Notas iniciais
Aloha... Eu sei estou sendo cuzona em não postar, mas eu sempre volto. Se caso eu morrer mesmo, vocês vão ficar sabendo!

Acordei demasiado no breu do quarto, meus olhos simplesmente não me obedeciam, estavam pesados e se fechavam sozinhos. Assim que a parte superior tocava a inferior eu os abria novamente lutando contra o sono. As únicas coisas que eu conseguia enxergar eram as luzes dos aparelhos eletrônicos. Os mesmos que eu fitava até pegar no sono à noite. Liguei a TV ainda deitado na cama, os lençóis permaneciam quentes com meu calor, o ar fora deles, totalmente ao contrário, estava frio pra caramba, descobri isso quando coloquei o braço pra fora pra pegar o controle remoto em cima do criado mudo. Ar tão congelante que quase tive uma paralisia no mesmo. Nossa que exagero Bryan, cala a boca!

A luz da TV clareou o quarto e pude me lembrar de como ele era, como se eu tivesse me esquecido quando dormi. Meus olhos arderam por alguns instantes até eu os esfregarem com as mãos.

– Nas últimas semanas, presidiários têm feito manifestações a favor de prisão domiciliar — a repórter falava com palavras claras enquanto apareciam imagens de muitos deles todos juntos em um alvoroço, onde um empurrava o outro em fervor, alocados, gritando e chacoalhando as grades de ferro — para passarem o dia de ação de graças em casa. E pelo que podemos ver, conseguiram!

Puts, hoje é dia de ação de graças! Me contorci, espreguiçando os braços pro alto entre os lençóis num grunhido abafado.

Sentei na cama com preguiça de colocar os pés na madeira fria. Acendi a luz, coloquei meus chinelos e cambaleei até a cozinha em busca de comida. Os únicos sons que eu escutava eram dos pássaros assobiando e dos meus próprios chinelos estalando conforme eu caminhava.

Fui até a geladeira, fechei os olhos na esperança, ela morre em alguns instantes depois quando os abri, estava vazia, não vazia vazia, mas vazia. Tinha duas garrafas de água, leite, tupperware cheios de ar e algumas frutas. Olhei para bancada e avistei, pelo menos dois pãezinhos dormidos, dava pra enganar a fome.

Tomei um banho rápido, arrumei minhas coisas e dirigi até minha segunda casa.

Dessa vez foi meu pai quem me recebeu.

– Oi, pai — o abracei e ele fez o mesmo.

– Temos visita — apontou para dentro com a cabeça.

– Não me diz que a tia Dafne está aí?! Já bastam os intrometidos de plantão — revirei os olhos quando idealizei em pensamento ela fazendo 500 mil perguntas sobre minha vida.

– Veja você mesmo, vamos entra!

Assim que entrei na sala, tio Roy estava no mesmo lugar que o vi da última vez, fazendo a mesma coisa. Parecia que desde que vim ele não tinha saído dali nem se quer pra cagar, mas pensando bem, velhos geralmente usam fraldas, então esquece, ri sozinho. Ele assistia a uma partida de beisebol gravada.

– Tira essa bunda magrela da minha frente, paspalho! — então me dei conta que o atrapalhava.

– Oi, pra você também tio — vozes femininas vinham do quarto.

– Mãe?

A mesa estava fartamente posta, o típico peru tomava conta da maior parte dela, havia frutas em uma cestinha, doces em potes individuais, arroz no pirex, farofa, diferentes tipos de saladas. Sucos e refrigerantes na geladeira. Tinham cinco lugares postos para comer, éramos quatro: Eu, mamãe, papai e tio Roy. Aquele quinto elemento estava começando a me deixar assustado.

– Mãe? — bati na porta que já estava aberta.

– Olha quem chegou! — ele veio até mim e me abraçou — Estou aqui mostrando pra Gwen suas fotos de quando você era criança — esta me olhou sorrindo.

– Mãe vem cá, acho que a torta já está pronta — a induzi para fora do quarto.

– Já volto querida — Gwen assentiu, logo se pôs a voltar a olhar as fotos.

– Num tem torta hoje, dá próxima eu faço, prometo! Meu bem – paramos em meio ao corredor que estava completamente iluminado pelo sol do dia.

– O que que ela está fazendo aqui, na nossa casa? — passei a mão no rosto.

– Aquele dia que você veio aqui, comentou comigo que tinha atropelado uma moça. Você dificilmente vem pra cá e achei que você estava meio pra baixo, talvez se sentindo culpado — ela disse calma colocando a mão nos meus ombros. Mães, pensei.

– Mas mãe, precisava a chamar pra vir pra cá em plena Ação de Graças?

– Achei que você iria gostar, fiz com boa intenção. E olha que eu nem sabia que os pais dela não estavam aqui, ela ia passar sozinha.

– Obrigado, mas você pelo menos poderia ter me avisado – falei baixo, não tinha como brigar com ela, sempre tão prestativa, a abracei de novo – Agora me diz o que mais vocês falaram sobre mim? — ela riu me dando um tapa de leve e voltamos para o quarto.

– Olha essa foto aqui do Bryan preto de graxa – Gwen virou a foto pra nós e eu realmente estava engraçado, dos pés a cabeça sujo.

– Eu sei que está bom, mas agora vamos comer!

Todos a mesa. Tio Roy, finalmente tirou aquela cara de bosta, agora me olhava "Hmm safadinho". Já minha mãe só falava sobre mim.

– Mãe, da pra mudar de assunto? — disse enquanto cortava um pedaço do astro do almoço em meu prato.

– Eu só tenho você de filho, de quem mais vou falar? — Gwen riu abafado.

– Olha o papai aí! — ele me olhou engolindo seco.

– O que você faz? — meu pai deu início ao assunto entendo meu lado e principalmente tirando o seu da reta. Prestei atenção na resposta, pois também não fazia ideia.

– Eu sou desenhista, faço alguns trabalhos.

– Desde quando vocês se pegam? — tio Roy tinha que abrir a boca.

– A gente não se pega, nem qualquer coisa do tipo! — olha que nem era a titia Dafne se não a pergunta seria pior.

[...]

O almoço acabou e Gwen disse que tinha que ir. Titio sussurrava "acompanha ela, vai seu paspalho, anda!"

– Qual é o seu problema? — ela me deu um empurrão forte — O que mais você disse pra eles? Que minha calcinha é vermelha?

...CONTINUA...

Notas finais
Mas também não só eu que sumo, cadê vocês farofando aqui comigo? Esperemos kjfgeiwgfiedhshfo8sohfoidih
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.