Commedia
9 Capítulo 8 Olhos no horizonte
Notas iniciais
Commedia
por Jodivise & Olg'Austen
Capítulo 8: Olhos no horizonte
Três dias depois…
O balançar do navio não incomodara minimamente Victória que descia até o lugar mais recôndito do porão do Commedia. Desde que haviam deixado a ilha de Calypso que a pirata não se reconhecia. As palavras da deusa repetiam-se em sua mente, ao mesmo tempo em que flashes do último gesto trocado com Robert lhe atentavam o juízo.
Que era feito da jura que fizera quando Joe morrera? Fora utilizada por um homem cuja única coisa que sentia por este era nojo. Prometera que nunca mais cairia nos braços de um outro, pois se nunca amara antes, sabia ser impossível acontecer o amor depois. Mesmo achando Benjamin um homem atraente fora um suplício ter de o seduzir. E, no entanto, com aquele simples taberneiro que sempre ficava bobo na sua presença, Victória se sentia bem. Falavam de igual para igual e mesmo o provocando, a capitã nunca pensara que ele pudesse amá-la. E muito menos que ela sucumbisse nos seus braços sem sequer lutar. Nos lábios do irlandês, ela se sentia perdida, sentindo o peito arder e uma vontade imensa de não o largar.
― No tempo que andava no navio do Slaughter, não me parecera tão sonhadora. ― a voz arrastada do prisioneiro à cela fizera Victória descer à Terra.
― Preciso falar contigo, Brand. ― Victória não ligara à apreciação deste, deixando para lá as distrações.
― Assumiu de vez o comando desta joça? ― Brand endireitou-se ao chão. ― Vai-me tirar daqui?
― Depois do que você fez acha que o tiraria daqui, seu animal? ― Slaughter colocara a mão numa das grades. ― O que você sabe sobre o tesouro que Joe falava?
― Nada.
― Não mente, Brand! Joe não falava muito disso, mas eu sei que você e o Walls sabiam do tesouro relacionado a Avalon. Ele tinha o mapa?
― Eu nunca o vi, Slaughter. Mas Joe falava que o pai lhe deixara uma parte. Ele deve ter-lhe dito… gostava de conversar consigo. ― o homem se colocara de pé, chegando-se às grades. ― O maior erro dele foi ter dado asas quando havia de tê-la segurado no pé da cama. Submissa.
Victória não se segurou, enfiando um braço por entre as grades, puxando o ruivo pelo colarinho. ― Joe tinha muitos defeitos, mas não era um louco inventando isso. Ele ansiava por esse tesouro, só nunca teve coragem de o seguir.
― Por isso ele contava consigo. ― Brand sorrira, percebendo o ar lhe faltar. ― Estou para ver como seria a reação dele ao perceber que armou um belo esquema para conseguir um navio e agora o divide com aquela negação do Sparrow.
― Eu e Sparrow temos interesses em comum. ― Victória frisou. ― E se eu encontrar esse tesouro, terei direito a metade…
― Talvez até possa se deitar com ele e conseguir tudo… ou matá-lo, não? ― Brand riu, fazendo a pirata cuspir-lhe na cara e largá-lo. A vê-la ir embora, o desequilibrado ainda berrara. ― Deixa só Joe saber que em vez de criar uma pirata, criou uma covarde.
Victória ensaiara voltar para trás, mas se segurando para não enfiar uma bala na cabeça daquele homem, ela seguiu em frente, mastigando as últimas palavras de Brand. ― Doido! Joe está morto.
― Quem está morto? ― fora a pergunta que surgira quando a pirata emergira do tombadilho, percebendo Otávia.
― O diabo! Arre, Otávia! Me perdoa. Eu devia ter mandado aquele tamboril borda fora depois daquela cena.
― Você precisa dele para achar o seu navio. ― a caribenha acompanhou-a, colocando-se à amurada, olhando ambas o tempo que se fechava e tomando o vento à cara.
― Ele insinuou por duas vezes… que… deve ser louco. ― Victória cravou os olhos em Otávia. ― Que Joe estaria vivo.
― Você fez mal o serviço? ― a ex-taberneira sorrira.
― Claro que não! ― Slaugther exclamara. Só Robert sabia que ela não matara Joe. ― Ele ficou mortinho da silva e o mandei pela janela da popa abaixo, hum.
Virando-se para o convés, a pirata cujo corpete castanho em couro por cima da camisa branca lhe acentuava a cintura, olhou distraidamente os outros atarefados. Benjamin deveria estar trancado na cabine, pois ao leme do Commedia ia Lewis, um jovem piloto com um olho de águia, capaz de ver as velas de um navio para lá do horizonte. Mas o horizonte de Victória se fechara quando seus orbes castanhos fixaram a figura que ajudava outros a desenrolar uma das velas de traquete. Robert parecia bem animado e a sua figura esguia não o deixava fazer má figura, esforçando-se ao máximo no trabalho a bordo.
― Esta pedra que aquela deusa me deu… ― Otávia retirara a ametista do decote da blusa, olhando através do violeta. ― Me sinto diferente. Mais confiante…
― Ai sim…? ― Victória respondera ao calhas, prestando mais atenção nos movimentos de Robert, sentindo as faces arderem quando este descera e decidira prescindir da camisa.
― É… acho até que me conformei com meu destino e… talvez devesse aprender a disparar uma pistola, não? ― Otávia cutucara a bicuda que corria os olhos pelas costas de Robert, ausentando-se da face da terra.
― É… uma pistola. Faz jeito sim. ― Victória sentira as vestes arderem, um calor assolar seu corpo, piorando quando Robert se virara e cravara as íris verdes em si. ― EU PRECISO VER ALGO NO MAPA!
― Mas… ― Otávia não acabara a frase, vendo-a correr para dentro da cabine, como se fugisse do diabo. ― Ela é doida!
*
Benjamin encarava o mapa, sentado numa cadeira por trás da mesa redonda no centro de sua cabine. Pelo menos era isso que qualquer um viria se, da porta do cômodo, mirasse o compenetrado capitão cujas pernas jaziam sobre o tampo do móvel, confortável. Mas, dobrado no centro das folhas amareladas, um papel há muito não lido encontrava-se.
Os olhos negros do filho de Sparrow desciam por todo o comprimento daquilo que se assemelhava muito à uma carta. A escrita livre, em inglês, de uma grafia repuxada, misturada a expressões francesas era relida vezes sem conta. A data era de aproximadamente dez anos atrás, direto de New Orleans para Londres, onde Benjamin, na altura, vivia com a mãe após uma boa infância em Louisiana. Poucas coisas eram ditas naquele escrito, apesar de tantas palavras redundantes e de muitas recordações contadas.
“Da, sempre sua amiga, Clara Smith” ― dizia a assinatura seguida de uma observação na linha seguinte: ― “Agradeça à Mme. Lane. Sem a ajuda que ela nos deu, eu seria incapaz de lhe escrever.”
Num suspiro, o nome de sua antiga namoradinha escapou-lhe por entre os lábios, mas antes mesmo de conseguir se pôr alinhado à cadeira a porta da cabine fora aberta ao solavanco, interrompendo-lhe aquele momento. Sobressaltado, Benjamin escorregou no assento, batendo a cabeça no encosto, pondo-se numa posição ridícula.
― Você diminuiu de tamanho? ― fora Victória a ali adentrar, estranhando o estado do capitão e suas botas a balançar, sujando os outros papéis sobre a mesa.
― Obrigado por bater à porta... ― ironicamente Benjamin lhe falara.
Victória dera um ar de riso, chegando próximo a si, tomando-lhe o mapa das mãos num puxão. ― Você é um pirata ou um babão da Rainha?
― O que isso tem a ver? ― um pequeno desespero assolara o Sparrow desajeitado ao ver a carta de Clara cair ao chão, deslizando até os pés da jovem.
― Piratas não ligam se lhe empurram a porta... A não ser que esteja num momento íntimo... ― vendo o papel tão cobiçado pelo capitão, ela perguntou, se apressando em pegá-lo antes que Benjamin o fizesse: ― Que isso? Uma... ― dando uma vista no que seguia escrito ela riu. ―... Uma carta?
― De... Devolva-me... ― com dificuldade ele escorregara até o chão, pondo-se de pé num salto. ― É mi... minha!
― Cala a boca, gago! ― Victória erguera uma sobrancelha. ― “Poucos meses se passaram, mas já sinto saudades, Benjie...” Benjie?
Sentindo as bochechas arderem, estendendo a mão até a figura de Slaughter ele lhe corrigiu. ― É... Bennie. Agora me devolve.
― Bennie? ― fazendo um bico num sotaque francês improvisado, Victória lhe jogou a carta à cara, dando de ombros. ―... Anda, me explica para onde vamos, “Bennie”. Flórida não me parece bom lugar... Ouvi dizer que há algumas famílias inglesas por lá... E onde há ingleses há quem os proteja... Você não receia sermos pegos?
― Na região do golfo não há ingleses, por enquanto. ― ele disse dobrando a carta e guardando-a dentro do casaco negro. ― Eu quero encontrar os Turner, entende? Meu pai deve ter entregue a eles a tal parte do mapa...
― Se seu pai entregou a parte do mapa a eles o que te faz pensar que os dois vão-te entregar assim, de mão beijada?
― Ora essa! ― Benjamin lambera os lábios, nervoso. ―... Eu sou o filho dele.
― Benjamin... Acorda! Você é muito sortudo. Foi o único filho que o Jack conheceu, provavelmente, mas qualquer um pode ser filho do Jack... ― ensaiando uma piada, Victória erguera uma mão no ar. ― Eu posso ser filha dele! ...Irmãozinho.
― Cala a boca! ― Ben apontou para o próprio peito, tomando ar de tão nervoso que se colocara. Sabia que tinha outros irmãos e lhe doía não conhecê-los, mas doía muito mais pensar que sua mãe pode ter sido apenas mais uma na lista de Sparrow, ainda que o velho pirata dissesse o contrário sempre com a mesma voz mansa e frases na ponta da língua. ― As pessoas olham para mim e veem o Jack Sparrow, entende? Claro que vão me entregar o mapa... Eles confiam em mim porque eu tenho o sangue e o reconhecimento do...
― Grande coisa!
― Você tem inveja porque eu sou filho dele e você não!
Victória teve tempo o bastante para aproximar-se do “rebento” de Sparrow, apertando-lhe o rosto, obrigando-o a lhe olhar, sentindo as bochechas arderem com a firmeza dos dedos dela. ― Não seja idiota. Acha que é o Sparrow? Você não nasceu para a pirataria, Benjamin Lane! Devia estar em casa, num belo jardim, tomando o chá da tarde enquanto ouve as aventuras que um dia sua mãe teve em terra. Só isso.
― Me solta... Sua louca!
― Meus pais... ― Victória não lhe soltara. ―... Não eram piratas. E é tudo que eu digo sobre eles. É tudo que eu sou capaz de me lembrar. Percebe agora? No seu caso, corre sangue de um pirata nas tuas veias, mas... Nós dois sabemos que teu lugar não é aqui.
Só então Benjamin atinou-se de que poderia fazê-lo, e, tirando a mão dela de seu rosto, ele afastou os dedos da garota de si, mas não lhe soltara o pulso em momento algum, mantendo-a próxima. ― Você não me conhece.
― Conheço sim. Tem saudades da terra, de um maior conforto. Deve ter levado uns bons meses até cessar o enjoo do mar. Você é um boneco de porcelana que tem de estar numa redoma, somente isso, Bennie... Você é ao menos homem?
― Slaughter, se cale! ― os olhos negros puseram-se inflamados, firmes na expressão jocosa que Victória trazia à cara. ― Está me ofendendo.
― Deve viver lendo essa cartinha. Bancou o garanhão naquele quarto, comigo... Mas é um sem jeito.
― O que você quer... ― unindo as sobrancelhas, ele lhe perguntou. ― Uma prova?
Quem precisava de fato de provar algo não era Benjamin. Victória necessitava de provas quanto ao que sentia por Robert. Precisava saber se a mesma sensação que nos lábios do irlandês sentia prolongava-se noutra boca ou se era somente por seu amigo que seu coração se acelerava na eminência de um beijo. ― E você quer me provar algo?
― Não seja atrevida... ― mirando os lábios cheios de Victória, Benjamin lhe soltou a mão, subindo a dele própria até o queixo fino do rosto tão delicado da garota. Curvando-se ao seu encontro, Sparrow logo viu os olhos cor de carvalho, alheios, se cerrarem à sua espera.
Prendendo a respiração, Victória sentiu os lábios de Ben se encostarem aos seus, estalando um beijo em si. E, logo em seguida, ele lhe salpicara outro enquanto movia a maciez da própria boca ao encontro da dela. O pirata parecia estar tão inseguro. Não deveria ter aceitado as provocações de Victória e muito menos cogitado tal aproximação. Com aquele gesto apenas acentuara qualquer feitio estúpido que Victória atribuía a si. Esta, percebendo o queixo onde a barba castanha dele crescia a roçar-se ao seu próprio, por um breve momento, abrira os olhos, dando com os negros dele, sérios a lhe encarar.
― Por Netuno! ― Victória olhara os cantos, dando um passo para trás.
Levando uma mão à testa, Benjamin deu-lhe as costas, voltando-se aos mapas à mesa. ― Eu não deveria ter feito isso... ― disse num tom baixo.
― Eu nunca... Fui beijada por uma, ou beijei uma garota. ― uma analogia parva sugira à mente de Victória. ―... Mas deve ser essa mesma sensação. Não acha?
― Vai embora, Slaughter... ― Benjamin coçou os olhos, impaciente antes de ralhar por entre os dentes. ― Vai embora! VAI! Você não é a Clara!
― ‘Cà!... É da sua amiga de infância que você gosta? Que bom que não é de mim, hum?! ― Victória sorrira sinceramente. Estava feliz. Mais do que feliz por não sentir absolutamente nada por aquele homem. ― Você a beija muito em seus sonhos? Olha... Você... É doido. ― ensaiando sair dali, Victória entreabrira a porta, despedindo-se. ― Dá licença, Sparrow.
Inflando o peito, Benjamin jogou-se novamente à cadeira no instante em que Victória fechara a porta, deixando-o sozinho. Repetindo a si mesmo uma frase em especial, como se assim precisasse fazer para ter o mínimo de certeza do que se passava em seu interior: ― Ela não é a Clara... Não é a Clara... ― o tresloucado falava. ― Slaughter é igual a todas as outras que já tentou beijar, compreende, Benjamin Lane... Spar... Sparrow... ― quando sentia vergonha simplesmente não conseguia considerar-se filho de quem era. ― Compreende?
Do lado de fora, Victória respirava a brisa marinha, debruçada ao convés, rindo como somente uma tola faria, mordera até o punho de tão risonha que estava. O horizonte lhe parecera engraçado, a música que o piloto cantarolava idem e muito mais o cheiro da maresia adentrando por suas narinas.
― Io vejo... Amore. ― de um dos seus lados, a voz de Lucciano surgira.
Quando pensou em girar o rosto de encontro ao passageiro de língua solta, outra presença se fez, mas à sua esquerda, formando consigo um trio debruçado à contenção do convés. ― Eu vejo poder.
― Bob?
― Achou que era o Sparrow? ― seu amigo sorrira enrolando um dos caracóis à cabeça. ― O que se passa? Está... Um tanto lesa.
― Não há nada... ― Victória tentou não encará-lo, mas era somente essa a vontade que tinha, mesmo que a conversa fosse a três.
― Já disse... É amore. ― Pimpinelli sorriu mais uma vez e só então Victória lhe encarou. ― Em seus olhos eu vejo... São tão dolce.
― Esse homem tem a fala mansa... Cuidado com ele, Vic! ― Robert dissera numa piada. ―... É mais mansa que a fala do capitão estúpido que temos. Vi que saiu de lá. O que foi? Viu passarinho verde?
“Verde”? Só havia um verde para ela e este estava nos orbes de quem lhe falava. ― Ele só me deu a localização... Para onde vamos à Florida. Só... Só isso.
― Só? ― Robert repetiu. ― Que bom, porque do contrário eu ia dizer que ele te deu uma ótima notícia... ― a fala rouca do rapaz lhe dissera. ― Ou um beijo que pode ter tirado teus pés do chão. Está parva.
Os ouvidos espichados de Lucciano ouviram bem. ― Bacio del capitano? ― o italiano roeu uma unha, pensando alto. ―... Argh! Também quero... ― notando os dois provindos de Tortuga que lhe miravam curiosos, ele emendou. ― Também quero... Quero sapere o que se passou, eh!
― Nada! ― voltando-se a Robert, Victória respondera. ― E vocês o que estão aprontando?
Robert abanou a cabeça ― Nada...
― Purtroppo, nulla. ― Lucciano lamentou, antes de se atinar para as besteiras que dizia. ― Eu já venho... Ciao para os dois pombinhos.
― Já viu pombo em alto mar, hein? Raios que ninguém pode ter um amigo mais!
― Amigo... Amigo... ― Robert pôs-se a repetir. ― O que mais se descobriu com a conversa com o Benjamin?
Dando um passo para longe dele, Slaughter ensaiou falar. ― Bom... ― e disse: ― Vamos aportar no golfo... Não tem perigo dos ingleses nos verem. Talvez os espanhóis, mas... Pelo que eu vi há plantações no local. Não há perigo mesmo.
― Interessante. ― afastando-se da contenção, Robert apontou para as próprias costas largas e desnudas. Sua pele já avermelhava-se por conta do Sol tomado. ― Pedi ao Lewis... Ele vai desenhar uma sereia aqui. Minha primeira tatuagem.
― Ai, Robert... ― Victória rolara os olhos. ― Não faz isso. Sua pele é tão bonita.
― Ora, mas todo pirata tem tatuagens... ― ele disse, antes de mirar o rosto envergonhado da portuguesa. ―... Minha pele é bonita, é?
― Eu acho. Raios!
― Até o Benjamin deve ter uma. ― ele supôs.
Victória moveu um dedo freneticamente, dizendo que não. ― Eu já o despi, lembra? O Joe tinha. Eram nojentas... Eu achava.
― Joe, Benjamin... ― Robert soara estranho ao lhe falar. ― Sua vida está cercada de grandes piratas... Qual a diferença de um rapazinho taberneiro ter um ou dois desenhos? Ele é só o taberneiro, não é?
― Cala a boca, por favor. Não é só o taberneiro. É meu melhor amigo. E tatuagens... Não ficam bem em qualquer um. Você é um anjo. Desde quando anjos têm tatuagem?
― Eu sou um anjo? Se eu sou um anjo porque você já vai a uns dois metros de mim? ‘Tá com medo de algo? ― brincou. ― Victória, eu ainda sou o Robert, mesmo que tenhamos nos beijado umas duas vezes. Não significou nada para você, não foi?
― Claro que significou! ― num impulso ela bradou antes de pensar no que dissera. ― Quer dizer, não... ― mas aí o magoaria ―... Ou sim. Mas... Arre, me deixa em paz!
Robert a viu encaminhar-se até a própria cabine, olhando-o por cima dos ombros por algumas vezes, numa dessas, longamente, e vindo a esbarrar no Sr. Pintel que também andava desligado na direção contrária. Sem sair do lugar, o celta sorrira gostosamente, divertindo-se com a confusão dela.
*
Mais dias se haviam passado e o Commedia rumava em direção a norte, preparando-se para fundear ao largo de uma das ilhas das Bahamas, abastecendo-se e talvez pilhando alguns navios de contrabando. Naquele momento, o que lhes interessava era que o rum não acabasse. Todo o resto poderia esperar.
― Não vai desembarcar? ― com um sorriso à cara, um bem disposto Benjamin Sparrow se acercara da moça às escadas do timão. ― Está um belo dia.
― Chama a dias enevoados, belos dias? ― Otávia lhe dissera. Por fim, a caribenha tinha dado trégua às saias e vestidos, envergando um traje masculino, sentindo-se leve de calças.
― Depende da companhia. Até a tempestade mais traiçoeira pode ser… agradável conforme a companhia.
― Isso é uma filosofia tosca ou… uma tentativa de sedução? ― Otávia semicerrou os olhos, não acreditando na lábia do capitão.
― Ora, nunca lhe faltaria ao respeito. ― Sparrow sorrira. ― Mas gostava de a conhecer melhor.
― Sparrow… como você, eu conheci vários. ― Otávia se levantara, cruzando os braços. ― Pensa que não resultou com Victória e agora tenta comigo? Se quer uma meretriz, vá buscar uma nessa ilha ou então… a Clara!
― Cla…ra… como sabe? ― Ben esganiçara a voz.
― As cartas voam… principalmente o seu conteúdo! ― Otávia riu, deixando-o sozinho no meio do tombadilho.
― Maldita Slaughter! ― Sparrow mordera o punho, sentindo Pintel cutucá-lo. ― Que é, carraça?
― Podemos ir à terra, capitão?
― Vão… e me deixem em paz. ― como se não se lembrasse que também ia, Ben deixara o mais baixo a falar sozinho, descendo para o escaler.
Vendo a maioria dos homens descerem, Otávia procurara Victória, a achando apoiada no pau da bujarrona, não parecendo ter o mínimo medo da altura do navio. ― Também vai ficar aqui?
― Não me apetece sair. Nem me apetece aturar aquele abelhudo. ― Slaughter levara a mão à testa, sentindo-se indisposta.
― Vejo que esses dias você tem estado no cão! Irritada… maldisposta… fugindo de certas pessoas…
― Quer parar?
― Parei! ― segurando-se na amurada a mais nova ficara pensativa. ― Sonhei com um homem hoje.
A conversa interessara à capitã. ― Que homem?
― Eu lá sei! Não sou de sonhar e do nada aquele homem que nunca vi em vida me apareceu… ― Otávia engolira em seco. ― Colocava a mão no meu rosto e… só lembro de ter olhos azuis.
― Arre. Azuis. ― Victória resmungou. ― Me perdoa mesmo, Otávia. Eu sinto que não fiz justiça pelo que lhe aconteceu. Devia ter mandado capar aquele idiota do Brand.
― Eu já esqueci isso. ― mentira. Alguém como a caribenha apenas colocaria para trás das costas. ― Os homens são animais. Nem todos… Robert é um doce, não?
― Hã? ― Victória ficara confusa. ― É… é sim. Mas é terrível quando um homem nos tenta… Me desculpa.
― Eu já disse que não é novidade. Eu trabalhava num bar, lembra?
― Mas de certeza que nenhum chegara tão longe ao tentar. ― a pirata lhe apontou o dedo. ― Nojento.
― Não. O único… acabou fazendo mesmo. ― os olhos negros de Otávia ficaram momentaneamente sem vida. ― Mas já foi há muito tempo.
― Eu… sinto muito. ― Victória engolira em seco, voltando-se ao mar que se abria perante si. ― Joe…
― Ele a estuprou?
― …Não. Nunca tentou isso, mas… quando ele me tomou como mulher… ― os olhos da mais velha marearam. ― Eu era tão novinha. Acabei cedendo às vontades dele. Me sentia morrendo no momento e suja depois.
― Ainda bem que o matou. ― Otávia ergueu o punho. ― Nós, mulheres somos apenas animais.
― Não, Otávia! Eu sou capitã. Tenho o respeito da tripulação e a única coisa que agradeço ao Joe foi-me ter ensinado a defender. ― Slaughter lhe dissera. ― E você também se tornará uma mulher de armas. Ninguém mais fará mal a você.
― Mas há um homem que te deu a volta. E não estou falando daquele paspalho do Sparrow.
― Está falando do quê?
― Você sabe. Robert. ― a caribenha falou. ― Ele está se tornando um pirata e pêras. Aprendendo a navegar. Tem dom para a luta de espadas. Surpreendente para o menino bobo que sempre conheci.
― Ele é especial mesmo. ― limpando uma unha, Victória fez pouco caso.
― E você caindo de amores por ele.
― Quê? Eu não caio de amores por ninguém, Otávia! ― emburrada, a capitã se levantara. ― Ele é apenas um tripulante e não pretendo que ele seja mais que isso.
― Não era seu melhor amigo? ― Otávia a seguira.
― Se preciso for… ― Victória nem medira o que dissera. ― Ele deixa de o ser!
― Porque, afinal, uma capitã não pode se relacionar com um simples grumete, pois? ― uma voz atrás delas a assustara, fazendo-as dar de caras com Robert.
― Você estava aí?
― É… Benjamin me colocou vigiando o Brand. ― Robert desviara o olhar dela. Mais do que as palavras de Victória, era a negação dela que o magoava. Era ele saber que ela sentia algo por si e teimava em enterrar isso, quando o que ele mais queria dela era um gesto verdadeiro. ― Com licença.
― Robert…! ― Victória ainda o chamara, mas o rapaz não lhe respondera, sumindo pela entrada do porão. ― Merda!
― Vai atrás dele. ― Otávia rolara os olhos.
― Vou nada.
― Vai. Eu já te disse! Ele é bicho sensível. Quando se magoa é a sério.
― Eu disse aquilo sem intenção! ― Slaughter resmungara. ― É lógico que ele não deixará de ser meu amigo.
― Teu problema, Slaughter… ― Otávia lhe agarrara um braço. ― É sempre se retrair quando é preciso. Se fosse caso de guerra você tinha de decidir. ― e empurrando-a para a entrada, esta lhe dissera. ― Pois se decida agora!
― Aonde vai? ― Victória arqueou as sobrancelhas ao vê-la andar em direção ao segundo escaler que era descido.
― Fazer compras!
― Caramba, volta aqui e… ― mordendo um punho, Victória olhara o porão. ― Eu preferia uma guerra!
Slaughter não soubera quanto tempo decorrera até finalmente tomar a decisão de descer ao porão. Quando o fizera, já o escaler de Otávia tinha aportado e a capitã dado algumas voltas ao tombadilho. Porque era tão difícil fazer isso? Victória não hesitara fugir de um casamento arranjado, não hesitara em tornar-se uma pirata ou em roubar aquele navio. Porque uma conversa com Robert lhe surgia como uma autêntica prova do inferno?
Desde o dia em que Benjamin a beijara, Victória ficara ainda mais confusa. Tinha agora a certeza que sentia algo por Robert, mas em meio às crises de existência e esquecimentos repentinos por conta da aventura que vivia, dava consigo sorrindo como uma boba, pensando em coisas ainda mais bobas à sua percepção.
― Acorda, Victória! ― ela se estapeava enquanto descia os degraus, inspirando nervosamente ao chegar junto das camas de rede. Contornara-as, passara os canhões alinhados e a despensa, descendo até ao último lanço do casco, encontrando Robert sentado junto à cela de Brand.
― Ora, ora… visita da capitã! ― Brand sorrira a um canto, bebendo um pouco da água que lhe davam, atraindo a atenção de Robert. Porém, o olhar que o irlandês lançara à Victória fora rápido.
― Cala a boca, Brand. A conversa não chegou na pocilga. ― Victória fora firme, tremendo por dentro. ― Duane, preciso falar consigo.
― Eu estou no meu turno, capitã. ― o irlandês dissera, colando o olhar ao teto.
― Pois como membro da MINHA tripulação… ― Slaughter travara a respiração. ― Levanta o traseiro desse banco e me acompanhe!
Uma risada do preso fora ouvida, fazendo Robert levantar-se um pouco envergonhado da prensa de Victória. Chegando-se à beira desta nas escadas, ele cruzara os braços sobre a camisa branca encardida. ― Algum problema?
― Eu preciso falar contigo. ― Victória o via na escuridão daquele aposento, com os olhos no chão. ― Será que pode olhar para mim? É falta de educação não olhar as pessoas nos olhos.
― É você que tem fugido de mim esses últimos dias. ― o ex-taberneiro resmungara, cravando enfim os orbes verdes na pirata.
Vendo o ruivo apoiar-se nas grades a tentar escutar a conversa alheia, Victória endireitou o tricórnio à cabeça. ― Venha até à minha cabine.
― Isso é um convite? ― Bob fizera uma careta. ― Eu não posso largar o posto. Esse Brand não é boa coisa.
― Ele não vai fugir. ― Slaughter subira as escadas, sentindo-o acompanhá-la. Quando pedira para que este entrasse no cómodo que era seu, Victória fechara a porta, engolindo em seco. ― Me desculpe. Pelo que disse há pouco.
― Já estou habituado. ― Robert continuava de braços cruzados, numa atitude estúpida a rolar os olhos.
― Eu não tive intenção. Foi algo precipitado. Eu nunca que acabaria com nossa amizade. ― e vendo-o parado sem nada dizer, Victória tirou o tricórnio numa impaciência. ― Você não diz nada?
― O que é para dizer? Já disse que não tem problema.
― Você está bêbado? Doido? ― Victória se enervara, socando-lhe o braço, mas, num gesto súbito, Robert lhe agarrara o pulso, fitando-a.
― Eu sou seu amigo, Victória. Mas antes disso eu sou humano. Sou homem. ― os olhos verdes inflamados indicavam que ele explodia por lhe dizer aquilo. ― Eu sei como é seu feitio e como toda essa impulsividade a faz dizer coisas que muitas vezes não correspondem à verdade. ― largando-lhe o braço, Robert se aproximou o bastante para a fazer quase dobrar-se com a aproximação.
― Eu já pedi descu…
― Por favor, me deixa falar! ― Robert fechara os olhos, sentindo os olhos arderem. ― Eu te amo Victória.
― Bob…
― Eu te amo desde o primeiro momento em que te vi! ― Robert dissera, sentindo a respiração acelerar. ― Ao princípio pode ter sido apenas fascínio por alguém tão diferente de mim. Eu era apenas um bobo. Um futuro missionário que desistira dessa vida e arranjara emprego numa ilha de piratas. Sempre… ― as palavras falhavam ao irlandês. ― Sempre me tratou como um amigo que ficava bobo com suas histórias... E eu realmente ficava! Eu tinha sonhos com isso. Sonhava em navegar esses mares… Só que cada gesto seu, mesmo que não passasse de algo vago para você, para mim era… Era a única coisa que eu podia ter de você.
― Eu sempre gostei de conversar com você. ― Victória não sabia mais o que dizer, mesmo que muita coisa estivesse entalada na sua garganta, fazendo-a ansiar por libertar tudo. Chamara Benjamin de sem jeito, mas agora era ela que se via sem jeito no meio daquela situação delicada.
― Victória… ― Robert abanou a cabeça. ― Aqueles dois beijos, ao contrário de todo o resto, foram reais. Foram sentidos… e, por favor… se não consegue mais olhar na minha cara, tudo bem. Mas não me magoa desse jeito. ― Robert levara uma mão ao cabelo dela. ― Não tenta esconder aquilo que eu sei que você também sente.
O toque de Robert fez a pirata se sobressaltar ainda que somente internamente. Não teve forças por se afastar, apenas por falar. ― Mas... Piratas... Eles... Nós... Nós não amamos.
― Então... ― um sorriso emoldurara os lábios cheios dele ao passo que Robert afundava ainda mais os dedos por suas madeixas, chegando a lhe tocar a nuca, trazendo-a mais para perto. ― Eu não devo ser um pirata mesmo. E muito menos sou um homem da igreja. As vontades que sinto de você, o desejo por seus lábios...
― Bob, não... ― Victória ainda tentara falar, perdendo-se no verde intenso dos olhos alheios, estes quase lacrimosos.
―... O amor, a vontade de protegê-la... ― não havia freios à fala do ex-taberneiro. ― Sou um bastardo infeliz. Um apaixonado estúpido, que vai até o fim do mundo se preciso for por aquela que amo.
Mais uma vez tomando a iniciativa, Victória deu um passo ao seu encontro, colando seus corpos. Sua mente a mandava parar, mas seu corpo não lhe respondia. Tendo o rosto segurado pelas mãos dele, Slaughter pôs-se em ponta de pés para depois cerrar os olhos. Uma de suas mãos subira por um dos braços alheios, minimizando a distância ao máximo. Mirando a boca entreaberta dela, Robert não hesitou em lhe tomar.
Num reflexo, o peito da pirata descompassou-se, tomando uma leva de ar antes de entregar-se ao abraço de seu amigo mais íntimo. Robert cerrara os olhos igualmente, mergulhando em direção a si. Suas bocas se encontraram num gesto brusco, mas que logo se retardou no movimentar de seus lábios. O rapaz descera uma mão pela cintura marcada pelo corpete dela, parando-a na curvatura de suas costas, acentuada conforme ela vergava-se, colando o troco ao seu.
Sentindo sua saliva corresponder ao sabor do hálito alheio, Victória enveredara a língua, deixando esta roçar-se à do celta, prensando esta ao céu-da-boca dele. Aproveitando tal pausa para abrir os olhos castanhos, dando com os verdes dele a lhe encarar, respirando em sua boca, arfando naquele ato tão próximo. Por mais estranha que aquela sensação soasse, Victória não queria cessar com aquilo, libertando-o daquele “tempo” ao praticamente pendurar-se em seu pescoço, passando um braço ao redor deste, esperando pela continuidade de tal beijo.
Robert, lentamente, fora a fundo em sua boca, sentindo os dentes de Slaughter tocarem os seus na confusão do momento. A mão que acarinhava as costas delas descera por uma de suas pernas tocando-a, apenas, para depois, ao mesmo tempo em que dava um passo em falso, sentindo a cama baixa lhe tocar o meio das panturrilhas, ele próprio ali se sentou, soerguendo a coxa de Victória que acariciava, colocando-a em seu colo no calor daquela pequena queda.
A pirata achara graça de tamanha destreza, sorrindo em sua boca. ― Bons reflexos!
― Perdoe-me por dizer tal coisa, Victória... ― o rapaz sentado sob si falou, se adiantando em abraçá-la. ― Mas já fiz tanto isso em meus sonhos que... É impossível errar.
Pela primeira vez ele a vira encabulada de alguma forma. Mas, de pronto, Slaughter disfarçara a surpresa da revelação dele, beijando novamente seus lábios, mordiscando o inferior deles numa provocação. ― Você era... Era o terror de Tor... tuga... ― disse por entre os dentes, provocante. ― Safado!
Mirando o rosto que tão docemente tocava, Robert lhe corrigira: ― É só contigo que eu sonho, Victória Slaughter. ― de olhos bem abertos, ele proporcionava à amada uma visão privilegiada de seu olhar. As íris jaziam numa tonalidade marinha de verde. De fato havia um tom de cinza em alguns dos setores, mas em sua maioria eram verdes. O mais puro verde que Victória já vira. ― Só com você. ― ela o ouvira repetir.
― Céus... ― mexendo-se em seu colo, Slaughter sentia-se parva. ― Olha onde eu estou. ― disse, percebendo as mãos de Robert ao redor de si, uma ainda em sua cintura, ensaiando descer até seus quadris. ― Eu preciso ir...
― Não vai. ― a voz rouca do rapaz pedira. ― Você não quer ir... Você quer?
― Eu... Quero ficar. ― ela confessara, acariciando um dos braços dele, pensativa.
― O que te impede?
Voltando a mirá-lo, ela falara, sinceramente. De fato, um momento tão perfeito como aquele não merecia tais lembranças, mas a sinceridade era precisa. ― A começar... Meu sobrenome. Slaughter. Ele me fez odiar os homens. Todos, menos você. Eu não quero me machucar de novo, Robert. Por isso passo a vida a provocar a dos outros. Mas eu nunca me dou. Meu coração... Ele é... Meu. Vou ser a única a quebrá-lo. ― disse, sentindo os olhos arderem. ― A sério... O pior, é que eu acredito que já esteja quebrado.
― Então me deixa consertá-lo. ― Bob pediu, aparando com a ponta dos dedos a primeira e única lágrima furtiva chorada por Victória. ― Você chora?
― Depois de tanto tempo... Só você para me fazer chorar...
O dono dos cabelos encaracolados pelos quais os dedos dela passavam, enrolando-os num ato nervoso, tornou a lhe emocionar: ― Eu quero-te fazer sorrir, Victória.
― É só falar algo engraçado. ― ela propôs. ― Ou poderíamos dançar...
― Eu não sei dançar. E sou ruim de piadas. Olha só para nós dois, Victória... Se eu soubesse que poderia fazer isso. Se eu soubesse que tinha pernas por correr, já tinha corrido há tempos. Você não consegue imaginar a felicidade que sinto nesse exato instante.
― Você está me fazendo feliz também, Robert. ― a pirata disse, antes de sorrir, descendo os olhos pelo corpo dele. ― Eu tenho que confessar... Ultimamente... Sonhos com você é o que não me faltam.
Subindo uma mão pelo pescoço dela, Robert deixara a pele branca amostra, massageando-lhe os cabelos negros enquanto aproximava os lábios da epiderme sensível de Victória. Morosamente, a maciez de sua boca encontrara aquela pele, unindo-se à esta ao passo em que os mínimos pêlos de seu rosto a imitavam, atritando contra a garota aquela sua cavidade inquieta, capturando-lhe a pele em beijos tão lentos como se fossem dados à boca, sugando-a, umedecendo esta a deixar um rastro de volta para as mandíbulas, e em seguida para uma orelha da capitã ― Victória... Hmmm... Vic... Não me diga que sonha comigo... ― ele lhe sussurrou, provocando um estimulo por todas as terminações do corpo feminino tão delicado sobre si.
― Sonho... ― de sua boca entreaberta tal resposta saíra. Victória estava dormente, um tanto lenta a sentir a voz de Robert tão próxima, unida à caricia de suas mãos e lábios a lhe aquecerem a audição. ―... Sonho... Ahn!
― Se incomodaria em me contar um único desses sonhos? ― todo o corpo do mais novo pirata do Caribe estava em ebulição, esquentando desde regiões que há tempos não sentia aquecer; por entre suas pernas, e em toda a extensão de suas costas a tornar a roupa que usava por demais infernal. Um calor que subia desde os pés sob as botas até o centro de seu corpo, contraindo-lhe os músculos do abdômen magro, causando um ainda inicial desconforto em suas calças. ― Só um...?
Slaughter rira baixo, unindo seus rostos a entreabrir os olhos para si, dando com os verdes que lhe devoravam semicerrados a lhe encarar. ―... Estamos no convés quase sempre... ― às cegas, ela levara uma mão às costas dele, deixando um dedo a vagar de uma omoplata a outra, subindo pelos cabelos de sua nuca, descendo até o meio de suas costas ―... Ora ao convés superior também... Contra o leme... Fazendo amor... Amor que nunca fiz.
― Vic... Aonde vai parar a tripulação nessas horas?
― Em terra, na maioria das vezes. ― a moça riu novamente, adentrando os dedos sob o tecido da camisa dele, aproximando agora ela, os lábios de sua orelha. ― Guarda um punhal nas calças, Bob?
― Eu não me envergonho... Mas... ― o jovem celta corara, mordendo os lábios. No meio de suas pernas um gostoso mal-estar, devido à proximidade do corpo dela, se fazia. ― Eu sinto, caso você esteja envergonhada.
― Tudo bem, Bobby. ― descendo um dedo pelo rosto ardente dele, Victória sorrira novamente ― Tudo... bem.
Impulsionando o corpo ao encontro do dele, Slaughter o fizera tombar as costas à cama, pondo-se sentada em seus quadris, sentindo as mãos grandes do rapaz a tocarem suas ancas por cima da calça negra. Deitando o tronco sobre o dele, Victória enveredara uma mão sentindo o tecido fino daquela camisa larga, amassando o artigo encardido, soerguendo-o conforme tentava puxá-lo para cima. Quando parte da constituição física firme dele fora revelada, a mesma que antes ela admirara noutra ocasião, Victória tornara a por os dedos por baixo daquela peça de roupa, tocando a pele branca de seu tronco, subindo-a até o peito acelerado do rapaz.
A corrente, dourada, fina que ele trazia ao pescoço ia e vinha conforme a respiração de Bob se descompassava, mas fora uma medalha a repuxar o artefato que chamara a atenção da pirata. ― A tenho desde que me encontraram à porta do orfanato. ― ele disse notando-a curiosa.
― É linda… ― de um lado havia a imagem católica talhada, do outro, dizeres que Victória jamais entenderia. ― São Patrício. ― ela reconhecera o padroeiro irlandês. ― Em que língua está?
― Gaélico irlandês... ― ele falou, lendo o que jazia marcado. ― “Ombro a ombro com o vasto mar gigante, teve da liberdade o gosto e o beijo, desafiando a vida e os seus encantos.”
― Que perfeição ― ela sobressaltara os olhos castanhos à figura deitada dele. ―... Tenho certeza de que já devo ter ouvido essas palavras... São lindas.
Tocando a mão dela, Robert sorriu. ― Parece a sua história, minha pirata. ― as mãos de Victória a lhe acariciar provocavam uma loucura há muito contida em Robert. O irlandês sentia a delicadeza dela sobre si, abraçando-o por completo, quando lhe puxara a camisa num movimento rápido, mais tarde auxiliado por ele que se pusera apoiado nos próprios cotovelos, a mirá-la.
Ensaiando tirar o próprio casaco, Slaughter descera o rosto até o corpo despido do homem sob si, beijando-lhe os ombros enquanto livrava-se da primeira peça de roupa, atirando-a no chão da cabine. Entusiasmado, Robert conseguira se colocar sentado, apoiando uma mão ao colchão enquanto com a outra, contornara o pescoço alheio, beijando a pele de Victória ao passo que a moça desfazia os primeiros laços da camisa folgada que envergava por baixo do corpete castanho apertado.
Descendo aquele gesto pela extensão da epiderme desta, Robert tomara o caminho de seus seios, movimentando os lábios de encontro a copa alta daquele semblante feminino para depois inspirar profundamente seu cheiro. ― Eu quero que saiba... ― por entre o beijar da pele dela, Robert tentara lhe falar, terminando por perder a voz no vão dos seios da jovem.
― Robert... Ro... ― Victória arfou vendo o rosto dele descer por seu colo. ― Ro... Robert!
Num sorriso, ele a deixara mirar seus lábios inchados, rubros em resposta do carinho que lhe provocara. ― Quero que saiba que eu a amo.
― Você já disse...
― Quero que tenha certeza. ― ele emendou, enrolando os dedos no cadarço em couro do corpete. ― Eu a amo. Não espero que sinta o mesmo, pois eu sei que não nasceu para isso, mas...
― Há algo em você, Bob. ― a pirata lhe interrompeu. ― Algo não. Há muito em você que eu amo... Eu só queria saber o que é. Algo no modo como sua mão sempre encostou à minha na troca de uma garrafa ou de uma caneca... Algo na sua voz, algo que eu amo.
Pensativo, ele baixara os olhos. Victória mordera então um lábio. Era impressão dela ou estava emocionado? ― Eu...
― Vem cá. ― ela lhe puxou, rolando ambos ao colchão, enquanto deixava-se cair à cama, tendo-o agora por cima de si, atritando seus corpos conforme lhe beijava a boca ainda que a atenção dele estivesse presa a tentar desenroscar a peça tão complicada que acentuava os ares piratas da garota. ― Eu te ajudo. ― ela falara. Numa distância, Robert a vira desfazer o único laço ao final do espartilho em couro, para depois ele próprio desenroscar o largo cinto que assegurava a peça. Aos poucos, seus dedos misturaram-se aos da garota, puxando o cadarço por cada meandro enquanto sentia uma mão dela fechar os dedos nos cabelos de sua nuca.
― Que complicado isso... ― o rosto de menino abrira-se num sorriso bobo.
Quando a livrara finalmente de tal roupa, Robert jogara o corpete sobre os próprios ombros antes de deitar-se sobre ela, beijando-lhe o colo exposto, atritando os pêlos de seu rosto por ali e voltando afagar-lhe por cima da camisa branca. Num gesto impreciso, ele moldara uma mão a um dos fartos seios dela. Não tinha certeza se poderia fazê-lo, mas o gemido da pirata em sua boca deixou-lhe certo de que tal atitude a agradara. Investindo naquele gesto, Robert sentira a pele alheia arrepiar-se, transparecendo sob o tecido.
Descendo os lábios até o peito que afagava, Robert umedecera-o com a própria saliva, beijando-o num entreabrir de lábios. Tornando o artigo branco, em parte, transparente, molhado. ― Robert... Oh... ― levando uma mão às cegas, Victória tocara a parede em madeira da cabine. O homem sobre si encantara-se com o rosado de seu mamilo a ser revelado e muito mais o fizera quando outro esgar de palavras fora emitido por ela, unido ao chiar do tecido a ser chupado por si mesmo, roçando-lhe aos dentes.
Num intervalo, Victória adiantou-se, soerguendo-se por alguns segundos, puxando a própria camiseta pela cabeça, ágil, a fim de cessar com tamanho o calor que sentia. Ao fazê-lo, teve o corpo admirado pelos olhos nada discretos dele, cristalinos a brilhar. Robert, então, pôde tocá-la livremente, enchendo a mão com sua pele macia enquanto a pirata, deitada, descia uma outra por suas costas, deixando os dedos se perderem por baixo do cós alto de sua calça, provocando choques à coluna alheia ao ir e vir com as longas unhas, arranhando a curvatura da espinha do taberneiro.
Uma fisgada primeiramente fora sentida na nuca dele quando Victória lhe arranhara as últimas vertebras da coluna, deixando um caminho ardido e vermelho como prova. ― Ahn... Vic... Eu posso? ― ele pediu permissão por tirar uma das botas dela. O fizera muito lentamente e em seguida puxara a outra, revelando os pés delicados da garota. Beijara-os de pronto, erguendo uma perna até a altura do próprio pescoço, deixando os lábios molharem os dedos primeiramente, antes de prolongar tal carinho pelo tornozelo.
Se suas calças já incomodavam, muito mais faziam as dela. Victória o auxiliara naquilo, puxando o outro cinto que trazia aos quadris ao passo que ele lhe puxara o tecido negro. O mesmo fizera as roupas íntimas de sua querida, um tanto mais curtas que as que usava por fora, brancas. ― As suas... ― ela mencionara a calça que Robert ainda envergava, socadas nas botas de cano alto, iguais as dela, mas ainda calçadas.
― Sabia que eu já usei hábito?
Pacientemente, ele se afastara, chegara a se colocar de pé fora da cama. Não viera a pensar muito, mas pelo menos por uma vez o fizera. Deitada à cama, Slaughter lhe mirava, não curiosa, mas encantada com a beleza do corpo dele. ― Hábito? Quantas vezes?...
― Em poucas cerimônias em que estive com o Padre Duane... Era um menino.
― Meu Deus... Se você desse para padre o que seria de mim? ― Victória passara uma língua discreta pela abertura da própria boca, captando cada pequeno detalhe do corpo que se expunha a si. ―... Você é lindo, Robert... Nunca haverei de ver um sacerdote com tamanha beleza. ― sabendo bem o que queria, ela descera os olhos para o meio das calças dele onde uma ondulação deformava o tecido folgado destas, um tanto suada, com uma nódoa quase imperceptível no que dizia respeito a ereção que partia em direção à sua coxa direita.
― Que beleza? ― ele perguntou ao ouvi-la elogiá-lo. A única beleza que ali havia era a dela.
Deitada em sua cama tão simplória, a dona de ondulantes e longos cabelos negros jazia deitada, nua como sempre a quisera ter por entre seus lençóis. Os olhos castanhos amendoados em seu formato e brilhosos na intensidade com que lhe mirava. A pele morena, discreta no primor da tonalidade clara, bronzeada do sol com os últimos dias. Seus lábios rosados, úmidos de seus beijos e o tronco feminino de belos seios que só então lhe fora revelado. Era tão linda! E mais, para lhe encher os olhos, unida à forma curvilínea de seu corpo e quadris, sua feminilidade oculta na simplicidade de cada pêlo negro fazia-se vista. Se havia alguma beleza naquele cômodo de certeza que não era ele.
Victória, porem, pensava exatamente o contrário. Robert fazia seu tipo. Dentre tantos homens existentes na Terra era aquele que queria por perto. Era aquele que queria tocar, sentir-lhe o cheiro do corpo, beber de seus lábios e perder-se no verdejante de seus olhos. Anos antes, se pudesse voltar atrás, teria se matado, se jogado ao mar antes de se deitar com Joe Slaughter. Mas, talvez... Talvez tudo que havia passado até chegar ali, naquela cabine na companhia de Bob, tivera de fato valido à pena. Se para ter um pouco daquele doce homem celta, suas palavras de amor e o prazer de sua companhia, fosse preciso atravessar o Atlântico ao lado de seu marido insensível, Joe, então... Estava tudo bem.
E melhor ficara quando Robert lançara as botas ao chão, desfazendo o cordão das calças que decalcavam a ereção atiçada com o amasso de seus corpos, Robert deixara-as cair ao chão, chutando-as a seguir, a fim de se livrar completamente das roupas. Da última vez em que Victória vira um homem naquelas condições, desperto em sua sexualidade, uma ânsia azeda lhe subira o estômago. Mas com a visão de Robert despido, aproximando-se de si, a fincar os joelhos à cama, Victória sorriu. Seu Robert Duane era tão belo. Magro aonde quer que fosse, exceto pelas nádegas masculinas, admiradas noutro dia, mas em meio à firmeza de seus músculos, ele sabia bem como moldar-se ao seu corpo.
Além de todo o conjunto, fora a imagem do membro deste, tão próximo de si que lhe prendera a visão. E, como se novidade fosse, concluíra que até ali Duane era belo. Não que tivesse outros a comparar com o seu corpo. Quando das outras vezes estivera na companhia de um homem preferira cerrar os olhos e rezar, mas ali, com Robert, queria mirar a tudo, explorar cada pequena parte deste, desde seu físico até o sexo excitado, apontado para si. Não era grande, exagerado. Era grande, tentador, já úmido devido o atritar que ela própria fizera em cima de si, com algumas poucas veias a saltarem da base grossa, teso em sua totalidade, desde a pele fina que já pouco ocultava a glande rosada, quase vermelha, até os testículos tensos, cobertos em parte por uma pelugem escura, a mesma do púbis, que contrastava com a pele branca e leitosa deste. Era todo belo, completamente, seu anjo e seu homem.
Sentada, Victória colara as costas à parede de madeira onde uma pequena janela quadriculada, disforme e tapada por duas ripas antigas jazia. O rapaz aproximou-se ainda mais de si, tocando seu rosto demoradamente e recebendo um abraço seu. Victoria envolvera Robert, beijando-lhe as saboneteiras, subindo os lábios pelo pescoço másculo onde um pomo-de-adão acentuado se fazia ao passo que ele colocara-se de joelhos por entre estas, passando as coxas de Victória por cima das suas. Se a posição lhe era incomum, muito mais fora para Slaughter.
― Robert... Você é único. ― ela disse, enquanto uma das mãos dele descera por seu abdômen, pousando por fim esta sobre o ventre feminino exposto. Victória lhe imitou tomando os dedos dele por entre os seus, antes de enveredar a mão alheia mais para baixo, para o centro de seu corpo, perpassando os pêlos da própria intimidade. Ali, ela o deixou, esperando por uma atitude que viera logo a seguir.
Seus olhos não se despregaram por um único instante. Robert tocara-lhe intimamente, deslizando um dedo e depois outro para dentro de seu sexo, estimulando-a ao mover-se muito lentamente. Numa respiração pesada, o peito de Victoria movimentava-se, medindo os gemidos impossíveis de reter.
― Me diga... ― ele lhe gemera num tom afônico, misturando seus hálitos ao beijá-la. ―... Me diga quando devo parar.
A sensação de estar entregue às atitudes do irlandês jamais antes foram sentidas por si. O que ele fazia parecia apenas privilegiar a ela, mas, na verdade, as expressões brotadas no rosto da pirata estavam levando-o à loucura. Victória gemia baixo, esforçando-se por não deixar um ressoar maior transparecer. A maioria de seus sussurros ia direto para os lábios dele e incidiam quando os dedos de Robert tornavam a lhe preencher. Tudo o que ela conseguia fazer era apertar-lhe o tronco num abraço desconexo.
Um primeiro espasmo fez-se sentido, atravessando o corpo de Slaughter. A pirata sentira uma onda de estímulos se fazer, ativando-lhe as terminações nervosas. ― Eu... ― Victória sentia-se estúpida ao descobrir o simples prazer daquele momento. ― Oh... ― uma faísca lhe cortara logo a visão, fazendo-a cerrar os olhos na eminência de um orgasmo.
Foi nesse entreato que ele retirara os dedos de si, provocando outro gemido provindo dos lábios alheios. Impulsionando-se, Duane uniu ambos os sexos atritando sua pelugem escura à negra dela, sufocando o próprio falo endurecido no roçar de seus corpos. A proximidade fora tamanha que, com as pernas passadas sobre as dele, na altura de suas coxas, Victória pudera tocar o colchão com a ponta dos dedos dos pés, dando uma larga passagem para que o homem encaixado em si lhe penetrasse.
Robert demorara ainda a fazê-lo, proporcionando a Victória uma maior atitude. A garota encarou os olhos da cor do mar que lhe davam permissão para o que quer que fosse. Por entre seus troncos, uma das mãos delicadas da capitã descera, direta para a virilha dele, tocando os pelos castanhos tão íntimos do seu querido Duane, para depois aventurar-se numa primeira experiência à textura do pênis deste. Seus dedos roçaram primeiramente à base espessa do rapaz, deixando-o gemer: ― Vic... Oh... ― aquele toque era especial, Robert sabia, sempre sonhara com este, nunca o tivera, procurara noutras algo que estava tão próximo de si. Era prazer e amor, os dois, ao mesmo tempo.
― Que foi, Bob?... Hum? ― mais abaixo ela escorregara a mão pela extensão comprida daquele falo, fechando os dedos ao redor deste, notando-o imitá-la, envolvendo sua mão e entrelaçando os dedos aos seus, iniciando uma lenta manipulação regada ao pré-gozo do rapaz. Os lábios dementes de Duane foram capturados pelos dela num entremeio, sentindo sua boca ser invadida pela de Victória, muito livre e decidida do que bem havia de querer. Uma, duas, três investidas no sexo dele, três bombeadas de seu prazer, fazendo verter mais daquela lubrificação, fora suficiente para que um ritmo fosse tomado por si própria. ― É tão delicado... ― ela ressoara em sua boca. ― Mas ainda tão... Duro...
― Ahn... ― um ressoar do taberneiro fora ouvido quando primeiro ele movera os quadris. Queria estar dentro dela, sentir-lhe o calor do corpo, ser tragado por suas entranhas. Em seguida, o próprio Duane cessara com aquela masturbação, afundando-se nos braços de Victória, entrelaçando os dedos aos seus antes de pronunciar a ereção à intimidade de sua amada. Os olhos verdes cerraram-se ao prazer que o assolara, sentindo o interior de Victória puxá-lo para dentro de si enquanto corpo dela amolecia em seus braços, circundando o tronco do rapaz alto.
Quando uma primeira estocada fora produzida na intimidade dela, Slaughter sentiu uma mão firme de Robert agarrar seus quadris, trazendo-os mais para perto, se é que mais colados poderiam ficar. A outra mão do irlandês fora à janela fechada, apoiando-se nesta, pressionando os dedos à moldura carcomida.
― Ro... Robert... ― junto à sua voz, as unhas da pirata lhe arranharam as omoplatas no instante em que Bob se movimentou mais uma vez, soerguendo-a da cama ao colocá-la sentada em seu colo flexionado. ― AHN... Hm! ― Victória tinha às costas a parede da cabine, a mesma a que Robert se segurava, indo e vindo por entre suas pernas. Ora o rapaz sentava-se sobre os próprios calcanhares, relaxando os joelhos. Ora ele fincava-os à cama, estocando-a lentamente, fazendo-a sentir a parede áspera lhe assanhar os cabelos conforme era encurralada ali.
Gostava daquela posição. Daquela forma podia mirar cada pequeno detalhe do rosto de Victória, admirando a expressão extasiada da pirata, sentir seu peso sobre si, perceber cama e madeira tão próximos, mas ainda tão distantes face ao fato de que para ambos, só haviam os dois ali. Mas ela, logo, apressou-se ao notar o esforço alheio. ― Relaxa, Bob. ― Victória disse. Impulsionando-se ao seu encontro, Slaughter lhe permitira relaxar daquela posição, sentando-se em Robert agora, mantendo o membro pulsante do ex-taberneiro dentro de si, preso a palpitar.
― Ah, Victória... ― ele tentara lhe falar, subindo as mãos até sua cintura. ― Arh... ― num jogo de quadris, a pirata extraiu um gemido seco do fundo da garganta do celta. Seus olhos claros giraram na órbita por mais que ele tentasse manter-se focado. Por pouco, Robert não tombara de costas à cama. Em seu colo, a jovem movera-se lentamente, sentindo os estímulos de prazer ecoarem por cada pêlo de seu corpo e o mesmo podia-se dizer do jovem celta. O suor que dela escorria, lavava o semblante dele, os gemidos emitidos por ela, aliás, lhe estimulavam e sua voz era a única coisa que a Duane apetecia ouvir.
Sentindo a pressão cativa no próprio ventre, denotando o êxtase imediato, Robert a incitou a erguer-se um tanto mais, colocando o peso do próprio corpo ao encontro do dela, deitando-a lentamente à cama. Sobre Victória, Robert acelerara as estocadas, tendo as pernas alheias presas em sua cintura e a voz rasgada da moça gemente ao seu ouvido. Pouco fora preciso até que ele viesse. O gozo não tardara e bastara uma melhor visão do corpo delicado dela, e a facilitação dos movimentos úmidos dentro de si, para que Robert vertesse para suas entranhas. Duane fora levado à outra atmosfera, desprendendo-se de seu corpo, pondo-se no máximo de excitação e adrenalina, arfante, para depois acalmar-se num arroubamento.
Victória, por sua vez, demorara um tanto mais a ser atingida por aquele enlevamento. O irlandês pôs-se convicto a trazê-la ao mesmo paraíso que si, encurtando o intervalo por entre os movimentos de seus quadris, acelerado em estocadas repetidas, entrando e saindo de si, provocando em si mesmo uma réstia do gozo, notando-a gemer mais alto quando lhe ia a fundo, mirando seu rosto corado, suado e lívido de prazer. Pouco bastara para que todo o organismo de Victória compreendesse o orgasmo final, após um crescente prazer estourar dentro de si, elevando-lhe a mente para milhas dali, junto à de Robert. Ela prendera-se a ele de tal forma que apenas o suor compartilhado poderia ter feito seus troncos deslizarem no atrito daquela posição.
O cérebro de ambos estalara. Robert a preenchera com o líquido de seu prazer, quente, rápido, e que pouco ou nada se vira escorrer para as coxas dela numa pressão que a grossura de seu pênis produzia na feminilidade apertada da moça, ao passo que Victória perdera os sentidos, arrepiando-se dos pés a cabeça, afundando numa escuridão de onde volta não parecia ter. Fora desperta apenas pelo doce beijo dele sobre seus lábios e por uma mão carinhosa, enxugando-lhe o suor da testa. ― Bob... ― ela sorriu.
― Por ser tão linda assim e por muito mais, que eu te amo. ― no fio de voz que lhe restara o rouco taberneiro respondera. ― Está fantástica, Vic...
― Fantástico é você. Lindo é você e... Bom, safado também. ― acrescentara numa piada.
Entre risos ele falara, entreabrindo os lábios a arfar. ― Lá fora... ― os olhos verdes se cerraram, unindo as pestanas negras dos enormes faróis que ele possuía. ―... O Sol brilha... Eles foram reabastecer, e...
― E nós dois aqui. ― Victória acrescentara, sentindo o rosto dele encostar-se aos seus seios, pondo-se confortavelmente deitado a abraçá-la. ― Bob... O que ‘tá fazendo?
― Preciso tirar um cochilo rápido... ― ele disse, em sua fala mais cansada.
― E se passamos da hora? ― a pirata perguntou. ― Bob?
― Só um pouco, eu juro... Eu preciso sonhar com tudo isso de novo.
Como um menino exausto, Robert adormecera em seus braços. E, por mais que Victória Slaughter tentasse vencer a sonolência que lhe tomava, não fora imune a esta. Com os dedos a acariciar os caracóis úmidos dos cabelos dele, ela também se deixara dormir. Pela primeira vez, em anos, teria bons sonhos. Reviveria tal troca de amor e o faria somente porque, pela primeira vez, em anos, fora feliz. Talvez, nunca o tivesse sido e de fato nunca fora. Pela primeira vez ela tivera certeza de algo. Robert a amava e só isso era suficiente para lhe aquecer o coração há tempos congelado.
XXXContinuaXXX
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