Come Morning Light
4 Caindo
Notas iniciais
Abri meus olhos e me deparei com uma luz branca e forte. Eu estava em um quarto desconhecido, era todo branco. Percebi que estava sobre uma cama dura e irregular com grades e havia um bipe irritante em algum lugar. Senti algo em meu rosto e ergui a mão para arrancar.
- Não, não pode. — Disse uma mulher que só então percebi que estava do meu lado.
- Uhmm? Onde eu estou? Cadê a minha mãe?
- Se acalme. — Ela dizia calmamente. Parecia ser uma enfermeira.
- Onde esta a minha mãe? Ela esta aqui? Como ela esta? — Eu começava a ficar nervosa.
- Eu vou chamar o medico. — Disse ela parecendo tensa.
- Moça você tem que me dizer como minha mãe esta! — Eu começava a ficar histérica e tentava me levantar, mas a enfermeira me parou.
- Se acalme o doutor vai te explicar, certo, mas você não pode levantar. — Ela dizia calma novamente.
Relaxei novamente pensando que seria impossível sair daqui agora, no mínimo ela me aplicaria um calmante e então já era. Mas eu precisava ver minha mãe.
Alguns minutos depois um homem alto com roupa toda branca entrou no quarto, o doutor pensei.
- Doutor, onde esta minha mãe? — Me apressei em perguntar.
- Calma, vamos ver como você esta primeiro. — Disse ele gentilmente.
Ele me examinou apontando uma luz em meus olhos, que me fizeram lembrar do momento do acidente, nisso um arrepio gelado percorreu minha espinha. Minha mãe.
- Bom, parece que esta tudo bem com você, sofreu uma leve lesão na cabeça, mas nos já tratamos disso. — Dizia enquanto anotava algo em sua prancheta.
- Sim, e minha mãe? — O rosto do medico imediatamente tomou um semblante serio e preocupado.
- Sua mãe teve um pulmão perfurado e levamos ela imediatamente para cirurgia. — Ele não transmitia nenhuma emoção em sua voz.
- Mas a cirurgia deu certo? Ela esta bem? — Eu dizia assustada. Quando isso tinha acontecido?
- O caso dela é mais complicado, ela ainda não recobrou a consciência, esta em outro quarto na ala pós-operatório. Mas não se preocupe estamos cuidando dela. — Tinha alguma coisa me incomodando, minha mãe definitivamente não parecia estar bem, eu preciso ver ela.
- Quando terei alta doutor? — Disse rapidamente.
- Seu pai saiu, quando ele voltar você já pode ir. — Então meu pai já sabia, quanto tempo fazia que eu estava aqui?
Depois que eles sairão do quarto, procurei por minhas roupas e as vesti, seria muito mais fácil conseguir ver minha mãe enquanto eu estou aqui, pensei.
Sai do quarto cuidadosamente verificando se não havia alguma enfermeira no corredor e comecei a procurar a ala onde minha mãe estava. Seria difícil me esquivar dos médicos e das enfermeiras, mas eu tinha que achar minha mãe, eu não sei como, mas sinto que tenho que ver ela e não posso esperar.
Depois de virar algumas esquinas achei uma placa que indicava a ala onde minha mãe devia estar. Agora só faltava achá-la, o difícil vai ser ninguém me ver. Ao mesmo momento em que pensava isso um medico virava em minha direção olhando uma prancheta e então num ato de desespero entrei na primeira porta que vi e esperei ele passar. Quando ele se foi olhei ao meu redor e percebi que era um quarto, olhei com mais atenção para a cama e percebi quem estava nela, era minha mãe.
Cheguei perto da cama, ela estava cheia de hematomas, fios e aparelhos ligados a ela. Olhei sua mão, ela estava tão pálida, aproximei minha mão da sua e a segurei, no mesmo instante minha mãe abriu os olhos. Não consegui conter um sorriso.
- Mãe, você consegue me ouvir? — Perguntei fracamente.
Ela me olhava fixamente.
- Como você esta se sentindo mãe? Esta tudo bem não esta? — Eu começava a ficar nervosa novamente.
- Kallie, preciso que você me escute com atenção. — Disse ela com a voz fraca quase como um sussurro.
Eu acenei com a cabeça e ela voltou a falar.
- Você precisa cuidar de seu pai. — Imediatamente eu fiquei tensa, o que ela queria dizer com isso, não, não...
- Mãe, pare com isso, daqui uns dias você vai voltar para casa. — Eu disse angustiada com sentindo meus olhos se encherem de lagrimas.
-Kallie, filha, eu me sinto tão fraca, não sei se vou agüentar, mas se isso acontecer, você tem que me prometer, que você vai ser forte, que você não vai lamentar e vai seguir em frente.
-Não mãe, pare, pare com isso. Eu já estava com o rosto banhado em lagrimas e com a voz chorosa.
-Filha, escute, me prometa uma coisa? — Eu a olhei incentivando a continuar. — Me prometa que você será a maior cantora e atriz da Koreia? que vai ser a melhor no que fizer?
-Sim mãe, eu vou me esforçar. — Olhei para sua mão, ela parecia tão fraca, minhas lagrimas pingaram sobre nossas mãos unidas me tirando do transe em que tinha entrado.
-Eu te amo Kallie. — Minha mãe disse quando olhei para ela novamente.
-Também te amo mãe, muito. — Disse sorrindo em meio as lagrimas.
Os olhos dela estavam marejados e ela disse suavemente afagando minha mão.
-Eu vou dormir um pouco, estou tão cansada. — Sua voz ainda como um sussurro.
E assim ela fechou os olhos, continuei ali ao seu lado afagando sua mão e observando enquanto ela dormia sem ver o tempo passar.
Ate que a monotonia do momento foi quebrada, o mesmo bipe irritante apitava me assustando, só que desta vez ele não tinha pausas, apenas um som continuo.
Notas finais
Criticas, duvidas e sugestões?
Amanha posto outro capitulo. =)
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