Come back to me

5 Needing Stitches


“And I simply needed space, space for me to be” Someone New — Banks

[2:12 P.M.]

— Que demora baixinha! – foi a primeira coisa que ouvi ao a porta da casa se abrir e mostrar um Dylan sorridente.

— Resolvi tomar banho antes de vir. – apontei para meu cabelo ainda molhado. – Estava cheirando fritura. Fiz batata para o almoço e o cheiro impregnou. – sem ao menos ser convidada entrei na casa, já acostumada.

Comecei a subir as escadas indo encontrar Gemma deixando Dylan para trás.

— Ela acabou de entrar no banho. – soltei o ar sabendo que ela demoraria. — Sabe Liz, queria conversar com você. – ele se aproximou de mim coçando a nuca sem jeito.

O assunto não era sobre o que ele passou, e sim sobre nós. O Dylan era transparente para mim, conseguia lê-lo facilmente. Mesmo sentindo minhas mãos suarem e uma voz no consciente gritar por “não”, assenti e fomos ao seu quarto.

Senti meu estomago remexer ao voltar lá depois de anos, nossas lembranças pairavam por aqui. Percebi que ainda guardava a foto que tiraram nossa dormindo juntos.

Eu adorava essa foto.

— Vamos deixar para outro dia Dylan, melhor... – me virei batendo sem querer em seu peito, não tinha reparado como ele havia crescido nesse tempo.

— Por favor. – sussurrou me fazendo erguer a cabeça até encontrar aquelas duas esmeraldas.

Ficamos em silencio. Grudados.

Ele entrelaçou minha cintura e pude sentir meu corpo se arrepiar por inteiro. Fechei os olhos e pousei minha mão em seu peito. Um cheiro de menta estava cada vez mais forte.

Pela segunda vez no dia o analisei. Como se Dylan fosse quebrar a qualquer movimento brusco, passei meus dedos lentamente por sua têmpora parando em sua bochecha rosada. Desci para sua boca e a contornei. Por fim parei em sua mandíbula bem marcada.

— Me beija, pelo amor de Deus.

E assim fiz.

Senti seu desespero por mim. Seus sentimentos eram tão intensos que por um instante fiquei atordoada. Caminhamos um pouco e ele me prensou na parede de seu quarto. Puxei delicadamente seus cabelos interrompendo por segundos tudo aquilo.

Enquanto um sorriso se formava em seu rosto, em minha mente se formava um nó.

Antes que voltássemos a cometer aquele erro, o empurrei saindo de perto dele.

— Não deveríamos ter feito isso. Definitivamente não. – disse andando de um lado para o outro, ouvi a risada abafada de Dylan e ele andou até mim. Levantei a mão o impedindo, parando-o em uma distancia consideravelmente sem risco.

— Qual é Liz, para com isso. Vai me dizer que não sen...

— Não. – o interrompi, e ele me olhou assustado. Não consegui terminar de falar, me sentia dopada. Algumas sílabas saiam mas nenhuma frase concreta.

Novamente havia um o oceano entre nós só que desta vez não era fisicamente. O clima então se tornou frio, junto com seu olhar. Ele se virou para a janela e de longe pude ouvir alguns suspiros.

Dylan chorava.

Caminhei em passos pequenos e silenciosos, até chegar a ele. Respirei fundo me odiando por ser culpada de tudo.

— Entenda Dylan, eu... – sendo sua vez de me interromper, ele se virou me encarando com os olhos vermelhos.

— Que você não me quer? Já entendi muito bem.

Abaixei a cabeça sem graça por tudo aquilo.

— Eu estou bem sozinha Dylan. Finalmente percebi isso. Gosto da minha vida assim, como está.

— Você gostar de estar sozinha? Essa é nova. – seu tom debochado me deixou furiosa. Odiava admitir isso mas ele estava certo, quando estávamos juntos implorava para que nunca me deixasse sozinha, mas depois de um tempo aprendi que era a melhor coisa.

— Pare de piorar as coisas.

— Lisa, você me beijou e depois vem dizer essas coisas. Quer que eu fique como?

— Você ficou fora por quase três anos e espera que tudo seja como antes? A vida não para Dylan, estamos em constantes mudanças. – meu tom estava um pouco mais alto que o normal. – Foi para França com intenções de ficar apenas alguns meses, depois de três você me ligou dizendo que ficaria mais dois, e depois mais cinco. Quando se tornou um ano eu já esperava você me avisando que ficaria mais, e isso se tornou dois anos e oito meses, até que você voltou sem dizer nada. Eu não te esperaria para sempre Dylan.

Antes de responder, ouvimos batidas na porta e ao virarmos encontramos Gemma entrando no quarto. Sua atenção se alternava entre mim e seu irmão.

— Está tudo bem por aqui? Ouvi gritos.

— Sim, fica tranquila. Depois conversamos, vou pra casa. – fui indo em direção à porta.

— Não vai não. – levantei a sobrancelha ao ouvir um Dylan extremamente seco. – Só vamos terminar esse assunto. Preciso falar uma coisa.

— Já falamos o bastante, não acha? – perguntei extremamente cansada mentalmente. Odiava DR, ainda mais quando eu não tinha nenhuma relação.

— Só me escuta. – ele pegou minha mão e me levou até sua cama, ao sentar vi que Gemma não estava mais no quarto. — Sinto muito por tudo isso, sei que errei. Não fique brava comigo, não tenho saudades apenas de você fisicamente mas também da sua amizade, ficar em França sem ela não me fez bem.

Ele mantinha seus olhos fixos no chão, e suas pernas balançavam de tão nervoso que estava. Sua fragilidade mostrava que o Dylan de anos atrás ainda estava naquele corpo escultural.

Coloquei minha mão encima da sua e soltei um pequeno sorriso quando seus olhos molhados me encararam.

— Nossas brigas nunca nos afetaram, e não será agora que irão afetar. Mesmo depois de bom tempo.

Fui pega de surpresa ao seus braços me cobrirem inteira. Dylan me abraçava forte na maior pureza possível.

Não estava entendo muito bem seu desespero. Chorávamos abraçados, mas ele chegava a soluçar. Acariciei seus cachos, pedindo para que ele se acalmasse.

Lembrei da conversa de ontem que tive com Gemma e Trisha, delas falando que estava sendo difícil para ele. O apertei mais forte a cada palavra que repassava em minha mente.

— Está tudo bem Dyl, está tudo bem. Estou aqui... – sussurrei tentando me equilibrar agora com seu peso todo em cima de mim.

Ao retomar o folego para responder, meu celular apitou com uma mensagem olhei a tela vendo que era de James. O faria esperar um pouco mas Dylan insistiu para que eu respondesse. Pedi um segundo desbloqueando a tela e lendo o que havia me mandado.

“Não vou na noite da pizza, machuquei o pé com o skate.”

Bati na testa ao perceber que esqueci que sairíamos com Gemma e Ethan hoje para comer pizza.

“Burro.”

Ri e coloquei o celular entre as pernas até que ele respondesse. Voltei minha atenção a Dylan que mexia em suas cutículas, deitei a cabeça encima de suas mãos recebendo uma risada. Seu rosto já estava seco e sua respiração mais calma.

— Quem era?

— O James, tínhamos marcado uma noite da pizza com Gemma e Ethan mas ele cancelou. – expliquei e o garoto franziu a testa.

— Ela me falou desse Ethan, estão próximos demais. – Dylan resmungou se endireitando mega emburrado, ri enfiando a cara em sua barriga.

— Larga de ciúmes, sua irmã já tem idade para sair com outros caras. – parecia que havia falado que a terra era quadrada, pois sua incredulidade era muito grande. – Para com isso. – ri o empurrando.

— Só estou cuidando da minha irmãzinha. – ele cruzou os braços fazendo bico.

— Ela não tem mais 10 anos, muito menos você para fazer tudo isso. – levantei pegando meu celular para ver se James havia respondido.

“Trouxa.”

Não tinha escutado o toque do celular avisando que a mensagem tinha chego, mas ele não se importaria, James sabia que não vivo grudada no celular.

“Sobra mais pizza.”

— Também quero. – ouvi a voz de Dylan ao meu lado, ele lia as mensagens.

— Curioso e intruso você.

— Obrigada. – sorriu orgulhoso. – Vamos que horas? Como? Aonde?

— Ow ow ow! Não falei que sim...

— Nem que não. – ele bateu com o indicador na ponta do meu nariz. Rolei os olhos sabendo que ele não desistiria tão fácil, além de que eu não via problema em ele ir.

— Ta bom Sr. Wood, esteja às oito horas em minha casa com sua irmã. Íamos de carro mas agora pedimos lá em casa.

— Seu amigo tem um carro agora? – perguntou brincalhão.

— Para você ver, agora tenho chofer. – joguei meu cabelo para trás fazendo-o rir.

— Como o Watson está?

— Indo. – suspirei. – As coisas não andam muito bem em sua casa, o pai dele é muito ausente por conta do trabalho, e James culpa a mãe. Cansei de dizer que ela não tem nada a ver com isso, mas ele não me escuta.

— É complicado quando o assunto é pai e mãe.

Senti que aquilo tinha a ver com o que sua irmã me contou, retomei o ar nervosa por voltar no assunto tão delicado para ele.

— Por que estava chorando tanto? Aconteceu alguma coisa por lá Dylan? – sentei no chão ficando na altura de seus joelhos. Peguei suas mãos tomando sua atenção. Seu olhar caiu transparecendo uma magoa que pude sentir nitidamente. Algo estava errado, muito errado. – Você está me deixando nervosa Dylan, pelo amor de Deus. – senti uma lagrima escorrer no canto do meu rosto.

— Por favor, esquece isso. – um vento gelado passou pelo meu corpo ao ver seus olhos marejados. Limpei a garganta e apenas assenti concordando com sua vontade.

Encostei a cabeça em sua coxa enquanto ele fazia carinho em meu cabelo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.