I.


John acabava de chegar do hospital, depois de fazer um plantão de vinte e nove horas, tinha perdido a conta de quantas mensagens Sherlock o havia enviado.


Abriu a porta, tirando o casaco pesado, deixando a pequena mala de couro no chão, sendo recebido pelo aroma de alguma ave sendo asada que vinha da cozinha. Seguindo o cheiro, John encontrou a senhora Hudson na cozinha, de avental, batendo algumas frutas com água no liquidificador.


John sorriu. A senhora Hudson era mesmo um anjo.


– Oh, John querido. Já estou terminando aqui, não quer ir tomar um banho enquanto isso? — John assentiu, agradecendo, logo subindo as escadas para seu quarto. Empurrou a porta pesada, indo direto para o chuveiro. Estava tão cansado que poderia dormir ali mesmo.


Não conseguia se lembrar de ter trabalhado tanto desde que chegara a Londres. Foi realmente uma sorte ter conseguido este emprego. Os dias estavam sendo monótonos últimamente, sem nenhum caso extravagante que conseguisse chamar a atenção de seu companheiro de apartamento.


John decidiu sair do banho antes de acabar dormindo ali. Foi ao quarto, pegou uma muda de roupas e a vestiu. Desceu as escadas, e sentou no sofá, estranhando o fato de Sherlock não estar ali. Bom, ele deveria ter conseguido um novo caso não é?


O médico se levantou, e pegou seu celular no casaco, voltando ao sofá, começou a ler a primeira das seis mensagens de Sherlock.


"John, você pode vir para casa mais cedo?

SH"


"Realmente é importante que você venha, claro, se não estiver muito ocupado.

SH"


"Pode aparecer aqui antes das 19:00 hrs?

SH"


"Onde você está John? Arranjou um novo emprego não é?

SH"


"John, preciso de alguém aqui.

SH"


"John, venha logo.

SH"


John começou a se preocupar. Não era normal Sherlock "precisar tanto de uma companhia". E o crânio estava logo ali não é?


O médico deitou no sofá e fechou os olhos, decidido a, pelo menos, cochilar enquanto a senhora Hudson terminava o jantar.Mas simplesmente não conseguia pegar no sono, o que era estranho, já que precisava urgentemente dormir. Levantou em um sobresalto.


– Senhora Hudson, onde está Sherlock? — Watson perguntou, indo para a cozinha.


– No quarto dele, está trancado lá desde que chegou com um policial. — A mulher disse, tirando a ave do forno, parecia ser um peru.


– E ele chegou que horas?


– De manhã cedo. Não quis comer nada, e gritou de lá para que ninguém entrasse no quarto. Você poderia chama-lo para jantar? Está tudo pronto. — A mulher terminou de servir a mesa, tirando um pote com conteúdo duvidoso de cima do balcão. — Ele poderia parar de fazer essas coisas estranhas na cozinha. — Falou para si mesma, batendo no avental, e se virando para a pia.


John se dirigiu para o quarto do detetive, batendo na porta, sem obter respostas. Forçou a maçaneta, entrando no quarto, o encontrando vazio. Watson levantou uma sobrancelha, ao ouvir um suspiro alto vindo do banheiro, cuja porta estava entreaberta.


Foi até lá, a abrindo devagar, encontrando Sherlock pálido, de olhos fechados, encostado na parede, ao lado do balcão, apertando o braço, não parecia ter percebido sua presença.


Só quando Watson se aproximou mais, que percebeu a pequena poça de sangue ao lado do amigo.


– Sherlock? Mas o que diabos aconteceu com você?


– Então você finalmente veio? — Holmes disse, fazendo uma careta.



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Notas finais
Tell me what you think ~