Como Enlouquecer Um Vampiro
27 Capítulo 27 - A conversa.
PVCHARLIE
Assim que a porta se fechou respirei fundo mesmo sabendo que não precisava e que o cheiro de bella faria com que eu sentisse essa maldita ardência, isso dava uma enorme vontade de beber aquilo que dava vida a nós dois, mesmo sendo de maneira diferente, já que ela precisava de sangue pra viver e eu também.
Aproximei-me da cama cuidadosamente, ela continuava chorando e esperneando, mas o braço que estava a agulha por causo do soro permanecia imóvel, revirei os olhos, bella não tem jeito mesmo. Fiquei quieto apreciando seu show, já tinha visto ela fazer isso inúmeras vezes, mas era a primeira que eu via através da minha nova visão, ficava ainda mais engraçada fazendo isso. Pigarreei pra chamar sua atenção, já que ela estava exagerando muito na sua performance, ela parou e me olhou fixamente, era a coisinha mais linda que eu já havia visto, sua pele estava corada e ela não tinha mais aquela aparência doentia de quando a encontramos.
-porque ta olhando assim — disse analisando todos os meus traços, eu sabia o quanto estava diferente, durante o banho me olhei no espelho, gostei do que vi, mas os olhos ficaram bem assustadores, me admiro bella não ter surtado ainda com o que aconteceu — POSSO SABER COMO RAIOS VOCÊ SOME POR DIAS E QUANDO ME VÊ NÃO ME DÁ UM ABRAÇO SEQUER — esquece, ela acabou de surtar, mas não foi pelo motivo que eu imaginei, assim que ela terminou de falar, me aproximei velozmente dela e fiquei com meu rosto a centímetros do seu, isso levou menos de um segundo, seu coração acelerou e ela piscou seus olhinhos me encarando confusa, então sorriu largamente e se agarrou no meu pescoço com o braço livre, a abracei o mais leve possível com medo de machucá-la, mas estar com ela assim depois do que houve era como que só agora eu tivesse me dado conta do que me transformei e que viveria para sempre.
-é tão linda — falei fazendo um carinho no seu rosto, eu estranhava a diferença de temperatura, antes igual e agora completamente o oposto, bella é claro que não se importou por abraçar uma pedra de gelo.
-olha só quem fala — disse se afastando e me olhando fascinada — nossa, olha só pra você, está divino, aposto que agora vai ficar se achando ainda mais — terminou a frase resmungando e se aconchegando no meu braço, alisei seus cabelos macios. Tinha tantas coisas que eu queria dizer saber que por pouco não a deixei sozinha nesse mundo, não sei quem sofreria mais, bella ou o mundo. Sorri com esse pensamento. — porque ta rindo — perguntou sem se mover.
-só estou feliz por você estar bem — falei — o que me entregou? — quando abri a porta do quarto bella estava de olhos bem abertos e sem se mover, como se estivesse esperando algo, ou alguém. Era a mim que ela esperava.
-a bibinha — ela murmurou encarando sua cobertinha colorida, só eu sabia que quando ela ficava doente, sua bibinha era um de seus consolos, e ela não a soltava enquanto não melhorasse, como se esse fato a confortasse de alguma maneira. — e pra confirmar minhas suspeitas Esme trouxe a sopinha Mauris*. — eu sabia que ela perceberia, esse era um nome latim que ela batizou em homenagem a sopa nutritiva que eu preparava pra ela.
-achei que estava muito doente pra perceber isso — murmurei, é claro que ela não deixaria isso passar, eu havia feito de propósito, a caso os Cullen's mudassem de idéia e achassem melhor me manter afastado dela, seria impossível, pois ela saberia que eu estive ali através da sopa. Ela exigiria me ver.
-nem nos meus momentos mais distraídos, o que é raro acontecer, eu não perceberia.
-imagino, mas só por curiosidade, o que diabos foi fazer naquela cidade e parada no meio do mato? — olhei bem pra ela que desviou os olhos, me senti alarmado, mas não poderia perder o controle de forma alguma com bella estando tão próxima a mim.
-sabe o que que é papito — disse baixinho colocando uma mexa de cabelo atrás da orelha — eu tinha que procurá-lo, sabia que seria um vampiro, e que estava perdido em algum lugar nesse mundo enorme que deus fez, então abasteci o carro em Port Angeles, peguei o mapa e segui meu rumo, mas me esqueci de abastecê-lo novamente e a gasolina acabou lá naquela cidadezinha — olhei incrédulo pra ela, quem em sã consciência esquece de abastecer o carro? A resposta estava bem na minha frente e sorrindo pra mim. — mas sou inteligente e fiquei com medo de ser assaltada e roubarem meu suado dinheirinho, então como o carro parou numa ladeira só precisei dar um empurrãozinho nele e o escondi no meio do mato — ela estava orgulhosa de si mesma, e eu...bem...eu estava preocupado, sabia como eram os empurrãozinhos dela.
-como sabia que eu seria um vampiro? E qual o resultado do seu "pequeno" empurrãozinho? — ela enrijeceu um pouco, se eu fosse humano não teria percebido isso, achei bem interessante sem contar as batidas do seu coração que as vezes acelerava e depois se normalizava sem motivo algum.
-o resultado do empurrãozinho foi que o carro embalou rápido de mais e eu tive que correr atrás dele, ele acabou saindo da estrada, mas essa era minha intenção — disse convicta balançando a cabeça rapidamente, resumindo essa não era sua intenção porra nenhuma. — escondê-lo no meio do mato pra ninguém me ver, estava garoando um pouco e eu caí no caminho tentando alcançar o carro, mas estava tudo planejado e saiu tudo do jeitinho que eu queria, a propósito como me encontrou? — perguntou curiosa. Ela estava se esquivando das minhas perguntas.
-primeiro responda como sabia que eu seria um vampiro, depois respondo as suas — ela deixou os ombros caírem e me olhou fazendo manha.
-amanhã conversamos me deu tanto sono — disse bocejando e se espreguiçando falsamente.
-tudo bem, amanhã nos vemos — dei um beijo em sua testa e a arrumei na cama pra ela dormir — boa noite — saí caminhando em direção a porta, passo a passo...5...4...3...2...1...
-O SONO PASSOU — foi aí que a merda aconteceu, ela ficou aflita vendo eu me afastar e gritou agitada, em seguida levantou-se rápido de mais e antes que caísse eu a segurei, como ela puxou o braço bruscamente e levantou-se acabou arrancando a agulha e sangrou. — o droga, doeu — ela resmungou olhando seu braço sangrando, não era muito, mas o suficiente pra mim fazer a maior besteira da minha vida.
-EDWARD — disse entre dentes e rosnando, eu não respirava e não conseguia me mover, sabia que se o fizesse não poderia me controlar, o coração dela acelerou muito ao ouvir meu rosnado e ela me encarou confusa, não sei o que ela viu em meu rosto, mas seus olhos encheram-se de lágrimas e seu lábio tremeu, eu sentia seu medo, sabia que a estava assustando com minha expressão feroz, antes que as coisas piorassem senti braços segurando-me pelo punho, mas eu não conseguia me mover, mesmo assim não lutei contra as mãos que foram afastando as minhas de bella, assim que a soltei ela foi caindo para trás, só vi o vulto de Edward segurando bella antes que ela atingisse o chão, em seguida seu choro magoado e doloroso quebrou o silêncio do quarto, eu não sabia o que me doía mais, a ardência insuportável ou o choro dela.
Senti me arrastarem dali e novamente não lutei, quem me segurou e me tirou dali foram Emmet e Jasper, Edward permaneceu com ela a consolando e lhe explicando que o cheiro de sangue foi de mais pra mim.
-vamos levá-lo para fora, tomar um ar fresco — disse Jasper a Emmet e me conduziram para fora da casa, assim que respirei o ar puro minha mente clareou.
-porra quase a matei — lamentei sentando-me no chão e passando as mãos nos cabelos.
-mas não matou e não a machucou fisicamente, ela está bem. — disse Jasper sentando-se ao meu lado me olhando confuso.
-mas está com medo de mim — afirmei inconformado — está chorando, é tudo culpa minha. — assim que disse isso ouvi a voz de bella dizer soluçando: "é tudo culpa do papito, e sua também, viu Edward, todos vocês são culpados pelo que está acontecendo, a única inocente nesse mundo sou eu, oh vida triste essa minha", foi impossível não rir um pouco com isso.
-ela está mais magoada do que com medo — afirmou Jasper.
-como sabe disso? — perguntei, não gosto de meias palavras, ou explica ou nem começa.
-vou contar um pouco sobre mim, assim você entende melhor — disse e começou falar, Emmet não saiu dali, mesmo conhecendo a história ele era muito curioso. Enquanto ouvia Jasper também prestava atenção na conversa que bella estava tendo com Edward.
PVB
Eu estava muito assustada, o olhar do papito era faminto e quase enlouquecido, ele me olhava como se eu fosse um pedaço de carne, mas um pedaço bem suculento diga-se de passagem, ele estava com ódio de mim, será que exagerei nas birras? Se foi, juro que não faço mais, eu estava muito magoada, não se faz isso com quem se ama, não se olha com tanto ódio estampado no rosto pra sua filhinha amada, a menos que não a ame mais, é isso? Ele não me ama mais?
-não é fácil se acostumar com o cheiro de sangue humano, ele ainda é um recém criado, mesmo assim está se saindo muito bem — disse Edward me consolando enquanto Carlisle recolocava a agulha no meu braço, teve que fazer outro furo, eu não gostava de agulhas, mas no momento eu nem ligava, estava muito triste. Olhei mortalmente para Edward.
-é tudo culpa do papito, e sua também viu Edward, todos vocês são culpados pelo que está acontecendo, a única inocente nesse mundo sou, oh vida triste essa minha — disse soluçando e chorando, ele me abraçou enquanto Carlisle saia do quarto.
-ninguém tem culpa do que aconteceu — ele disse, sai do seu abraço e retruquei.
-tem sim.
-não tem.
-tem sim e não discuta comigo — falei brava e ele ficou quieto, respirei fundo, eu não queria falar sobre isso e adiei o máximo que pude, mas agora não dava mais — desculpe não ter contado que eu sabia sobre vocês — disse sinceramente — mas o papito disse que não era pra contar á ninguém.
-se tivesse contado teria evitado tudo o que houve — ele vai me acusar?
-e porque você não me contou? O segredo era seu, era sua obrigação contar que é um vampiro quando invadiu meu quarto e abusou de mim e da minha inocência — falei revoltada e ele me olhou incrédulo.
-lembro muito bem que você pediu pra mim não ir embora — ele retrucou e eu me senti ofendida, eu não pedi isso. — agora me diga que inocência bella? — ele disse levemente.
-está me chamando de...de...de vagabunda — meu mundo desabou nessa hora, ele me achava uma vagabunda por isso não me pediu em namoro, ninguém mantém um relacionamento sério com uma qualquer, ele me olhava de olhos arregalados enquanto eu voltei a chorar.
-não disse isso e não penso isso sobre você — falou desesperado, aposto que fez isso pra se livrar de mim, isso não é nenhuma novidade, todos os caras que conheci sempre achavam uma desculpa qualquer pra não me ver mais ou diziam que eu era louca, não deveria ter alimentado ilusões que com Edward seria diferente, agora estou de coração partido por causo de alguém que nem me pediu em namoro.
-Edward saia daqui, não sabe nem conversar direito, depois que ela estiver mais calma vocês se resolvem — ouvi a voz da Alice, em seguida me deitei agarrada na bibinha e senti o movimento da cama ao meu lado, olhei e vi Alice me olhando compreensiva, chorei ainda mais enquanto ela me abraçava.
-ele não fez por mal e você está muito nervosa pelo que houve, durma e descanse, amanhã vocês conversam — é claro que ela vai defender o irmão dela, me soltei de seu abraço e a olhei com toda a mágoa que sentia, ela piscou os olhos confusa.
-claro que vai ficar do lado dele, é seu irmão, me diga, também me acha uma qualquer e que não sirvo pra ele, me diga a verdade, sou forte e agüento os tombos que a vida me dá, não é a primeira nem a segunda e muito menos a terceira vez que isso acontece comigo, estou preparada pra seguir em frente com sempre fiz e me dê licença que eu quero dormir — disse chorando e me virei ficando de costas pra ela.
Isso era tão injusto, o papito com raiva de mim, o Edward me achando uma qualquer, a Alice defendendo Edward e ficando contra mim, o que mais falta acontecer? Me expulsarem daqui? Percebi que depois de algum tempo Alice saiu do quarto, continuei chorando, achei que ela fosse minha amiga e que me consolaria nesse momento tão difícil e sofrido da minha vida, novamente me enganei, será que esse é meu destino? Vagar por aí sozinha e sem rumo enquanto eles vivem para sempre? Vagar pelas ruas frias e úmidas de Forks em busca de uma lata de lixo que houvesse restos de comida pra alimentar minha fome e beber água da chuva pra matar minha sede? Sem amigos? Sem papito? E sem Edward? QUERO MORRER.
Enquanto chorava e lamentava minha triste vida senti braços me envolverem, não era os braços que eu estava acostumada, não era o cheiro que me confortava, mas era a mesma pessoa.
-o que deu em você meu bebê — murmurou o papito, ele também vai ficar contra mim? Depois de me olhar daquele jeito e quase me matar? Percebi com desespero que todos queriam se livrar de mim. Respirei fundo tentando ser forte.
-se quer que eu vá embora da sua vida é só dizer, se não gosta mais de mim é só falar eu vou entender — falei magoada e ele segurou meu queixo obrigando a olhá-lo, encontrei seus belos olhos vermelhos e um leve sorriso nos seus lábios.
-desculpe pela minha atitude, mas o cheiro de sangue é muito incômodo pra mim, essa nova vida é muito diferente e de difícil adaptação, mas estou me esforçando pra ser o melhor vampiro e tento controlar meus instintos a todo o momento, porque não quero e não vou deixá-la sozinha, nunca mais — prometeu olhando fixamente nos meus olhos.
-sou tão egoísta — falei inconformada — não pensei no quanto deve estar sendo difícil pra você, só pensei em mim, mas fiquei triste por saber o que Edward pensa sobre mim — desabafei e voltei a me conchegar nos seus braços.
-ele não pensa isso sobre você, ele a ama — olhei rapidamente pra ele, ele estava brincando? — ele ficou muito preocupado com você, queria protegê-la de tudo, mas você ao invés de ficar em casa saiu sem rumo procurando por mim, tem noção do quanto sofremos sem ter noticias suas? — disse fazendo um carinho em mim fiquei confusa.
-se ele me ama porque não me pediu em namoro? Eu já havia dito a eles o quanto queria um namorado e mesmo assim fiquei esperando por um pedido que não veio. — lamentei, o papito deu um risinho e olhou na direção da porta, depois voltou a olhar pra mim.
-ele é meio idiota sobre esses assuntos, mas é uma boa pessoa...digo, um bom vampiro — dei um risinho — mas ele gosta de você — afirmou e suspirou — agora me diga pelo amor de deus porque está tão nervosa? A assustei tanto assim que você chegou a expulsar Alice sua melhor amiga daqui sem um motivo? — perguntou parecendo triste ou frustrado, sei -la, mas...o que ele perguntou mesmo? Vamos bella inventa algum assunto pra ele não perceber que você esqueceu o que ele disse, outra vez.
-bom — divaguei comigo mesma — acontece papito que tudo isso é muito difícil pra mim, são muitas coisas acontecendo, muitas mudanças que está ocorrendo na nossa vida e eu não consigo administrar a parada, sacô aí meu velho camarada? — ele deu um risinho e eu o olhei confusa, mas ele fez um gesto de mãos me incentivando a continuar, pelo visto estou conseguindo enganar ele. — é isso aí, nada mais a declarar — dei de ombros ouvindo as famosas gargalhadas de Emmet, ainda bem que já estava acostumada com isso.
-bella — disse o papito rindo — quer, por favor, responder o que eu havia lhe perguntado? — suspirei me fazendo de entediada.
-tudo bem — falei levantando as mãos em sinal de rendição, quando fiz isso me lembrei do que o papito havia perguntado, ISSO. — fiquei magoada porque achei que você não gostava mais de mim, nem Edward e nem a fadinha que ficou do lado do irmão, mas ele sendo irmão dela nada mais justo ela ficar do lado dele e contra mim, afinal nos conhecemos a pouco tempo e nunca uma amiga me colocou acima de outra coisa, porque agora seria diferente? — desabafei e forcei uma lágrima solitária a cair, mas a desgraçada não caiu, inferno.
-eu me descontrolei com o cheiro de sangue, mas jamais pensei em fazer mal a você, e você sabe que eu nunca vou deixar de amá-la, em hipótese alguma isso vai acontecer — sorri ao ouvir isso, ele dizia suave mais convicto. — e quanto a Alice e a Edward, você precisa rever alguns conceitos, as pessoas não são iguais e nem sempre a culpa das suas amizades e relacionamentos fracassados foi dos outros, precisa admitir que você errou muito com alguns amigos seus — ele disse e eu fiquei chocada.
-além de vampiro virou um mentiroso — acusei me afastando um pouco dele, mas não muito, vai que ele resolve correr pra longe de mim, eu estando perto poderia segurá-lo, nem quando era humano eu conseguia imagine agora ele sendo um vampiro, pensei desanimada. — sabe muito bem o quanto eu sofria ao descobrir que uma amiga minha roubou meu trabalho escolar pra ficar com a nota maior, vai dizer que a culpa foi minha?
-mas ela fez isso pra se vingar de você, depois que você deu a ela o endereço errado e ela se perdeu e foi assaltada, acabou ficando sem dinheiro e sem carro — ele disse e eu o encarei confusa, não lembro desse episódio.
-a outra não quis mais falar comigo e ainda me jogou na piscina pra mim morrer afogada, isso também foi culpa minha? — perguntei descrente.
-ela jogou você depois que você empurrou o irmãozinho dela na piscina, foi ele que quase morreu afogado e você sempre foi ótima nadadora, não corria risco algum — ele retrucou, disso eu lembro, acho que já falei o tanto que odeio crianças? Foi naquele dia da piscina que esse ódio multiplicou e eu empurrei o pirralho sem querer, mas ele não sabia nadar e quase aconteceu uma tragédia.
-você lembra o que aquela peste fez? Aquela criança maldita quase me venceu no guitar hero — falei indignada e o papito suspirou.
-bella você precisa... — o cortei, eu ainda não tinha terminado de falar, agora que eu comecei vou até o fim.
-teve outra que roubou meu namorado.
-mas você roubou o dela primeiro e depois ela pegou de volta quando ficou sabendo que ele terminou com você por que você destruiu a coleção de CDs dele — o papito retrucou, mentiroso.
-o outro me expulsou da sua casa pra não me dar almoço.
-não tinha mais almoço, você derrubou a travessa de macarronada.
-foi sem querer, eu havia deslizado no suco que havia caído no chão e acabei batendo na travessa.
-o suco estava no chão porque você derrubou a jarra — puts, pior que foi isso mesmo, mas passado é passado. — e ele expulsou você da casa dele depois que você destruiu a maquina de lavar louças.
-está dizendo que ele fez o certo em me expulsar da casa dele — disse triste, será que o papito vai ficar contra mim?
-claro que não — falou me puxando para seu colo tomando cuidado com a maldita agulha — ele não foi correto e muito menos delicado com você — uffa, por um momento pensei que ele ficaria ao lado do Ferdinando, aquele amigo da onça.
-eu sabia que você ficaria do meu lado — falei convencida me aconchegando nele, senti meus olhos pesarem um pouco.
-eu sempre estou, mas me diga mais coisas que aconteceu enquanto me transformava, outras coisas que você fez por aí enquanto procurava por mim. — enrijeci um pouco e lembrei-me de algumas coisas que ocorreram, mais bem poucas e sem muita importância.
-quem trouxe meu carro? — perguntei mudando de assunto.
-não podíamos deixar pistas então Rose o destruiu, quando você melhorar vai prestar queixa de roubo, tudo o que não queremos é deixar pistas que tragam autoridades até nós. — olhei rapidamente pra ele.
-e não poderiam fazer o que pessoas normais fazem e alguém vir dirigindo? — não acredito que ele deixou Rose fazer isso com meu lindo carrinho.
-era uma opção, mas você precisava ser medicada e destruí-lo era a forma mais rápida de resolvermos isso, num momento como esse com tantos desaparecimentos não queremos chamar atenção pra nós, além do mais não seria prudente deixá-lo para trás, o que você explicaria as autoridades quando encontrassem seu carro abandonado no meio do mato? E como explicaria como chegou aqui tendo um carro daqueles? — pensando por esse lado...mas...
-era só dirigir ele — murmurei inconformada, o quão difícil era andar com duas garrafas pets em baixo do braço durante a noite atrás de um posto de combustível? Se fizessem isso meu carro estaria são e salvo, tudo culpa da Rosalie e do papito.
-sem contar que o fato dele estar sem gasolina nos atrasaria ainda mais — ele disse — falando em carro, você viu o que fizeram com o carro do Edward? — olhei rapidamente pra ele.
-não, o que aconteceu com ele? – perguntei curiosa.
-acabaram com o carro dele, foi tanta correria que nem deu tempo de falarmos sobre isso, mas você tem que ver o estado do carro.
-tem gente pra tudo hoje em dia, eu usei ele esses dias, mas devolvi inteiro, são e salvo, só tinha um pouquinho de sujeira — à medida que eu falava sentia o papito enrijecer. — mas nada que uma lavadinha não resolvesse o problema.
-você usou aquele carro — ele disse baixinho — meu deus, você tem noção de quanto custa um carro daquele?
-é muito caro — disse normalmente e depois sorri — Edward emprestou ele pra mim, papito você tem razão, ele gosta mesmo de mim a ponto de me emprestar seu carro que ele adora e que nunca vi ninguém dirigir além dele — nossa como pude ser tão estúpida, Edward gosta de mim, fiquei imensamente feliz ao constatar isso. Ninguém empresta algo a alguém que não se gosta.
-e ninguém mais vai dirigi-lo — ele disse pensativo.
-até nisso nós combinamos, os dois sem carros — disse rindo — mas o meu foi Rosalie quem destruiu.
-e o dele?
-sei -lá — disse dando de ombros. Como é que eu vou saber quem estragou o carro dele? Aposto que foi ele mesmo. Senti meus olhos pesarem outra vez e não resisti, entreguei-me ao sono dormindo nos braços do papito depois de todos esses dias longe dele. O meu papito estava de volta, era tudo que importava, mas... peraí...
-e o dinheiro que estava no meu carro, Rosalie pegou? — perguntei ao papito que fez cara de confuso.
-ela não disse nada sobre dinheiro, quanto era?
-dez mim dólares — falei esquecendo-me do sono, se ela me roubou ela vai ver só.
-e dá onde você tirou esse dinheiro?
-eu trabalho papito — fiz cara de dãrr pra ele, isso era óbvio. — ou melhor, trabalhava já que eu pedi demissão pra poder me dedicar em tempo integral nas buscas.
-pelo amor de deus bella, que buscas — ele parecia impaciente e inconformado com alguma coisa.
-como assim que buscas papito, a busca por você que estava desaparecido — eu também estava impaciente com sua lerdeza.
-mas você sabia que eu me transformaria em um vampiro — ele disse e eu concordei não entendendo onde ele queria chegar. — então porque não ficou em casa esperando por notícias, sabia que eu ficaria bem, porque teve que sair por aí me procurando? — me encolhi um pouco, ele não precisava brigar comigo.
-eu só queria ajudar, até espalhei folhetos com sua foto, ofereci recompensa, fiz tudo o que pudia e você não apareceu — falei fazendo um carinho no seu rosto pra ele se acalmar, eu ouvia uns barulhinhos no seu peito — está com fome?
-bella, eu não como mais, nunca mais — ele disse lentamente.
-então o que são esses barulhinhos no seu peito — perguntei e encostei a cabeça pra ouvir melhor. Os barulhinhos pararam e ele riu.
-são rosnados que eu tento controlar, isso acontece quando fico com raiva ou nervoso. — ele explicou.
-está com raiva de mim — perguntei quase chorando.
-não seja boba, claro que não estou com raiva de você, só fico nervoso ao saber algumas coisas que você fez e enfrentou e eu não estava aqui para cuidar de você. — tadinho dele.
-mas agora você esta, eu te amo — falei bocejando.
-estou — disse e suspirou parecendo satisfeito — eu sei que você me ama, mas eu te amo mais — relaxei em seus braços, hoje eu dormi como há dias não dormia, feliz e satisfeita, meu papito voltou e Edward gosta verdadeiramente de mim, já que ele não me pediu em namoro eu peço. Mas amanhã, porque agora não consigo nem abrir os olhos.
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