Como Deixar de Ser Idiota em 30 Dias
7 Capítulo 7
Como deixar de ser idiota em 30 dias.
Capítulo 7:
– É... Não vou te ajudar, é só mais uma idiotice sua mesmo. – Disse continuando a andar, como se nem tivesse acabado de destruir todas as esperanças que ainda restavam sobre a raça humana no coração de um pobre idiota.
– Como assim não? – Perguntei segurando em seu braço, obrigando-o a olhar para mim. Desesperei-me. Eu abri meu coração, contei para ele meu segredo mais precioso e bem guardado! E ele age como se não fosse nada de mais! Eu nunca tinha admitido para ninguém (além do Max) sobre a minha paixão pela Zoey!
– Não precisa ficar me olhando desse jeito. Não é como se você fosse o único no mundo apaixonado por ela. Mesmo que você deixasse de ser idiota, o que provavelmente não vai ser o caso, ela não ficaria com você. – Essa doeu. E não foi pouco não.
– Mas se eu não fizer nada é que não vou ter nenhuma chance mesmo! Não dá para só fingir que ela não existe... Acredite, eu já tentei... – Não pude deixar de reparar o quanto meu sorriso, antes maior que a Rússia, agora tomara uma configuração um pouco triste e até mesmo melancólica. Nossa, parece que eu acabei de tirar essa frase de uma novela mexicana!
– Tudo bem... Eu te ajudo. Mas larga o meu braço que está machucando. – Foi aí que eu percebi: No meu nervosismo, esqueci de soltá-lo e agora um fino filete de sangue escoria pelo seu pulso.
Ah! Minhas mãos estão sujas de sangue! Eu me sinto um assassino! Isso vai me perseguir pela eternidade! Eu vou ficar semanas sem dormir imaginando a carne do Charlie sendo dilacerada pelas minhas unhas! Por que eu não escutei a minha mãe quando ela mandou eu cortar as unhas? Por que?
– Desculpe-me! Foi sem querer mesmo! Desculpe-me! Vamos a uma farmácia que eu te pago um curativo! Desculpe-me! – Comecei a arrastá-lo em direção à farmácia do shopping, enquanto continuava freneticamente a pedir desculpas, mas ele parou abruptamente balançando o braço para eu soltá-lo.
– Pára com isso! Eu estou bem. Foi só um arranhão, seu exagerado. Se você não parar de me arrastar você vai machucar o meu outro braço. – Sua testa retorcida mostrava justamente o contrário, que ele estava sentindo dor, e muita. Mas na mesma hora larguei o braço dele, afinal, não tinha nada que eu pudesse fazer para convencê-lo a me escutar e ir atrás de algum cicatrizante e um band-aid.
– Desculpe-me. – Falei uma ultima vez.
– As aulas já acabaram a mais de uma hora. Eu tenho que voltar para casa. Até porque eu já percebi que é impossível andar com você sem chamar muita atenção. – Nossa, mas não é que eu tinha esquecido que estávamos no shopping? Imagine dois caras discutindo no meio do corredor de um shopping super movimentado, sendo que um deles tem o pulso sangrando e o outro está quase ajoelhando no chão implorando perdão. É, realmente estava chamando muita atenção...
Mas é claro que eu não me ajoelhei, se não poderia acontecer algo parecido com a cena na praça de alimentação e acho que minha mão não agüentaria outra pancada. Mesmo que eu esteja merecendo.
– Tudo bem... – Concordei. – Ei! Aquele não é o Joseph? – Apontei para um homem andando um pouco a nossa frente.
-É sim. – Respondeu indiferente.
– Vamos lá dar um oi! – Exclamei. Mas antes que eu me aproximasse outro homem o puxou pela mão e o entregou um sorvete de casquinha. Erick? Ai. Meu. Deus. Eu não acredito que vi isso! E o pior: Eles estão sorrindo! Eu nunca tinha visto o Joseph sorrir. Nunca!
Mas isso não foi nada comparado ao que se seguiu. O Joseph deu um beijinho na bochecha do Erick! Quem poderia imaginar: Meu professor é gay! Sobre o Erick todo mundo já sabia, mas o Joseph? Se eu não estivesse agora vendo isso, morreria sem saber. Mas até que eles formam um casal bonitinho... No que eu estou pensando? Eu nunca mais vou conseguir prestar atenção nas aulas deles! Vou ficar me lembrando dessa cena! Certo, estou me exasperando demais, tenho que respirar.
Algum expectador inocente poderia achar que era apenas um carinho de amigos, mas eu sabia que não era. Porque o Erick estava usando seus óculos com estampa de oncinha. Quem é seu aluno sabe que ele só usa esses óculos, que são ultra-espalhafatosos, quando está muito feliz. E existe motivo melhor para estar feliz do que namorado novo? Não.
– Ei, quer parar de olhar para eles com essa cara de defunto? È melhor a gente ir antes que eles nos vejam. – Disse Charlie fazendo-me cair na realidade.
Fomos nos esquivando da crescente massa de pessoas, que só aumentava por causa do horário de almoço, até a porta principal. Mas antes mesmo de chegarmos, pude ouvir o barulho típico que a chuva faz quando cai contra o asfalto.
Droga! Vou me molhar todo enquanto espero no ponto de ônibus! Parece que tudo de ruim que tinha para acontecer comigo está acontecendo hoje... Pelo menos eu acho que depois disso o meu estoque de azar vai estar esgotado por pelo menos um mês. Ou não.
– Pode usar o meu casaco se quiser. – Disse tirando o próprio casaco e jogando-o em cima de mim.
– Hein? – Foi tudo o que consegui responder em meu momentâneo estado de letargia, causado por ele estar sendo gentil comigo. Charlie está sendo gentil! Acho que é hoje o dia em que os ET’s vão invadir a Terra, isso é um mal pressagio. Certo, talvez eu esteja exagerando um pouco. Ou talvez não.
– Ele tem capuz. – Disse como se isso explicasse tudo. Mas já que minha expressão de quem não está entendendo nada permaneceu a mesma, ele suspirou, cansado, e continuou. – Eu não me importo de molhar um pouco meu uniforme, mas duvido que você suporte molhar o cabelo. – Deu um sorrisinho cínico.
– Como assim? – Certo, não vão ser só ET’s. O céu vai cai, o mar vai engolir a terra, um meteorito vai exterminar todas as civilizações, o Sol vai morrer, robôs de nanotecnologia vão sugar toda a vida restante, entre outros. Sim, eu li a edição da revista “Terra” dedicada a vários motivos para o fim da existência humana, algum problema? Eu continuo sem entender nada.
– Estou falando dos seus bob’s, idiota! – Sua voz mostrava claramente que ele esperava que eu tivesse compreendido isso a bastante tempo.
Como ele pode saber que eu fiz bob’s hoje de manhã, antes de ir para escola, mesmo sem ter dormido nada? Claro que foi uma péssima idéia, eu deveria ter dormido naquele tempo, mas não! Já que sou eu, meu cabelo falou mais alto que a racionalidade.
– Como você sabe? – Perguntei depois de passada a surpresa inicial.
– É muito obvio. Nas terças e quintas o seu cabelo fica muito mais cacheado do que no resto da semana. – Droga! Meu cabelo é tão falso assim? Eu sempre pensei que os meus cachos parecessem naturais... Mas o pior é imaginar que logo ele tenha notado isso.
– Meu cabelo é feio? – Perguntei segurando lágrimas. Que ódio de mim mesmo! Como é que eu posso chorar diante a perspectiva do Charlie achar o meu cabelo estranho?
– Seu cabelo não é feio. – Disse se assustando um pouco com a minha reação exagerada. – Eu não disse isso. – Agora sua voz tomou um tom calmo, como se estivesse falando com uma criança e estivesse com medo de magoá-la. Era só o que faltava, ser comparado com uma criança. Mas de algum modo isso não era tão ruim.
– Obrigado. – Respondi, não sabendo de estava agradecendo pelo casaco ou por ele não achar o meu cabelo falso.
– Então veste logo o casaco, se não vai pegar um resfriado. Se não for usar me devolve. – Claro que nos meus devaneios eu tinha até esquecido de vestir o agasalho.
– Não, eu vou usar... – Fiquei meio sem jeito, mas consegui gaguejar uma resposta antes que ele achasse que eu sou autista.
É... Quem sabe o Charlie não seja tão frio quanto aparenta.
Continua...
Notas finais
Agora está começando a surgir um clima maior entre o Charlie e o Jesse... Mas o relacionanmente deles ainda vai ser meio lerdo, então coloquei essa sub-história dos professore para compensar a falta de yaoi... Espero que não tenha ficado ruim!
Então, feliz 2009!
Até o ano que vem! ;**
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