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10 Capítulo 9 — Instituto Westin Hills
Notas iniciais
— Alice.
Lydia falou depois de longos minutos de silêncio absoluto na sala dos Ashter, então trocou olhares apreensivos com sua prima.
— Eu ainda vou. — Lydia apertou os próprios dedos, pegando seu casaco. — Entendo se quiser ficar.
Alice negou várias vezes, levantando-se do chão.
— E Soul? Teremos que negar esse pequeno surto que ele teve?
Ela afagou os braços se aproximando devagar de Lydia, como se estivesse com medo.
— Esqueça-o. Se o envolvermos teremos que contar tudo, e se contarmos... — Lydia negou repetidas vezes. — Ele vai enlouquecer mesmo e querer tomar as rédeas da situação.
Alice só assentiu e ambas estavam a um passo de atravessar a porta da sala quando ouviram o pigarreado de Soul vindo do alto da escada.
— Fechem a porta e me contem tudo.
Sua voz não era autoritária, havia sim um quê de insistência, mas era mais preocupação, talvez nervosismo com uma pitada de crise de pânico.
— Por favor, digam. — ele disse enquanto descia as escadas.
Lydia o ignorou e ia seguir pra fora, mas Alice segurou seu braço e a puxou pra dentro, batendo a porta.
— Alice! — Lydia exclamou. — Achei que estávamos juntas nisso.
— E estamos. — ela olhou do irmão para a prima. — Querendo ou não Lydia, nós estamos todos juntos nisso.
Alice lhes deu as costas e subiu a escada correndo e quando chegou ao alto dela olhou para baixo.
— Não se movam.
E então ela entrou em seu quarto. Lydia bateu o pé e se jogou no sofá, de braços cruzados e expressão emburrada.
— Não seja infantil, eu quero ajudar vocês. — Soul disse com seriedade, sentando-se do lado dela.
Lydia ficou quieta por alguns segundos e em seguida estourou.
— Ajudar?! — ela gritou, levantando-se do sofá. — E o que você sabe? Nada, nada! Você não faz a mínima noção do que está acontecendo!
Soul também se levantou abruptamente do sofá, seu olho esquerdo começou a pulsar.
— E você, hein?! Por acaso você sabe de tudo, certo? Você é aquilo que diz odiar em mim, Lydia! — Soul gritou de volta. — É arrogante e prepotente. Acha que sabe mais que todo mundo e não precisa da ajuda de ninguém!
Lydia ergueu o dedo em direção ao primo quando Alice terminou de descer as escadas e se interpôs entre os dois.
— Já chega, já chega! — ela ergueu as mãos, como se quisesse pará-los. — Não se mover incluía não enfiar o dedo no rosto de ninguém!
Lydia sacudiu a mão e cruzou os braços, então notou um papel na mão direita da prima.
— Alice, o que você...
— Olha. — Alice interrompeu Lydia, entregando o cartão que estava em suas mãos ao Soul.
O rapaz pegou o cartão com uma expressão inquieta. Então ele leu o cartão.
— "Você está fora da minha lista, AlliVe.". — Soul leu a frase do cartão, sua voz vacilou, mas se manteve firme. — Que lista é essa? Quem é AlliVe?
— Sou eu. — Alice suspirou pesadamente. — E a lista...
— E é por isso que estou preocupada. — Lydia interrompeu Alice, sua voz estava baixa e impressionantemente mansa. — Soul, você se lembra daquele suposto cosplay que vimos do Galeno na esquina da escola? Lembra do que ele disse?
Soul estava com o olhar centrado no cartão enquanto sua mão o amassa de leve no canto da folha.
— Lembro. — ele falou num murmúrio quase inaudível. — Ele disse algo como... "Estão em minha lista".
— Não é muita coincidência? Esse cartão falar de uma suposta lista que coincide com as palavras daquele homem estranho? — Alice indagou. — E ainda mais essas mortes?
Soul esfregava o rosto com as mãos enquanto amassava o cartão devagar, dando longos suspiros lentos.
— Por que você estaria fora da lista? — Soul questionou, olhando a irmã.
Alice sacudiu as mãos em um gesto nervoso.
— Nesse dia eu não fiz nada demais, já disse! — ela afirmou. — A única coisa diferente foi um comentário que deixei a procura do Anonimato.
Após as palavras de Alice um silêncio se espalhou pela sala. Lydia estava afagando os próprios braços e Soul continuava a amassar o papel, mas agora olhando para o teto. Então o rapaz piscou e limpou a garganta.
— Aonde iam de verdade? — Soul quebrou o silêncio, olhando de Lydia para Alice.
— Íamos até a clínica. — Alice foi objetiva e por isso recebeu olhares feios de Lydia. — Íamos procurar por Anonimato. Ou Enzo, se preferir.
Centenas de palavras vieram na ponta da língua de Soul naquele instante. Ele estava pronto para fazer um discurso de como aquilo era errado, inconsequente, imaturo, burro e perigoso. Porém, ele manteve-se quieto, pegou sua jaqueta jeans azul que estava em cima do sofá e a vestiu; então pegou suas chaves em cima do criado mudo.
— Eu vou com vocês. — Soul concluiu, enquanto caminhava até a porta e abria. Olhou para trás. — Vamos.
**
A entrada era bonita, havia um grande portão branco que dava passagem para um belo jardim, com um chafariz no centro e vários bancos de pedra. Havia alguns pacientes zanzando por ali, tomando ar fresco acompanhados de enfermeiros. Um estreito caminho de pedras indicava a direção da entrada da clínica, então os três seguiram.
A primeira visão do hospital psiquiátrico são os longos corredores. Eles ficam bem de frente para a grande porta de entrada. Lydia tentou enxergar o final deles, mas não conseguiu, pareciam demasiados distantes. Os três entraram e sentiram uma pontada de anseio. Eles se viraram para a recepção, viram duas mulheres atrás de uma bancada, defronte havia várias mesas, algumas com jogos e outras com livros. Havia também sofás, poltronas e muitas plantas. Parecia um ambiente confortável. Era silencioso e harmônico. Alguns pacientes estavam dispersos em atividades outros observavam os aquários que preenchiam as prateleiras junto com os livros.
Do outro lado do hall haviam salas, todas nomeadas: “médicos dirigentes”; “sala dos enfermeiros”; “depósito”; “zelador”.
— Westin Hills. — suspirou Soul. — Não parece tão ruim.
Uma das mulheres da recepção começou a observar os três e Lydia percebeu.
— Estão nos olhando.
Alice assentiu sutilmente, mas Soul começou a ficar nervoso.
— Ok, nós estamos aqui. Mas como vamos chegar até ele? — Soul indagou.
Alice começou a apertar os próprios dedos e observar ao redor, então percebeu que na parte superior da entrada dos corredores havia placas: “corredor 1: A – M” “corredor 2: N – Z”. Desviou o olhar para a porta com os dizeres “sala dos enfermeiros” que no mesmo instante foi aberta e três homens com uniformes de hospital deixaram a sala, que ficou vazia. Alice virou para Soul e Lydia.
— Distraiam-nas. — apontou sutilmente com a cabeça para as recepcionistas que já os observavam. — Eu vou fazer uma coisa e quando eu voltar preciso contar com a inteligência de vocês pra bolar uma história, ok? Eu vou desmaiar e vocês precisam dar um jeito para que eles me coloquem num quarto, lá dentro.
Alice olhou incisivamente em direção do corredor 1.
— Quê? — Lydia e Soul questionaram em uníssono.
Alice inspirou e expirou devagar, dando passos pra trás.
— Eu sei o que fazer, eu vou pegar o que precisamos. Confiem em mim.
Soul segurou o braço de Lydia.
— Isso é loucura. — ele negou em desaprovação. — Não podemos deixá-la sozinha.
— Lydia, acredite em mim, é a nossa única chance. — Alice olhou a prima com súplica nos olhos.
Lydia negou devagar e arrastou Soul consigo em direção à recepção. Alice os observou de longe, Soul esperneava tentando argumentar, Lydia o ignorou. Quando chegaram à bancada de recepção começaram a conversar com as recepcionistas que franziam o cenho de vez em quando. Alice observou por mais alguns segundos até se sentir segura e foi de mansinho dando passos pra trás, até encostar as costas na porta da sala dos enfermeiros, então se virou e entrou na sala com rapidez, fechando a porta vagarosamente.
— Meu Deus, isso é tão errado. — seu coração estava acelerado. — Alice, calma, calma, faça o que tem que fazer.
Então ela começou a observar a sala. Uma longa mesa no centro com vários papéis, alguns saquinhos de medicamento e planilhas. Havia quadros de horários pendurados nas paredes e dois grandes arquivos de ferro usados para guardar documentos, cada um com seis gavetas. Alice se aproximou do segundo arquivo e parou o olhar em sua segunda gaveta que dizia: “corredor 1: A – M”. Suas mãos estavam trêmulas, mas isso não a impediu de puxar a gaveta, dento dela havia diversos papéis anexados uns aos outros, Alice pegou alguns deles e todos eram fichas. Fichas de pacientes com o nome de A até M, todos estavam situados em quartos no corredor 1. No fundo da gaveta Alice encontrou um molho de chaves, e sorriu.
— Bingo. — ela enfiou as chaves num bolso interno da jaqueta e fechou a gaveta.
Alice se aproximou de uma janela que dela dava pra ver a recepção e de leve mexeu nas persianas e viu que as recepcionistas continuavam distraídas e podia-se perceber que Soul falava muito rápido e fazia muitos gestos confusos.
— Droga, ele está nervoso.
Alice vagarosamente abriu a porta e saiu com rapidez da sala, e andando em uma direção contrária se aproximou da recepção. Ela conseguiu ouvir Soul falando algo sobre o Monte Everest e seu sonho de escalá-lo, mas houve silêncio quando Alice se pôs no meio de Lydia e Soul.
— Demorei pra achar o banheiro. — de repente sua voz se tornou manhosa e embargada, e sua face tomou uma expressão de tontura e náuseas. — Eu estou me sentindo... ah.
E Alice caiu no chão, com os olhos fechados. Soul e Lydia se ajoelharam automaticamente do lado dela, Lydia pegou a mão de Alice que a apertou em sinal de que estava bem.
— Vocês têm um quarto pra ela? Ela é anêmica... isso acontece sempre, ela só precisa descansar. Nossos pais já vão chegar, pediram para que a gente viesse antes enquanto eles compravam um... ahn... lanche. — Lydia soltou as palavras com rapidez. — Enfim, eles têm uma consulta marcada.
Uma das recepcionistas, seu crachá dizia “Tess”, fez sinal e um enfermeiro apareceu.
— Ponham-na num quarto para descanso. — ela disse para o rapaz e olhou Lydia e Soul. — Vocês vão me dar o número dos seus pais imediatamente.
O enfermeiro pegou Alice nos braços e num piscar de olhos ela já estava fora do campo de vista de Soul e Lydia, sendo carregada pelos rapazes, fingindo estar desmaiada.
Lydia arfou baixinho e apertou o braço de Soul.
— Soul, entregue o número dos nossos pais. — ela disse enquanto corria para fora do hospital. — Eu volto já.
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