Como Esquecer

1 Capítulo 1 - Único


Naquelas férias eu e meus pais iríamos viajar para uma cidade do interior, não muito longe de Dallas — a cidade onde eu moro.

A viagem durou duas horas. Duas horas com o fone no ouvido, escutando a

Naquelas férias eu e meus pais iríamos viajar para uma cidade do interior, não muito longe de Dallas — a cidade onde eu moro.

A viagem durou duas horas. Duas horas com o fone no ouvido, escutando a minha banda preferida.

Às vezes conseguia escutar alguns trechos da conversa dos meus pais e da música antiga que eles ouviam no som do carro.

Mais rápido do que eu previ, chegamos as pequeno hotel onde ficaríamos hospedados.

-Bom dia, sou o Sr. Willians, gerente aqui do hotel. Já tem reservas?

-Ahan. Somos a família Broock. — meu pai dizia com uma voz educada.

-Certo. Quarto nº 13 para a mocinha — fiz uma careta. Odiava essas pessoas que ainda me tratavam como criança. Afinal, eu já tinha 16 anos!- E quarto nº 14 para os senhores.

-Quer ir subindo, enquanto nós acertamos a conta, filha?

-Claro. — eu respondi, pegando a chave do meu quarto da mão do meu pai.

Peguei as minhas duas malas (uma de rodinha e a outra com alças) e fui me arrastando até a escada.

-Mocinha? Fala sério! — reclamava comigo mesma enquanto chegava no primeiro andar.

-Aí! — disse uma voz enquanto se chocou com a minha mala (que estava na frente do meu corpo)

-Ah, me descul...- meu Deus! Aquilo era uma miragem?

Era o ser mais lindo que já tinha visto! Mais lindo do que qualquer astro de Hollywood! E ainda não aparentava ser muito mais velho que eu.

-Tudo bem. — ele disse, com um lindo sorriso torto. Senti meu ar faltar. — Sou John, a propósito.

-Ah, sou Érica.

-Quer ajuda com essas malas? — John pegou a mala de rodinhas da minha mão, após eu fazer que sim com a cabeça.

-Obrigada. Estou no quarto nº 13.

-Certo. Veio com seus pais? — ele perguntou, enquanto nos dirigíamos para o meu quarto.

-Ahan. — ainda estava hipnotizada por aqueles lindos e profundos olhos dourados, por aquele maravilhoso sorriso torto, e por aquele físico de dar inveja a qualquer um.

-Vocês vão na festa hoje?

-Festa?

-É, toda sexta-feira tem uma festa entre os moradores da cidade. Eles comemoram...- ele parou, como se medisse as palavras.

-Comemoram o que? — perguntei curiosa.

-A exterminação dos Basiuns. — seu sorriso era sarcástico.

Estávamos parados na porta do meu quarto agora.

-O que são Basiuns? — perguntei

-São criaturas de uma lenda urbana. Dizem que são parecidas com vampiros. Não sei direito. — Nós sorrimos juntos. — Coisa de cidade pequena.

-Então, você não acredita neles?

-Acho que não. Mas nunca se sabe. — ele disse, dando aquele sorriso torto de novo. — Tenho que ir agora. Até mais tarde. — John deu um beijo em meu rosto e começou a caminhar pelo corredor. Eu senti um arrepio delicioso.

-Filha? — meu pai chamou das escadas.

Olhei para onde John tinha ido. Ele sumira.

-Estou aqui! — respondi.

-Ah! Estava falando com alguém?

-Ahan. Com um garoto que eu conheci agora.

Meus pais trocaram um olhar bobo. Senti meu rosto corar.

-Ele perguntou se nós vamos na festa que acontece toda sexta-feira.

-Ah sim, o Sr. Willians nos falou sobre a festa. Vamos?

-Ahan! — eu disse, dando pulinhos. (e derrubando a outra mala que ainda estava comigo no pé do meu pai)

Eram oito horas da noite e meus pais me esperavam já no primeiro andar.

Eu estava vestida com um vestido preto que ia até um pouco acima do joelho, uma ankle boot cinza, e brincos e um colar em forma de coração.

Meu cabelo tinha um tom castanho claro e ia até a metade das costas. Normalmente eu os usava lisos, mas nessa noite eu fiz vários cachos.

\"Perfeito.\" — pensei comigo mesma, olhando para o espelho.

Queria estar a altura de John, quando o visse naquela noite.

Tranquei a porta do meu quarto e desci. Meus pais já estavam do lado de fora do hotel, me esperando dentro do carro.

-Uau filha! Está linda! — minha mãe disse quando me viu, mirando um olhar significativo para meu pai. -Como é esse seu amigo? — a voz dela parecia receosa

-O John? Ele é tudo! — respondi sonhadora.

-Toma cuidado, Érica.

-Ah, mãe deixa de ser careta. Tenho 16 anos. Já sei me cuidar.

-Filha, nós três somos os únicos hospedes naquele hotel.

Aquilo me deixou um pouco assustada, mas logo minha mente começou a bolar milhões de hipóteses que explicassem o que John estava fazendo ali. Não me importava que ele não estivesse hospedado no nosso hotel.

A vantagem de cidades pequenas é que tudo é mais fácil de se encontrar. O local da festa era o único ponto iluminado da cidade naquela noite. As ruas desertas eram assustadoras.

Mais nada disso tinha importância pra mim naquele momento. Meu coração batia mais rápido só de pensar que em poucos minutos eu iria encontrá-lo.

Quando meu pai estacionou, eu abri a porta e sai correndo em direção a aglomeração de pessoas.

Não tinham muitas pessoas da minha idade ali, mas quando uma delas me via, o seu olhar era sempre de inveja ou de luxúria. Sem dúvida eu era a garota mais bonita da festa.

Procurei John por toda a parte, mas não o encontrei. Já não fazia idéia de onde meus pais estavam.

Estava chateada por ter levado um bolo, então sentei em um banquinho de madeira, um pouco isolado do resto da festa.

Estava frio, então abracei meu corpo com meus braços.

\"Devia ter trazido um casaco.\" — pensei mentalmente, me xingando por ser tão idiota.

-Está com frio? — como esquecer daquela voz?

John chegou por trás de mim, me oferecendo o seu casaco.

-Obrigada. — disse (ou sussurrei), enquanto colocava o casaco dele no meu ombro.

Como ele tinha um cheiro bom!

-Devia ter te avisado que essa festa é bem tediosa. — ele disse se sentando ao meu lado e sorrindo para mim (aquele lindo sorriso torto)

-É, devia. — eu sorri também.

-Mas se eu dissesse, você não viria. — ele continuava sorrindo, como se aquilo fosse óbvio

-E por que você queria que eu viesse?

-Porque não queria perder a chance de te ver de novo. — agora o seu sorriso era maior ainda. Olhar diretamente em seus olhos me deixava tonta. — Vamos? Quero te mostrar uma coisa.

Ele se levantou e estendeu a mão para mim. E lá fui eu, como uma tonta de mãos dadas com John. Meu corpo simplesmente não me obedecia.

Nós entramos na floresta que cercava toda a extensão da festa. Estávamos indo cada vez para dentro, mas eu não conseguia recuar. Algo me dizia que eu estava segura com ele.

-Chegamos.

Estávamos em uma pequena clareira, de onde dava para ver perfeitamente a lua cheia naquela noite estrelada.

-É maravilhoso. — eu disse deslumbrada.

John sorriu, então me abraçou por trás. Eu me assustei no começo, mas logo me entreguei às suas carícias.

Ele começou a beijar meu pescoço, enquanto deslizava as mãos pelo meu corpo, até finalmente parar na minha cintura.

Ele mordeu minha orelha de leve e depois girou meu corpo, até que nós ficássemos frente a frente.

Então ele parou. Como se estivesse esperando pelo meu consentimento. (Como se precisasse!)

Seus olhos dourados fitavam serenamente os meus olhos azuis escuros.

Seus lábios semi-serrados diziam, em silêncio, perfeitamente o que ele queria. — O que nós dois queríamos.

Eu dei o primeiro passo e logo nossos lábios estavam unidos, como um só, no mais delicioso beijo de toda a minha vida.

Aos poucos foi se tornando impossível me separar dele, mesmo que eu precisasse parar para respirar. Mas lentamente fui percebendo que não precisava parar. Não precisava respirar.

E pouco a pouco fui me sentindo cada vez mais leve, como se estivesse flutuando. E me sentia cansada, mas não de um jeito ruim. E então, quando eu já não sentia nada, nós nos separamos.

Não conseguia me mexer, ou dizer nada. Era como se eu não estivesse ali. Como se eu não existisse mais. Mas ainda podia ver aquele lindo — e agora abominável — sorriso torto no rosto de John, enquanto ele encarava meu rosto sem expressão. Ele ainda segurava meu corpo inerte, quando disse:

-Basiuns são criaturas, quase como espíritos, que se alimentam da alma de suas vítimas, através do beijo da morte. -agora a sua voz era assustadora.- Foi divertido brincar com você, Érica.

John depositou meu corpo sob uma árvore e começou a caminhar lentamente, até ser consumido pelas sombras.

Então minha visão se tornou míope e tudo ficou escuro.

E foi assim que eu morri.

Notas finais
aah, merece reviews?
uiui, alguém quer um beijinho do John também? '-'
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!