Como Foi Me Apaixonar De Novo
3 A Primeira Conversa
Notas iniciais
Como eu imaginei, ela era uma caloura. O desconforto em sua voz era notável, afinal, não é fácil entrar em uma sala cheia de desconhecidos e simplesmente se apresentar, ainda mais estando atrasada. Mas nada disso me importava, ela estava ali, em frente a porta, com seu cabelo um pouco bagunçado, mas na medida certa, o mesmo Converse preto nos pés, uma calça jeans clara, rasgada, e uma camisa do Nirvana. Um detalhe importante, era minha banda favorita na época, o que me fez ficar ainda mais encantado por ela.
Se sentou ao lado de algumas garotas no outro extremo da sala, onde pude ter uma visão completa dela. Sua voz soou um pouco baixa ao dizer, ainda que todos tivessem se calado para ouví-la. Imaginei ser o nervosismo, mas não, era apenas o tom que ela usava normalmente. Não era a voz angelical que imaginava, mas ainda assim era gostosa de ouvir. Passada a apresentação, a professora seguiu com seu discurso, que durou mais alguns poucos minutos. Mas não me importava, eu nem sequer prestei atenção. Só conseguia ver aquela que estava a minha frente. Uma pequena tatuagem aparecia da manga de sua camisa, no braço direito. Tem algo melhor pra começar uma conversa do que algo em comum?
Com a desculpa de ter me interessado pela sua tatuagem e logo mostrando a minha, que ficava no mesmo lugar, comecei nossa conversa. Não durou muito, porque a excitação de estar rodeada de outros calouros logo tomou conta dela, e outras garotas vieram puxar assunto, onde aos poucos fui sendo deixado de lado. Bom, não podia reclamar, ao menos consegui pegar o seu número nessa pequena conversa, o que já foi um grande avanço em comparação a noite anterior. Eu tinha um nome, e não apenas a imagem de alguém dançando junto a amigas. Essas que, por sinal, não estavam na sala. Provavelmente eram de outro curso.
No fim da noite, acabei conversando com uma boa parte das pessoas que havia conhecido na noite anterior, além de algumas veteranas que vieram falar comigo. Ao ver que ela saia sozinha, eu aproveitei a deixa para tentar conversar de novo, mas ela havia se encontrado com um grupo de amigas no corredor, então segui meu caminho, colocando o fone de ouvido e, de propósito, deixando tocar Smells Like Teen Spirit no volume máximo ao passar por ela. Um sorriso apareceu em seus lábios. Ponto para mim.
Cheguei em casa sem demora, afinal, o ônibus que eu pegava não demorava muito para chegar até o meu ponto, que ficava ao lado de onde morava. Assim que cheguei, a primeira coisa que fiz foi procurá-la no Facebook, sendo que dessa vez foi infinitamente mais fácil. Eu sabia seu nome, e também tinha seu número. Em menos de 5 minutos eu já havia achado seu perfil e olhado suas fotos, para só então mandar uma solicitação, na esperança de ela me reconhecer. Suas postagens, em grande maioria, eram de coisas relacionadas a música e relacionamentos, mas seu status estava como solteira. Alguma ou outra era de algo diferente, como alguns animais filhotes e a personalidade humana. Suas fotos, eram quase sempre sozinha. As poucas que estava acompanhada eram com suas amigas, em especial três, com exceção de um rapaz um pouco maior que ela, com rosto muito parecido. Semanas depois, descobri que era seu irmão mais novo, de 17 anos. Seu cabelo havia passado por várias transformações nos últimos meses, desde o preto até cores mais estravagantes, como azul e verde, sempre rebelde em suas pontas, o que dava certo charme. Raramente mostrava seu sorriso, sendo sempre mais séria e sedutora.
Pouco antes de me deitar para dormir, recebi uma mensagem dela, assim como a mensagem de que minha solicitação havia sido aceita. Passamos algumas horas conversando sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Haviamos criado uma sintônia, a conversa não parecia ser mecânica. Nos despedimos por ela querer dormir e, infelizmente, perdi o sono. A sua voz dizendo boa noite no aúdio não saia da minha cabeça.
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