Come Wayward Soul
1 Capítulo 1
Notas iniciais
— Eu vou realizar um desejo seu, o que você deseja mais do que tudo? – Uma figura angelical perguntou entre as nuvens presentes para um garotinho de vestes esverdeadas com um bule de chá na cabeça como ele mesmo fala para se remeter a um elefante.
O pequeno Gregory, também chamado de Greg, tinha salvo aquele paraíso desconhecido do chamado “Vento Norte” e recebia um desejo como forma de agradecimento da chamada Rainha das nuvens.
— Olha – pensou por uns instantes o menino – Eu deveria ser um bom líder mas eu não sei como voltar pra casa, você sabe?
— É claro, se você desejar posso lhe mandar pra casa de volta – disse a Rainha e ambos sorriram.
— Ótimo, eu vou chamar o Wirt! – Greg se animou e estava prestes a ir atrás de seu irmão mais velho, até que a rainha o interrompeu.
— Eu sinto muito Gregory, mas o Wirt não pode ir com você, ele está perdido. – Ela com sua varinha de condão mostra ao garoto, Wirt dormindo debaixo de uma árvore, tranquilo.
Greg se espantou
— Mas...tudo pode ser possível se você se dedicar, não é? – perguntou.
— Está vendo como a mata de Edelwood está crescendo em volta dele? A Fera já o dominou.
Ao mesmo tempo que dissera isso, ambos viram como uma galhos e folhas cresciam cada vez mais ao torno do corpo de Wirt fazendo com que o prendesse mais e mais, como se não estivesse preso o suficiente naquele lugar sombrio. Greg então cabisbaixo pensou em tudo que passaram até ali, não ter sido útil o suficiente.
— Poxa, eu deveria ter sido um líder melhor, eu embananei de novo como sempre e agora estamos presos aqui – pensou por alguns segundos – Não tem nada que eu possa fazer?
— Lamento Gregory – a rainha das nuvens fechou os olhos com tristeza – O destino do Wirt está nas mãos da Fera agora.
Isso fez Greg pensar mais sobre o irmão, desde que chegaram naquela floresta tentado achar o caminho de volta para casa e por culpa dele estavam mais perdidos do que nunca, seu meio irmão para ser mais exato, estava sem um fio de esperança, lembrou da frase que ele disse em alto e bom som.
“...Por acaso você se lembra porquê a gente se perdeu? Foi porque você estava de brincadeira e se metendo em encrencas como sempre!”
Ele tinha que fazer alguma coisa para isso terminar, ele estava livre mas Wirt não poderia ir junto, sua descrença despertou o interesse da Fera em transformá-lo em uma das árvores de Edelwood presentes na mata. Então, só tinha algo a fazer, uma decisão difícil, mas era a única maneira de fazer algo pelo seu meio irmão.
— Então eu já sei o que desejo. – Greg fez movimento das mão para que a rainha aproximasse seus ouvidos e cochichou para ela.
“Eu desejo que meu irmão seja livre e que eu esteja no lugar dele”
— Tem certeza? – A rainha perguntou e Greg assentiu.
— Pois então assim será. – Com um olhar triste, ela realiza o desejo vindo do menino, era a decisão corajosa porém arriscada para ele, porém Greg tinha em seu coração a força de vontade para salvar o meio irmão.
(...)
De volta a floresta, a neve caia como a forma de boas vindas do Inverno, Wirt se encontrava ainda adormecido com galhos enrolados por todo o corpo, tremendo um pouco e virando de um lado para o outro de vez em quando. Greg o observou com um olhar preocupado antes de falar.
— Wirt?
— Estou tentando dormir. – resmungou Wirt virando para a esquerda
— Tá bom...pode ir dormir, você pode cuidar do Ronald pra mim? – Perguntou se referindo ao seu sapo com um tom cabisbaixo. – Tá bem, eu tenho que ir, adeus Wirt. – Greg se despediu entrando mata a dentro ao encontro de uma silhueta escura que trajava uma capa rasgada e tinha galhos na cabeça.
— Sim, venha Gregory, temos muito o que fazer. – A Fera falou de maneira convidativa.
— Então você pode conseguir um jeito de nós mandar pra casa, não vai?
— É claro, só venha comigo e lhe direi o que fazer minha criança
Ambos caminhavam pela escuridão da mata e passos marcados na neve , ambos cantavam uma música que para uns era de meter medo e para a Fera, uma sinfonia de seu paraíso negro.
Venha, almas rebeldes
E vagar pela escuridão
Há uma luz, para os perdidos e os mansos
Tristeza e medo são facilmente esquecidos
Quando você se submete ao solo da terra
— GREG! GREG! – A voz de Wirt ecoou por toda a floresta chamando por seu nome, ele estava ainda triste, porém aquela figura negra transmitia que eles poderiam enfim estar em casa logo.
— Não preste atenção nisso, caro Gregory, tenho algo simples que você tenha que fazer para enfim voltar pra casa. – disse a Fera.
— E o que é?
— Tudo o que você precisa fazer é me trazer dois objetos: um favo de ouro e um carretel de vintage.
— Entendido, senhor capitão! – O garoto faz um saludo militar e marcha à procura desses objetos, a Fera deu um riso fingindo achar graça naquilo.
(...)
Algumas horas se passaram, toda a mata estava coberta pelo manto branco da grande nevasca que caía, no meio dela um passarinho fêmea de cor azul voava com pressa, sem enxergar nada até que viu Greg e a figura escura
— Consegui o favo de ouro.
— Isso daí é um favo de mel.
— Favo de mel dourado – disse rindo apesar de estar com olheiras por ter ficado o tempo todo a procura dos objetos pedidos pela Fera. No mesmo instante a passarinha, cujo seu nome era Beatrice reconheceu seu amigo perdido.
—Greg? – tentou voar para mais perto mas a tempestade a impediu e o vento a levou para longe – Greg!
Mais uma vez, Greg ouviu outra voz o chamando, porém a Fera o fez voltar para o foco de enfim seu objetivo ser realizado.
— Não preste atenção Gregory, você trouxe o que eu pedi: um favo de ouro e um carretel de vintage.
— Isso é só uma teia de aranha enrolada em um graveto – corrigiu apontando para o objeto.
— Agora eu quero o Sol.
— O Sol? – Perguntou desconfiado.
A Fera então tira uma xícara de chá a jogando no chão , rolando em direção ao Greg e ele e a pega em seguida.
— Aqui, tire o Sol do céu, e o guarde nessa xícara. – explicou
— Hm? Isso me parece impossível. – disse Greg
— Tudo é possível se você se dedica não é mesmo? Mas rápido o Sol já vai se pôr e então...
Antes que completasse a frase, O menino pensou em uma brilhante ideia, com a xícara em mãos, andou cantarolando até um tronco de madeira cortado em direção ao pôr do sol e a posicionou de maneira que ficasse debaixo dele.
— Tá vendo? O velho Sol vai descer direto pra essa xícara aqui. – explicou detalhadamente como iria funcionar.
— Você conseguiu? Eu pensei que iria desistir – questionou a Fera.
— Desistir? Eu nunca vou desistir – disse Greg confiante, com o frio que fazia de ajoelhou diante do tronco e manteve as mãos aquecidas – É só esperar.
A Fera olhou atentamente a ele, seu plano seguia como o esperado, viu que sua vítima estava com os olhos fechados e só via o Sol se pôr aos poucos, em seguida cantou novamente baixinho a mesma canção que cantou para ele.
Venha, almas rebeldes
E vagar pela escuridão
Há uma luz, para os perdidos e os mansos
Tristeza e medo são facilmente esquecidos
Quando você se submete ao solo da terra
Aos poucos, Greg foi caindo em um sono profundo com aquela música, era persistente até demais, mas com a voz da Fera ele apagou rapidinho, daí galhos começaram a brotar do solo o envolvendo por completo até chegar em um formato de uma árvore , seu corpo tinha sido tomado por raízes, troncos e folhas, estava quase lá, tornando se mais uma árvore de Edelwood e produzindo mais óleo necessário para o lampião carregado pelo Senhor da Mata.
Cresça, pequena semente
Você é chamado para as árvores
Levante-se até que suas folhas encham o céu
Até que seus suspiros encham o ar durante a noite
Levante seus poderosos membros
E louve o fogo
Fim
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