Como Enlouquecer Um Vampiro
36 Capítulo 36 - Mente desprotegida.
PVB
Acordei com uma leve dor de cabeça, isso tinha nome e infelizmente eu sabia qual era: RESSACA, não era muita porque eu não bebo muito, então era só um leve incômodo. Me mexi um pouco e senti a língua de alguém passar pela minha boca e pelo meu rosto, sem abrir os olhos eu sabia quem era. Isso é fácil de saber já que a língua era quente.
-sai pra lá istrepinho. — resmunguei dando um tapinha nele, só ouvi o barulho dele caindo no chão, mas é desastrado mesmo, até parece o papito. Abri os olhos com certa dificuldade e levantei-me, fui em direção ao banheiro onde tomei um belo de um banho, quando saí me sentia pronta pra um próximo porre, êita vida boa, mas confesso que anda meio monótona, sei-la, to precisando de ação. Isso é algo que não me conformo, moro com vampiros lindos e mortais e estou morrendo de tédio, aqui não há brigas, discussões ou lutas, então pra que serem rápidos e fortes? Pra sentar e ficar chupando o dedo?
Na cama havia uma bandeja com meu café da manhã, é disso que eu estava falando, não posso fazer nada, nem descer e tomar café da manhã eu posso. Me arrumei e catei a bandeja intacta, desci emburrada dando de cara com todos na sala, eles não tem o que fazer não?
-vou tomar café da manhã na cozinha como sempre faço. — ou quase sempre, nem bom dia eu dei, estava de mau humor e me sentindo estranha.
-foi Esme quem preparou pra você. — disse o papito vindo me dar um beijo. — e bom dia pra você também.
-bom dia pra todos. — falei os olhando, então percebi que os Denalli ainda estavam ali, joguei as mãos para o alto cheia de frustração, que gente mais desocupado. Só que houve um pequeno problema, tipo, bem pequeno mesmo, eu ainda estava com a bandeja nas mãos e ela foi parar na cabeça de Tânia, céus que mulher mais idiota.
-olha.só.o.que.você.fez. — ela disse como se eu fosse uma retardada, revirei os olhos pra criatura a minha frente.
-não fui eu, foi a bandeja. — falei tranquilamente e passei o dedo na sua bochecha onde havia geléia, experimentei e não é que a geléia estava boa? Mas era diferente das do papito.
-foi você quem fez? — perguntei a Esme que estava paralisada no lugar, ela só concordou com a cabeça enquanto eu passava o dedo novamente na bochecha de Tânia. — humm, está uma delícia, tem mais? Porque essa geléia ficou divina. — falei e fui em direção a cozinha, sabe a geléia caseira que é tão gostosa, mas tão gostosa que você come pura e sem pão? Pois é, a geléia que Esme fez estava muito deliciosa. Parei de andar por causo de um rosnado, me virei em direção ao ser que fez isso e era arregatânia, digo, Tânia, me confundi porque ela estava com os dentes arreganhados pra mim. E depois ainda dizem que a estranha sou eu. Fala sério.
-eu vou matar você Isabella Swan. — ela disse rosnando e eu congelei no lugar tamanho o susto que levei, como ela pode desejar meu mal? Eu sou um ser que não faço mal a uma mosca.
-não vai não. — falou Rosalie ficando na minha frente, agora percebi que ela é mais alta que eu, isso é tão injusto.
-o que é em Rosalie, vai defender a humana, justo você que não gosta dela? Olha tudo o que ela me disse ontem e hoje joga uma bandeja de comida em cima da minha cabeça, olha meu estado. — minha cabeça pendeu para o lado e pude vê-la apontando pra si mesma, que desperdício de geléia.
-você não tem moral alguma pra falar nada, e se considere feliz por ter ganhado uma bandejada na cabeça, por que se fosse eu a arrancaria fora. — olhei de canto para Rosalie, ela estava bastante furiosa, essa loira é fogo viu? — como se atreve a nos denunciar aos volturi, tem noção do quanto nos colocou em risco? Todos nós incluindo sua família?
-vai mesmo ficar do lado dela? — falou Tânia em tom de deboche, qual é o problema dela?
-já chega Tânia. — ordenou o azarado vulgo Eleazar e me olhou sorrindo, sorri de volta. — ainda estamos aqui porque estávamos esperando você acordar, pra nos desculpar em nome de Tânia pelo que ela fez, a partir de agora vamos fazer o possível pra deixá-la em paz. — não entendi.
-mas estou em paz, com uma leve dor de cabeça por causo da ressaca, mas estou na mais perfeita paz, inclusive estou morrendo de tédio, tipo, porque não organizam um campeonato de lutas entre vocês? Pra ver quem é melhor? Eu serei a juíza. — disse e cai no riso, eu até sabia em quem eu votaria pra ganhar, com certeza é no Jasper. Eu sempre torço pra quem ganha, ri ainda mais.
-mas essa idéia é ótima. — disse Emmet vindo alegremente pro meu lado e sorrindo, dei uns pulinhos saltitantes com ele e ele me abraçou, em seguida tudo ficou escuro.
(...)
Tenho certeza que Emmet me matou, eu sempre achei que ele gostava de mim, ledo engano, isso sempre acontece, quando acho que tenho um amigo ele dá um jeito de se livrar de mim, mas dessa vez meu amigo se superou, chegou me matar. Será que estou no paraíso? Porque não imagino lugar melhor pra um ser como eu morar para sempre e descansar meu pobre e delicioso corpo e minha iluminada alma. Lamentei o papito não estar aqui comigo, nem Edward. Ha Edward, nem tivemos tempo de nos amar como queríamos e eu nem confessei que fui culpada por estragar seus belos travesseiros, como queria ter a oportunidade de dizer novamente o quanto o amo e que não imagino meu mundo sem ele, que seu cheiro me enlouquece ao mesmo tempo em que me acalma, que em seus braços sinto que é meu lugar, suspirei triste sentindo seu cheiro entrar pelas minhas narinas, saber que ele está lá na terra e que eu guardei seu cheiro na memória me deu uma vontade de chorar, não quero o paraíso sem ele porque pra mim qualquer lugar que eu vá, sem Edward se torna um inferno. Ouvi um leve riso próximo ao meu ouvido, até o som do riso de Edward eu havia guardado na memória, sorte que a minha quase não falha, o riso ficou mais alto e eu suspirei sabendo que onde quer que eu esteja, guardo Edward em meu humilde coração.
-o meu não bate, mas ele é todo seu. — ouvi sua voz sussurrar em meu ouvido e dei um leve sorriso, claro que é meio estranho ter um coração que não bate, mas sendo meu eu vou cuidar com tanto amor quanto cuido da Magali e do Istrepinho. — por favor, não faça isso, tenho pena do meu coração. — ele disse com a voz risonha. Edward apesar de tudo é divertido. — mas nunca serei como você. — como eu? Pode comer a vontade. — porque não abre os olhos, estamos preocupados. — refleti sobre isso, será que estão todos no paraíso junto comigo? — bella você não está morta. — abri os olhos assustada, como assim eu não morri? Meus olhos param em Edward e no papito, me sentia um pouco tonta e com vontade de vomitar, mas não quero vomitar na frente deles, isso é vergonhoso.
-preciso ir ao banheiro. — minha voz saiu meio enrolada, o papito me ergueu no colo e me levou até o banheiro onde eu vomitei horrores, eu me sentia fraca e suando.
-bebê o que você tem? — ele perguntou preocupado, eu me sentia tão fraca que não conseguia parar em pé.
-não me sinto bem. — falei enquanto ele me segurava e eu escovava os dentes pra tirar o gosto amargo da boca, eu suava tanto que meu cabelo estava todo grudado. — vou tomar um banho. — avisei e ele me segurou enquanto eu me banhava, mas não conseguia me lavar direito e o papito chamou a Alice pra me ajudar. Olhei pra ela que estava com o cenho carregado de preocupação, eu detestava saber que deixei minha amiga preocupada.
-vou lavar seu cabelo rapidamente, você precisa de repouso. — mas eu queria farra e não repouso, que ironia, pensando em farra enquanto mal agüento parar em pé. Meu banho foi mais rápido do que eu queria, mas eu sabia que no fundo tinha alguma coisa errada comigo, não sou idiota a ponto de não perceber, eu só não sabia o que era.
Me deitei na cama e Edward colocou uma bandeja de comida diante de mim, eu sabia que precisava me alimentar então me esforcei e comi um pouco, sentia os olhares de Edward, Alice e o papito sobre mim, seja o que for tenho certeza que não fui eu.
-claro que não foi você. — disse Edward, dei um riso meio forçado, mas olhar pra ele sentia que ele me amava muito. — muito não seria o suficiente. — é impressão minha ou estando deixando algo passar? Outra vez! Ele riu.
-e Emmet? — perguntei de repente, foi ele tentou me matar e quase conseguiu, foi por pouco, muito pouco.
-está lá em baixo. — respondeu o papito hesitante, fiquei confusa, ninguém vai me defender? Dizer que ele está de castigo e sem cartões de crédito? Sem carro e sem TV?
-bella, não foi ele o responsável por seu desmaio. — falou Edward lentamente, como assim? — se Emmet tivesse a abraçado a ponto de fazê-la perder os sentidos, no mínimo você estaria com hematomas ou com alguma coisa quebrada, quando ele a soltou você caiu já desmaiada. — mas..a culpa foi de Emmet, sei disso, ele tentou me matar. — sim a culpa foi dele. — ele concordou e eu respirei aliviada, pelo menos Edward me entende, sorri pra ele.
-bella sua boca está cheia de comida. — falou o papito e eu a fechei rapidamente, que mico mano. Olhei pra comida e pensei um pouco, com o problema de Seattle resolvido, em breve estaríamos indo pro Alaska e iríamos recomeçar, eu quero dar aulas pra uma turma sem vampiros, ainda mais agora que sei que eles trapaceiam nas matérias, sem contar que eles viveram a história e sabem mais que eu, isso é uma humilhação, por deus como posso ensinar algo a quem já sabe de tudo? Sem contar os dons que possuem, é pura trapaça.
-não é trapaça. — Edward interrompeu meus pensamentos, é falta de educação interromper os pensamentos dos outros, é como se ele estivesse lendo minha mente, o que é impossível, suspirei de emoção, tenho uma mente fechada e única, adoro minha mente. — eu também adoro. — sorri pra ele, ele é tão fofinho, ele sorriu e me deu um beijo retirando a bandeja da minha frente, graças a deus, eu não suportava mais ver essa comida na minha frente.
-bella. — disse o papito sentando-se ao meu lado, o olhei curiosa. — Carlisle está te esperando no hospital, Edward vai com você, você precisa fazer alguns exames. — ele estava muito preocupado, fiz um carinho no seu rosto, pra ele saber que eu estava bem e que não tinha nada de mais, sem contar que não entro em um hospital sem ele de jeito nenhum.
-não vou sair do seu lado, prometo. — claro que eu confiava em Edward, eu não confiava era em mim mesma solta em um hospital sem o papito, ainda lembro da ultima vez, desliguei sem querer uma máquina e o paciente quase faleceu, mas não tive culpa, eu entrei na porta errada e vi as luzes piscando, quando elas piscam eu entro num frenesi desgraçado e não sossego enquanto elas não apagam. Edward engasgou com algo.
-isso não vai dar certo. — ele disse como se estivesse com uma batata na boca, quando pensei isso ele gargalhou altíssimo, eu nunca tinha visto ele gargalhar, não achei que Edward poderia ficar mais lindo do que já era, mas ele se superou, o som da sua gargalhada comparava-se a mais bela melodia, ele ficava deslumbrante assim, tenho certeza que estava com cara de trouxa, pensando em trouxa, lembrei de uma vez que eu tentei fugir de casa, fui até a esquina e voltei perguntar pro papito o horário que passava o ônibus, o papito estranhou eu carregando uma trouxa e quis saber o motivo, ai já era e era uma vez uma fuga. Edward me olhou com as duas mãos na boca, será que está com dor de dente?
-bella. — olhei pra Alice. — troque de roupa e se arrume, a consulta é com horário marcado.
-não quero ir sem o papito. — mais jamais diria o motivo. — e não estou doente pra ir ao hospital. — eu só não me sentia bem, mas doente eu não estava. Aposto que foi a bebida.
-depois que você desmaiou Edward a trouxe para o quarto, você acordou e resmungou que estava cansada, dormiu quase dezenove horas seguida. — arregalei os olhos pro papito, eu jamais dormi tanto, nem quando fui acampar e voltei dois dias depois moída de cansaço, o acampamento iria durar três dias, mas voltei antes porque quis, mentira, voltei antes porque me obrigaram depois que eu tentei preparar o arroz, digamos que houve um pequeno incidente. Mas bemmmmm pequenininho.
-bella estou falando com você. — disse o papito me trazendo para o mundo real, lembrei de um filme que eu assisti uma vez, não lembro o nome, mas era sobre um mundo virtual, bem no fundo eu só gostei do filme porque... — bella. — credo com o papito.
-estou ouvindo. — menti na maior cara de pau, Edward riu outra vez. Acho que tem alguma coisa errada com meu amorzinho, eu preso muito pelo seu bem estar. Ele me olhou carinhosamente, se ele soubesse a vontade que eu tenho de agarrá-lo quando ele me olha assim, lembrei da nossa ultima pegação.
-não pense sobre isso, pelo menos não agora. — ele pediu colocando uma almofada no seu colo, pra esconder sua ereção, pensei comigo mesma e ele concordou. Espera aí...ele está lendo meus pensamentos? Ele acenou positivamente com a cabeça. Como?
-não sei, depois do seu desmaio simplesmente sua mente se abriu pra mim. — ele disse "se quiser posso abrir outra coisa, minhas pernas, por exemplo," pensei o olhando maliciosa.
-eu disse que isso não ia dar certo. — ele falou se deitando ao meu lado e se cobrindo. Estiquei o braço e ele colocou a cabeça sobre ele, com a outra mão eu fiquei fazendo carinho em seus cabelos, o olhei ele estava com um leve sorriso e de olhos fechados. Resumindo: era a imagem da perfeição.
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