Comensal da Morte
30 O Fim?
Notas iniciais
Ashley Mozart
Meu peito dói, tudo dói.
O simples ato de respirar machuca, e eu penso como seria um alivio fazer essa dor passar.
Pedro aperta sua mão na minha e me olha atentamente e com um carinho que é totalmente inapropriado para o meio em que estamos.
Tento retribuir seu olhar o melhor que posso, mas falho miseravelmente.
Não consigo sentir nada além do topor.
Só quero me sentar num canto e ficar sozinha. Mas receio não ser o momento, eu tenho que reagir. Tenho que tomar controle da situação, não posso me dar ao luxo de ficar em choque. Não posso baixar a guarda quando pessoas que eu amo continuam morrendo.
Respiro profundamente, um, duas e muitas outras vezes ate conseguir me levantar.
— A dor vai passar — Pedro garante me abraçando apertado contra seu peito — Eu estou aqui para você, não esqueça disso, eu te amo Ash.
Ele beija minha testa e eu suspiro.
Já é hora de tomar o controle da situação.
Seguro seu rosto num ato desesperado e prenso nossos lábios em um beijo um tanto rude.
— Vamos então, temos um cara de cobra para matar — falo decidida e Pedro concorda.
Ele da alguns passos antes de novamente eu o puxar para meus braços com o coração apertado.
— Eu amo você, não importa o que me aconteça hoje, nunca esqueça disso — falo e Pedro me olha.
— Nada vai te ....- paro suas palavras com outro beijo, dessa vez desesperado. Meu coração quebrado batendo o máximo que pode contra a caixa torácica.
— Não fale nada, apenas não esqueça — peço e ele concorda.
Finalmente o solto de meus braços e tomo uma atitude.
Saímos do corredor onde estamos e caminhamos para a morte.
Conforme andamos encontramos comensais e outros aliados de Voldemort.
Lançamos feitiços atras de feitiços, batalhamos e abrimos caminho até o Salão Principal.
Ele estava ali, lutando com James e Lily ao mesmo tempo e sorrindo como se estivesse se divertindo horrores.
E não duvido que tudo isso não fosse nada mais que diversão para ele.
Um feitiço passou raspando por minha cabeça e então lembrei que não era apenas Voldemort que estava naquele salão.
A destruição era tanta que eu não pisava sobre o chão, apenas em restos do que um dia foi o Salão Principal.
Corpos e pedaços do castelo estavam por toda parte.
Mesmo com tantos mortos, Voldemort tinha muitos aliados de pé.
Pedro atacava com fúria e eu segui seu exemplo.
Vi pelo canto dos olhos, professores e alunos lutando por suas vidas e pelo castelo.
Dando meu máximo ataquei comensal atras de comensal, com todo o meu ódio e rancor por eles.
Nesse momento me senti pior que eles, tirando vidas sem me importar com nada alem da minha dor. Abri caminho ate onde Lilian e James lutavam e ataquei Voldemort.
Ele me olhou nos olhos e apenas rio, como se eu fosse tão insignificante que não valesse a sua atenção.
Pedro se juntou a nos três com um grito de puro ódio.
Voldemort rio novamente.
— Ora ora, se não é o meu fiel comensal — disse com sarcasmo escorrendo dos lábios.
— Eu não sou nada seu! — gritou Pedro.
Voldemort apenas rio.
Como ele continuava tão tranquilo com quatro pessoas lutando com ele? Como não demonstrava nada além de confiança?
Suspirei e ataquei novamente.
Lutamos por minutos incontáveis que pareciam não passar, atacando com fúria e dando o máximo nosso.
Até que ele me desarmou.
Arfei.
Vendo o medo em meu rosto, ele sorrio satisfeito e me atacou.
Mas Pedro lançou um feitiço de proteção que desviou o ataque.
— Não ouse machucá-la seu desgraçado!
— Lily! — James gritou e eu virei o rosto para ver Lily caída no chão e inconsciente.
Não!
Mais uma amiga não! Mais ninguém vai morrer!
Dei um grito de ódio e me abaixei pegando a primeira coisa aos meus pés.
Um pedaço razoavelmente grande do que eu imaginei ter sido de alguma parede do salão.
Atirei com toda minha força contra Voldemort que estava distraído.
A pedra acertou seu ombro esquerdo e ele me olhou com tanta raiva, que pela primeira vez vi a burrada que fiz.
Vi como estávamos perdidos, não tínhamos chances contra ele.
Nunca venceríamos a guerra.
Minhas pernas tremeram e pensei que seria meu fim.
Mas não, ele sorriu diabolicamente e apontou a varinha para meu lado direito.
Que merda ele está fazendo? Não pode ser ruim de mira assim, eu estou aqui..
Com o choque do pensamento vi o que ele pretendia.
Ele ia atacar Pedro, ele ia matar meu Pedro por minha causa!
Não!
Enquanto o feitiço saia de seus lábios contorcidos num riso louco, me joguei sobre Pedro, sem pensar nas consequências.
Apenas fiz.
Então eu senti, o feitiço bateu em minhas costas e tudo ficou escuro.
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Pedro Pettigrew
Ashley estava em meus braços.
Sua pele ainda quente sobre a minha.
Seu rosto parado numa expressão de determinação, seus lábios uma linha fina.
Seus olhos sem brilho.
Seu coração parado.
Eu estava em choque.
Ela não pode ter ido assim!
Ouvi a gargalhada de Voldemort.
— Olha que pena, perdeu a namoradinha Pedro? — ele disse sorrindo e desviando um feitiço de James.
Lily estava desacordada ainda, mas seu peito subia e descia lentamente.
Olhei novamente para Ash e as lagrimas tomaram meu rosto. Meus olhos se embaçaram e minha garganta parecia preste a fechar.
— Pedro! Reaja! — James gritou ainda duelando arduamente contra Voldemort.
Eu tentei, tentei mesmo reagir, mas só conseguia chorar pela minha dor.
Apenas o mesmo egoísta de sempre, todos estão sofrendo também!— gritou minha consciência.
Respirei fundo, beijei a testa de Ashley e a coloquei com cuidado no que um dia foi o chão do Salão Principal.
Não limpei minhas lagrimas, não fazia sentido, elas não sessariam tão cedo.
Apenas ataquei junto de James.
Com minha dor me controlando e sendo substituída aos poucos por raiva, rancor, uma sede ainda maior de vingança.
Lancei os piores feitiços que conhecia, não me importando com nada além da minha vontade de ter o corpo de Voldemort em pedaços aos meus pés.
Conforme atacava, ia me aproximando dele.
Vi quando ele tirou o sorrisinho daquele rosto imundo, vi quando ele deu passos para trás. Vi também quando seus olhos encontraram com os meus e reconheci quando algo semelhante ao medo passou por eles.
Continuei atacando junto de James, lancei um feitiço que o acertou no peito. Prongs nos protegeu contra seu ataque.
Vi seu sangue pingar no chão e então eu sorri diabolicamente.
— Espero que você goste de calor — falei com a garganta áspera — Pois no inferno você vai queimar muito.
Ele sorriu e tentou atacar novamente.
Desviei facilmente seu ataque, ainda consumindo — me pelo ódio.
Lancei meu ultimo feitiço junto de James.
— Avada Quedavra!— gritamos juntos, como um só.
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