“So we gon’ dance until we drop” A Little Party Never Killed Nobody -Fergie

San Francisco – Segunda, 3 de Setembro [03:16 A.M.]

Meu corpo balançava conforme as batidas de uma música completamente desconhecida por minha pessoa, eu era seguida por Gemma que diferente de mim sabia de cor a letra. Fechei meus olhos quando a parte lenta começou, enquanto meu tronco ia para um lado meu bumbum ia para o outro rebolando. Sorri quando a música voltou com tudo, dei mais um gole na minha cerveja, terminando-a.

— Vou ao banheiro. Quer ir? – percebi que minha língua já enrolava um pouco por conta de tanta bebida.

— Pode ser. – ela assentiu indo comigo mas antes de dar o segundo passo começou a tocar outra musica que eu também desconhecia e que também Gemma conhecia pois soltou um gritinho animada. – Desculpa Liz, mas vou ter que ficar. É MAROON 5 GENTE! – seus olhos brilharam e sem mais delongas me deu as costas voltando para onde estava.

Comecei a rir indo em sentido ao banheiro, afinal conhecia a casa como se fosse minha. Revirei os olhos com esse pensamento e ao tentar abrir a ponta, vi que o banheiro estava ocupado.

— Desculpa. – disse um pouco alto por conta da musica, mas após um tempo escutei um gemido tão alto que senti vergonha alheia.

Não sabia se ria da situação ou chorava por quase estar fazendo xixi em mim mesma. Lembrei que havia outro banheiro no andar de cima para convidados mas ao chegar lá encontrei um menino vomitando agarrado a privado.

— AI MEU DEUS! – gritei apavorada ao ver a pior cena da minha vida, o menino me olhou meio mole com os olhos bem arregalados. Reparei que tinha um pedaço de comida em seu lábio inferior e por um minuto achei que seria minha vez de vomitar. Tampei os olhos com minhas mãos e virei-me de costas. – Só não te ajudo porque eu passaria mal também, mas fica tranquilo ta bom? Vou chamar alguém para te ajud...

— Não precisa Liz, já estou fazendo isso. – ouvi a voz de Dave e ao olhar para o inicio do corredor pude ver que trazia um copo de água.

— Tudo bem então. – dei um sorriso e desejei boa sorte para o menino ainda de costas para ele, que continuava vomitando. – Aproveitando que está aqui, posso usar seu banheiro? – perguntei para Dave meio sem graça e ele assentiu.

Corri para seu quarto entrando com cautela para não encontrar outra cena desagradável. Ao confirmar que só tinha eu no cômodo voltei a correr para o banheiro já descendo a calcinha e por milésimos não faço fora da privada.

— Isso é muito bom. – sussurrei rolando os olhos de prazer ao sentir minha bexiga aliviar.

Secando as mãos molhadas na toalha de rosto, analisei meu vestido de pedrinhas rosa. Ele possuía um decote significativo para minha mandala tatuada entre os seios aparecer. Seu comprimento batia um pouco a cima da metade das coxas e suas alças fininhas deixavam o vestido um pouco menos ousado.

— Perco cinquenta minutos da minha vida para te enrolar e depois de duas horas você já estar voltando ao normal. Não sei como insisto. – resmunguei olhando para meu cabelo através do espelho.

Os cachos que fiz para vir para a festa já desmanchavam. Gemma sempre diz que fico com cara de mais velha com cabelo assim e concordo um pouco com ela, mas no meu estado atual mais minha maquiagem, eu voltava a ser a Lisa de dezessete anos.

Sai do banheiro decidida a sentar um pouco na cama para descansar os pés que gritavam por socorro, ficar em pé com um scarpin de quinze centímetros a noite toda é resultado de muitas festas. Retirei os saltos e me estendi pela cama soltando um suspiro de alivio.

— Lisa Salazar cansada? Isso é novo pra mim. – Dave se jogou ao meu lado me fazendo dar um pulo de susto.

— Quase morri aqui, mas tudo bem... – coloquei a mão no peito sentindo a artéria pulsar, sua risada saiu abafada e ao olhar para o lado vi que seu rosto estava entre os travesseiros. – Foi mal Parker mas ela estava me chamando e meus pés estavam pedindo.

— Imagino. – nisso um silencio constrangedor se formou entre nós.

Por mais que nosso relacionamento seja o mais saudável possível, estar deitada na cama do seu ex com ele do lado sabendo que já fez loucuras nesse quarto, não é muito legal.

Namorei Dave por quase um ano, foi o suficiente para nos conhecermos perfeitamente bem. Tenho certeza que nosso relacionamento teria durado se eu não estragasse tudo. Eu gostava de Dave mas não era apaixonada por ele e quando não se tem amor, não se tem nada. Quando terminei, ele compreendeu meu lado e seguimos como amigos. Cuidamos um do outro e temos um carinho enorme um pelo outro, quebrando esse ditado de “ex bom, é ex morto”.

— Está linda hoje. – Dave encerrou o silencio.

— Obrigada, mas é natural. – brinquei mostrando a língua para ele que riu rolando os olhos. – Ei, essa mania é minha! – apontei para seu rosto e seu sorriso sapeca se formou como de costume, era a coisa mais fofa.

Seus olhos azuis piscina estavam ternos, suas bochechas ficaram coradas ressaltando suas sardas que combinavam com a barba ralinha e seu cabelo loiro queimado.

— Não me olhe assim se não, não serei responsável pelos meus atos. – ele sussurrou.

Em um pulo levantei, calçado os saltos de veludo bege tropeçando em meus próprios pés. Se não fosse por Dave, estaria de cara no chão.

— Obrigada. – sorri sem graça e sai do seu quarto.

Desci as escadas procurando meus amigos e ao chegar na cozinha encontrei Gemma conversando com James. Abri a geladeira pegando a garrafa de vodca e colocando um pouco em um copinho de shot de plástico que estava empilhado na ilha. Sem pensar enfiei tudo na boca sentindo minha garganta queimar.

— AMÉM. – gritei levantando o copo e todos que estavam por perto fizeram o mesmo. Coisa do colegial.

— Ressurgiu das sombras querida? – Gem aparentava estar mais bêbada do que já estava quando a deixei.

— Nem vou me dar o trabalho de responde-la. – virei-me para James o abraçando.

— Vamos lá para fora? Queria fumar um cigarro antes de irmos. – o garoto pediu, assenti sentindo nossos dedos entrelaçarem antes de irmos para fora da casa. – Aqui é melhor. – sentamos em um banquinho embaixo de uma árvore.

Acompanhava seus movimentos curtos, entre pegar uma caixinha do bolso e retirar dela um cigarro com isqueiro, o acendendo ao coloca-lo na boca.

— Está quieta, aconteceu alguma coisa? – James perguntou passando o braço em minha cintura, me aninhei em seu corpo encaixando a cabeça em seu pescoço.

— Aconteceu. – suspirei recebendo um olhar preocupado, sorri o tranquilizando voltando a posição de antes. – Ultimo dia de férias.

— Paaaaara! – ele brincou arrastando a palavra. – Pense que hoje é Labor Day, pense nos operários que lutaram por isso! – sua voz era encorajadora, mas era o James que falava não tinha como não rir. – Está rindo dos pobres trabalhadores? – não aguentei e soltei uma gargalhada, James se divertia com isso.

Continuamos nossas brincadeiras até que ele jogou a bituca na grama, fiquei meia hora procurando mas não achei aquele maldito cigarro. Voltamos para a festa discutindo sobre o quão ruim aquela atitude foi.

— Qual é Lisa, você sabe que o Dave vai limpar tudo de tarde, não precisa disso tudo. – isso era o que ele mais respondia, mas depois de quinze minutos discutindo entramos no consenso que por mais que a bituca fosse retirada de lá, ele nunca mais faria aquilo.

— Estamos indo minha querida. – enrolei meu braço no de Gemma ao encontra-la bebendo um copo com uma bebida super fedida enquanto analisava as unhas.

Carreguei a bêbada mirim para o Escape preto de James já parado lá fora a nossa espera, e o caminho todo tivemos que aguenta-la cantando/gritando Rihanna. Ela tentava fazer seus agudos que por um segundo me fazia acreditar que eu já estava surda.