Como Eu Odeio Te Amar...
1 Prólogo
Notas iniciais
Duas silhuetas saiam de um restaurante caminhando tranquilamente, mãe e filha, estavam abraçadas aproveitando um pouco o dia juntas, Lyra sabia que teria de mandar Charlotte em uma viagem a qual não a agradaria nem um pouco, levemente a mãe guiou a filha pela calçada enquanto começou a murmurar de forma doce e amorosa, o que fez a menina arquear as sobrancelhas em uma confusão evidente no olhar.
– Querida, amanhã você irá fazer uma viajem.
– Você já arrumou suas malas, mãe? – Disse Lotte no mesmo tom doce.
A mulher ficou silenciosa por um tempo enquanto caminhava, até que a garota parou subitamente, se livrando facilmente do abraço que antes era envolvida, não ela não estava falando serio, não iria viajar sozinha nunca, nunca.
– Tudo é por causa daquele, daquele seu namoradinho, sinceramente se quisesse a casa só pra você me mandasse para um hotel, ou você mesmo saísse, isso é ridículo! – Disse batendo o pé na calçada, observando a mãe se virar lentamente e a encarando de forma ameaçadora.
– Olha o tom comigo, e você vai e ponto final.
Uma ruiva simplesmente parou no meio da calçada enquanto fitava a mãe, ela não poderia fazer aquilo, de maneira nenhuma. A menina fechou os olhos com raiva enquanto adquiria um tom avermelhado na face, estava com raiva, à mulher apenas revirou os olhos como se a cena que a filha provocasse fosse uma perda de tempo, e murmurou em um tom acido.
– Você vai passar as férias com seu primo, não adianta chorar. – Disse puxando a filha pelo braço a forçando a entrar no prédio. – Ele é um cantor famoso, e você irá se divertir. Vá arrumar suas malas.
Charlotte bufou irritada enquanto pensava “ótimo um primo cantor de música gospel é o que eu sempre quis” já poderia se imaginar em uma dessas igrejas bizarras em alguma cidade parada que não passasse de mil habitantes.
Ela suspirou irritadiça subindo pelas escadas, provavelmente teria um ataque de raiva se ficasse um minuto a mais ao lado da mãe esperando pelo elevador, não que fosse uma menina ingrata ou algo assim, mas ela havia passado dos limites tudo para ficar com aquele namorado ridículo, que mais parecia um gay. E agora estava a mandando para um lugar que nem sabia onde era, apenas pra se divertir com a Princesa, arg!
O som dos all-star da garota batendo contra o mármore branco das escadas causava um barulho incomodo, por sorte moravam no terceiro andar e Charlotte não se importava em causar problemas de barulho aos vizinhos, era o mínimo que poderia fazer, já que em todos os fins de semana eles estavam fazendo algum tipo de festança, atrapalhando o sono da ruiva.
De súbito invadiu o próprio apartamento, que se encontrava com a porta aberta. Sem se importar com quem estava em casa seguiu para o quarto, onde chutou todos os puffes que se encontravam espalhados pelo chão de forma irregular, seguindo para a porta a fechando com um baque que tinha a certeza poder ser ouvido no apartamento de baixo. Por fim suspirou limpando as gavetas, jogando as peças de roupa sob a cama, sua mãe a queria longe mesmo, então que fosse por um longo período.
∞
O corpo da ruiva estava estático em frente ao espelho, ela observava as olheiras recém formadas que pareciam ter semanas ali, os cabelos bagunçados e o rosto amassado, mesmo assim conseguia ser bonita, de um jeito fofo. Aliais quem não conseguia ser fofo fazendo aquele biquinho que ela fazia? Não era o fim do mundo, repetia para si mesma tentando fechar a mala, sem um sucesso evidente. Por fim suspirou olhando pra mala preta com uma expressão desgostada e um pouco homicida, porém a idéia de matar algo que não possuía vida lhe soava lunática demais, até pra si própria.
O coração de Charlotte gelou ao ouvir a voz da mãe soar, dizendo que estavam atrasadas, mecanicamente a menina seguiu para fora do apartamento, deixando pra trás uma mulher parecida consigo, porém a diferença estava nos traços orientais nas feições da mais velha.
Charlotte desceu as escadas se preparando psicologicamente para encontrar um homem de trinta anos e frustrado sexualmente que resolvera louvar a Deus, como um escape do problema, não que ela tivesse problemas com igrejas nem nada associado, só não gostava de pessoas que colocavam a religião como solução dos problemas, como se tudo se resolvesse sozinho em um estalar de dedos, a vida não era um show de mágica afinal.
Seguiu de cabeça baixa para o carro, onde o namorado de sua mãe murmurava algo em inglês no telefone de uma forma calma e tranqüila, porém Charlotte não prestara muito atenção na conversa, observando a chuva que açoitava as movimentadas ruas de São Paulo, O vento apenas bagunçava os longos fios avermelhados de Charlotte, a observar o movimento constante dos carros pelas ruas, realmente muito interessante – Ironizou em pensamento. Não se importava muito em tomar chuva, era bom para o tal primo perceber o constante sofrimento da garota, talvez ficasse com pena o suficiente para não a levar para festas ou algo parecido.
Por fim bateu de leve nas janelas fazendo o padrasto destravas as portas de imediato a ruiva se jogou no banco de trás.
– Minha mãe precisa de ajuda com a mala. – murmurou seca, mantendo o olhar para o vidro por onde a água da chuva escorria a seguir um ritmo.
Tinha a sensação de esta cavando a própria cova.
∞
A mais velha estava largada no sofá vendo um programa qualquer na TV, não dando atenção as duas irmãs conversando enquanto preparavam um almoço. Amy odiava ficar em casa, mas tinha que se contentar apenas com saídas noturnas, que a levavam a festas. Já era demais suportar a mais nova a tarde inteira.
As duas irmãs são dotadas de uma personalidade extremamente divergente. Liv é quieta e tímida. Sendo mais ingênua do que a irmã do meio. Não há muito que dizer sobre uma garota de quinze anos que está sempre calada, pensando sobre o nada. Liv sempre avaliou a parte mais lógica das situações, sendo boa com diagramas e mistérios. Mas ao contrário de Liv, Amy é falante e orgulhosa. Metida, arrogante e possessiva. Não admite a perda, mesmo em jogos bobos. Sempre vê o pior nas pessoas, e, por ser a mais necessitada, os pais dedicam sua atenção especialmente a ela, ou dedicavam.
As duas mais velhas foram expulsas da casa dos pais, ganhando um apartamento com poucos moveis e uma quantia de dinheiro extra além da escola paga, dava pra sobreviver. Até a mais nova se auto expulsar de casa, indo residir com as mais velhas. O que fez a quantia de dinheiro enviado mensalmente subir de forma considerável. Além do trabalho de meio período que as duas mais novas conseguiram como forma de aumentar a renda e tendo um sucesso.
A vida poderia seguir daquela forma, Amy não se importava só queria curtir nas festas que freqüentava.
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