entendemos... – elas disseram em uníssono.
Do nada, saíram andando sem ao menos darem satisfação. Tudo bem, eu entendi que precisavam se apressar, que precisavam me deixar ali, sozinha, com pessoas desconhecidas... Passei quase uma hora olhando para o céu ou para o chão como se fosse Spock no meio de seus devaneios... Se bem que um cara como ele pode ter devaneios, eu, mera mortal, me limito a ter a mente vazia.
Seis horas, fui praticamente correndo para a Grande Casa. Eu tinha a grande esperança de encontrar Eric e não ficar sozinha pelo resto do dia. E o encontrei, felizmente!
– Eric! – berrei, vendo que ele estava entrando no portão da Grande Casa junto a várias pessoas de uma vez só.
O garoto se virou para mim e foi ao meu encontro.
– Lucy! Você está melhor?! – ele balbuciou algo parecido com isso – Desculpa por ontem, os rapazes ultrapassaram os limites! Jeon ficou louco achando que tinha te matado e o Sr. Turner praticamente cortou as asas do neto!
– Neto? O Jeon é neto do Sr. Turner?
Ele riu.
– Não, não. O Jonathan é. – ESTAVA EXPLICADO! Jonathan tinha pinta demais de garoto bad boy (talvez nem tanto quanto Matt) e burro jogador de futebol para estar ali por méritos próprios – E por causa dessa brincadeirinha entre Vermelhos e Azuis, o Jeffrey passou a noite na enfermaria, ficou furioso com os dois idiotas... – ele dizia rapidamente. Eu segurei seu braço e comecei a arrastá-lo para dentro da Grande Casa enquanto falava – O Matt também ficou preocupado e a Esther ficou brigando com ele...
– Para de falar! – eu comecei a rir bem alto – Você mais parece uma garotinha fofoqueira contando as novidades para as amigas! Vamos com calma ok? – sentamos, então, na primeira mesa vaga que eu avistei – Quem é Esther? E quem é Jeffrey? Não se esqueça, sou nova aqui.
– Esther é irmã da Charlotte.
– Mais uma?! – quase berrei, rindo. Eric começou a gargalhar por causa da minha expressão, fazendo com que os olhos lacrimejassem como se ele realmente estivesse chorando – Ei, vão pensar que eu te bati, quer parar de rir?
Na medida do possível, aquilo seria verdade. Entretanto, Eric era bonzinho demais para merecer ser espancado. Ao contrário dele, Matt merecia alguns chutes no traseiro.
– Bom dia, pequena cereja! – Matte berrou no meu ouvido, sentando-se ao meu lado na mesa em que estava.
– Eric, escutou algum zumbido? Acho que os insetos estão mexendo comigo logo pela manhã...
Eric riu e Matt apenas arrumou os lábios num sorriso de lado.
– Deixe de ser boba, companheira de grupo – ele disse, arrumando os cabelos enrolados – você devia ser mais gentil com seu líder.
– Vice-líder. – eu, Eric e mais alguma voz dissemos de uma vez só.
Olhei para trás e dei um encontrão com dois pares de olhos gigantes e azuis, uma garota loira com cara de modelo metida e embirrada. Céus, mais um extraterrestre perfeito da família Devosso.
– Esther, amor da minha vida! – berrou Matt com um sorriso de ponta a ponta.
– Desculpa pelo Matt, ok? – a garota disse, ignorando ele por completo e falando comigo – Ele deveria ter te defendido já que almeja ser líder algum dia... Ah, bom dia, Eric.
Eric levantou as sobrancelhas e deu um sorriso amarelo.
– Bom dia.
Senti um atrito rapidamente ecoar no som e no tempo, perdido no espaço e atravessando as dimensões.
– AZUL! – alguém gritou no meu ouvido.
Voei meus olhos para trás e dei de cara com Jeon, sorrindo como um louco e atrás dele vinha Bette e um outro garoto.
– Jeon. – eu disse – Veio pedir desculpas por ontem?
– Na verdade, vim sim. – ele respondeu com leveza. Jeon ficava balançando os cabelos lisos estilo Justin Bieber e sorria, apertando ainda mais olhos que eram quase fechados de tão puxados... Ele deveria ser mesmo chinês...
Atrás dele estava o garoto do nariz grande. Aquele garoto que estava no primeiro café da manhã, rindo como um idiota e olhando para a minha cara como se já conhecesse.
– Desculpe, foi por minha culpa que eles fizeram o que fizeram. – ele disse, chegando perto de mim – Eu sou Jeffrey Larsen, o líder do grupo Vermelho, mas não se preocupe, pois não vou jogar nada em cima de você...
Então ELE era o Jeffrey. Que era irmão da Bette (estranha). Que era líder do grupo vermelho. Que era, supostamente, meu inimigo e de todo o resto.
– Isso virou uma confraternização de inimigos, foi? – uma voz mais semelhante se fez ouvir.
Charlotte estava bem atrás de Jeffrey com um sorriso amarelo de insatisfação. Todos viraram para ela de uma vez só... Eu, Matt, Jeon, Eric, Jeffrey e Esther.
– Lá vem a estraga prazeres. – falou Esther, revirando os olhos.
– Não se preocupe, Esther, não vim aqui para brigar com você. Vermelhos tem que aprender onde é o lugar que lhes pertence. – Charlotte virou-se para mim com um jeito mais dócil e se encaminhou na direção de Matt, agarrando-lhe o braço como se fosse arrebentá-lo. – E você, meu caro vice-líder, deveria PARAR DE NAMORAR e FOCAR nos seus deveres!
Não aguentei e gargalhei feito louca no instante em que ele foi arrastado, berrando feito criança, para o outro lado do salão. Eric me olhou como se pedisse para que eu parasse de rir, o que foi extremamente cômico.
Com muito esforço, calei-me. Eu e Eric nos levantamos e começamos a andar na direção que eles tinham ido também. Dei uma rápida olhada para trás e percebi o seguinte: Esther não estava indo conosco.
– Eric, a irmã da Charlotte não faz parte dos Azuis? – perguntei ao lado dele.
Eric fechou um pouquinho os olhos como se estivesse forçado a falar alguma coisa. É, ao que parecia, ela não era.
– Elas meio que são brigadas. Charlotte tem quatro irmãs mais velhas, todas mulheres, Esther, Marion, Jean e a última eu não sei o nome... – ele disse coçando a cabeça – É melhor não se meter muito com a Esther. Ela pode parecer, mas não é tão boa assim... É só isso que você precisa saber.
“É só isso que você precisa saber”. Ouch! Essa doeu no fundo.
Então eu vi no fundo do salão Charlotte e Matt juntando as mesas pesadas de madeira, tendo bastante esforço para fazê-lo. Foi só chegar perto que o idiota de cabelos cacheados começou a rir.
– Ah, você é pequena e frágil, acha que pode ajudar?
Arregacei as mangas e o afastei com um empurrão de quadril.
– Idiota.
Segurei a pedaço de madeira e comecei a empurrar. Eu sou forte, anos de Taekwondo podiam provar isso. Mas a cara que Matt fez foi impagável! Como eu sempre quis dizer para aquele delinquente, as drogas alteram bruscamente o físico das pessoas.
– Pequena... – ele disse, sentando em cima da mesa que eu e Charlotte tentávamos empurrar. – Que tipo de remédio você está tomando? Força sobre-humana não é muito comum. Ah, espera! Você é um alien! Está explicado o seu tamanho.
Charlotte chegou perto com um sorriso impressionado.
– Não escute o idiota. Mas, como você consegue ser assim... Forte?
– Ah, é que eu sempre fiz Taekwondo desde que me entendo por gente, sabe? – respondi calmamente.
Os dois se entreolharam e depois também encararam Eric com sorrisos. Tudo bem que Matt não sorria, mas estava na cara que ele também estava feliz.
– Quando eu soube que você tinha entrado para o nosso grupo, soube que não havia sido por acaso! – riu-se Eric, batendo no meu ombro. – Oficialmente agora, seja bem-vinda ao melhor grupo do acampamento!
– Hoje vai ser um longo dia... – Matt bufou, revirando os olhos.
E assim eu estava, oficialmente, aceita no grupo. O Grupo Azul, formado por:
Charlotte Devosso (líder), Matt Simons(vice-líder), Eric Harmon(“primeiro imediato”), Marlene Von Hammersmark, Julius Tlyser, Rider Manny, Belle Jansen, Weehan Donnald, Chris Flelix, Baltazar Lenux, Denis Carter, Sabrina Deniels, Severo Forks (...) e, de agora em diante, Lucy Farrell.
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