Cometas e Estrelas
1 Cometas e Estrelas
Cometas e Estrelas
1.
O jovem suspirou enquanto corria. Cabelos ao vento, solto na imensidão do espaço, trazia no semblante concentrado uma chama de fé.
Cometa novo, sonhos antigos. Leva consigo apenas a busca incessante e a esperança incandescente.
Voando no tempo, murmurou: “Sempre.”
Até onde continua uma jornada?
Sempre! Para sempre. Sempre em frente.
Tem os pensamentos agitados, uma profunda necessidade de tudo e nada. Vive cada momento como se fosse o último. Não pode parar. Tem medo de parar.
Na escuridão do universo, busca uma luz que o ilumine. Por isso continua a caminhar. Sempre.
2.
Ela é menina de risos e momentos; de lágrima e júbilo. De olhos atentos, enquadra instantes em memórias.
Estrela de fulgores e iminências. Traz no peito paixão e fúria em miríades hipnóticas.
Os lábios finos desenharam: “Nunca.”
Quando se encerram busca e encontro?
Nunca.
Na limitação do espaço que a confina, quer ser além. De repente, todas as coisas parecem grandes demais e pequenas ao mesmo tempo.
O paradoxo trás compreensão. Minutos, horas, dias. Um momento a mais que a faça entender. Depreender sentidos e conexões.
Dizem que onde está o coração é o lugar a que se pertence. De coração aberto, contudo, queria pertencer a todos os lugares.
3.
Duas almas distintas. Dois lampejos de existência.
“Como se chama?”
“Stella.”
Estrela.
Encontraram-se em meio ao nada, lançando luz sobre a escuridão.
Jornadas que findam. Buscas que se encerram. Encontros que se realizam.
Sempre. Nunca. Talvez...
Todo fim traz um começo. Outras jornadas e buscas que se abrem. Novas possibilidades de se encontrar e se perder.
Dizem que olhar para as estrelas é contemplar o passado. Mas naquele momento, a estrada à frente trazia apenas futuro.
Felipe Shimabukuro Kai
São Paulo, 18 de Junho de 2009
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