Como Enlouquecer Um Vampiro
23 Capítulo 23 - Era uma vez... um volvo brilhante
PVB
Assim que saí da sala do diretor me senti um pouco melhor, eu não me importava se os alunos ficariam outra vez sem aulas de história, a única coisa que me importava era que eu tinha que achar o papito, ele sendo humano ou vampiro continuava sendo meu papito e tinha a obrigação de me dar notícias, eu precisava dele.
Fiquei chateada com os Cullen's, tenho certeza que eles poderiam me ajudar a procurá-lo, mas só se ofereceram para espalhar os folhetos e mais nada, vi que eles pareciam preocupados e me olhavam com pena, aposto que sabem onde ele está e não quiseram me contar, porque não importa o que eu sei ou o que houve com o papito, o que importava era que ele não aparecia em lugar algum, isso me deixava muito nervosa, droga, preciso passar no mercado comprar balas. Revivei o porta-luvas do carro do Edward pra ver se tinha algum dinheiro porque eu não tinha nenhum centavo, procurei procurei e não encontrei nada, mas que merda, porque ele não deixa uma reserva no carro? Nunca se sabe quando vai precisar. Fui até La Push, ninguém merece perder tempo com isso, mas era importante, eu precisava de balas pra poder seguir em frente, à medida que me aproximava da reserva tinha certeza de que estava sendo seguida, mas mantive os vidros do carro fechado, só o que faltava roubarem um carro que nem é meu, joguei todas as pragas do Egito no filho da mãe que supostamente me seguia, como eu não tinha certeza então me obriguei a acelerar e ultrapassar dos sessenta quilômetros por hora, aconteceu a mesma coisa de sempre, perdi o controle do carro e ele bateu num barranco, caiu lama e terra na parte do capô, quanto a isso não me preocupei, nada que uma boa lavada não resolvesse o problema.
Desci resmungando e olhei se não havia nenhum estrago, foi com grande alívio que constatei que o carro estava inteiro, ou quase, mas deixa pra lá, antes de entrar novamente no carro olhei em volta e não vi nada, pelo visto estou ficando paranóica, quando entrei no carro e fechei a porta percebi que havia lama nos meus pés, mas não era muita então bati fortemente meus pés no assoalho do carro pra retirar o excesso e pisei fundo no acelerador, mas sem ultrapassar meus limites.
Parei em frente a minha casa e desci rapidamente, entrei chateada por ver a porta só encostada, aquele cara só veio dar prejuízo, pelo menos aqui não tinha ladrão porque estava tudo como eu havia deixado, fui até meu quarto sem me preocupar com a lama que caia dos meus pés se espalhando por onde eu passava, fui direto à minha gaveta onde eu guardava algumas economias, para o caso de uma emergência, constatei com desespero que eu não tinha nenhum centavo em lugar algum, como faço pra comprar as balas? E onde foi que eu gastei todo meu dinheiro? O meu Deus, não tenho papito e não tenho dinheiro,pra completar minha desgraça também não tenho mais emprego, o que será da minha humilde vida? Olhei meu quarto e sem ter mais ilusões de que tudo iria se ajeitar me joguei chorando em cima da cama, mas minha cama parecia tão fria que sai correndo e me deitei na cama do papito, ali estava mais triste, mas ainda tinha o cheirinho dele então fiquei ali mesmo, chorei por toda desgraça que estava acontecendo e por saudades do papito, nunca ficamos tanto tempo longe um do outro, abracei seu travesseiro e como não tinha dormido praticamente nada durante a noite e também não deixei Mike dormir já que fui até a casa dele e pedi que me ajudasse a fazer os folhetos, ficamos na minha casa até amanhecer trabalhando, me sentia exausta tanto física quanto mental e acabei tirando um cochilo.
-belinha — ouvia alguém me chamando, mas a voz parecia tão longe — belinha — senti um cutucão, será que era um pesadelo e os monstros estão me chamando por novos apelidos? — vamos bella você precisa comer alguma coisa — comer o que? Eu não sei cozinhar e em breve estarei literalmente morta de fome.
-ela ainda não acordou? Aposto que estava muito cansada, pobrezinha — disse outra voz, aposto que o dono dessa voz não tem a menor idéia do quanto está certo ao falar da minha pobreza, senti alguém mexendo comigo — bella — me chamou, com muito custo abri só um olho dando de cara Billy e com Seth, eles me olhavam preocupados, abri o outro.
-até que enfim acordou, já é quase hora do almoço e viemos buscá-la pra almoçar com a gente na casa da Emily — falou Seth tentando me animar, mas a verdade é que a ultima coisa que comi foram alguns biscoitos ontem a tarde e mesmo assim não sentia a menor vontade de comer.
-obrigado, mas não estou com fome — pensei em falar pra ele pedir desculpas a Emily por mim, mas a culpa foi dela que apareceu aqui do nada e em um momento digamos, complicado pra mim.
-você viu que sua casa está toda suja de barro? — perguntou Billy, ergui a cabeça olhando em volta e me situando que ele tinha razão.
-quem fez isso na minha casa? — perguntei entre dentes, não se pode dormir em paz que alguém vem sujar sua casa com barro, isso aqui estava um horror.
-quem poderia, foi voc... — não sei o que Billy iria dizer, mas se calou com o olhar de seth.
-como a porta não tem como trancar, aposto que foram as crianças que fizeram isso enquanto você dormia, mas damos um jeito nisso — ele disse animado, mas eu não sei limpar a casa, lembram o que eu disse sobre crianças? É por isso que não gosto delas, são muito intrometidas.
-crianças dos infernos — resmunguei me levantando, estava dolorida do tanto que havia andado ontem, olhei minhas roupas e acredita que tinha barro até em mim? — assim não dá — reclamei olhando pra eles.
-nos desculpe por isso — pediu Seth, mas eu tinha a leve impressão de que ele segurava o riso, pelo menos ele está feliz enquanto eu, infeliz e sem papito.
-tiveram alguma notícia do papito? — perguntei com a voz embargada, eles se olharam e balançaram a cabeça negativamente, deixei os ombros caírem de tristeza e enxuguei algumas lágrimas.
-fazemos o seguinte — disse Seth, o olhei curiosamente — você toma um banho, troca de roupa e vamos almoçar na casa da Emily, depois eu vou com você procurar seu papito — o olhei de boca aberta, porque ele me ajudaria? Como se a pergunta estivesse estampada na minha cara ele respondeu — não acho seguro para os outros você andar por ai sozinha e desesperada procurando por alguém — Billy riu e eu fiquei confusa.
-como assim?
-nada não, esquece o que eu disse, mas então feito? — ele perguntou ansioso, só não entendia por que.
-me empresta cem dólares — pedi na cara dura, eu não tinha outra escolha, como é humilhante essa minha vida, ele engasgou e Billy riu alto — e você Billy, me empresta. — agora foi a vez de Billy engasgar e Seth rir.
-não temos todo esse dinheiro — disse Billy, murchei outra vez, tudo estava dando errado.
-pra que precisa de cem dólares? — perguntou Seth curioso.
-não tenho papito, não tenho dinheiro e não tenho emprego e se continuar assim em breve não terei onde morar — a medida que eu falava comecei chorar, se meu papito estivesse aqui nada disso estaria acontecendo, eu preferia não ter dinheiro do que não ter papito.
-calma bella, isso passa — olhei pro Billy.
-não vai passar, você tem filho, o que aconteceria se ele desaparecesse? Seria confortado com simples palavras? — ele baixou os olhos — eu não serei confortada porque eu não quero, sei que vou encontrá-lo.
-primeiro vamos cuidar de você — falou Seth e eu acabei concordando, estava mesmo precisando de um banho. — tome um bom banho que eu volto mais tarde — ele prometeu, mas ultimamente eu andava tão desacreditada da vida e desiludida que não questionei talvez ele voltasse, talvez não.
-tudo bem — falei limpando as lágrimas e fui para o banheiro, segurei o grito de horror ao ver minha casa toda suja de barro, amaldiçoei todas as gerações dessas crianças.
Assim que a água caiu em mim, fui obrigada a ver aquilo que eu sempre soube, eu não era nada sem meu papito, não passava de um peso morto sobre a terra, mais lágrimas vieram sem que permitisse, mas eu ainda tinha esperanças de encontrá-lo, eu precisava acreditar nisso.
Vesti uma roupa quente e sai pra fora, vi algumas crianças rodeando o carro de Edward.
-SAIAM DAQUI BANDO DE CAPETA — gritei pra elas que se assustaram e saíram correndo, aposto que estragaram alguma coisa e eu nem tenho como pagar.
-calma bella elas não fizeram nada — disse Seth se aproximando, olhei bem pra ele e vi que ele também havia mudado a roupa — demorou e eu não quis entrar, olhe — ele parecia sem graça com alguma coisa — não é por nada, mas sua roupa está torta — olhei e vi que eu só havia as vestido, sem me importar se havia ficado bonito ou pelo menos arrumado, dei de ombros.
-não to com fome — avisei, era verdade eu não sentia a mínima vontade de comer.
-conversei com alguns conhecidos e arrumei quinhentos dólares pra você — arregalei os olhos, ele havia ido emprestar dinheiro pra mim? — mas só te darei depois que você almoçar — ele estava me chantageando, mas se eu comer não vou ficar sem dinheiro.
-vamos logo que ainda temos que procurar o papito — falei e fui em direção ao carro.
-me deixe dirigir, eu sempre quis dirigir esse carro, mas nunca tive coragem de pedir ao Edward — ele pediu com os olhinhos brilhando em direção ao carro, dei de ombros e entrei no lado do passageiro, assim que ele entrou quase gritou.
-dá onde todo esse barro. — olhei e vi que havia barro espalhado até no bando do motorista, meu sangue ferveu.
-eu sabia que aquelas crianças fizeram alguma coisa, você as viu rodeando o carro não viu? E você ainda disse que elas não haviam feito nada. — briguei mesmo, como vou devolver esse carro ao Edward sendo que ele está imundo?
-que pecado um carrão desses estar nessa situação — murmurou inconformado e ligou o carro.
-pelo menos ainda está funcionando — disse e dei de ombros quando ele me olhou estranho.
No caminho até a casa da Emily percebi que Seth adorava esse carro, mas estava com os vidros abertos e franzindo o nariz como se estivesse sentindo um cheiro ruim.
-tomei banho, se tiver fedendo não fui eu — avisei antes que ele me culpasse por ter soltado um pum. Ele riu.
-você ta cheirosinha — sorri pra ele que me olhou triste, aposto que até meu sorriso estava desanimado. Ele parou em frente a uma casinha simples, mas parecia aconchegante, descemos e ele já foi entrando como se fosse o dono da casa, dei de ombros e fiz o mesmo, assim que passei pela porta só vi um vulto de cabelos escuros correndo e saindo pela porta dos fundos. Olhei e vi que ali estava o suposto cara que havia seqüestrado o papito e outros que eu não conhecia, a não ser Jacob e Paul, em cima da mesa estava cheio de comida, apesar de estar cheirando bem não era nada parecido com o cheiro maravilhoso da comida do papito, segurei pra não torcer o nariz e acabar chorando.
-e aí bella como vai? Sou Sam Uley — ele se apresentou e minha mente deu estalo, lembrei imediatamente do que estava escrito no livro, os de sobrenome Uley eram os segundos no comando da matilha, quem realmente mandava era os Black.
-não estou nada bem — lamentei pra ele que me olhou tristonho — mas vou melhorar assim que encontrar meu papito.
-já pensou que talvez ele precise de um tempo sozinho ou que não queira mais ver você? — disse Paul, tive uma leve impressão de que ele não gostava de mim.
-não ligue para Paul, ele é muito insensível — disse Jacob olhando bravo para Paul.
-eu não ligo muito pra opiniões que vem de uma mente fraca — falei compreensiva e os outros riram dele, mas eu não disse nada engraçado, eu simplesmente ignorava certas opiniões quando elas não me serviam de nada, e se alguém diz algo pra magoar você em momento sofrido da sua vida essa pessoa só pode ter a mente fraca, resumindo é um idiota retardado.
-pra mim já deu — ele disse bravo e saiu correndo, o acompanhei com o cenho franzido, que mau humor hein?
-nem eu que estou sem papito estou com um mau humor desses, credo — falei e fiz um sinal da cruz, chô capeta.
-bella — olhei para Seth — sem comida sem dinheiro — ele disse e riu da minha cara, resmunguei e sentei-me a mesa, servi pouca comida pra não deixar restos, milhares de pessoas passando fome por ai e eu jogar fora é um pecado, já que em breve eu serei uma dessas pessoas que estarão na porta de uma igreja em um dia frio pedindo por um prato de sopa quentinha pra me aquecer e sem papito, não segurei as lágrimas.
-bella se acalme — pediu Sam, eu fiquei quieta enquanto comia, não estava muito bom mas não quis ser mal educada e falar.
-está bom neh? — disse Seth com a boca cheia de comida, só acenei com a cabeça, se eu abrisse a boca todos perceberiam que eu mentia.
-onde está Emily? — perguntei curiosa, ela sendo a dona da casa e cozinheira deveria estar aqui para receber as visitas.
-ela deu uma rápida saída, talvez não volte a tempo de vê-la — respondeu Sam e outros riram com vontade, não liguei por causo disso, pelo menos tem alguém nesse mundo triste que está feliz, isso soou meio estranho.
-agora precisamos ir — falei a Seth assim que ele terminou de comer, me assustei com o tanto que eles comeram, não havia sobrado um mísero pedacinho de comida, mortos de fome isso sim. — mas eu dirijo — avisei a ele antes que ele se achasse o dono do carro.
-vai andar no carro do Cullen — perguntou Jacob e Seth murmurou algo que não entendi.
-vou — falou e correu para o carro, eu agradeci pelo almoço e mandei dizer a Emily que estava tudo muito gostoso e saboroso, que assim que o papito voltasse eu pediria a ele que a ensinasse como fazer comida, virei as costas deixando todos de olhos arregalados, eu hein, esses povos sobrenaturais são bem esquisitos. Assim que entrei no carro vi que Seth estava rindo horrores.
-vocês têm problemas na cabeça, só pode — resmunguei enquanto saíamos dali, dirigi até Forks, precisava recomeçar minhas buscas em prol do papito perdido.
-como prometido — ele disse e me passou os quinhentos dólares, parei rapidamente o carro em frente ao mercado e corri comprar minhas balas, comprei algumas e voltei para o carro dando de cara com a palidez de Seth.
-ta passando mal? Onde dói? — perguntei preocupada enquanto guardava os pacotes de balas no banco de trás do carro.
-por que tudo isso — ele sussurrou assustado apontando pras minhas balinhas.
-são só uns pacotinhos — falei o que era óbvio.
-bella — ele disse meu nome lentamente — gastou todo o dinheiro em balas? Seu desespero pelo dinheiro era pra comprar balas? — não entendi o por que de sua irritação.
-é — respondi e assumi outra vez a direção do carro — e obrigada pelo empréstimo, assim que o papito voltar ele acerta com você.
-não se preocupe com isso, e se precisar de mais é só me falar, dou um jeito nisso — ele disse e suspirou.
-mas vocês não tinham cem dólares, agora vai me arrumar tudo o que precisar? — perguntei estreitando os olhos — Seth escute bem, não quero você roubando por aí por minha causa, além do mais é só uma questão de tempo pra mim começar passar fome — disse e já comecei chorar, meus olhos ardiam e estavam muito sensíveis, acho que nunca chorei tantas vezes seguida em toda minha vida. — ele vai voltar eu sei que vai — falei soluçando. — não quero ficar sozinha.
-você não está sozinha e eu não vou roubar nada, só que tem alguém que eu não posso dizer quem, que gosta muito de você e me arrumou o dinheiro, ele vai dar a você tudo que quiser — assim que pensei em perguntar se essa pessoa me daria o papito Seth acabou com minhas esperanças. — não dá pra comprar um papito. — murchei outra vez e me distrai limpando as lágrimas acabei batendo num galão de lixo, respirei aliviada, poderia ter sido uma pessoa.
-sério bella você é péssima motorista — ele disse rindo.
-não sou — rebati e como estava chateada pelo seu comentário acelerei o carro um pouco mais, um carro que vinha em minha direção desviou a tempo de colidir com o meu, quer dizer, no de Edward.
-BARBEIRO -gritei para o motorista e mostrei o dedo do meio pra ele, Seth só sabia rir. Desviei de uma bicicleta com habilidade e olhei convencida para Seth — viu como sou boa motorista? — falei convencida e só ouvi o barulho. Eu havia atropelado alguém. — quem manda andar no meio da rua? — falei louca de ódio e desci do carro pronta pra soltar o verbo contra esse idiota, me assustei quando vi Paul levantando do chão e me olhar furioso, juro que não fiz nada.
-calma ai cara — disse Seth ficando entre ele e mim — você não pode se descontrolar aqui — avisou seriamente, eu olhei no chão e vi uma sacolinha do mercado toda rasgada e vários produtos espalhados pelo asfalto.
-o que vou dizer pra minha mãe? Que uma louca me atropelou e acabou com as coisas que ela me mandou comprar? — ele estava espumando de raiva e tremia muito. Dei um passo para trás.
-está assustando ela — disse Seth nervoso — se você perder o controle eu faço o mesmo e impeço você de fazer uma besteira contra bella — eu olhava confusa de um para o outro, perder o controle de que? Será que ele se transformaria em lobisomem e me mataria? Não posso morrer sem me despedir do papito, eu só preciso achá-lo, mas onde? Olhei em volta esquecendo-me da discussão dos lobisominhos, vi que o carro estava parado na calçada, quem aumentou a calçada? Tenho certeza que ela não era tão larga assim, ou será que era? Agora fiquei confusa, mas se o carro está na calçada significa que eu atropelei um pedestre quando invadi a calçada por culpa do Seth que estava rindo de mim, então a culpa foi dele.
-foi culpa sua — falei apontando o dedo para Seth, ao invés dele argumentar e se defender, ele riu enquanto via Paul retirar a camisa e fazer uma trouxinha colocando os produtos que havia comprado ali dentro. — quer ajuda? — perguntei cheia de pena imaginando o quanto era constrangedor andar por aí com uma trouxa daquelas que diga-se de passagem estava muito mal feita, tenho certeza que eu faria uma melhor...
-FIQUE LONGE DE MIM — ele gritou furioso e saiu chutando umas pedrinhas que haviam no caminho.
-o que deu nele? — perguntei à Seth, mas o infeliz ria tanto que não conseguiu falar nada, respirei fundo pra não perder a calma. — vamos Seth temos que achar alguém, lembra? — o olhei sugestivamente movendo as duas sobrancelhas.
-lembro — ele disse rindo e voltamos para o carro. Agora que estava dirigindo tranquilamente pelas ruas de Forks percebi que eu não verifiquei se o carro havia se machucado com as batidinhas acidentais que aconteceu, mais tarde vejo isso.
Andamos pela cidade o tarde toda e nem sinal do papito, fui até a casa dos dois policiais e conversei com suas famílias, constatei que eu não era a única que sofria com o desaparecimento de um ente querido, a mãe de um deles estava inconsolável e a esposa do outro estava assim como eu, sofrendo, mas cheia de esperança que eles iriam aparecer. Eles tinham que aparecer, ninguém desaparece da face da terra, em algum lugar eles têm que estar.
-bella está anoitecendo e você precisa descansar, vamos pra casa — imaginei entrar naquela casa fria, vazia, cheia de barro e sem o papito, tudo o que não queria no momento era voltar pra casa.
-levo você até La Push e você trás meu carro pra cidade, vou devolver esse para Edward, mas não posso ficar a pé, tenho muitos lugares aonde não fui, como Port Angeles e Tacoma, faço isso amanhã — falei tudo de uma vez e peguei a estrada em direção a La Push, amanhã o dia seria ainda mais longo que esse, e assim seguiria minha vida até achar o papito. — a propósito já que tem alguém que vai me ajudar financeiramente diga a ele que preciso de mais dinheiro e que não me mande míseros quinhentos dólares, tipo, pra começar uns cinco mil ta bom, pra expandir minhas buscas — Seth engasgou.
-cinco mil? Bella ele disse que vai ajudá-la, mas cinco mil é muito dinheiro, além do mais... — cortei a tagarelice, se o tal cara vai me ajudar então que ajude direito e não pela metade.
-ele vai ajudar ou não?
-vai sim, mas cinco mil é... — o cortei de novo.
-muito dinheiro, eu sei por que você já me disse isso, afinal de contas quem é essa pessoa, e porque vai me ajudar? Eu conheço? — o olhei curiosa e ele baixou os olhos, não gostei nadinha disso — responda logo estrupício — me estressei.
-você conhece, mas ele não quer se manifestar, não quer ofendê-la oferecendo dinheiro — olhei pra ele e sorri.
-ele ou eles? — perguntei satisfeita e Seth arregalou os olhos.
-como assim eles? — se fez de confuso é porque deve.
-são os Cullen's não são? — perguntei só pra confirmar e Seth ficou quieto, quem cala consente — não vou ficar ofendida por causo disso, eles sendo meus amigos e já que não estão ajudando nas buscas nada mais justo me ajudarem da forma que puderem, já que são os Cullen's pede dez mil, quando encontrarmos o papito ele paga tudinho.
-você é bem estranha — ele disse rindo, não gostei de ouvir isso, mesmo não sendo a primeira, nem a segunda e muito menos a terceira vez, ao longo da minha humilde e curta vida ouvi muito isso, mas nunca me importei, acho que só agora sem meu papito é que vejo o quanto é estranho ser chamada de estranha.
-contou a eles que eu precisava de dinheiro? — perguntei o olhando de canto. Ele ficou sem graça.
-desculpe, mas você pediu cem dólares e disse que estava sem nada, nós não tínhamos essa quantia e nem onde arrumar, eu pensei que Alice sendo sua amiga e Edward... — ele hesitou — bom... Edward emprestou o carro dele pra você, deduzi que se dão muito bem, bem até de mais — ele disse malicioso, ignorei — desculpe, mas achei que eles poderiam ajudá-la com dinheiro. — pensei um pouco sobre isso, eu sabia que não ficaria devendo nada a eles, pois o papito pagaria pelo menos eu não morreria de fome. — Edward gosta muito de você — ele disse de repente, foi impossível esconder o sorriso que nasceu em meus lábios.
-eu também gosto muito dele, muito mesmo — confessei, Seth parecia entre o feliz e preocupado, eu não precisava perguntar nada, já sabia o motivo, aquele livro foi de muita ajuda, assim não me sinto perdida.
Assim que Seth desceu do carro eu pedi que ele levasse o meu até minha casa em Forks, eu não conseguia nem olhar na direção do carro do papito que sentia um aperto tão grande no peito, como se ele estivesse sofrendo, isso me desesperava de tal forma que voltei para Forks aos prantos, segui em direção a casa dos Cullen's, afinal precisava devolver o carro do Edward, nem me preocupei com a sujeita, ele poderia muito bem lavar e tenho quase certeza que não cansaria ou pegaria uma gripe, sorte a dele.
Assim que estacionei a frente da casa dele tive a impressão que havia alguma coisa errada, tudo parecia bem de mais, normal de mais, essa cena lembrou-me quando estive aqui outras vezes e os vi assistindo TV era uma cena que por mais que parecesse normal estava mais parecida com um antigo quadro pintado a mão do que uma simples família no final do dia reunido na sala assistindo uma novela qualquer. Edward, Alice e Jasper vieram me receber.
-alguma noticia dele? — perguntou Alice me olhando com pena assim que desci do carro.
-nenhuma, a propósito obrigado pelo dinheiro — eu tinha que agradecer, se não fosse por eles nesse momento eu estaria sem dentes de tanto mascar qualquer porcaria.
-eu sabia que Seth daria com a língua nos dentes — falou Jasper me dando um abraço, ele não imaginava o grande conforto que me deu com esse simples gesto, embora Seth houvesse ficado comigo e tempo todo, não me ofereceu nenhum mísero abraço e eu estou muito carente, ele me soltou parecendo satisfeito com algo.
-ele não fez por mal — falei me sentindo um pouco melhor, fui surpreendida pelo abraço urgente de Edward, não estava esperando nem o abraço aconchegante muito menos o beijo que ele me deu, ele me ergueu do chão e eu passei meus braços ao redor do seu pescoço, eu não queria sair dali. Quando ele parou o beijo eu estava quase sem ar.
-desculpe, mas senti saudades e saber que não posso entrar na reserva... — ele parou rapidamente de falar, ele não precisava explicar que não estava comigo por causa de um tratado que o impedia de entrar onde eu moro atualmente.
-não o achei me ajude, mas não com dinheiro, me ajude a encontrá-lo, por favor — eu pedi chorando e o abraçando, eu sabia que ele poderia fazer isso, ele é um vampiro lindo e maravilhoso e forte e eu era só uma frágil humana que não faço mal a uma mosca.
-quem assassinou seu carro? Claro que foi a bella — chegou Emmet cantarolando, como eu não queria desgrudar de Edward fiquei segurando sua mão.
-não assassinei nada, ele só está um pouco sujo, é só lavar — falei enquanto Edward enxugava minhas lágrimas.
-um pouco sujo? Aposto que tem quilos de barro grudado nele — falou Emmet rindo e foi olhar dentro do carro — e por dentro está tão sujo quanto por fora — comentou casualmente. Eu aqui sofrendo e ele mentindo? Acusando-me?
-Emmet será que dá pra entrar e sumir daqui, não ta vendo que a belinha ta sofrendo — Jasper o repreendeu e ele saiu de cabeça baixa se desculpando.
-onde estão os outros? — perguntei olhando a casa estranhei eles não terem me convidado pra entrar, mas tudo bem, em breve nem na minha cara vão olhar, já que cedo ou tarde eu terei que contar a eles que sei que eles são vampiros, eles vão ter que ajudar a encontrar o papito.
-Carlisle, Esme e Rosalie estão por aí, tivemos uma discussão de família, sabe como é — disse Alice e eu fiquei confusa.
-não sei, nunca briguei de verdade com o papito, e como assim Carlisle e Esme? Onde foi parar o papai e a mamãe? — eles se olharam diferente e de forma tensa e eu boiei geral, o que foi que eu disse? Só estranhei chamarem os pais pelo nome e não de papai e mamãe como eles sempre fizeram.
Notas finais
Bjksss
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