Como Cão e Gato
1 Como cão e gato
Como cão e gato
Reunião no templo de Atena no Santuário.
O clima, de repente, esquentou entre Seiya e Saori, e o que era pra ser uma reunião de rotina se transformou em uma discussão acalorada entre o cavaleiro e a sua deusa.
— Então é isso, Atena? — Seiya gritou, o que era incomum pra ele, já que não tratava Saori daquela forma. — Depois de tudo que fiz você me dispensa das minhas funções? — perguntou, revoltado.
A deusa desviou o olhar dos olhos do seu cavaleiro mais fiel.
— Repita isso olhando nos meus olhos! — Pegasus gritou, novamente.
Os demais cavaleiros estavam constrangidos com a cena. Jamais pensaram que a reunião fosse acabar daquele jeito. E o fato de Seiya, sempre tão brincalhão e comunicativo, estar perdendo o controle justo com Atena, à quem nunca levantava a voz, contribuiu pra adensar os maus ânimos.
— Não ouse a falar assim com a senhorita Saori, fedelho! — Tatsume tomou as dores de sua senhora, o que foi um grande erro.
— Fique na sua, careca! — Seiya repeliu com ódio, mas causou risadas discretas entre os cavaleiros que não gostavam do mordomo. — Sua cabeça está a premio, se não fosse por Atena você já estaria ferrado. – ele informou, apontando para os cavaleiros que olhavam o mordomo com um verdadeiro desejo de vingança nos olhos, mas que, por respeito a deusa, não tocavam nele. — Então é melhor colocar o rabo entre as pernas e calar essa BOCA!
O mordomo ficou estático com a explosão de Pegasus, não imaginara que ele falaria aquilo e na frente de todos. "Fedelho insolente." pensou o mordomo com raiva, mas já que Atena não se manifestara, decidiu permanecer em silêncio.
A deusa já não reconhecia aquela pessoa a sua frente. Será que era mesmo o jovem que tanto amava? "Por que ele simplesmente não entende que o que faço é para o bem dele?". No entanto, ela sabia a resposta: ele preferia morrer a parar de lutar pelo que acreditava.
— Pegasus... — ela sussurrou e então, voltou-se para os demais na sala: — Saiam, por favor, quero falar com ele a sós. — pediu.
Os Dourados e os nove cavaleiros de bronze*, que estavam fazendo o que ela pediu quando foram interrompidos, a olharam com estranheza, porém, prontos para atenderem o pedido.
— Não! Fiquem onde estão. — Seiya pede em tom de ordem.
O grupo fica sem saber o que fazer, na verdade, alguns queriam mesmo ficar para ver o circo pegar fogo.
No entanto, Saori demonstrou-se indignada, e se levantou de onde estava.
— Pegasus, você está contradizendo minhas ordens? – A deusa perguntou, ficando vermelha de raiva com a ousadia dele. — Os cavaleiros devem obedecer a mim e não a você, um cavaleiro como eles!
Seiya sorriu sarcástico.
— É você quem está se contradizendo agora, Atena... Afinal, já não sou mais um cavaleiro, não é? – o japonês respondeu. — Não sou mais o cavaleiro de Pegasus... — disse com um ar completamente magoado.
Saori engoliu em seco
— Agora sou apenas um civil, faço o que quiser.
— É isso mesmo! Saia do Santuário, Seiya! Seus serviços... já... já não são mais necessários. — ela concluiu, sentindo o quanto aquelas palavras eram doloridas, quem sabe para ambos.
Seiya se aproximou de onde ela estava.
Alguns se mostraram tensos.
— Saio. Assim que obtiver uma simples resposta, Atena. — Seiya suspirou fundo. — Saori, você quer mesmo que eu vá embora? — perguntou, agora mais gentil, olhando nos olhos da jovem.
— Sim... Seiya... eu quero. — Atena respondeu, mas Saori, internamente, gritava que "não".
O moreno pareceu ler os pensamentos dela.
— Eu sei que você não me quer aqui, Atena. – Seiya percebeu a mulher fechar o semblante sem entender aquela alusão, então ele sorriu e prosseguiu: – Quero saber se a mulher que amo, me quer fora desse Santuário e de sua vida?
O salão que já estava silencioso tornou-se soturno. Dava-se pra ouvir o falatório das esposas dos cavaleiros do lado de fora. Atena arregalou os olhos, nunca um mortal se atrevera a dizer que a amava, se bem que, ele não falava com a parte divindade e sim, com o seu corpo mortal. Mas, para Atena, dava no mesmo. Ele a amava, nem Belerofonte**, nos tempos mitológicos teve coragem de se declarar.
— O que foi que você disse? — ela inquiriu, com o coração na boca.
— Se a mulher que amo quer que eu vá embora? — Seiya olhava pra ela com carinho.
— Depois de tudo que ela lhe fez na sua infância? E de você quase ter perdido sua vida por ela, você ainda a ama? – a deusa quis saber, ainda impressionada.
— Com todas as minhas forças — afirmou. — Não era por Atena que eu lutava, era pelo amor que sempre senti pela Saori. — respondeu, emocionado.
"Pai... vê do que os humanos são capazes? Eles amam sem receber nada em troca e é por isso..." A deusa não conclui o pensamento.
— Mas... e- esse a- amor não é abençoado pelos deuses — A deusa gaguejou, sentindo uma dor latente no peito ao alegar aquilo.
— QUERO QUE OS DUESES SE DANEM! — Seiya perdeu a paciência e gritou, extravasando sua raiva.
— Abaixe o tom de voz, Pegasus! Respeite a vontade dos deuses e vá embora! – a mulher continuou firme em sua resposta.
— É o que você quer? Ótimo! Eu vou! – ele respondeu, e caminhou com passos firmes até a porta.
— Antes de ir, deixe a armadura Seiya! — Atena o lembrou.
Seiya estava no meio do caminho do salão, então se virou para ela, os olhos castanhos abrasados de mágoa, dor e raiva contida.
— Você a quer? Então a pegue! — disse, arremessando a caixa na direção de Atena.
Os cavaleiros se levantaram todos de uma só vez.
— Seiya, não! – gritou o dragão
— Não faça isso! — pediu Andrômeda, tarde de mais.
— Atena! — gritaram os guerreiros dourados.
Eles não reagiram de imediato, pois foram pegos de surpresa, afinal, não esperavam uma reação daquelas do companheiro. E quem imaginaria? Eles com certeza não. Quando o alvorço passou, puderam ver que a caixa tinha feito um buraco enorme na parede, próximo onde Saori estava. Atena permaneceu imóvel, olhando para Pegasus. Ela não tinha um aranhão sequer.
— Aí está, Atena. Ela é toda sua. — ele voltou-se para a direção da porta. — Adeus.
Seiya abriu a porta e saiu. As esposas dos cavaleiros apareceram perguntando pra ele o que tinha acontecido. O japonês não respondeu, passou por elas de cabeça erguida, seu mundo tinha ruído, mas seu orgulho não.
— Cavaleiro? – Ouviu Atena chamar.
Seiya não se virou e continuou andando pelo longo corredor.
— Pegasus? – Atena gritou.
Ele já não tinha esse título, era um civil. Então não precisava responder.
— Seiya Ogawara? – a jovem elevou a voz ao máximo.
Seiya não se deteve. Ele sentia que o amor que tinha por ela ainda estava vivo, mas em frangalhos. Desejava tanto que seus sentimentos fossem correspondidos, mas sabia que...
— Seeeiyaaaaaaaaaaa! – Saori gritou com uma voz chorosa.
Então, o moreno parou se voltou para ela e sentindo o coração bater mais forte, respondeu.
— Sim, Saori? — murmurou, mas ela pôde ouvi-lo muito bem.
Saori saiu correndo, largou o báculo de qualquer jeito cair no chão e atravessou o salão, parando somente quando estava a centímetros do moreno.
— Vai embora assim? Sem lutar por mim? — perguntou ela, com lagrima nos olhos.
— Vou. Você mandou. — respondeu amargo.
— Se eu mandar você beijar a careca do Tatsume, você beija?— ela quis saber, em tom de brincadeira.
— Aí já é demais... — ele respondeu, rindo.
Ela tocou o rosto dele e suspirou.
— Desculpe-me? — pediu, arrependida. — Eu te amo, Seiya. — ela se confessou, rendendo-se e abraçando-se à ele.
— Pensei que nunca fosse ouvir isso... – ele correspondeu ao abraço, apertando-a em seus braços; emocionado. — Eu também te amo, Saori. — Seiya então a beijou com carinho, enquanto ao longe, ouviam assobios e aplausos.
Ele a tomou em seus braços protetores, feliz. Sabia que enfrentara tudo e todos pra ficar com ela. Mas antes lutava por dever e agora lutaria somente por amor.
Fim ou só o começo?
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