Coming Home
1 Capítulo Único - Coming Home
Notas iniciais
Eu sei, eu sei que deveria estar escrevendo as minhas fics que já estão ficando atrasadas, mas eu não resisti e o resultado foi essa one. Espero que gostem!
Ah, obrigada a minha querida amiga Luiza pela capinha ♥
John não podia, simplesmente não podia acreditar que depois de dois anos, Sherlock ressurgiu das cinzas, fazendo piadas sobre o seu bigode e agindo como se tudo estivesse bem. No que ele estava pensando ao aparecer daquele jeito no restaurante? Que John iria abraçá-lo, dizer “Muito bom ter você de volta” e tudo voltaria a ser como nos velhos tempos?
Bom, mesmo quando a raiva passasse. Se ela passasse algum dia, nada seria como antes. Ele tinha uma vida nova agora, e praticamente havia acabado de pedir em casamento a mulher que tinha ficado ao seu lado nos últimos meses!
- Tem certeza que você não quer que eu fique aqui hoje? – Mary perguntou, quando o táxi parou no apartamento que John tinha alugado depois da “morte” de Sherlock.
- Tenho. – ele respondeu, e tentou sorrir. – Você tem que trabalhar amanhã. Nós dois temos. Eu vou ficar bem.
- Eu realmente acho que você deveria tirar o dia de folga, e ir conversar com ele. – ela sugeriu.
John balançou a cabeça. – Não acho uma boa ideia.
- John... – ela segurou a sua mão. – Eu sei que você está com raiva. Mas uma hora vocês dois terão que sentar e conversar como adultos.
- O que você quer dizer? – ele franziu a testa. – Pular em cima dele, morrendo de raiva, e querendo espancá-lo não foi um exemplo de conversa civilizada?
- Não. – ela sorriu. – Você vai à Baker Street amanhã?
- Eu acho que preciso de um tempo antes.
- Tome o tempo que quiser. – ela o beijou gentilmente. – Boa noite.
- Boa noite. – ele disse, saindo do carro, sem fazer nenhuma menção ao pedido de casamento que deveria ter acontecido, se não tivessem sido interrompidos.
...
No dia seguinte, John não foi trabalhar. Ligou para Mary e pediu que ela remarcasse todas as consultas para a semana seguinte, ele não estava com cabeça para atender paciente nenhum. Mas também não estava na hora de ver Sherlock.
Porém, ele estava com saudades. Por mais zangado que estivesse, com raiva por ele ter sumido durante dois anos e não ter dito nada. Pelo amor de Deus, até a sua rede de mendigos sabia. Qual era o problema de mencionar isso ao melhor amigo?
John foi até a pia do banheiro, lavou o rosto e encarou o próprio reflexo no espelho. Riu, mesmo sem ter real a intenção de fazê-lo. Não é que Sherlock tinha razão e aquele bigode não lhe caía tão bem? Resolveu se barbear, Mary também não gostava e um dos primeiros comentários da Sra. Hudson quando o viu, foi reclamando do bigode.
Então, ele pegou o telefone e discou o número da Baker Street. Não tinha certeza o porquê tinha feito, talvez porque precisava ouvir a voz de Sherlock, para ter certeza que tudo não fora um sonho e ele realmente estava vivo.
- Alô? — Sherlock atendeu no quarto toque.
John respirou fundo, e as únicas palavras que conseguiu dizer foram: — Eu ainda estou com raiva. Eu ainda te odeio.
- John... Desculpa, eu-
E então ele desliga, e se senta no sofá mais próximo, cobrindo o rosto com as mãos. Não queria chorar, e não chorou, só ficou paralisado ali, encarando o chão. Considerou ligar de novo, mas não sabia o que dizer, e principalmente, ainda não estava preparado.
...
Sherlock colocou o telefone de volta em cima da mesinha, e suspirou antes de sentar na sua antiga poltrona. Era estranho o lugar de John estar vazio, e só ter uma xícara de chá, ao invés de duas.
- Era o John? – perguntou Sra. Hudson.
- Sim. – disse Sherlock. – Ele ainda está com raiva.
- Vai passar, e logo ele vai bater aqui na porta querendo falar com você. – ela respondeu confiante.
Ele não tinha tanta certeza disso. A verdade é que Sherlock poderia encontrá-lo em dois segundos, descobrir o apartamento que o loiro estava morando, e aparecer por lá, mais uma surpresa. Mas se John estava com tanta raiva assim, o mínimo que poderia fazer era respeitar esse tempo.
Na tarde do dia seguinte, praticamente na mesma hora do anterior, John ligou mais uma vez para Sherlock. Apenas para dizer que ainda estava com raiva. Essas ligações continuaram por semanas, John ligava dizia essas palavras e desligava. Sherlock atendia todas as vezes, porque ele sentia falta do amigo e queria ouvir a sua voz.
Até que um dia.
- Sherlock... – disse John, do outro lado da linha.
Logo, o detetive foi se antecipando para completar com o que ele já sabia que iria sair da boca de John.
- Sim, John, eu sei. Você ainda me odei-
- Eu estou com saudades.
Sherlock congela ao ouvir essas palavras. Ele já estava se acostumando atender ao telefone todos os dias para dizer apenas “Alô?” antes de John desligar.
- Você ainda está aí?
- Sim. – Sherlock responde, com medo de que ele desligue. – Sim, ainda estou aqui.
- Eu quero dizer, você está em casa?
- Baker Street, sim.
Uma pausa longa demais, antes de John responder. – Se você não estiver ocupado, e não se importar, eu queria dar uma passada aí-
- Você pode vim. Qualquer hora.
- Certo. Eu chego em vinte minutos.
...
Sherlock começou andar impaciente pela casa, ele estava apreensivo e ansioso para ver John novamente. Algo lhe dizia que dessa vez, o loiro não estaria tão zangado com ele, ou mesmo se estivesse, não passaria o tempo todo gritando. Pensar sobre contar ou não o verdadeiro motivo dele ter fingido a própria morte, também o deixava nervoso. E ainda tinha começado a chover!
Havia dias que não chovia em Londres, desde que voltará ao menos, e logo no dia que John resolve sair de casa para conversar com Sherlock, as gotas começaram a cair, e agora uma tempestade fazia uma barulhada do lado de fora. O moreno ficou torcendo para que isso não o impedisse de aparecer.
E não o impediu. Depois de meia-hora – Sherlock assumiu que a chuva dificultou o trânsito –, a campainha tocou.
- John. – Sherlock o cumprimentou, e não pode evitar um sorriso ao ver que o loiro tinha tirado o bigode. – Você se barbeou.
- É, não estava funcionando em mim. – ele respondeu. – Posso entrar?
Sherlock fez um gesto para que ele passasse, fechando a porta logo depois. Ele estava um pouco molhado por causa da chuva, e vestia um dos antigos suéteres que o moreno secretamente amava vê-lo usando.
- Fico feliz. – comenta Sherlock.
- Você não tinha gostado? – ele diz, sentando-se em sua antiga poltrona.
Por um momento, antes de responder, Sherlock se permite sorrir ao ver aquele lugar sendo ocupado a quem realmente pertencia.
- Eu prefiro meus médicos de rosto limpo.
- Não é uma frase que se ouve todos os dias. – disse John, respirando fundo, antes de perguntar. – Por quê?
Sherlock se senta em sua poltrona. – Por que...?
- Fugir por dois anos foi por causa do Moriarty, ok, eu entendi. – John começou. – Mas não tinha outro jeito de destruí-lo? Eu quero dizer, você realmente precisava ter fingindo a própria morte por tanto tempo?
- Tinha atiradores. – disse Sherlock. – Três atiradores. Um para o Lestrade, outro para a Sra. Hudson e um para você. Moriarty me disse que vocês três iam morrer, ao menos que eles me vissem pulando. Ele era o único que podia parar a ordem, então depois que ele se matou, eu não vi outra opção a não ser avisar o Mycroft do que teria que acontecer e-
- Você foi embora por nossa causa?
- Por você, principalmente. – ele admitiu. – Eu não podia deixar que nada acontecesse com você, John. E entrar em contato durante esses dois anos, antes que eu tivesse certeza que você estaria seguro... Eu não poderia arriscar. Desculpa.
John concordou com a cabeça. Ele não tinha ideia do que tinha acontecido de verdade, até agora, e também não sabia se queria saber pelo o que Sherlock passou durante esses dois anos. Que não foi fácil desmontar a rede de Moriarty, disso ele sabia, mas a que ponto ele tinha ido para isso?
Ele observou Sherlock, o cabelo estava mais curto do que se lembrava. Os olhos cansados, e ele não era muito bom em dedução, mas podia perceber que o moreno tinha se machucado durante esse tempo, pelas caretas que ele não conseguia evitar.
Quando Sherlock repetiu a expressão, e soltou um gemido, mexendo os ombros, John perguntou: — Dói?
- Os últimos dois anos não foram exatamente como... tirar férias. – ele tentou sorrir, se lembrando das inúmeras vezes que apanhara se infiltrando entre os criminosos.
- Você quer que eu veja? – perguntou John. – Eu sou um médico.
- Mycroft cuidou disso, e tem morfina no quarto para o caso de estar incomodando demais.
John não aprovava o uso da morfina, mas não poderia julgá-lo. Não agora, não depois de saber que ele deve ter sofrido fisicamente durante dois anos para protegê-lo.
- Sherlock...
- São apenas algumas cicatrizes nas costas, John. – disse Sherlock. – Uns machucados que estão sarando, eu vou ficar bem.
- Posso te fazer um chá, pelo ao menos?
Sherlock sorriu. – Sim, você pode.
- Está chovendo muito ainda. – disse John, ao observar pela janela. – Você não se importaria se eu ficasse aqui essa noite, não é?
- Nem um pouco. – o outro respondeu. – De qualquer modo, essa sempre será a sua casa. Uma delas.
- Para mim também.
...
Mais tarde depois do chá, eles pediram comida chinesa e ficaram conversando sobre o caso que Mycroft queria que Sherlock resolvesse. Naquele dia, eles não tocaram mais no assunto da morte falsa do detetive, e a Sra. Hudson parecia muito feliz em ver os dois agindo como nos velhos tempos.
Enquanto John lia o relatório que o Mycroft entregará a Sherlock sobre o caso, este o observava. O loiro não imaginava o quanto ele tinha sentido falta do amigo durante os últimos anos, ele passava o dia ouvindo a voz de John em sua cabeça, e não poder compartilhar esse período de sua vida com o amigo, doeu de uma forma que ele não conseguiria colocar em palavras.
Ah, e John estava mais atraente do que nunca, se é que isso era possível. Todos os sentimentos que esconderá, e tentou negar a si mesmo que existiam, voltaram com toda a força com ele o viu no restaurante.
Sherlock era sim, capaz de sentir. Ele sempre teve um carinho imenso pela Sra. Hudson, até por Mycroft – do jeito estranho dele, mas... -, e obviamente por John. Mas ele não sabia que tinha se apaixonado pelo amigo, não até quando precisou fazer aquela ligação, e teve que ouvir o discurso dele durante o seu “enterro”. Ele sabia que tinha sentimentos por John, mas não conseguia compreendê-los, não até aquele dia.
- Eu vou lavar esses pratos. – disse Sherlock, se despertando dos pensamentos, e pegando a louça em cima da mesinha.
- Lavar? – perguntou John, erguendo uma sobrancelha. – Ou jogar tudo na pia?
- Dessa vez eu vou lavar.
- Eu ajudo. – o loiro levantou, e o seguiu até a cozinha.
John sabia já estava tarde, e depois de terminarem, ele deveria ir dormir. Tinha que trabalhar no dia seguinte, felizmente, seus pacientes eram muitos. Mas ele estava aproveitando tanto a companhia de Sherlock, ainda mais por não estar mais tão zangado, agora que entendia os motivos. Não queria dormir.
- Acabou. – disse Sherlock, colocando o último prato no escorredor.
- É, tinha pouca coisa.
O loiro ficou o encarando por um tempo longo demais, Sherlock não estava se importando, mas ele queria muito saber o que estava passando na cabeça do amigo.
- O que foi?
- É bom ter você de volta. – admitiu John, se aproximando. – Você não se importa... se eu abraçar você, não é?
Sherlock fez que não com a cabeça, e John sorriu antes de puxar o amigo para si. Meio sem jeito, o moreno colocou os braços em volta do loiro. Era bom, era como estar em casa, e fazia com que ambos se sentissem seguros.
Não durou muito, porque aquela proximidade, e um enterrando a cabeça no ombro do outro, deixava um clima estranho, mas Sherlock gostou da maneira como as suas entranhas doíam de um jeito agradável com aquele contato.
John se separou, e sorriu. – Boa noite, então.
- Certo. Ok. Tudo bem. Boa noite. – Sherlock repetiu, um tanto enrolado, e sem graça, com as maças no rosto ganhando uma coloração rosada, fazendo o outro sorrir ainda mais.
...
Deitado na sua antiga cama, John ficou pensando em como sentia falta disso. De morar na Baker Street, resolver casos e de Sherlock. Era tão bom saber que ele acordaria e o seu amigo estaria ali.
Pensou em voltar a morar com Sherlock. Seria bom para que eles se reconciliassem logo, certo? E depois, ele ainda não tinha feito o pedido, não tinha mais tanta certeza se queria se casar agora. Amava Mary, mas amava o suficiente para escolher ter uma normal, ao invés de uma imprevisível ao lado do amigo? Não sabia.
De uma coisa ele sabia, ele e Sherlock sempre seriam só amigos. Por mais que ele tivesse certeza, principalmente agora, que o moreno se importava com ele... Sherlock não sentia as coisas, desse jeito. Mas ele podia viver com isso, descobriu os sentimentos pelo amigo depois do caso com a Irene Adler, e nunca revelou nada.
Ele escutou um grito, e se sentou assustado na cama. Parando por um segundo para esperar e... Outro som de reclamação, vindo do quarto de Sherlock.
Foi correndo até o quarto do moreno, e quando abriu a porta o encontro se mexendo na cama, muito agitado, ele estava tento um pesadelo. Foi até ele, sentando-se na ponta da cama, e o balançando levemente com os braços.
- Sherlock, Sherlock... – ele repetiu, e o amigo abriu os olhos assustado. Ele estava soando muito, e parecia confuso. – Ei, ei. Sou eu. Você estava tendo um pesadelo.
Sherlock se sentou, e cobriu imediatamente os braços, para evitar que John visse algumas das cicatrizes, mas foi tarde demais. O loiro passou os dedos na maior, no braço esquerdo. – Eu sinto muito.
- Tudo bem.
- Não. – John balançou a cabeça. – Eu gritei com você... Mas eu não tinha ideia. Não posso imaginar como esses anos foram horríveis para você.
Sherlock tentou sorrir, não podia negar porque tinham sido. Claro que a pior parte foi ficar longe de John, mas ele não queria admitir isso em voz alta.
- Era com isso que você estava sonhando? – perguntou John, e Sherlock assentiu. – Sabe, eu costumava ter pesadelos também. Depois do exército.
- Como você fez com que eles parassem?
John sorriu. – Eu conheci você.
O moreno sorriu também, e então John se afastou. Não podia tentar nada, estava cedo demais, e ele não estragaria as coisas sem ter certeza que... – Bom, eu acho que vou dormir agora.
- Certo.
Ele se levantou e foi caminhando em direção para a porta, quando de repente tomou uma decisão, e se virou para o amigo. – Sherlock?
- Sim?
- Tudo bem se eu voltar a morar aqui?
- Como eu disse mais cedo, a casa sempre foi sua também. – disse Sherlock. – Mas e a Mary?
John franziu as sobrancelhas.
- Vocês não iam se casar?
- Não agora. – ele respondeu. – Boa noite, e tente não ter mais pesadelos.
- Desculpa por te acordar.
- Sem problemas. — ele se virou para ir embora, deixando Sherlock com seus pensamentos para trás.
...
John acordou primeiro, e depois de um banho, foi preparar o café da manhã. Ele ainda teria que trabalhar, mas esperava que Sherlock acordasse antes para que ele pudesse conversar um pouco com o amigo, antes de ir.
Enquanto tomava seu café com leite, e lia o jornal, Sherlock apareceu. John não ouvirá mais nenhum grito durante o resto da noite passada, então ele assumiu que o moreno não teve mais pesadelos.
- Bom dia. – ele disse, sorrindo.
- Bom dia. – respondeu Sherlock, sentando-se com ele. – Você vai mesmo se mudar de volta?
- Claro. Hoje mesmo eu busco as coisas depois do trabalho. – John parou por um momento. – Ao menos que você não queria e-
- Será um prazer tê-lo de volta.
...
Antes de sair para ir trabalhar, John foi até a cozinha – que agora estava repleta de experimentos –, ele admitia que sentiu falta da bagunça de Sherlock, mas estava torcendo para não encontrar uma cabeça na geladeira tão cedo.
- O que você faria se eu dissesse que eu te amo? – John perguntou sem querer quando começou a pensar que ainda tinha sentimentos pelo amigo, mas se arrependeu no mesmo segundo.
- O que?
Sherlock o olhava confuso, sem ter certeza como reagir.
- Nada. – responde John, querendo socar a própria cara. – Nada, é... É, bom, você acabou com todo o leite fazendo essas experiências. Eu... Vou comprar mais quando voltar do trabalho.
- John... – Sherlock tentou começar a dizer, mas o loiro o interrompeu.
- Eu vou trabalhar. Até mais, ok? – ele disse, correndo para fora do flat.
“No que eu estava pensando?” John se repreendia. Você acabou de ter uma conversa civilizada com Sherlock pela primeira vez desde que ele voltará. E pelo amor de Deus, ele estava namorando Mary!
...
Sherlock continuou parado no mesmo lugar, o microscópio agora deixado de lado. Ele realmente ouvirá o que tinha pensado? John tinha acabado de perguntar o que ele faria se dissesse que o amava? Não, sua mente definitivamente estava pregando truques com ele.
Ele queria ter alguém com quem conversar, mas sinceramente, a única pessoa do mundo com quem ele se sentiria mais à vontade para ter esse tido de conversa, mesmo que ainda fosse embaraçoso, seria o próprio John.
Tentou não passar o resto do dia pensando sobre isso, e foi fazer experimentos, mas era inútil. Será que ele e Mary tinham terminado? Mas os dois pareciam bem, e ela tinha o ligado na noite passada, ou mandando mensagem, ele não se recordava muito bem. Não, eles estavam bem até onde ele sabia. John deve ter dito sem querer, era a única explicação lógica.
Quando caiu a noite, e o loiro chegou do trabalho com algumas sacolas de supermercado, Sherlock estava deitado em sua posição de meditação no sofá.
Sem querer tocar no assunto, com medo de ter colocado em risco a amizade dos dois, John se sentou na sala, e ligou a televisão, sem dizer nada mais do que um “Oi...”. Droga! Aquele clima pesando, tudo estranho. Até Mary tinha notado que ele estava diferente, e ele ainda tinha sido impaciente com os clientes.
Que diabos Sherlock Holmes estava fazendo com ele? Os sentimentos sempre estiveram ali, e nunca tinha sido exatamente um problema.
- Eu te ouvi mais cedo. – disse Sherlock, e dessa vez foi John quem ficou paralisado. – Quando você perguntou o que eu faria se você dissesse que me amava.
- E...? – insistiu John, com medo da resposta.
- Então você realmente quis dizer isso?
- Depende da sua reação. – o outro respondeu nervoso.
Sherlock o encarou por um tempo que John considerou longo demais, e fez com que o loiro fosse obrigado a desligar a televisão e sentar-se ao seu lado no sofá.
- Sherlock, você está me matando. Fala alguma coisa.
Ele balançou a cabeça, antes de segurar o rosto de John e o beijar. Foi desajeitado, diferente, e Sherlock não tinha ideia do que fazer com as mãos. Mas os lábios de John eram macios, e ele se sentiu calmo, seu cérebro que normalmente ficava funcionando a mil por segundo se aquietou.
Ao se separarem, John estava sorrindo. – Isso quer dizer que você sente o mesmo?
Sherlock concordou com a cabeça, e quando o loiro foi beijá-lo novamente, ele se afastou.
- O que foi?
- E quanto a Mary?
- Eu a amo. – admitiu John. – Mas nunca chegou perto do que eu sinto por você, e sempre senti. Sherlock, eu estou apaixonado por você e me arrependi imensamente por nunca ter dito, mas eu sempre tive medo de não ser correspondido e... Agora que eu sei. – ele sorriu, segurando o rosto do moreno. – A Mary é ótima, mas não tem lugar no mundo que seja melhor para mim do que aqui com você.
Com John em seus braços, Sherlock pensou que lar eram as pessoas, não um lugar. Ele tinha sentindo muito a falta de Baker Street, mas tirando o seu Watson de lá, não parecia o mesmo lar de quem ele tanto sentiria falta. John era o seu lar.
Notas finais
Se for inconveniente, deixem mesmo assim.
Mentira, só deixem se quiserem e se eu merecer, foi só pela piada com o quote de Sherlock. Mas eu realmente gostaria de saber o que acharam. Até a próxima!
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