Retornando à sala comunal, Kaminari se jogou em um dos sofás ao lado de Bakugo e simplesmente proferiu: – Estou ganhando.

— De mim em alguma coisa? – O outro sorriu cínico. – No que seria?

— Na única coisa que é ruim vencer: em fracassar no amor. – Compartilhar suas dores as aliviava então, como outros assuntos quaisquer, passaram a discutir a respeito de paixões com frequência. – Acabei de falhar mais uma vez, com um menino agora pra variar. Me custou tanto criar coragem pra confessar e nada, do que adianta atirar pros dois lados se até tendo mais opções só consigo mais rejeições?

— O que houve com o Olheiras? – Katsuki perguntou confuso, interrompendo a divagação do menino elétrico. – Eu também pensei que com ele você tinha chance, do contrário não teria te incentivado.

— Ele é assexual.

— … E daí? Não significa que seja arromântico, nem que não queira transar nunca! – Bakugo fechou a cara ao se tocar com quem estava falando. – Não me diga que ele retribui o sentimento e você que o recusou por conta do sexo ao descobrir a orientação sexual dele.

— Sim, ué. – Não teve vergonha em admitir, ele julgou a decisão fundamentalmente sensata. – Onde que um libidinoso daria certo num relacionamento que só há sexo de vez em quando? E achei indelicado propor uma relação aberta só pra eu poder ter o carnal.

— Como se você fosse capaz de achar fodas casuais, já transou por acaso pra saber de fato se terá tanto essa necessidade?

— Não, mas tenho certeza que quando enfim acontecer despertarei meu lado ninfomaníaco. – Katsu o olhou incrédulo, mesmo sabendo que Denki era idiota às vezes se esquecia do quanto ele era. – É sério, já sinto uma premonição disso pelas masturbadas e tal.

— Vocês falam abertamente sobre sexo? – Kirishima os indagou chocado e corado se metendo na conversa que até então só escutava aos pés do ouvido.

— De maneira direta é a primeira vez na verdade, mas que que tem? Somos manos. – Kaminari o respondeu e logo fez graça: – Aliás, quais são seus fetiches? Agora fiquei interessado.

— Nenhum, porque eu sou normal e decente. – Foi o que Bakugo disse.

— Aham, tu deve ser o maior sádico do BDSM.

— Escuta aqui, seu merdinha!

E assim se procedeu uma perseguição calorosa de gato e rato entre os dois, provocando risadas de uns dos colegas e apelo de preocupação de outros. Denki se divertia com essas brincadeiras, já para Katsuki sempre começava com uma vontade verdadeira de o esganar até que ele se acalmava em algum momento da correria e aí sim continuava por diversão (e competição porque era de se negar a perder como bem sabem, portanto só acabavam com Kaminari se rendendo ou o próprio Bakugo o interceptando, não com muita força para o machucar real).