Como Nos Contos de Fada- ReNa

1 Você salvou a minha vida


Notas iniciais
Uoou, fazia anos que eu não entrava aqui.. minhas histórias antigas simplesmente sumiram :( resolvi postar essa porque faz sei lá, um ano que eu to com esse projeto e ele nunca saiu da minha cabeça... conto com o apoio de vocês!! ♥

— Tudo certo pra amanhã, Alice?

— Tudo sim, Helena.

Foi mais ou menos assim o resto da conversa entre Helena e sua melhor amiga, Alice, antes de dormirem. Acontece que elas planejaram passar um final de semana na praia. Era apenas um passeio para relaxarem e esquecerem a vida estressante de uma cidade grande. Não era verão, bem pelo contrário, era auge do inverno. Mas respirar ares puros e diferentes seria muito, muito relaxante.

Antes mesmo do amanhecer daquele gelado sábado, elas já estavam na estrada. Era o único carro na pista. Helena dirigia sempre com cuidado e muita atenção. Alice estava do seu lado fofocando sobre seus colegas de faculdade e sobre alguns famosos.

— ... resumindo, o Alex é o único do país inteiro que não sabe que é corno. Até meus avós sabem.

Não era de se duvidar. Como uma boa informante, Alice fazia questão que todos soubessem de uma fofoca.

— E por que ninguém avisa ele?

Helena pergunta sem tirar os olhos da estrada.

— Ah, já avisaram mas ele não quer acreditar. Coitado, é perdidamente apaixonado pela Gabriela. Ele morre de amores, tem que ver. Chega a ser nojento sabe... se ela pedir pra ele beber a água da privada, ele toma sem hesitar.

Alice fez expressão de nojo imaginando a cena. Helena ouvia tudo sempre mantendo uma doce expressão no rosto.

— Helena, como que o Otávio deixou você ir pra uma praia sem ele?

Otávio é o namorado de Helena. É um rapaz com coração puro, sempre procura ajudar os outros. Depois que seu pai morreu, como herança, ganhou o cargo de presidente de uma grande empresa de agência de viagens. Logo após assumir esse posto importante, não teve mais tempo para sair com a Helena em finais de semana ou planejar alguma coisa mais particular para eles.

— É, eu conversei com ele sobre isso. Ele falou que eu preciso me divertir um pouco e ainda falou que não tem companhia melhor do que a sua.

Otávio adorava Alice. Sempre achou linda a amizade de sua namorada e da melhor amiga dela.

— É por isso que eu amo esse cara.

Alice falou fazendo um coque em seu cabelo. Ela riu e revirou os olhos.

— É né... e quando a senhorita vai desencalhar, hein dona Alice?

— Olha, eu amo essa vida de solteira. Sabe, poder pegar quem quiser, ir para as festas mais incríveis da cidade, beber até não responder mais pelos atos... ai gente, vou chorar. Não acredito que não vou poder ir na Alternativa hoje.

— Ai Alice...

Bom, essa foi uma pequena parte de uma das conversas delas. Quando estão juntas, não tem aqueles segundos chatos que nascem após acabar o assunto. Sempre há assuntos, fofocas, segredos e tudo mais quando estão juntas. Afinal, é isso que sempre acontece quando duas melhores amigas se encontram, não é?

Após duas horas de viagem, que passaram muito rápido, elas finalmente chegam na casa de praia dos pais de Alice.

Aquela manhã estava realmente muito fria. Tava pior que na cidade, claro. Tinha um vento insuportável. Era bem capaz de saírem voando se ficassem muito tempo do lado de fora.

Assim que entraram, Helena correu para fazer um café e Alice foi acender a lareira da sala. Colocou num canal de culinária e foi organizar as roupas no segundo andar.

Programas de culinária era a paixão master de Alice. A segunda são as crianças. Na hora de decidir o que iria cursar na faculdade, Alice ficou em dúvida entre culinária ou pedagogia. Acabou escolhendo pediatria.

Já Helena, desde pequena se destacava pelas fotos incríveis que tirava de animais e da natureza. Helena é apaixonada pelo céu, e acredita que ele é o nosso limite, que de baixo do céu tudo é possível. Atualmente, é fotógrafa profissional e ela simplesmente ama o que faz.

Começou a chover naquela pequena cidade praiana. Rapidamente, Helena largou o que tava fazendo na cozinha e correu para o segundo andar para encontrar sua câmera.

— Ah, eu não acredito que não trouxe a minha câmera!

Helena falou triste após revirar todas as malas e não encontrar sua maleta onde guarda todos os materiais desse tipo.

— Amiga, você vai sobreviver 48 horas sem ela... relaxa.

Alice falou batendo de leve nas costas de sua amiga.

Helena voltou a fazer o café. Assim que ele ficou pronto, cada uma delas pegou uma xícara e foi para a sala.

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No outro dia, as meninas decidiram dar uma volta na areia. Seria um pecado ir pra praia e não dar aquela famosa caminhada na beira do mar.

Enquanto estavam caminhando, viram um casal e uma criança tomando banho mar. Helena e Alice se olharam espantadas... quem em sã consciência entraria no mar com o clima desse jeito?

Ficaram paradas por um tempo, até que os três saem da água. Ao passarem por elas, deu pra ouvir um pouco da conversa entre eles.

— ... eu não acredito que essa água ta tão quentinha assim.

Falou a mãe.

— É querida, mas você viu o repuxo né? Tem que ficar de olho, essa água ta muito violenta.

Falou o pai

— Eu quero ir de novo.

Implorou a criança.

Helena olhou para Alice com um olhar que a amiga sabia bem o que significava.

— Não Helena! Eu não vou deixar você entrar nessa água. De jeito nenhum. Esquece essa ideia e vamos embora.

— Mas eu só queria ver se a água está mesmo quentinha.

— Helena... não por favor!

— Eu me responsabilizo por mim mesma.

Helena foi até o mar e molhou seus pés. Realmente a água estava quente. Estava irresistível.

As duas voltaram para a casa. Helena colocou seu biquíni, colocou uma roupa bem folgada, mas mesmo assim, bem estilosa, por cima e foi até o mar. Alice iria ir também, mas primeiro quis arrumar algumas coisas para logo ir embora.

Assim que entrou na água, Helena sentiu o repuxo. Realmente estava muito forte, mas nada que ela não aguentasse. Estava nadando bem tranquila naquela água quentinha. Ficou pensando em várias coisas de sua vida. Fechou os seus olhos e ficou flutuando.

Cinco minutos depois, abriu novamente seus olhos e ficou espantada com o quão longe o mar estava levando ela. O desespero tomou conta de si, quando se deu conta que seus pés não encostavam em areia nenhuma. Não importa a força que fizesse, o repuxo não deixa ela voltar, bem pelo contrário, só a afastava mais.

—---------

— Olha só, quem é a pessoa em sã consciência que entra no mar sozinha num dia como esse?

Falou Renê para seu melhor amigo, Murilo, sentando na areia.

— Pois é.

— E nem salva-vidas tem hoje. É muito arriscado entrar nesse mar cara. Ta com um repuxo muito forte.

Os dois amigos ficaram conversando por uns cinco minutos, até que Murilo dá um pulo percebendo que a tal pessoa que estava no mar, estava se afogando.

Renê fica espantado com a cena que estava presenciando, e a única coisa que tinha certeza, era que não ia deixar ninguém morrer ali. Entregou seu celular para o amigo, tirou a camisa, seus tênis e foi correndo até a guarita do salva-vidas pra pegar a prancha e logo entrar no mar.

Não deu ouvidos aos gritos de seu amigo o implorando para não entrar na água. Simplesmente se atirou e nadou o mais rápido possível até a pessoa.

Quando a alcançou, a colocou em cima da prancha. Não estava mais sentindo o repuxo. Parece que simplesmente ele parou de existir, por uma espécie de milagre. A moça que ele acabara de resgatar, ainda estava consciente, mas ele sentia que ela estava com dificuldades para respirar. Claro, com certeza ela ingeriu uma quantidade extravagante de água.

Chegando mais perto da areia, Renê a pegou no colo, deixando de lado a prancha, a deitou na areia a começou a fazer massagens para tentar tirar a água dos pulmões da moça. Não estava funcionando, então decidiu fazer a tão famosa respiração boca a boca.

Depois de segundos, ela tossiu, e a enorme quantidade de água foi expelida de seu corpo. Ele sorriu aliviado e ela se levantou confusa.

— Quem é você?

Helena perguntou. Sua voz saiu fraca. Ela estava tremendo, e não era de frio. Era de pavor mesmo. Renê sorriu e respondeu:

— Pode-se dizer que sou seu herói...

Ela abriu um sorriso torto.

Perfeita... era essa a única palavra que Renê podia descrever essa mulher... “perfeita”. Ele simplesmente não conseguia parar de olhar pra essa moça.

— Bom, eu acho que eu lhe devo a minha vida né? Nossa, eu não sei nem como te agradecer...

Helena agradeceu sorrindo.

— Não me deve não. Acho que a gente nunca mais vai se ver de novo... mas não foi nada...

— Como não? Eu tô viva aqui graças a você.

Eles riram. Murilo se aproximou deles. Renê pegou seu telefone e saiu procurando um sinal para ligar para uma ambulância. Helena até tentou falar que estava tudo bem e que isso era inútil, mas ele não deu ouvidos, queria vê-la bem. Enquanto Renê estava longe, Alice chega. Murilo explica o que aconteceu e Helena acaba voltando pra casa com Alice.

Minutos depois Renê volta, e fica triste por não ver mais Helena ali.

— Como você pôde deixar ela ir embora?

— A amiga dela a levou de volta Renê, calma.

— Que saco!

Renê chuta um montinho de areia que tinha ali perto.

— Ai meu Deus. Vamos embora também.

Renê olha pro chão e vê um objeto reluzente perto de onde Helena estava. Ele se abaixa e vê que se trata de um anel. Esse anel estava na mão de Helena, ele lembra. Renê prestou atenção em cada detalhe do corpo daquela mulher. Isso o deu algum tipo de esperança para pode reencontrar a moça, que ele ainda não sabia o nome.

Notas finais
Comentem para saber se eu devo ou não continuar ♥