Como Dita O Equilíbrio
2 The guilty will know agony
Notas iniciais
. Viro meu olhar em direção á montanha, soltando um curto suspiro, tentando esquecer o forte aperto no peito. Vejo Karma sair do dojo onde treinava, parecia muito preocupada. Ela desce lentamente pelo declínio, indo em direção aos campos floridos que rodeavam o mesmo. Coloco a minha máscara e desço a colina que separa minha casa dos campos, indo em direção á seu destino. Chego lá ao mesmo tempo em que ela, nos encontramos em uma clareira em meio de árvores e nos sentamos no chão.
- Karma, o que houve? – Pergunto, intrigada.
- Akali... Eu tive uma visão... horrível! – Seus olhos estão cheios d’água, e sua aura não exala a essência de confiança e esperança de sempre. Karma é conhecida por ter conexões mágicas com a magia benevolente, ela consegue sentir pessoas com más intenções á milhas de distância. Segundo ela, quando muitas almas corrompidas pelo mal estão juntas, suas visões se tornam claras e frequentes, como um alerta de perigo.
- Muitas almas corrompidas próximas a Ionia? Os Noxianos estão atacando novamente?
- Não... Não são almas corrompidas... É apenas uma!
- Onde se localiza? Vou expulsar esse ser sem equilíbrio de nossa nação!
- Você não entende, Akali! É muito mais do que apenas uma simples alma sem equilíbrio! É uma alma possuída!
Fico em estado de choque. A última vez que uma alma possuída entrou nos limites de Ionia foi quando Lee Sin tentou se tornar invocador. O espírito do campeão morto que Lee tentou invocar conseguiu possuir um rapaz do oeste da nação, e este causou destruição em massa na sua cidade. Nunca soube ao certo o que aconteceu com ele, mas há rumores de que ele conseguiu exorcizar o espírito de seu corpo, porém, como vingança, parte de seu corpo foi coberta por energia negra, e sua voz ficou rouca e grossa, como a de um demônio. Desde então ele ficou conhecido como o Filho do mal e descendente das trevas. Eu e Shen conseguimos impedir que a destruição chegasse aqui, mas não foi simples.
- ...E esta é muito mais forte do que o espírito maléfico que estava no templo, e que possuiu Varus, causando toda aquela destruição. – Ela continua, suas mãos tremem e uma lágrima solitária desce por seu rosto.
- ... Eu e Shen podemos cuidar dele... juntos, como antes! Vai ficar tudo bem! – Digo, abraçando-a, ainda ajoelhada.
- Eu desejo toda a sorte para vocês! Ionia precisa de equilíbrio mais do que nunca!
Me levanto e ajudo-a a fazer o mesmo. Nos olhamos por alguns instantes, e lanço-a um olhar sorridente, passando a sensação de que tudo ia ficar bem.
- Quer ir comigo para casa tomar um chá ou algo do tipo? – Pergunto, sorrindo.
- Eu adoraria, mas tenho que voltar para o dojo e procurar uma maneira de adiar os ataques da alma possuída o máximo possível! Mas sei que vocês podem lidar com isso! Confio em vocês!
A sua esperança retorna lentamente, e o sorriso casual volta a se estampar em seu rosto. Abraço-a e sigo meu rumo de volta para casa. Preparo um rámen com legumes e molho picante e me sento na colina onde estava sentada com Shen para comer. O gosto delicioso do macarrão misturado com o doce sabor do molho me lembra da pequena parte que me lembro da minha infância, quando minha mãe fazia sopa com raízes e pequenas plantas rasteiras deliciosas que cresciam na cidade do oeste que foi destruída pelo rapaz possuído pela alma maléfica. Me lembro de quando conheci Shen, éramos apenas duas crianças sozinhas, á procura de seus destinos. Mergulho em meus devaneios enquanto sacio minha fome. Mesmo quando termino de comer, continuo presa á visão do belo céu azul de Ionia. Por volta de cinco horas, quando estava pronta para entrar em casa novamente, vejo meu amigo voltar dos montes úmidos da nossa nação, onde se encontrava. Um leve sorriso é estampado em meu rosto ao vê-lo longe no horizonte. Porém, ao se aproximar mais, este desaparece lentamente, se transformando em uma expressão assustada e triste. Sangue e algumas lágrimas desciam por seu rosto desmascarado, ele mancava e soluçava um pouco. Corro a seu encontro, meus olhos também estão cheios d’água.
- Shen!! O que houve? – Pergunto, com voz chorosa.
- Um ser sombrio... Derrubou o muro de Placidium... E atacou o vilarejo do sul...- Ele tentava responder, se sentando no chão. Mais lágrimas umedeciam seu rosto. Ao ouvir a notícia, arregalo os olhos.
-... Meu Deus! ... E os moradores? Estão todos bem?
- Kennen... Desapareceu!... E o assassino... Ele... — Neste momento, ele desiste de conter as lágrimas, estas escorrem por seu rosto e caem na grama fina do chão.
- Ele...?
-... Ele matou o meu pai! – Tudo á minha volta parece congelar ao ouvir as palavras pronunciadas pela voz rouca e triste de meu parceiro. Seu pai sempre foi como o que eu nunca tive, éramos muito chegados, graças a ele estou viva nesse momento, afinal ele me salvou no incêndio que aconteceu em meu antigo vilarejo, o mesmo que matou minha mãe. A água que cai da chuva que se inicia se mistura com a que escorre de meus olhos. Shen me puxa para um abraço, colocando minha cabeça junta á seu tórax, com uma mão em meus cabelos e a outra envolvendo meu pescoço.
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