Commit Me Already

10 Three Cheers for Revenge


Depois de uma semana, Gerard assumiu uma nova postura. Foi tão de repente que até me assustou. Parou de chorar, ficou sério direto e arrogante. Fingia nem se lembrar das semanas anteriores.

É claro que na época, fiquei confusa. Mas depois eu entendi esse comportamento.Quer dizer, entender mesmo eu nunca consegui, mas isso era típico dele. Sempre depois de sofrer uma 'surra emocional', ele demostrava-se inatingível. Assumia a postura de que 'nem ligava para o fato' ou de que tinha superado e esquecido.

Mas eu é que não ia questioná-lo né, afinal ele tinha parado com aquele papelão todo e talvez fizesse parte da terapia, essas coisas.

Logo ele se ocupou com a gravação do segundo álbum da banda, o Three Cheers for Revenge. As músicas haviam ficado excelentes e a história impecável. Não demorou muito para ele se animar. Aliás, estávamos todos animados.

O sorriso de Gerard não era mais o mesmo. Era lindo é claro, mas não soava mais tão verdadeiro. E o brilho em seus olhos também havia mudado, não tinha a mesma intensidade e alegria. Isso me deixava preocupada.

Enfim, durante as gravações nós mal nos falamos. Ele praticamente morava no estúdio, tinha vezes que ele nem vinha para dormir. É claro que me passava um milhão de coisas pela cabeça, mas era em vão.

Eu tinha que entender que esse era seu trabalho e que ele o levava muito a sério. 'Se ele esta feliz, eu também estou'. Mas não podia deixar de me sentir sozinha.

Certo dia, quando eu estava arrumando a zona da minha cama, tocou o telefone:

" _ Alô.

_ Oi LizFlower! Como vai a senhorita?

_ Schawns, não acredito que estou falando com você!

_ Pois acredite, estou em frente à sua porta. "

Era Schawns, um amigo (gay) muito querido que havia voltado para onde nasceu, Alemanha que eu não via há anos. Desliguei o telefone e abri a porta.

Demorou horas para colocar os assuntos em dia. Até tentei cozinhar, mas não deu muito certo.

Já era noite. Estávamos sentados no tapete da sala e ele já estava acabando de fazer trancinhas no meu cabelo quando de repente a porta se abriu:

" _ Lis, meu amor, trouxe rosas. Já estou com saudades de você, linda. Adivinha..."

E parou de falar e andar. Ficou em pé, estático só olhando a cena com um misto de decepção e raiva.