Como Matar Alguém
10 Sweater Weather
Notas iniciais
Era maio. Não deveria estar tão frio.
Quando saí do banho, a primeira coisa que fiz – Depois de me secar por completo – foi ir até meu armário e procurar um suéter. Eu gostava do frio, mas não era para ser nessa estação. Estávamos na primavera! Não que eu estivesse reclamando. Eu claramente preferia aquilo a estar em uma praia. Eu odiava praias.
Deus, por que eu morava na Califórnia, então?
Balancei minha cabeça, afastando o pensamento de mim. Eu não precisava pensar em mais um problema. Ou melhor, criar mais um problema. Eu morava em São Francisco e pronto.
Vesti-me todo, peguei minha mochila e coloquei uma das alças em meu ombro e desci para o andar de baixo do sobrado. Meu padrasto falou alguma coisa da cozinha, mas não o ouvi. Saí e peguei meu carro, então fui até o colégio.
Por acaso, estacionei meu carro do lado do carro da amiga de Rachel – Acho que lembro seu nome... Gabriela? – e, consequentemente, ela estava lá. O carro não tinha teto, então todas as garotas presentes dentro do veículo ficavam bem visíveis. Rachel usava um suéter branco, cheio de franjas, tapas-orelhas e luvas. Usava uma saia bem curta, mas também uma meia-calça, para protegê-la do frio.
E, meu Deus, como estava frio!
Finalmente acordei de meus pensamentos e abri a porta do carro. Eu dei alguns passos a frente, e então Rachel veio até mim. O que foi até bom, eu não teria que perder tempo procurando por ela por todo o colégio. Ela me olhou de cima a baixo e perguntou:
— E então...?
— “E então...?” o quê?
— Você sabe — Ela disse depois de suspirar. —, a menina da mensagem.
Na verdade, eu já sabia desde a primeira fala. Foi uma tentativa falha de distraí-la desse problema chamado Sabrina Oliver.
— Oh — Eu disse. —, isso... Bem...
Eu pausei por muito tempo, o que foi um problema. Rachel olhou para mim e bufou, logo depois levando seu olhar para o chão sujo do estacionamento.
— Você não falou com ela, falou?
— Não, eu- — Suspirei. — ...Eu tentei, Rachel. Eu tentei de verdade.
Seria mais emocionante se eu fizesse um pouco da minha ótima atuação de garoto bom. Rachel era ingênua, quem sabe não cairia?
— Eu tentei, mas ela é louca. Eu juro — Me aproximei mais dela e peguei suas mãos. — que nada vai acontecer com você. Eu só... Quero uma segunda chance.
— Seria a terceira ou quarta, Tony.
— Concederia a mim a terceira ou quarta chance? — Eu disse com um sorriso falso no rosto.
— Por que deveria?
— Por que não deveria?
Ela virou o rosto e tirou suas mãos quentes das minhas, e depois suspirou. Mordeu o lábio e olhou para seus pés por um tempo. Ajeitou sua bolsa em suas costas e disse, antes de começar a ir embora:
— Eu te vejo depois, Tony.
Revirei os olhos e, no meio desse ato, minha visão captou a silhueta de alguém conhecido do outro lado do pátio. Daniel. Virei-me para a direção onde ele estava e comecei a andar em sua direção. Chegado perto o bastante, encostei meu busto na parede e o olhei.
— Daniel! Quanto tempo.
Ele se virou para mim com uma cara séria. Ele não estava tão péssimo o quanto eu achei que estaria, como Rachel no dia anterior. Ele estava normal, na verdade.
— ...O que você quer? — Mas com certeza não estava feliz em me ver.
— É melhor eu falar logo, não é mesmo? Seu tempo tão “precioso” de fazer vários e completos nadas não deve ser desperdiçado. — Eu me ajeitei na parede e olhei para o garoto do cabelo castanho claro. — Resumidamente, quero que fale com alguém por mim. Tenho duas opções, você escolhe.
— Fala logo.
— Primeira opção: Seu nome é Sabrina Oliver, ela é do terceiro ano. Não sei se já a viu – Cabelo loiro, olhos marrons, bem alta, usa muitas saias e uma voz bem irritante.
A reação dele foi bem inusitada, para falar a verdade. Ele demorou um pouco – pensando, provavelmente – e depois mordeu o lábio inferior para não dar um sorriso aberto. Abaixou a cabeça e deu uma risadinha baixa.
— É, eu já vi.
Eu o encarei por um tempo com uma cara fechada. Ele a conhecia? Eles ficavam?
Espera, ele era o namorado dela?
— Vocês se conhecem? — Perguntei.
— Tecnicamente, sim. — Ele sorriu. — Então... Qual é a segunda opção?
Eu o olhei – mais para fuzilei com os olhos – por um momento até que eu lembrasse que eu precisava falar. Mas minha mente ainda estava concentrada em por que e como ele na verdade conhecia Sabrina. Suspirei e fiz o maior dos esforços para deixar isso de lado, até que eu realmente esquecesse.
— Rachel Peres.
Ele mordeu o lábio novamente e olhou para baixo. E, enquanto eu tentava esquentar minhas mãos, eu ouvi um fungado. E ele disse quietamente:
— Eu não acho que ela queira mais me ver.
Revirei os olhos.
— Não perguntei se ela quer te ver.
Daniel deu os ombros.
— Ela ainda não quer me ver, desde que eu a traí.
— Talvez, se você não tivesse a traído, ela iria. — Eu disse. — Quer saber? Meu problema é tudo culpa sua. Se você não tivesse ficado com aquela jogadora de handball, ela não teria ficado comigo e assim Sabrina não teria voltado. Vai se fuder, cara.
— Minha culpa? — Ele disse com uma cara confusa e surpresa. — MINHA CULPA?! Não é minha culpa que você é um psicopata louco que fica buscando por garotas ingênuas para comer e depois jogá-las no lixo! NADA DISSO É MINHA CULPA.
— Sociopata. — Corrigi.
— Tanto faz! Não é minha culpa.
— É, sim. E, para consertar isso, já que é sua culpa, você vai ter que procurar uma das duas.
Sua cara naquele momento era um verdadeiro ponto de interrogação. Era até divertido de ficar encarando. Como um daqueles desafios de olhar para imagem por trinta segundos e tentar não rir. Eu provavelmente não conseguiria.
— O que te faz pensar que eu faria isso?
— Bem... — Comecei a falar. — Talvez você ganhe uma chance de ter Rachel de volta.
— Como?
— Ela quer ter certeza de que está segura. Faça-a ter certeza. Mostre a ela que sim, ela está segura.
Ele abriu a boca para protestar, mas antes de ele fazer isso, levantei um dedo e o interrompi:
— Não me importa que ela não esteja. Você tem que convencê-la que sim.
— E o que mais?
— Você quer mais?! — Bufei. — Bem, que tal 50 dólares?
— 100 dólares. — Ele propôs.
— 60 no máximo.
— 70.
— 65 se for agora.
Ele deu um sorriso de lado e sacudiu a cabeça, claramente falando um “Tudo bem”. Suspirei e peguei a carteira em meu bolso. Tirei três notas de vinte e uma de cinco dólares. Quanto dinheiro desperdiçado... “É para um bem maior”, eu disse a mim mesmo. Apesar disso, era a única coisa que ele iria ganhar.
Eu claramente não iria deixá-lo ficar com Rachel.
Enquanto ele tirava o dinheiro de minhas mãos, eu me segurei para não dar um sorriso eu até mesmo rir de sua cara. Ele não era tão tolo para acreditar em mim, era?
Observei-o andando até o outro lado do pátio, até para perto do portão de entrada do colégio. Quando eu o vi encostando-se ao ombro da garota pálida de cabelos negros, não consegui deixar o sorriso aparecer.
— Sim, ele é. — Disse para mim mesmo, ajeitando minha mochila nas costas e indo para dentro do colégio, para a sala de aula.
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