Notas iniciais
Dia 2 do evento BNHA Rarepair Month: Confession.

Olá! :D Não vou me estender muito aqui porque preciso ir dormir, talvez eu adicione algo amanhã.
De qualquer forma, boa leitura. O//

Jirou voltava para casa sorrindo e cantarolando baixo enquanto ouvia música. Em três dias, ela iria fazer uma apresentação com a banda na quadra da escola de um bairro vizinho e estava tão alegre que não conseguia pensar em mais nada além disso. Duas semanas focando totalmente nisso, no quarto dia ela já sentia que estava pronta para tocar a qualquer momento se fosse preciso. Não era o caso dos outros, e mesmo se fosse eles ainda precisariam esperar, mas ficar assim por tanto tempo a estava deixando cada dia mais nervosa.

Subiu na calçada. A rua estava pouco movimentada, era um daqueles feriados em que as lojas ficam fechadas, as pessoas saem para alguma praia com a família e os que sobram ou estão em casa assistindo alguma coisa, ou estão em dupla, em uma moto, procurando ovelhas desgarradas como ela.

O tempo parecia bom, embora. Ela queria poder aproveitar melhor o caminho de volta do ensaio.

Estava passando em frente à floricultura, que deveria estar fechada, quando a porta do estabelecimento abriu e um rapaz loiro saiu apressado lá de dentro com as mãos escondidas nas costas. Ela ignorou e continuou caminhando, mas parou quando ele soltou um estridente “ei!” direcionado à ela.

—O que foi? —Ela tirou os fones enquanto se virava para ele, preparada para correr ou desferir um chute caso percebesse qualquer movimentação suspeita. Logo percebeu que ele não era uma ameaça e sim um rosto bem familiar: era o novo funcionário da floricultura, que alugou uma kitnet dos pais de Momo, sua melhor amiga e uma das dançarinas da banda.

—Com desculpa, eu só queria te flores se tem pergunta gosta! —Ele percebeu imediatamente que não falou nada com nada e mostrou irritação consigo mesmo.

—Eu não entendi.

—Claro, eu sinto muito. Ah... —Uma das mãos dele subiu até a parte de trás da própria cabeça e mexeu no cabelo, exalando timidez, antes de dar três passos rápidos e desajeitados até ela e estender um buquê de flores muito pequenas e brancas e algumas maiores, roxas. —Para você! —Colocou o buquê nas mãos dela com a mesma elegância que caminhava e deu as costas sem deixar brecha para que ela dissesse algo, voltando para dentro da loja quase correndo.

Jirou ficou parada por alguns segundos olhando para o buquê e sentindo uma onda repentina de calor.

—Oi, oi. Que inesperado. —Ela se aproximou devagar da porta de vidro por onde podia ver todo o interior da loja e tentou girar a maçaneta, mas estava fechada. Encostou o rosto para olhar dentro do lugar. Era como ela lembrava: um espaço grande, com flores de várias espécies e todas as cores espalhadas por todos os lados. No fundo haviam vários vasos e pratos, no meio alguns corações e ursinhos de pelúcia, um balcão grande na parede à esquerda da porta com uma infinidade de fitas e laços. Nenhuma pessoa. O rapaz provavelmente foi para os fundos e não tinha intenção alguma de sair. Ela olhou para o buquê procurando algo e achou uma folha de caderneta com um número de telefone e um nome.

Ela olhou de novo para dentro da loja, verificando mais uma vez se não tinha ninguém à vista antes de voltar a caminhar. Falaria com ele no dia seguinte.

Ficou pensando sobre isso durante o resto do caminho, ainda com os fones e cantarolando no ritmo da música.

Nunca havia recebido uma declaração antes. Foi uma declaração, não foi? Ele apenas entregou o buquê e saiu correndo, mas ele parecia muito envergonhado, as pessoas não ficam envergonhadas nessas situações se não for uma declaração. E ele também deixou o telefone E nome. Se aquilo não era uma tentativa de declaração, era uma emboscada.

Quando chegou em casa, o pai estava sentado no sofá assistindo ao noticiário, segurando um violão e com vários cadernos, lápis, canetas, borrachas e apontadores distribuídos no sofá. Uma cena bem comum já que era rotina ele espalhar as coisas para se inspirar a compor.

Ele entendia de flores? Ela sabia que as roxas eram tulipas, mas es brancas?

—Pai, você sabe o nome dessas flores brancas? —ela perguntou indo até ele e mostrando o buquê.

—Eu conheço como mosquitinho. Onde conseguiu isso? —O homem perguntou direcionando cada pequeno traço de atenção para ela, o que a deixou envergonhada.

—Um rapaz me deu elas enquanto eu voltava do ensaio. —ela respondeu se afastando rapidamente na direção da cozinha.

—Ei!

—Vá compor sua música, pai! —Jirou riu e puxou o celular do bolso, pesquisando pelo significado da flor enquanto pegava água.

O primeiro resultado dizia que essa flor simbolizava ternura, infância e transparência da alma.

—Bonito. —murmurou guardando a água na geladeira e mexendo nas flores Elas eram fofas também. —Agora sobre tulipas roxas... —ela pesquisou e o resultado apareceu enquanto ela bebia água.

E ela engasgou quando leu.

—Jirou, algum problema? —o pai dela perguntou da sala.

—Não, nada! —ela tossiu algumas vezes antes de correr para o quarto, passando direto pela sala e disparando escada acima, apertando o buquê contra o peito e sentindo a guitarra pesar como nunca em suas costas.

Jirou fechou a porta e colocou o instrumento no canto ao lado da escrivaninha, indo direto para a cama agarrada com o buquê e quase transbordando constrangimento.

Droga, ela queria não ter mil ideias sujas pipocando ao falar com ele amanhã!

Será que foi proposital? Ela nem olhou o significado de tulipas roxas depois daquele resultado, preferia não correr o risco de ter mais algum detalhe que a fizesse desistir de vez de falar com ele.

A garota colocou o buquê ao lado, pegando o celular para pesquisar o nome dele no Facebook.

—Quatro amigos em comum. —Os amigos em questão eram Kirishima, Sero, Mina e Bakugou. Os dois últimos eram respectivamente dançarina e baterista da banda. —O mundo é um lugar pequeno... —Ela entrou no perfil dele e foi até a galeria. Era um cara sorridente, menos nas fotos em que estava sendo um idiota, que tirava muitas fotos com muita gente em aparentemente todo lugar.

E era bonito. Ela não havia se dado conta quando ele se aproximou dela tremendo de tão nervoso, mas ele era muito bonito. Por que ele tinha uma gargantilha Jirou não sabia, mas sentiu o corpo afundar na colcha quase involuntariamente quando percebeu isso. Ele tinha olhos lindos também, amarelos brilhantes que combinavam perfeitamente com todo o resto. A mecha de cabelo preta que contrastava com o loiro também era bonito. Tudo era.

Ela mordeu os lábios para reprimir o sorriso que se formava enquanto ela brincava com o cabelo.

Droga.

Aos poucos elas tirou o casaco e ficou apenas de camiseta enquanto olhava as fotos.

Era verão, estava quente...

Em 10 minutos a calça dela estava aberta, um pouco abaixada, enquanto uma das mãos brincava com sua intimidade. Os dedos estavam em um ritmo mais rápido do que quando ela começou, deslizando sobre o ponto que fazia Jirou soltar gemidos abafados e rolar os olhos.

“Silêncio, silêncio. Seu pai está lá embaixo. Sua mãe está quase chegando. Silêncio”

Será que era muito errado se tocar pensando em alguém que você não conhece e que romântica e desconsertadamente te deu um buquê de flores? Você ganha uma licença quando a pessoa em questão era bonita pra caralho?

—Ngh...

Jirou soltou o celular e puxou o lençol sobre o corpo, a mão esquerda deslizou pela coxa antes de ela afundar as unhas na carne e soltar um suspiro baixo e trêmulo, as costas arqueando e as pernas tremendo. Ficou por um ou dois minutos naquela posição, de olhos fechados aproveitando a sensação de alívio, antes de sentir os lábios tremerem.

Seria impossível encarar ele no dia seguinte.

Assim como ela suspeitou, não conseguiu falar com o rapaz no dia seguinte, mas por outros motivos: tudo virou uma correria absurda para o show, e com os ensaios tão intensos e mais frequentes e demorados, ela não teve tempo de parar na floricultura.

Então eles só se viram no dia do show, porque Bakugou e Mina iriam levar ele e Sero junto para assistirem.

Jirou ficou rondando o rapaz por mais de meia hora antes de conseguir pegar ele sozinho.

—Você sabe o significado de tulipa roxa? —Foi a primeira coisa que ela perguntou, fazendo ele se assustar.

—Não. E boa noite. Você quer alguma coisa? —Ele apontou o refrigerante na mesa. Kaminari parecia muito feliz que ela tinha ido até ele.

—Bem... —Ela mostrou uma foto tirada de um texto e depois leu o que estava escrito. —Tulipa roxa é a forma como fica o órgão sexual feminino depois de 6 ou mais horas de sexo intenso e selvagem ininterruptos. —Sem desviar o rosto do celular, ela virou os olhos na direção do rapaz e ergueu uma sobrancelha. Jirou estava envergonhada, principalmente pela reação exagerada que teve ao chegar em casa no dia, mas estava tentando não passar essa impressão. —Isso foi proposital? —Ela percebeu imediatamente que não foi, pois ele virou muito rápido, escondendo o rosto entre os braços dobrados sob a parede, as duas mãos fechadas tremendo.

— Não foi. —A voz dele estava tão baixa e amedrontada que Jirou ficou com pena. Ele estava sussurrando alguma coisa que ela achou ser “eu vou matar o Mineta” ou algo do tipo.

—Então, você foi usado como cobaia?

—Infelizmente eu tenho quase certeza que o meu amigo realmente pensou estar ajudando. Desculpe, eu não sabia mesmo...

—Deveria tomar mais cuidado. Seu trabalho é vender flores, não pode dar esse tipo de vacilo, sabe?

—Eu sei. —O rapaz virou para ela, mas olhou na direção dos outros membros da banda terminando de arrumar as coisas nos carros. —Eu vendi algumas dessas para um cara dar para o namorado no pedido de noivado. Pelo menos o significado se perde nesse caso, não é? —ele perguntou em tom brincalhão, mas esperançoso. Jirou sentiu um toque de desespero em sua voz.

—Na verdade ela também tem outro significado que se encaixa para dois homens e dependendo do nível de intimidade pode pegar um pouco mal... —ele finalmente olhou para ela, parecendo sem chão. Jirou sentiu que precisava fazer alguma coisa. —Mas como eles já são namorados, não acho que tenha sido um desastre. No máximo gerou algumas risadas.

—Você acha? —ele se inclinou um pouco na direção dela sorrindo, o que a pegou desprevenida. Ele não estava se lamuriando à poucos segundos? E por que os olhos dele eram ainda mais bonitos assim de perto? —Tomara mesmo, eu odiaria ser processado ou ter contribuído para uma separação.

—Acho que isso seria impossível...

—Denki, Jirou, venham logo! Estamos dividindo as pessoas nos carros agora! —Mina gritou para eles, acenando as duas mãos no alto.

—Já estamos indo!

—Boa sorte na apresentação hoje. —Kaminari falou enquanto eles caminhavam até os carros, parecendo um pouco cabisbaixo por baixo da máscara com um sorriso. —Bakugou me mostrou alguns ensaios gravados de vocês, são muito bons. E você canta muito bem...

—Obrigada! E antes que eu me esqueça: vamos dizer então que apenas as flores brancas foram a sua declaração, certo? Para amenizar os desentendimentos. —Kaminari sorriu, dessa vez totalmente restaurado, entrando na frente dela e a segurando pelas mãos com uma expressão de pura felicidade.

—Sério? Vai ignorar as flores roxas, então?

—Não. —Kaminari ficou confuso e ela riu, puxando as mãos e andando mais rápido para esconder o rubor. —Vamos deixar elas como um primeiro contato seu com a mágica arte da adivinhação.

Notas finais
Eu levei um susto enorme com o significado da expressão tulipa roxa! LOL A fic veio todinha na cabeça!
Espero que tenham gostado. :33 Comentem o que acharam, todo feedback é importante.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!