Como Matar um Vampiro e Sobreviver
3 Capítulo 2: O mistério do Aluno Novo
Notas iniciais
Quando cheguei à escola no dia seguinte, logo avistei Blake ao lado de um carro preto que deveria custar uns milhões. Ele conversava com um homem que não devia ter mais que vinte e cinco anos. Um deus grego de cabelo mel curto e cavanhaque. Enquanto atravessava a rua, Blake me viu, mas agiu como se eu fosse uma pessoa qualquer. Se não fosse por eu estar admirando aquele pedaço de mau caminho que estava de lado conversando com Blake, eu teria me irritado.
Quando cheguei na calçada com Mike logo em seguida se separando e indo atrás dos amigos, Blake e o homem misterioso finalizaram a conversa e o homem se virou. Enquanto ele andava rumo ao carro que deve custar mais que a maioria das casas daqui desse fim de mundo, seus olhos se encontraram com os meu. Ele era absurdamente lindo, facilmente o homem mais lindo que eu já vi na minha vida.
Não havia nenhuma emoção no seu rosto, mas mesmo assim ele parecia ter experiência de vida, como se já tivesse vivido mais que todos. Não sei se foi minha imaginação, mas por um milésimo de segundo, eu juro que vi um resquício de sorriso em seus lábios perfeitos. Um sorriso parecido com os de Blake e que eu odeio. Ele entrou no carro e pisou fundo sumindo rapidamente de vista.
Fui ate Blake e o cumprimentei com um chute na canela o pegando de surpresa.
– Isso foi por ter me chamado de matraca. – eu disse e comecei a andar na frente.
Aparentemente ele não sentiu dor, apenas foi pego de surpresa. Que pena.
O dia passou normal, fui insultada pelas gazelas, acertei a bola na cara de Kristin na hora da educação física, foi um acidente. Eu ri horrores, mas foi um acidente. A única anormalidade é Blake que por alguma razão acha que já somos melhores amigos. Parece que meu sonho de ter um amigo gay se realizou, só não entendo do por que dele me olhar de cara feia às vezes.
Blake me disse que aquele que eu vi na entrada da escola era Liam, seu irmão mais velho e que ele veio trazer ele, pois o carro dele quebrou.
– Sabe, ao redor da cidade tem alguns penhascos... – eu disse. Não sei por que, mas ele parece estar surpreso. É como se ele não esperasse o que eu iria dizer, o que seria lógico. Às vezes Blake age como se nunca fosse pego de surpresa em uma conversa, exceto comigo. Será que ele bateu a cabeça quando bebê? Em todo caso, decidi ignorar por hora. – Ficaria mais do que feliz da vida em jogar seu carro penhasco abaixo, assim seu irmão pode te trazer todo dia, é sempre bom ver algo lindo, além de mim quando me olho no espelho, é claro.
O desgraçado gargalhou da minha cara no meio do corredor chamando a atenção pra nós.
Nos separamos e fomos pra ultima aula antes do intervalo. Era aula de misticismo. Entreguei meu resumo do livro Além da Eternidade, aquele livro sobre vampiros. É claro que eu peguei o resumo da Wikipédia e fiz algumas leves mudanças para parecer que fui eu que fiz.
Quando o sinal tocou, arrumei minhas coisas e fui ate meu armário e o abri e as guardei lá dentro.
– Meg! – alguém me chamou.
Me virei fechando o meu armário rapidamente. Era Hugo, o melhor amigo de meu irmão.
Hugo é um loiro meio ruivo com um cabelo rebelde, mas muito bom e sexy. Seus olhos são um castanho claro, mas muito intenso, ao mesmo tempo transmitia confiança e ar de bom moço – o que ao lado de meu irmão e dos amigos dele era uma mentira deslavada. Ele tem um físico legal, do tipo nerd, mas sexy e que pratica algum esporte. Sempre usa roupas mais sociais, mas nada do tipo cafona.
Ele é o mais legal dos amigos de meu irmão. O conheço desde o jardim de infância de Mike, quando no primeiro final de semana meu irmãozinho o levou pra passar o final da semana em casa como o seu primeiro amiguinho. Os outros só foram se tornando amigos de meu irmão com o passar dos anos. Abnniel Klann foi o ultimo a entrar no grupo, já faz três anos.
Hugo é o mais ajustado do grupo, ele sempre pensa nas futuras consequências de seus atos. Ele é a consciência, o anjo de roupa branca no ombro direito do grupo.
– O que você esconde nesse armário? – ele perguntou franzindo a testa.
– Nada... – respondi rápido. – Então... O que você quer?
– Sei... – ele disse, mas resolveu ignorar. – Eu preciso dos seus dados para comprar as passagens de avião...
– Oh... – disse me lembrando da viagem. – Tudo bem...
Me virei para abrir o armário. Virei-me novamente pra ele.
– Se importa de...? – indiquei para ele sair de perto.
Ele revirou os olhos.
– Te encontro na cantina... – ele disse e se foi.
Acontece que minha mãe deixou de boa nós irmos na viagem. Pensei que ela fosse nos perseguir com um facão, mas ela faltou pular de alegria. Bom, acontece que uma prima dela esta mal e foi internada, então ela e meu pai estavam planejando viajar pra passar os últimos momentos da quase defunta, mas não sabia se levaria a gente, já que nem a conhecíamos e também não queria estragar nossas férias. Sabe o que eu acho? Acho é que ela só estava é querendo se livrar de nós, isso sim.
Abri meu armário e peguei minha carteira com meus documentos e o fechei e me virei.
– AH! – gritei ao dar de cara com. – OH MY GOD! É A LOIRA DO BANHEIRO! SOCORRO!
Chamei a atenção de todos do corredor pra mim e Kristin, a rainha das periguetes e sua fiel princesa, Sheyla.
– Qual o problema de vocês duas? – perguntei. Acho que sou a única da escola que não teme as “populares”. – Estão querendo ser mandadas mais cedo para o inferno, ou melhor, retornarem mais cedo pra lá?
O povão começou a rir.
– RÁ! RÁ! RÁ! Estou morrendo de rir... – Kristin zombou. – Escuta aqui, garota. Fique longe do Blake, ele já tem dona.
– Isso mesmo! – disse Sheyla sendo apenas loira.
– Quem? – perguntei.
Pelo canto do olho vi Blake assistindo toda cena junto do povão. O infeliz tinha um sorriso nos lábios perfeitos, sorriso esse que se tornou ainda mais convencido.
– Não se faça de desentendida... – ela começou a falar, mas a voz dela é tão irritante que acabei me distraindo com minhas próprias unhas.
– Nossa, preciso ir urgentemente à manicure... – comentei distraída.
Ouvi várias risadas. Olhei para os lados e vi Joe do outro lado assistindo também toda a cena. Olhei para as duas mocreias.
– Vocês ainda estão aqui? Vai tomar vergonha nessa tua cara. Você já tem namorado e ainda esta atrás de outro pra poder enfeitar a cabeça do pobre coitado do Joe com chifres? Menina, tu precisa é ir pra um convento e apagar esse fogo urgentemente com água benta. – eu disse e coloquei a mão no ombro dela e dei palmadinhas de consolação e me fui na direção de Blake.
Revirei os olhos. O infeliz tinha um sorriso enorme, claramente havia se divertido com tudo.
É claro que eu sei que Kristin estava defendendo o “homem” de Sheyla. É muito clichê pra eu aguentar.
Passei por Blake o ignorando.
– Hey! Por que você esta brava comigo? – ele perguntou se jogando ao meu lado e colocando braço sobre o meu ombro.
Tirei o braço dele e parei em sua frente.
– Por que isso foi culpa sua. – respondi o encarando. – Acho bom você resolver logo isso, pois se mais uma baranga vier tirar explicações comigo por sua causa... – meu olhar se tornou mortal. – Tu vai sofrer.
Recado dado, fui direto para o refeitório. Olhei em volta, Mike e os amigos estavam sentados em uma mesa sozinhos. Abnniel Klann, ou como gosta de ser chamado, Abe, se levantou e me chamou com a mão.
Me aproximei da mesa. Hugo Caterpaldi estava sentado ao lado de Mike. No outro lado da mesa, Erik Valim estava sentado ao lado de Abe e André Rowehn.
Erik é o brutamonte do grupo e o sem cérebro que só pensa em comida, esportes radicais e ridículos. Se cabelo é curto, quase raspado, sua pele é meio bronzeada, tipo um surfista, o que é um milagre nesse fim de mundo. Seus olhos são um azul esverdeado. E apesar de tudo, mesmo parecendo um desses guardas de boate que mete medo em todos, ele é como uma criança e seu sorriso é ate fofo.
André é o nerd do grupo. Ele tem características asiáticas, pequenas, mas tem. Seus olhos são um castanho escuro, quase preto e ficam atrás de um óculos retangular. Seu cabelo é liso e meio curto e totalmente arrepiado. O infeliz é sexy e não faz ideia. Ele é o mais tímido e educado do grupo.
Abnniel ou Abe, tanto faz, é o mais descolado do grupo com seu ar de bad boy. Com seus olhos verdes mais claros que os meus e os de meu irmão, e seu cabelo liso é um castanho avermelhado e curto, além de meio despenteados, o faz ser o mais bonito do grupo e um dos mais bonitos da escola. Não sei qual dos dois é mais bonito, Blake ou Abe. Sinceramente, não faço ideia do por que de nenhum do Neo Five X-Burst ter uma namorada. Será que são gays? É uma incógnita, mas sei de uma coisa, sempre quis ter uma irmã.
Se Hugo é a consciência, o anjo de roupa branca no ombro direito do grupo, Abe é o capeta de roupa vermelha no ombro do grupo.
Sentei-me ao lado de Mike.
– Aqui, já peguei pra você... – disse Abe me passando a bandeja com o meu almoço. Apesar de serem uns idiotas, eu amo esses infelizes.
Hugo estava com o notebook ligado na mesa.
– Obrigada... – disse enquanto abria minha carteira e pegava meus documentos. – Então, esta tudo certo? Os pais de vocês deixaram?
Erik mordeu o sanduiche.
– Meus pais faltaram dar uma festa... – ele disse e aparentemente não entendeu o porquê disso.
Eu ri. Passei meus documentos para Hugo.
– Na verdade, eu os entendo... – disse André enquanto comia um sanduiche e fazia alguma lição que algum professor mandou.
– Sério? – perguntou Erik. – Então me conta, por que eu não entendi...
Como eu disse, o sem cérebro do grupo. Mike suspirou e balançou a cabeça negando.
– Em todo caso, compramos também ingressos para o show do Green Day no domingo no Emirates Stadium... – Mike comentou.
– Hmm... Legal... – disse agindo meio indiferente.
Tudo bem, Green Day é uma das minhas bandas favoritas, eu amo as musicas deles, eu só não quero...
– Você não quer dar chilique e passar vergonha, não é mesmo? – perguntou Abnniel mordendo uma maçã.
Pois é, eles me conhecem bem. Olhei por cima do ombro e vi Blake saindo da fila após pagar pelo seu almoço. Peguei minha bandeja e me levantei.
– Bom, vejo vocês depois... – eu disse e me fui sentar em uma mesa vazia.
Blake se aproximou e se sentou do outro lado da mesa. Dessa vez era ele que estava de costas para a mesa dos populares. Olhando para trás dele avistei as loiras aguadas entrarem no refeitório com cara de tacho e quando olharam para a minha direção, achei excelente que elas não eram capazes de lançar fogo pelos olhos.
Antes de morder meu sanduiche, sorri cinicamente pra ela e pisquei.
– Se divertindo irritando elas? – perguntou Blake com seu sorriso sacana. Tinha ate me esquecido dele. Seu sorriso vacilou.
Voltei pra realidade.
– Muito... – sorri pra ele. – Mas então, deixou claro que a próxima vez eu te mato se elas vierem me importunar?
– Claro como cristal. – ele respondeu. – Por que você mudou de mesa?
Mordi meu sanduiche, era de peito de peru, meu favorito. E não é que Abe me conhece bem? Estou surpresa, já que quase sempre quero matar ele por me envolver nas furadas que ele mete meu irmão e seus amigos.
– Meu irmão e os amigos dele não gostam de se socializar com outros alunos... – respondi. Era a mais pura verdade.
Abe foi o ultimo a entrar no grupo, depois dele, eles não se envolveram com mais ninguém, apenas conversam o necessário em relação aos estudos e só. Eles se decidiram dedicar a banda e serem ricos e famosos estrelas do rock, ou seja lá o que eles chamam aquilo que tocam nas garagens.
– Eles são mais na deles, e além do mais, prefiro manter o mínimo de contato o possível com eles, pois acabo sempre me ferrando. – tomei um gole de suco.
– Te entendo, meus irmãos sempre me metem em furadas... – ele comentou enquanto mordia o sanduiche.
O dia se passou rápido. As passagens estavam compradas, assim como os ingressos e a inscrição para a Neo Five X-Burst tocar na batalha das bandas. Sexta-feira chegou. Fui contemplada com o rosto perfeito de Liam, o irmão mais velho de Blake. Tive que aturar as loiras oxigenadas e tive uma das experiências mais bizarras da minha vida, e dessa vez eu tinha certeza. Mais uma vez no estacionamento, havia chovido e quando Blake passou ao lado de uma poça d’água, ele não teve reflexo. Se não fosse pelo fato de eu ter visto o reflexo dele em alguns espelhos e vidros, eu teria certeza de que ele é um vampiro. Mas como já era hora de ir embora e como pegaríamos o avião para Londres em duas horas, não tive tempo de conversar com ele. Mas uma coisa eu tenho certeza, eu vou descobrir o que esta acontecendo com aquele esquisito, mas vou ter que deixar para o ano que vem.
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