Comex - Uma virada de vida

2 Capitulo 2- Agora vai?


Notas iniciais
Não aguentei. Posto um capitulo atrás do outro, lidem com isso ♥

Depois de uma noite em claro tentando entender tudo que aconteceu, ela se forçou a sair da cama. Pronta para trabalhar mas com a cabeça no mundo da lua, chegou atrasada, dando de cara com a responsável do RH.

—- Bom dia bela adormecida, até que enfim chegou! Temos muito á fazer hoje, isso aqui tá um caos!

—- E quando isso aqui não tá um caos, Stella? Trabalho aqui a três anos e todos os dias a coisa tá a ponto de explodir. – sorriu com a risada genuína da garota baixinha a sua frente.

—- É você tem razão. Bora trabalhar que o dia vai ser longo.

Aläis se dirigiu a cozinha e cumprimentou a equipe. Observou todos os itens de segurança e se colocou em sua posição. Suspirou pensando nos vários pontos de segurança que era obrigada a ignorar por pura arrogância de seu chefe. Como se seus pesadelos se tornassem realidade uma sirene tocou no momento que uma fumaça invadia o espaço. Executou todos os procedimentos e evacuou o setor só para dar de cara com o seu chefe acompanhado de um oficial do corpo de bombeiros, ambos com cara de poucos amigos.

—- Que merda você fez? – ficando assustada por dois segundos antes de sentir seu corpo ferver de ódio e se ver apontando um dedo no peito do temido Sr. Carl.

—- Que merda eu fiz?! Que merda você fez! Fazem cinco meses que meus relatórios contém informações sobre falhas de segurança e tudo que eu escuto é que precisamos reduzir gastos! Você pretende reduzir gastos como Carl, se nem fornecer equipamentos de segurança você fornece?

—- Isso não é verdade!- o homem já começara a ficar roxo de ódio – Essa calunia não pode ficar impune! – fervendo de ira ela deu um passo, encarando os 1,90 de Carl.

—- Impune? Eu me recuso a continuar trabalhando para um verme ganancioso como você!

—- Pode juntar suas coisas, está demitida! – com sua melhor risada cínica, colocou as mãos nos quadris e levantou o queixo.

—- Eu me demito, não precisa se dar ao trabalho.

Assim que o vestiário foi liberado pelos bombeiros, juntou suas coisas e foi embora sem falar com ninguém. Chegou em casa desejando um banho quente e sua cama. Não contava com John, esperando no portão, de bermuda e regata, descalço.

—- E aí, como foi seu dia?

—- Ah foi legal, teve um incêndio na cozinha e eu me demiti – riu diante da expressão horrorizada dele – Uma hora isso ia acontecer, de qualquer forma.

—- Esse é o tipo de tranquilidade que eu quero alcançar! Acho que essa seria uma boa hora pra me dar seu currículo. – ela riu e abriu o portão.

—- Realmente, entra aí. – ele á seguiu pela garagem e entrou na pequena sala aconchegante com um sofá cama, um tapete felpudo e uma tv com computador – Fica a vontade que eu vou passar um café e tirar esse cheiro de fumaça de mim.

—- Ok- se sentou enquanto ouviu a cafeteira sendo programada e em seguida o chuveiro ser ligado. Não demorou muito pra ela voltar com duas xicaras de café e entregar uma a ele, com os cabelos molhados da ducha rápida. Foi até uma escrivaninha e tirou um currículo de uma das gavetas. Ela lhe entregou e se jogou no sofá ao seu lado. Dando uma lida rápida, ficou impressionado.- Você tem ensino superior e várias especializações na área, um verdadeiro desperdício estar perdendo tempo em uma cozinha quando poderia estar trabalhando em um escritório, com menos chances de ter um incêndio. – rindo ela bebericou o café.

—- Sempre gostei da área mas tive medo de dar um passo muito grande e quebrar a cara.- se recostando no sofá, juntou as pernas no corpo e observou a xicara – Se você pudesse imaginar o prazer que é não trabalhar nos finais de semana e feriados... – ela sorriu com a risada gostosa dele em seus ouvidos – É serio, trabalhar na minha área seria uma evolução e tanto na minha vida. – Ele também se recostou e apoiou a xicara no joelho. Ela não pode deixar de notar as pernas fortes evidentes na bermuda. Não pode evitar corar também.

—- bom , eu sei como é, trabalhei sob sol e chuva como auxiliar de obras para pagar minha faculdade. Finais de semana e feriados não existem nesse ramo também. Chegava em casa doido por um banho quente e minha cama. E uma massagem nos pés talvez...- ela riu nervosa e ficando mais vermelha ainda quando ele puxou seus pés pelos calcanhares para seu colo.

—- Sim...- gemeu com a pressão nos pés depois de ele colocar a xicara no chão e o observou sorrir de canto – Isso é o ápice do dia de um trabalhador comum. – fechou os olhos e se sentiu relaxar completamente sob as mãos quentes dele.

Ele observava o rosto vermelho e o contraste com o cabelo preto liso e teve vontade de enroscar suas mãos nele. O corpo esguio, pequeno mas forte da moça lhe davam ideias quentes e os gemidos de satisfação dela, lhe tiravam a concentração. Se imaginou puxando ela para seu colo e rasgando sua camiseta. E fazendo o mesmo com suas roupas enquanto beijava sua boca. Saiu de sua fantasia quando ela riu de olhos fechados. E não pode deixar de rir também.

-- Tenho cócegas nos pés. Isso é um misto de prazer e tortura.

—- Você nem imagina o quanto – riu novamente quando ela ficou vermelha – Acho melhor ir ver minha mãe. Tem planos para o jantar? — disse ainda massageando os pés pequenos.

—- Hmm — ele tinha pressionado um ponto sensível e por um momento esqueceu do dia conturbado – Não tenho nada em mente, mas poderia cozinhar para três. Lasanha cairia muito bem.

—- Seria incrível. O que você precisa pra fazer?

—- Presunto, molho de tomate e muita, mas muita mesmo, mozzarella .

—- E a massa?

—- Querido, minha avó se revira no túmulo se eu usar massa industrial. Já tenho pronta no congelador.

—- Se você diz..- rindo ele colocou os pés dela no chão com cuidado. – Vou trocar de roupa, volto em quinze minutos e vamos ao mercado.

—- Ok – eles se levantaram e ele saiu. Ela se apressou em colocar uma calça jeans, camiseta e prendeu o cabelo em um rabo de cavalo alto, como era seu padrão quando não estava trabalhando. Um pouco de perfume também não cairia mal.

Dez minutos depois e já estava sentada na calçada, observando o sol se por lentamente. Ouviu o portão se abrir e viu John em uma camisa polo azul escuro, calça jeans e sapatos pretos. Ela se levantou batendo as mãos na calça pra tirar a poeira. Ele foi até o carro prata na garagem e entrou dando partida e saindo para a rua. Enquanto ela se adiantava e fechava o portão acenando para Dona Luci que estava na janela.

—- Menina coloca o cinto por que ele corre feito um louco!

—- Pode deixar Dona Luci! – rindo ela foi para o carro que já estava com a porta do passageiro aberta e um John atrás do volante com um brilho insano no olhar âmbar iluminado pelo sol já fraco. Os cabelos estavam úmidos, transformados em uma paleta de areia e castanho, reparou. Um corte um pouco mais comprido que o convencional, quase desleixado que o deixava com um ar perigoso e arrogante. Entrou, fechou a porta e colocou o cinto como Dona Luci dissera.- Sua mãe me disse que você corre feito louco.

—- Exagerada...- sorriu e saiu disparado.

Chegaram ao centro da cidade em sete minutos. Aläis jurava que seu coração e o estomago tinham ficado na esquina da rua de casa. O rabo de cavalo antes úmido, estava praticamente seco e o pior, parecendo a cauda de um gambá, arrepiado pra todos os lados. Assim que entraram no mercado, avistou Stella que sorriu abertamente vindo em sua direção.

—- Ahhhhhh achei que nunca mais fosse te ver depois de hoje! – disse enquanto esmagava Aläis em um abraço apertado – Você é muito corajosa de jogar a merda no ventilador e deixar o Carl se virar pra resolver. Agora realmente aquilo lá tá um caos completo!

—- Imagino! Stella, esse é o John, John essa é a Stella, a única amiga que tive no trabalho. – e sorriu diante da amiga sem palavras, teve que dar um cutucão nas costelas pra moça voltar a vida e apertar a mão estendida do homem que sorria com diversão observando a cena.

—- P-p-prazer! – ele sorriu de canto e a cara de Stella só faltou derreter, qual era o problema desse cara? Será que ele fazia de propósito ou não tinha ideia do calor que eu sentia? Pensou Aläis sem recriminar a amiga enquanto observava ele se virar pra ela.

—- Vou pegando as coisas enquanto vocês conversam, ok?

—- Obrigada. – sorriu levemente enquanto ele se afastava. Ficou simplesmente observando até ele estar a uma boa distancia e sua amiga explodir em perguntas e pulinhos ao seu redor.

—- Puta merda, cara! De onde esse saiu tem mais? O que que é isso Jesus!- riu enquanto ela puxava seu braço pra sessão de doces – Onde você achou ele? Já estão juntos? Tenho chance?

—- Calma! Meu Deus, não sei se tem mais, é eu pensei a mesma coisa quando vi, achei ele na casa da minha nova vizinha, não estamos juntos, acho que tem chance sim. – vendo os olhos da amiga se iluminarem ela riu novamente. – Depois desse surto preciso de chocolate, amargo de preferência.

—- Meu Deus...Preciso te visitar...

—- Pode ir lá, vou ficar feliz de te receber em casa e te levar pra conhecer mais dele – e deu um sorriso traquina que a amiga já conhecia bem, acabaram rindo juntas.

—- E agora Lälä, já tem alguma vaga em vista?

—- Ainda não Ste, mas to com um pressentimento bom. Vou atrás dele, tenho que fazer lasanha hoje. Me manda mensagem.

—- Vai lá, boa sorte! – e soprando um beijo pra amiga, caminhou com a barra de chocolate em mãos para outro corredor, procurando por uma caixa de creme de leite. Encontrou a sessão mas por obra do destino, colocaram todas as caixinhas da marca que gostava na prateleira mais alta.

—- Ótimo! Lá se vai meu bom pressentimento! — se esticando ao máximo que seus tênis permitiam não conseguia alcançar nem a borda da prateleira. Bufando começou a olhar em volta se perguntando se tomaria uma bronca por pegar uma escadinha emprestada da sessão de utilidades pra casa. Enquanto cogitava a ideia, já com o rosto vermelho de raiva, ouviu uma risada rouca atrás de si. Se virou devagar e viu John com uma cesta apoiada no braço e uma caixinha de creme de leite nas mãos.

—- Vamos, se nós demorarmos muito essa lasanha não sai hoje e já to morrendo de fome. – disse enquanto pegava a barra de chocolate das mãos dela e colocava na cesta. – Você tá bem? – perguntou enquanto observava o rosto pegando fogo de Aläis e um V se formavam entre suas sobrancelhas. Sacudindo a cabeça ela sorriu de leve, abandonando a ideia de andar furtivamente pelos corredores do mercado com uma escada em baixo do braço.

—- Sim, vamos pro caixa.