Commedia

2 Capítulo 1 A Noiva Fiel


Notas iniciais
O tempo passou. Quase vinte anos depois das grandes aventuras de Jack Sparrow. Mas nem por isso a pirataria acabou. Em Tortuga, novas lendas nascem mas sem nunca esquecer, aquele que foi o grande Capitão Jack Sparrow.

Commedia

By Olg'Austen & Jodivise

Capítulo 1: A Noiva Fiel

Porto, 1736

Naquele dia Victória acordou muito cedo. Cedo o bastante para ouvir o fim de uma conversa de seus pais. Eles queriam casá-la. Casá-la com o tipo mais estúpido de homem que havia. — Guilhermino — era o seu nome. A jovem portuguesa gostaria de não saber de quem se tratava tal figura, mas infelizmente sabia bem quem era o infeliz de sobrenome Macedo. Rapaz de nome feio, mas de boa aparência a contrastar com os maus hábitos e com a má fama que carregava dos lugares que visitava. Se o pai do traste, Dom Macedo, queria casá-lo que parte ela tomava disso? Que o casasse com outra, ora!

Victória era muito jovem, mas sabia bem o que se dizia do rapaz. Porque então seus pais fingiam não saber? Como podiam, então, criar uma filha e depois entregá-la de mão beijada à um completo desconhecido? Ela tinha apenas quinze anos, e por mais que lhe dissessem que "a hora estava chegando" se recusava a acreditar que, um dia, seus próprios pais lhe colocariam em tal situação.

— É um bom partido? — seu pai perguntava à sua mãe — Ignácia, ele é um bom partido?

— O — — O melhor! — ela respondeu com a voz embargada de princípio, mas logo firme como se tivesse certeza do que dizia. — O melhor lisbonense!

— Argh! — o homem esforçava-se por falar. — Lisbonense?

— Lisbonense cujo pai está prestes a partir para o Brasil.

Dom Cardozo nunca pensara em juntar sua filha com a cria de um colono. Na verdade, nunca pensara em forçá-la a tal união, mas o fez ao saber que resultado sairia da soma de ambas as fortunas; sua e do velho Macedo.

No final daquele dia, Victória fugiu. Juntou o que pôde e fugiu a fim de observar os navios atracarem no Porto. Montou no melhor dos cavalos de seu pai e, em poucas horas, já avistava os galeões que do porto partiam. Sem pensar duas vezes, a portuguesa mirou uma das embarcações cujos marujos desciam à terra desembarcando mercadorias que chegavam de Deus lá sabia onde. Saltando do animal em que viera montada, a mocinha mirara os olhos escuros do cavalo. Tirando uma muda com suprimentos que consigo trouxera, presa na cela do bicho, Victória ensaiou se afastar do eqüino, mas este planeou ir no seu encalço. Dando meia volta, ela segurou-lhe as rédeas, encostando a testa ao focinho deste. — Volta pra casa, Morfeus. — disse-lhe. — Volta, e mostra para meu pai ao que ele sujeitou a própria filha. Agora vai!

Apontando para o Leste ela repetira a ordem antes de seguir caminhando sobre o assoalho em madeira do píer. As roupas do filho dos empregados valeram-lhe bem. Desde as botas que calçava, passando pelas calças curtas castanhas, e pela camisa branca encardida, até o chapéu que lhe prendia os longos cabelos negros como a noite... Devia tudo aquilo ao rapazinho que crescera consigo na propriedade de sua família. Este, infelizmente, havia de levar uma surra quando, ao perguntado, tentasse esconder o paradeiro da moça no dia seguinte, mas sacrifícios eram necessários.

Sem mais pensar, Victória amarrara a corda que trouxera à boca da sacola de comida à própria cintura. Segurando-se nas outras que amarravam a embarcação visada ao porto, a menina de apelido Vi a escalara, indo parar no pequeno convés do navio. Não havendo muito tempo, ela tratara de se esconder, sumindo pelo sumidouro do porão.

Na manhã seguinte, quando sua mãe lhe bateu à porta do quarto, esperou por uma resposta que nunca veio. Pela janela um entrelaçado de lençóis delatara o modo como a moça escapara.

Não demorou muito, talvez dois dias até que um dos marujos, ao visitar o estoque de suprimentos, desse de cara com os olhos castanhos de Victória, assustados a lhe observar por detrás de uma saca de café. — Mas o que é isso? — o homem magricela de dentes estragados, pé ante pé, aproximou-se da moça de pouca altura que se escondia, tentando se encolher, se por quase invisível. — Menina... Tem ratos aqui, sabia?

Vi apenas abanou a cabeça positivamente. Convivera com os pequenos roedores por dois dias inteiros. De princípio entrara em pânico, mas ao ver que os bichos apenas comida queriam, acabou por fazer amizade com tais animais.

A compreensão do marujo que lhe encontrara não fora partilhada pelo capitão do navio. O tipo corpulento, vestido tão simplesmente quanto o resto da tripulação mostrara logo o dedo indicador, agitando-o no ar em face do pedido da clandestina. — De jeito nenhum! — o homem do mar bradara. — Estamos dando a volta, senhorita. Conosco a senhorita não fica nem mais um dia.

— Não posso voltar. — com os braços cruzados sobre o peito ela falara. — Não posso. Leve-me consigo, é tudo que peço.

— Quer que a levemos conosco? Pois nem sabe para onde vamos! — ele dissera. — E depois, mulher a bordo, sempre traz azar... Escute… — ele ponderou. — Vamos à Inglaterra... Estando a meio caminho, a deixamos na França. Sempre vai gostar mais de lá.

Dando-se por vencida, Victória saiu da cabine do capitão. Ao desbravar o convés, os olhares dos marujos a esfregar o chão se baixavam quando por estes a moça passava. De fato, ela não sabia se o faziam em respeito ou porque o que os olhos não viam o coração não sentia. Uma moça a bordo sempre havia de trazer má sorte. Primeiro porque era o que se dizia, segundo porque aos homens do mar, sedentos, uma figura feminina sempre se voltava numa tentação.

Quando, naquela mesma noite, a tripulação se retirou às danças e bebidas, Victória se colocou ao porão, à espera que alguém lhe fosse ali chamar e dizer se haviam chegado à França ou não. Foi naquele pequeno intervalo, entre o silenciar da primeira gaita e o adentrar em águas francesas que algo se fez àqueles homens azarados. Ninguém soube ao certo como aquele ataque se dera. Sim, porque, naquela noite de calmaria, o navio do capitão supersticioso fora atacado. Diz-se que, quem o fez, chegara à socapa, calado, apagado, sem um único vestígio de um candeeiro em meio à escuridão, atraído pelos festejos inflamados no convés dos portugueses.

"Piratas" — Foi tudo o que Victória pudera distinguir dentre os gritos provindos de cima do porão. Talvez suas preces tivessem sido atendidas. Talvez eles não regressariam mais à Europa continental, esquecendo dos franceses de uma só vez. Mas, se Vi soubesse que, pedir para a Virgem Maria interceder por si junto a Deus, levando-a à Inglaterra, levaria à morte do capitão cheio de manhas e de todos os outros tripulantes daquele navio comerciante, ela jamais teria posto os joelhos no chão.

O idioma dos tais saqueadores Victória reconhecera, mas pouco ou nada conhecia daquela língua. — Olha o que eu encontrei! — puxando-a pelas golas da camisa, um homem de aspecto sujo, ostentando cabelos claros como feno, compridos e desgrenhados, empunhando um punhal ensangüentado a lhe ameaçar, lhe jogara ao chão do convés, fazendo Victória quase esborrachar-se contra a madeira úmida ao sentir a dureza do assoalho contra o próprio rosto. — Que belezinha! — ele emendara, antes de Vi perceber um nariz lhe cheirar a nuca.

Livrando-se da mão pegajosa deste, Victória lhe empurrou o rosto, rastejando para longe do tipo repugnante. — É arredia... — um outro falara em sua língua mãe, cravando os olhos de um azul profundo em si. — ...Eu gosto.

Só então, Victória mirara ao redor. Um rastro de sangue se fazia desde os corpos dos marujos por si antes conhecidos, empilhados próximo à cabine do capitão, até o gradil do navio de onde, um a um, os cadáveres eram despachados. — É... Mas o capitão é quem decide o que dela fazer! — o primeiro falara puxando Victória novamente para si.

Com indelicadeza, a portuguesa foi levada até o navio metido na penumbra. Seus braços foram amarrados às costas, à espera de que, ao mandante daqueles nojentos, fosse apresentada. Mas não chegou a sê-lo. Não naquele dia. Um dos piratas chegara próximo àquele que lhe guardava como se de um pedaço de carne ela se tratasse, passando-lhe uma ordem. Victória não chegou a entendê-la. Se pelo menos falassem mais devagar, se o inglês que pronunciassem fosse como os dos londrinos, conhecidos de seu pai... Mas a fala era atropelada, travada nos "Rs", à ponta da língua, difícil de se compreender.

A resposta àquela conversa viera logo depois, quando o psicopata, que lhe agarrava pela nuca, atirou-a numa das celas ao porão. Aquela fora a ordem do capitão? Trancá-la numa cela? Nem ao menos sabia para onde iam e, agora, nem sequer tinha a facilidade de se comunicar com aquele que lhe oferecia a viagem. Fora tratada como uma prisioneira e, felizmente o fora, do contrário estaria morta como o restante da tripulação.

Sentira o clima mudar conforme o tempo em que ali estivera se passara. Um frio apossava-se do porão e esse se intensificava conforme os dias ficavam para trás. Certa noite despertara com um cobertor enrolado aos seus pés, e sempre que adormecia ou se colocava de olhos pregados, despertava com uma refeição, mesmo que parca a lhe esperar. Esperta como só ela era, Victória pôs-se de prontidão certa tarde, mas quando a barriga roncara não havia mais o que se fazer se não fingir-se sonolenta e esperar até que a alma caridosa que sempre lhe ajudava fosse ter consigo.

Não tardou muito até que passos rasteiros fossem ouvidos pela moça. No instante seguinte, Victória sentira uma maçã ser atirada sobre sua cabeça, caindo-lhe ao colo. — Espere! — ela gritou para a figura que se distanciava. Não conseguia ver quem era por conta da pouca iluminação do ambiente, mas, dando-se por vencido, aquele que sempre lhe ajudava chegou-se próximo da luz, deixando-se ser visto.

Achou que poderia tratar-se até do próprio capitão, mas ao menos que um jovenzinho de quase mesma idade que si fosse o mandante daqueles piratas, aquele desconhecido poderia vir a ser o capitão. Em resposta, o menino disse-lhe qualquer coisa que Vi fora incapaz de entender. Os dedos compridos deste tocaram as grades da cela, tentando falar consigo, mas de nada adiantara. — Port...

— Porto, isso! — fora a única palavra compreendida. Apesar de conseguir lhe ver as mãos e parte do rosto do rapaz, Vi pouco lhe via os olhos, boca ou nariz. Ela podia lhe ver, mas de nada o que conseguia mirar dele lhe serviria de algo. — Vocês roubaram o navio que...

— Me desculpe... — ela compreendera o inglês arrastado que o rapaz falava. — Desculpe, pelo o que lhe fizeram.

— Está pedindo... — tentando falar-lhe em inglês, Victória repetira o que fora ouvido —... Desculpas?

— Desculpe.

Pronunciando um braço por entre o quadriculado da cela, Vi lhe estendeu uma mão. — Me tire daqui. Por favor.

Mas o desconhecido nada lhe disse, tomando sua mão num único movimento, apertando-a firmemente. Só então Victória percebera o quanto que seu benfeitor tremia. A mão do rapaz jazia gélida de pavor e, por entre seus dedos, a portuguesa sentira a boa energia do anônimo lhe ser passada.

— O QUE FAZ AQUI, MOLEQUE? — um vozeirão gritara depois de passos serem ouvidos nas madeiras da escada provinda do convés a gemer. Tal presença assustara a ambos, ao passo que a presença de um dos piratas fora feita, surgida para lhes assombrar. — Volte já para sua cabine!

O preocupado tripulante soltou-lhe a mão, afastando-se da cela de pronto, mas não sem antes balbuciar três ínfimas palavras que apenas depois Victória soube traduzir por "Fique com Deus". Pouco depois estava sozinha novamente, mergulhada na escuridão, adiando o momento em que seria inevitável comer a maçã cedida pelo generoso desconhecido.

Um dia, quando achara que mais forças não teria por lutar contra aquele cárcere, Victoria fora visitada naquele que já acreditava ser seu leito de morte. Três homens foram-lhe ver; o primeiro deles era mais saliente, soltava piadas e não escondia a vontade que tinha de ver a moça morta, ou servida à tripulação. Outro assentia para tudo que o terceiro falava, pois, este parecia ser aquele que mandava nos demais. Sua voz era mais jovial que as outras duas, tenra, ainda que nada fizesse a moça lhe entender. Pelo seu semblante e pela formação de sua sombra à parede Vi soubera tratar-se de um homem já crescido e não do rapaz que fora ter consigo na semana anterior.

— Está doente, capitão. — o segundo fora mandado a se aproximar da garota estendida ao chão.

— De certeza que não está morta? — o "cabeça" aproximou-se por fim, livrando os cabelos longos que colavam-se à testa da moça, revelando o rosto de Victória a si. — É tão bonita... Arde em febre.

Confuso, o pau mandado perguntara ao mandante o que fazer, mas o homem apenas abanou a cabeça, estreitando os olhos claros à figura quase desacordada dela. — Devíamos jogá-la ao mar... — a voz irritante do mais desgraçado dos três propusera.

— 'Cá? Disseram-me o mesmo quando você juntou-se à tripulação, hum? — seu capitão soara ríspido. —... E eu não lhes dei ouvidos, agora sou obrigado a ouvir tuas idiotices!

Tortuga, 1743

Por trás do balcão do bar-hospedaria, um jovem alto, de cabelos cacheados e de olhar perdido em qualquer figura ao fundo do estabelecimento, tirava as rolhas em cortiça de duas garrafas foscas de rum, servindo os clientes beberrões que gritavam de uma das mesas, pedindo pela atenção de uma das taberneiras. Uma garota magricela ficava à espera do lento funcionário, tomando os pedidos numa bandeja, indo até às mesas servir os desesperados a lhe gritar.

Ao chegar à mesa, a moça cujo espartilho apertava-lhe a cintura já fina soltara um grito ao ser puxada pela cintura por um dos clientes, indo parar no colo deste a espernear por ajuda. — Arre! — o atendente pulara o balcão alto, molhando as calças cinzentas, que acompanhavam uma simplória camisa branca, com o melhor rum da ilha, derramado à superfície em madeira.

— Vem cá — o homem corpulento que agarrava a taberneira lhe perguntara. —... É o defensor de todas as moças?

— Só das que trabalham aqui. — torcendo a toalha que trazia em mãos o jovem homem pedira. — Larga ela... — o sotaque irlandês pudera ser ouvido. — As moças daqui já não são como as de antes!

A exclamação que o vagabundo viria a soltar a seguir acabara por atrair uma atenção em especial, provinda dos fundos do bar, canto para onde o taberneiro tanto olhava. — Ah... — tal figura ouviu o aparente pirata exclamar — Que saudade da Eva!

— LARGA A MOÇA! — uma voz firme de mulher fora ouvida. E chegando-se à mesa, uma outra jovem, dona de tal timbre, aproximou-se. Era mais baixa que o próprio funcionário da taberna, mas com uma pistola em mãos, um elegante tricórnio a cabeça e as vestes com adornos em couro, típicas de um homem do mar lhe falara. — Larga ela, Brand.

O pirata pensou duas vezes antes do que viria a falar. Um silêncio tomara conta do estabelecimento, apenas o pisar das botas da garota era ouvido enquanto esta erguia o rosto para a figura do homem por si já conhecido, encarando-o. — Mas que porcaria, Slaughter! A menina sem navio tá tentando pôr ordem em mim?

— Sabe como eu consegui tal sobrenome, não sabe? — engatilhando a pistola, ela perguntara retoricamente. — Larga a moça.

O taberneiro não se surpreendeu nem um pouco quando, abrindo mão das próprias vontades, o pirata deixou a pobre funcionaria se ir, empurrando-a na direção de Slaughter. — Obrigada, Slaughter — a outra garota disse, antes de correr taberna adentro.

— Fica me devendo uma cortesã, Slaughter... — sob o bigode ruivo o homem corpulento falou antes de cuspir ao assoalho, a centímetros das botas da justiceira.

— Elas não são cortesãs.

A estranha movimentação, a correria da funcionária em adentrar depressa no interior do estabelecimento, atraíra a atenção da dona deste que logo fez-se presente às costas do taberneiro. — Mas o que é isso? — a voz feminina lhes perguntara antes do único homem de pé lhe dar passagem.

— Ah... Evinha... — o vagabundo brincou com a figura da proprietária.

— Sabe muito quem que não há mais nenhuma Eva aqui. — a moça carrancuda ripostou, dobrando os braços a frente das vestes castanhas. — E você... — ela voltou-se a Slaughter, não demorando os olhos negros no semblante da outra, passando desta para o rapaz à sua direita. — Robert põe este homem para fora.

Seu funcionário mirou Slaughter com o canto dos olhos, pedindo por alguma ajuda. A moça de ares pirata deu a volta no cliente chato, colando o cano da pistola em suas costas. — Seja um bom garoto, Brand... — ela lhe disse, despachando o bêbado. — Volte quando estiver sóbrio!

— Pronto! — aquele chamado Robert abriu um enorme sorriso à patroa que apenas rolou os olhos à figura dos verdes brilhosos dele. — O que há, Otávia?

Colocando-se atrás do balcão ela abanara a cabeça — Eu não gosto de confusão!

— Fale a ela, então! — ele mencionou a temida garota que voltava ao bar.

— Não puxa a pistola para todo mundo, Victória. — a dona do lugar dera um murro à superfície. — Não aqui dentro. Quando minha mãe morreu prometi não deixar mais esse lugar virar o que era antes!

Já com as mãos vazias, Slaughter escorou-se ao balcão, tirando o tricórnio do topo da cabeça, colocando este encima do móvel. Seus longos cabelos negros, ondulantes, foram libertos e nesse instante ela os sacudira, atraindo um olhar bobo do taberneiro — Tá... Tá... Tá... Mas me chama de Victória mais uma vez e te faço lembrar do meu sobrenome. — disse arqueando uma das sobrancelhas bem marcadas, num trejeito tão típico de si.

— Ora, não me venha com a história desse seu sobrenome. — Otávia era tão jovem quanto si, mas trazia nas atitudes um respeito e vivência que muitas avós não possuíam.

Robert sentia-se perdido no meio das duas. — Deixa ela contar. — ele pediu, espichando os olhos cor de oliva para a pirata. — Eu gosto do momento em que ela o mata e joga as tripas no mar... — o irlandês já ia dizendo quando uma "toalhada" fora-lhe sentida nos ombros. — A... Ai!

— Fala de novo em morte e tripas e te ponho na rua! — aquela que enxugava meia dúzia de copos ralhara.

— Na verdade, Robert... — Victória pôs-se escorada num único cotovelo, girando na direção do funcionário — ... Eu não lhe arranquei as tripas.

Com um semblante estúpido o rapaz de pernas compridas derretera com cada expressão que a justiceira lhe fazia. — Ah... Não?

— Não... — levando um dedo ao peito do jovem homem, Victória provocou-o, percorrendo o tronco deste, atraindo o olhar de Otávia para aquela cena. —... Lhe arranquei os possuídos!

A saliva descera grossa à garganta do taberneiro que não ousara repetir tal expressão — Ele ficou... Liso?

— Lisinho. — Slaughter fez cara de pouco caso, se afastando. — Como uma moça.

— Victória... — a impaciente proprietária a censurou. —... Basta!

— É por isso que me chamam de viúva negra. — a outra regozijou, levando uma garrafa de bebida aos lábios, sorvendo um grande gole do seu contido.

Robert deu a volta ao balcão, colocando-se ao lado de Otávia, mirando a pirata Victória de frente. Não ficara com medo mas o prazer com que a moça contava a morte do falecido marido lhe fazia tremer as bases, ou pelo menos parecia que elas assim tremiam. — Soube que o herdeiro do Capitão Sparrow anda cá em Tortuga... — despretensiosamente ele comentou.

— Quê? — os olhos castanhos da garota de pistola à cintura se sobressaltaram. — Jack Sparrow?

— Você ouviu direito, Victória? — Otavia zombou de si. — Ele falou "filho" do Capitão Sparrow.

— Você conheceu o Capitão Sparrow, Slaughter? — o curioso Robert a inquiriu.

Victoria fez uma cara pensativa, rolando os olhos pelo bar. — Bem... — mas antes que lhe respondesse, a voz de Otávia fora mais rápida.

— Não. — a de cabelos fartos, falara. — Não mente, Vi!

— 'Tá... Não conheço! — a de madeixas pretas confessara. —... Mas conheci o Capitão amaldiçoado William Turner! Ele que me salvou daquela ilha quando aqueles piratas sebosos me deixaram pra morrer! Sobre isso eu não minto!

Otávia sentiu a pele se ouriçar ao ouvir tal história. — Me dá um arrepio só de ouvir!

— Pois... Eu gosto das suas histórias Vic... Slaughter! — o taberneiro se corrigiu a tempo, fazendo a pirata sorrir.

— E eu gosto de contá-las a você, Bob. — sem delongas ela lhe chamara pelo apelido, girando o corpo em 180 graus, apoiando-se sobre os dois cotovelos, dando as costas ao balcão a mirar toda a clientela do bar-hospedaria de nome Faithful Bride. — Qual deles será ele? Filho de Jack Sparrow... Deve chegar gritando isso aos quatro ventos.

Entregando o pedido de meia dúzia de canecas à taberneira já recuperada do trauma com o último cliente, Otávia brincara. — Pergunta a eles, ora!

— Boa idéia! — Victoria sacou a arma da cintura, engatilhando-a antes de apontá-la para o teto, dando um disparo para o alto. Parte do telhado caíra a meio metro de si e nem olhar no rosto da amiga taberneira ela teve coragem. Atrás de si, Otávia so faltara espumar de raiva ao passo que Robert acompanhara a patroa no sobressalte. — Sparrow... — frente às dezenas de pares de olhos assustados que lhe miravam, Slaughter perguntou. —... Faz favor de se levantar e vir aqui me pagar uma bebida!

xxContinuaxx

Notas finais
Olá leitoras e leitores! Aqui vai novo capítulo da Commedia. Como já foi explicado, embora ligado ao Jack e Cia, esta história incidirá sobretudo na história do seu filho Benjamin e na busca deste pelo paradeiro de seu pai. Outras das principais personagens é esta mesmo que entrou: Victória Slaughter. Uma pirata que vos vai supreender. ;)
Espero que gostem e por favor: a quem ler: comente!
Saudações Piratas!!! :)
JODIVISE OLGAAUSTEN