Commit Me Already
26 A première da desilusão
Era mais um dia nublado e chuvoso, no entanto quando eu acordei, ele já não estava mais lá. Era o dia do lançamento oficial do ábum, apesar de mais parecer um dia de luto. É claro que eu estava contente pela banda, mas a tristeza que eu sentia era maior e mais intensa.
De manhã, tomamos café na casa de Mikey, e eles estavam super empolgados, principalmente o Gerard. Mas eu conhecia ele muito bem, seus olhos não estavam brilhando, e conhecendo sua personalidade, pude deduzir que estava fingindo. Por que na realidade, o clima estranho continuava e nenhum de nós estávamos mais aguentando fingir, ignorar isso, o tempo todo.
Fui para o flete sozinha e ao me olhar no espelho, tomei uma decisão: \'independente do final dessa história, irei permanecer até o último momento, o último suspiro, a última canção, o apoiando e dando meu melhor à ele\'. Então fui a uma loja, que ficava na esquina de casa, de um tal de Valentino, e comprei o vestido mais bonito que eu já havia visto: vermelho e comprido, elegante, sexy na medida. Depois fui a um spa, lugar que eu nem sabia que existia antes da atendente da loja me indicar, e passei o resto da tarde lá.
A noite estava estrelada e incrivelmente calorosa. Na limosine, vi duas chamadas perdidas de Gee e uma mensagem que dizia \"precisamos conversar, XOXO\". Seria hoje?
Quando entrei no local, todos os olhares se voltaram para mim, e sem querer me gabar, não era pra menos, aquele spa fez milagre comigo. Mas tudo bem, isso não durou muito. Na tentativa frustada de caminhar por lá e achar Gerard, meu ex-namorado doido, o Allan, veio me cumprimentar. Tivemos aquele conversa chata, típica de ex-namoros conturbados e tal, aquele clima constrangedor quando ví Gerard chegando.
Ele pediu licensa sarcasticamente e me arrastando pelo braço,me levou até um canto. Eu dei um sorriso amarelo e perguntei \'entre dentes\':
\" _ Mas que diabos você pensa que está fazendo? — Ele parou.
_ Olha aqui, eu já não aguento mais essa palhaçada — Ele estava cochichando bem próximo a minha boca, olhando nos meus olhos com raiva — Se você não me ama mais, o que está fazendo aqui? Me humilhando? Dê as costas e vá embora! — Me soltou e começou a andar.\"
É óbvio que a essa altura eu já estava chorando, mas tive forças para dizer:
\" _ Eu não sou você, Gerard, e se tem alguém aqui que não ama mais, não sou eu.
_ Por que você faz isso comigo? Me mata de uma vez que eu sofro menos! — Os fotógrafos já haviam percebido a briga e começaram a se juntar a nós.\"
Foi aí que eu me toquei: afinal, o que eu estava fazendo? Droga, estávamos tentando enganar a quem? Pelo menos agora eu sairia com a consciência tranquila. Me virei e saí. Fui para aquele hotel, de novo.
Passei a noite em claro, pensando nos últimos cinco anos que foram roubados de minha vida. Momentos bons e ruins. Choros e gargalhadas. Inesquecíveis de fato. Mas a todo instante me vinha a mente aquela imagem de seus olhos carregados de raiva e sofrimento, naquela face infantil e perfeitamente desenhada, e percebí que não conseguia sentir raiva apesar de tudo. Ele foi muito bom pra mim, amadurecí com ele. Tudo fora muito intenso e rápido nessa relação.
Então, quando eram 4h30 da madrugada, me levantei e tomei a atitude mais sensata que poderia diante daquela situação.
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