Como Castigar Um Deus

2 Atacada por causa de uma lasanha


Notas iniciais
Oie! Obrigada à Tsubasa Valdez por comentar, eu realmente não estava à espera de receber comentários ^^' Fiquei muito feliz, obrigada mesmo!!

J U L E K A C L A I R

Quando eu abri a porta do meu novo apê, meu queixo caiu no chão. Quase valeu a pena ter que o partilhar com as duas antas e a deusa do amor que veio colada na perna de Ares, quase.

Estávamos numa rua qualquer que eu não dei ao trabalho de memorizar o nome, perto do departamento das Belas Artes. Note que não há muitos edifícios residenciais em Ann Arbor, então arrumar um assim tão perto do local onde vou estudar foi um achado que só o rei do Olimpo conseguiria.

Mas vamos à minha nova residência (e de mais uns deuses otários, mas isso não vem ao acaso). Eu entrei só para dar de cara com um hall espaçoso e lindo, que se estendia até à sala de estar, também grande, sem divisão entre a dita cuja sala de estar e a sala de jantar. Havia um balcão tipo bar separando a sala de jantar da cozinha, que era em tons de vermelho lindos.

Corri até à zona dos quartos. Entrei no primeiro à esquerda que deduzi ser o meu, já que tinha umas malas minhas à porta. O quarto era bem grande, tinha todo o meu material de pintura e desenho, separado num "cubículo" (não tinha divisória) próprio, com boa iluminação e uma varanda de invejar. Encostado à parede oposta à varanda, havia um roupeiro enorme; devia caber lá três vezes aquilo que eu trouxe em roupas e ainda sobrava espaço para sapatos! Perto do roupeiro havia um espelho de pé, com uma moldura (?) branca e, do lado, tinha uma grande cama de casal, king size, decorada por lençóis e almofadas nos tons preto, branco e bordô. E, nossa, que lençóis. Passei a mão e só tive vontade de me jogar na cama e dormir uma soneca que deixaria Morfeu envergonhado.

Perto do cantinho onde estavam os meus materiais havia ainda uma escrivaninha e, na parede oposta àquela onde estava encostada a minha cama, tinha uma cómoda com um espelho e com as minhas bolsas de maquiagem e outros produtos pousadas em cima da placa de mármore.

Girei devagar, observando o quarto e bati palmas. Esse quarto era um AR-RA-SO.

Não tinha aula até à próxima semana, Zeus simplesmente quis que nós nos ajustássemos à cidade (e a viver uns com os outros) antes que eu tenha que me focar nos meus estudos. Que protetor mais atencioso, não é mesmo?

Arrastei as malas que estavam no corredor para o meu quarto e comecei a arrumar tudo direitinho. Logo, logo, o quarto estaria lindo.

[...]

Tudo arrumado, portanto estava na hora de explorar o resto da casa. YUPI!

Já tinha visto a sala que, como o resto da casa, já estava mobilada e equipada com TV Cabo e uma X-Box novinha. Tinha dois sofás compridos e uma poltrona e havia ainda uma lareira numa das paredes. A cozinha também estava equipada com todo o tipo de utensílios; tinha até alguns que eu nem sabia que existiam. Havia dois bancos altos de cada lado do balcão que ligava a sala de jantar à cozinha. No meio da divisão, tinha aquelas coisas que o pessoal chamada de ilhas, eu acho. Um bloco grande, com uma placa de mármore do mesmo tamanho em cima. Sabe do que estou falando? Ainda bem que sim.

Voltei ao corredor dos quartos e reparei que havia apenas um banheiro. Fiz uma careta. Isso vai ser complicado.

Estava prestes a abrir uma outra porta, provavelmente de um quarto, quando alguém chutou a porta da entrada com toda a força e mais alguma:

— AH, MICHIGAN! Como eu senti saudades disso aqui!! — a deusa do amor jogou alguns sacos de compras no hall de entrada, caminhando até à sala como se a casa fosse dela.

Ares e Apolo entraram logo a seguir, ambos também carregados de sacolas. Gente, era muita sacola. Eles eram deuses e, mesmo assim, estavam com dificuldades em carregar aquilo tudo. Ai ai...

Senti um pouco de pena deles, mas aí Apolo tropeçou numa das sacolas que Afrodite tinha largado no chão e caiu, levando com as que estava carregando em cima. Eu juro que tentei me conter... Tá, não tentei nada. Desfiz-me em gargalhadas ao ver o loiro todo atrapalhado no chão e Ares logo se juntou a mim.

Daí ouvimos um arquejo indignado.

— APOLO! — gritou Afrodite. Histérica, revirei os olhos mentalmente. — Não era para você sair quebrando tudo o que eu comprei!

— E a culpa é minha?! Você que deixou tudo no chão! Qualquer um teria tropeçado! E vocês dois — apontou para Ares e depois para mim -, parem de rir! Não tem piada nenhuma!!

Olhei para Ares, com uma sobrancelha arqueada. Já tinha acabado de rir, mas ainda estava um pouco ofegante.

— Tem sim — contrariei, com um sorriso de escárnio.

Apolo encarou-me, raivoso, e, por um momento, achei que ele iria explodir-me com o olhar.

— Ei, Raio de Sol, se você continua olhando ela desse jeito, eu vou chutar você. Dispenso que Zeus fique zangado comigo por ter deixado a pirralha morrer.

O deusinho do Sol resmungou qualquer coisa, mas não fez nada. Levantou-se do chão, deixando as sacolas lá mesmo e foi se jogar no sofá da sala. Revirei os olhos.

— E aí, compraram alguma coisa para o almoço? — perguntei para Ares, já que eu não gostava dos outros dois. Sou fresquinha assim, me julgue.

Ares riu, abanando a cabeça.

— A gente não precisa comer para sobreviver, idiota. Se você quer comida, vá comprar você mesma — e fez um gesto de caminhar com os dois dedos, na direção da porta.

Revirei os olhos novamente.

— Vocês são todos uns imprestáveis — disse alto o suficiente para todos eles ouvirem, mesmo que não estivessem prestando atenção.

Fui no quarto pegar minha bolsa e jaqueta e saí em busca da minha comida.

É sério, se algum dia seu protetor barra pseudo-pai decidir te usar para castigar o bode-expiatório, também conhecido como o maior imprestável à face da Terra, cujo nome é Apolo, corra para o precipício mais próximo e se jogue de lá. É muito menos trabalho e talvez os juízes no Mundo Inferior tenham pena de você por ter sido condenada a um destino tão cruel e deixem você entrar no Elísio. Quem sabe, né?

Então, ia eu toda feliz pela rua fora, em busca de um mercado onde eu pudesse comprar algo para cozinhar ou alguma refeição pronta, quando me dou conta de um detalhe muito importante: eu nunca estive no Michigan, muito menos em Ann Arbor.

Quando eu olho em volta, para ver se não me tinha afastado demasiado de casa... Adivinhem, vá.

— Merda... — xinguei, batendo com o pé no chão.

É, eu estava perdida. Como pode ser tão burra, Jesus?, reclamei comigo mesma.

Andei algum tempo às voltas tentando encontrar um local onde me pudessem dar direções e que, de preferência, não cheirasse a álcool nem cigarro, porque são onze da manhã e não tem jeito nenhum encher a cara tão cedo. Encontrei uma lanchonete bonitinha numa esquina, mas quando entrei, outra coisa veio à minha mente. Lembra mais cedo quando eu falei que morava numa rua qualquer que não me dei ao trabalho de memorizar? Pois.

Passei uns bons dez minutos tentando explicar à senhora simpática que veio me perguntar se eu precisava de ajuda porque tinha um ar perdido, onde exatamente eu morava. Quando eu já estava exasperada e desesperada ao ponto de puxar um papel e começar a desenhar o meu prédio, vejo os olhos dela mudar de cor para um vermelho-sangue.

Não entrei em pânico. Eu já estava meio habituada a essas coisas estranhas. Ser uma semideusa de 18 anos tem os seus benefícios. Eu acho...

Continuei calmamente a explicar e tentar ilustrar o local onde eu vivia, como se não tivesse visto nada.

Lembra quando eu falei que meu controlo sobre a névoa é bom? Ele é bom o suficiente para amenizar o meu cheiro de semideusa que atrai monstros, mas não por muito tempo. Aparentemente, a criatura à minha frente ainda não tinha percebido o que eu era, mas não demoraria muito. Eu tinha que sair dali.

Vendo que ela continuava sem entender nada, eu soltei um suspiro, fingindo cansaço.

— Sabe, deixa para lá. Eu acho que vou perguntar noutro sítio — sorri de forma simpática e caminhei em passo normal até à saída.

No entanto, o meu caminho foi barrado pela outra empregada da lanchonete . Ela olhou para mim com os mesmos olhos vermelhos da menina do balcão. Grunhi. Esses monstros não cansam de ser chutados?, pensei.

— Aqui? — arqueei uma sobrancelha. — Bem no meio do seu estabelecimento?

— É claro que não. Acompanhe-me, por favor — disse graciosamente; esse sarcasmo era tão bom que eu quase acreditei.

Abri um pequeno sorriso irónico.

— Vamos lá acabar com isso. Tenho compras para fazer — desatei o cinto fino que tinha nas minhas calças.

O cinto dourado cresceu até se tornar um chicote comprido com pontas de bronze celestial. Num movimento rápido, manuseei o chicote e acertei a criatura atrás de mim, que estava caminhando lentamente na minha direção, provavelmente tentando me apanhar desprevenida. Hoje não, neném, sorri vitoriosa enquanto ela se desfazia em pó dourado.

A que estava bem na minha frente não teve nem de se mexer. Também, com aquela perna metálica, não devia ser muito fácil. Lançou-se a mim, dentes à mostra e olhos brilhantes, mas eu não estava nem um pouco preocupada. Simplesmente desviei e fiz uma rasteira na perna normal dela.

A empousai caiu no chão, pega de surpresa. Saquei a adaga que tinha escondida na bota e apunhalei-a. Mais pó dourado e, agora, duas empousai mortas. Guardei as minhas armas e olhei em volta, só para verificar que nenhum dos mortais me observava.

— Beleza — murmurei, saindo da lanchonete. Os mortais pareciam confusos com a ausência de empregadas no estabelecimento, mas nem se lembravam que eu tinha estado lá dentro.

Rezando ao papai-não-papai todo poderoso que não devia estar fazendo um caralho lá no Olimpo (talvez rindo cara de trouxa que eu fiz quando ele mandou o filho tomar conta de mim como se eu fosse uma criancinha), encaminhei-me em direção a uma loja, onde a gerente conseguiu dar-me as direções para o sítio onde eu morava e, de bônus, ainda me falou de um supermercado que tinha lá bem pertinho, na direção contrário à que eu fui. Estapeei-me mentalmente por essa.

Compras feitas, estava eu subindo até ao meu andar com uma bela lasanha pré-feita nas mãos, quando ouço gritos e rugidos vindo daquele que era suposto ser o meu apê.

— O que merdas é que aqueles gorilas estão fazendo... — resmunguei, abrindo a porta de casa.

— CLAIR!! — berraram duas vozes masculinas.

Não me atrevi a pousar a minha lasanha na cozinha, vai que ainda roubam, mas fui descontraidamente até ao corredor dos quartos.

— E aí? — falei para o action man e para o outro magricela lá.

Eles olharam para mim, enfurecidos. Ares ia abrir a boca, mas Apolo adiantou-se:

— Porque caralhos é que só tem dois quartos nessa merda de casa?! — questionou, chegando perto de mim e aumentando o tom a cada palavra, até estar berrando.

Cadê Afrodite?, isso passou-me pela cabeça, mas assim que processei a pergunta de Apolo, não queria mais saber de Afrodite nenhuma.

Fiquei uns segundos parada, encarando a expressão raivosa dele. Aí desviei um pouco a cabeça para olhar para o corredor e Nossa, realmente só há três portas.

Notas finais
Eu sou péssima e eu não sei o nome do departamento em português, só sei em inglês, "Fine Artes"; me corrijam se eu tiver traduzido mal, por favor. Segundo aviso: sou um pouco inconsistente com o número de palavras. Tento sempre fazer no mínimo 1000 e poucas, porque se não fica muito pequeno, mas também não gosto de fazer capítulos muito compridos, porque acho que é maçador demais. Mas e aí, o que acharam desse capítulo?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.