Notas iniciais
Olá leitores do Nyah, bem esse é meu primeiro post por aqui, se bem que tenho essa conta desde 2016, mas só agora resolvi ser mais ativa por aqui. Aos poucos vou postando novas histórias que tinha no site da concorrência, espero que gostem e boa leitura.

— Eu vou realizar um desejo seu, o que você deseja mais do que tudo? – Uma figura angelical perguntou entre as nuvens presentes para um garotinho de vestes esverdeadas com um bule de chá na cabeça como ele mesmo fala para se remeter a um elefante.

O pequeno Gregory, também chamado de Greg, tinha salvo aquele paraíso desconhecido do chamado “Vento Norte” e recebia um desejo como forma de agradecimento da chamada Rainha das nuvens.

— Olha – pensou por uns instantes o menino – Eu deveria ser um bom líder mas eu não sei como voltar pra casa, você sabe?

— É claro, se você desejar posso lhe mandar pra casa de volta – disse a Rainha e ambos sorriram.

— Ótimo, eu vou chamar o Wirt! – Greg se animou e estava prestes a ir atrás de seu irmão mais velho, até que a rainha o interrompeu.

— Eu sinto muito Gregory, mas o Wirt não pode ir com você, ele está perdido. – Ela com sua varinha de condão mostra ao garoto, Wirt dormindo debaixo de uma árvore, tranquilo.

Greg se espantou

— Mas...tudo pode ser possível se você se dedicar, não é? – perguntou.

— Está vendo como a mata de Edelwood está crescendo em volta dele? A Fera já o dominou.

Ao mesmo tempo que dissera isso, ambos viram como uma galhos e folhas cresciam cada vez mais ao torno do corpo de Wirt fazendo com que o prendesse mais e mais, como se não estivesse preso o suficiente naquele lugar sombrio. Greg então cabisbaixo pensou em tudo que passaram até ali, não ter sido útil o suficiente.

— Poxa, eu deveria ter sido um líder melhor, eu embananei de novo como sempre e agora estamos presos aqui – pensou por alguns segundos – Não tem nada que eu possa fazer?

— Lamento Gregory – a rainha das nuvens fechou os olhos com tristeza – O destino do Wirt está nas mãos da Fera agora.

Isso fez Greg pensar mais sobre o irmão, desde que chegaram naquela floresta tentado achar o caminho de volta para casa e por culpa dele estavam mais perdidos do que nunca, seu meio irmão para ser mais exato, estava sem um fio de esperança, lembrou da frase que ele disse em alto e bom som.

“...Por acaso você se lembra porquê a gente se perdeu? Foi porque você estava de brincadeira e se metendo em encrencas como sempre!”

Ele tinha que fazer alguma coisa para isso terminar, ele estava livre mas Wirt não poderia ir junto, sua descrença despertou o interesse da Fera em transformá-lo em uma das árvores de Edelwood presentes na mata. Então, só tinha algo a fazer, uma decisão difícil, mas era a única maneira de fazer algo pelo seu meio irmão.

— Então eu já sei o que desejo. – Greg fez movimento das mão para que a rainha aproximasse seus ouvidos e cochichou para ela.

“Eu desejo que meu irmão seja livre e que eu esteja no lugar dele”

— Tem certeza? – A rainha perguntou e Greg assentiu.

— Pois então assim será. – Com um olhar triste, ela realiza o desejo vindo do menino, era a decisão corajosa porém arriscada para ele, porém Greg tinha em seu coração a força de vontade para salvar o meio irmão.

(...)

De volta a floresta, a neve caia como a forma de boas vindas do Inverno, Wirt se encontrava ainda adormecido com galhos enrolados por todo o corpo, tremendo um pouco e virando de um lado para o outro de vez em quando. Greg o observou com um olhar preocupado antes de falar.

— Wirt?

— Estou tentando dormir. – resmungou Wirt virando para a esquerda

— Tá bom...pode ir dormir, você pode cuidar do Ronald pra mim? – Perguntou se referindo ao seu sapo com um tom cabisbaixo. – Tá bem, eu tenho que ir, adeus Wirt. – Greg se despediu entrando mata a dentro ao encontro de uma silhueta escura que trajava uma capa rasgada e tinha galhos na cabeça.

— Sim, venha Gregory, temos muito o que fazer. – A Fera falou de maneira convidativa.

— Então você pode conseguir um jeito de nós mandar pra casa, não vai?

— É claro, só venha comigo e lhe direi o que fazer minha criança

Ambos caminhavam pela escuridão da mata e passos marcados na neve , ambos cantavam uma música que para uns era de meter medo e para a Fera, uma sinfonia de seu paraíso negro.

Venha, almas rebeldes

E vagar pela escuridão

Há uma luz, para os perdidos e os mansos

Tristeza e medo são facilmente esquecidos

Quando você se submete ao solo da terra

— GREG! GREG! – A voz de Wirt ecoou por toda a floresta chamando por seu nome, ele estava ainda triste, porém aquela figura negra transmitia que eles poderiam enfim estar em casa logo.

— Não preste atenção nisso, caro Gregory, tenho algo simples que você tenha que fazer para enfim voltar pra casa. – disse a Fera.

— E o que é?

— Tudo o que você precisa fazer é me trazer dois objetos: um favo de ouro e um carretel de vintage.

— Entendido, senhor capitão! – O garoto faz um saludo militar e marcha à procura desses objetos, a Fera deu um riso fingindo achar graça naquilo.

(...)

Algumas horas se passaram, toda a mata estava coberta pelo manto branco da grande nevasca que caía, no meio dela um passarinho fêmea de cor azul voava com pressa, sem enxergar nada até que viu Greg e a figura escura

— Consegui o favo de ouro.

— Isso daí é um favo de mel.

— Favo de mel dourado – disse rindo apesar de estar com olheiras por ter ficado o tempo todo a procura dos objetos pedidos pela Fera. No mesmo instante a passarinha, cujo seu nome era Beatrice reconheceu seu amigo perdido.

—Greg? – tentou voar para mais perto mas a tempestade a impediu e o vento a levou para longe – Greg!

Mais uma vez, Greg ouviu outra voz o chamando, porém a Fera o fez voltar para o foco de enfim seu objetivo ser realizado.

— Não preste atenção Gregory, você trouxe o que eu pedi: um favo de ouro e um carretel de vintage.

— Isso é só uma teia de aranha enrolada em um graveto – corrigiu apontando para o objeto.

— Agora eu quero o Sol.

— O Sol? – Perguntou desconfiado.

A Fera então tira uma xícara de chá a jogando no chão , rolando em direção ao Greg e ele e a pega em seguida.

— Aqui, tire o Sol do céu, e o guarde nessa xícara. – explicou

— Hm? Isso me parece impossível. – disse Greg

— Tudo é possível se você se dedica não é mesmo? Mas rápido o Sol já vai se pôr e então...

Antes que completasse a frase, O menino pensou em uma brilhante ideia, com a xícara em mãos, andou cantarolando até um tronco de madeira cortado em direção ao pôr do sol e a posicionou de maneira que ficasse debaixo dele.

— Tá vendo? O velho Sol vai descer direto pra essa xícara aqui. – explicou detalhadamente como iria funcionar.

— Você conseguiu? Eu pensei que iria desistir – questionou a Fera.

— Desistir? Eu nunca vou desistir – disse Greg confiante, com o frio que fazia de ajoelhou diante do tronco e manteve as mãos aquecidas – É só esperar.

A Fera olhou atentamente a ele, seu plano seguia como o esperado, viu que sua vítima estava com os olhos fechados e só via o Sol se pôr aos poucos, em seguida cantou novamente baixinho a mesma canção que cantou para ele.

Venha, almas rebeldes

E vagar pela escuridão

Há uma luz, para os perdidos e os mansos

Tristeza e medo são facilmente esquecidos

Quando você se submete ao solo da terra

Aos poucos, Greg foi caindo em um sono profundo com aquela música, era persistente até demais, mas com a voz da Fera ele apagou rapidinho, daí galhos começaram a brotar do solo o envolvendo por completo até chegar em um formato de uma árvore , seu corpo tinha sido tomado por raízes, troncos e folhas, estava quase lá, tornando se mais uma árvore de Edelwood e produzindo mais óleo necessário para o lampião carregado pelo Senhor da Mata.

Cresça, pequena semente

Você é chamado para as árvores

Levante-se até que suas folhas encham o céu

Até que seus suspiros encham o ar durante a noite

Levante seus poderosos membros

E louve o fogo

Fim

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