Come Home

1 Prólogo –– O começo de algo novo ou nem tanto


Notas iniciais
Hey, apple o/ E aí, pessoal. Bom, cheguei com a segunda temporada de Wanted e espero que vocês gostem. A demora se deu pelo fato de que, com a manutenção do Nyah!, os leitores não comentaram no final de Wanted sobre serem avisados a respeito da postagem da segunda temporada. Então, eu acabei demorando por não saber a quem avisar :/Bom, as ideias para essa segunda temporada já estavam sendo formuladas há muito tempo na minha cabeça e, com a ajuda do meu melhor amigo, o Victor, nós desenvolvemos as mesmas. Ele me deu alguns toques que ficaram bem legais ;P Bem, primeiro de tudo: todos sejam muito bem vindos ^^ Segundo: Come Home vai ter um pouco mais de ação, algumas lutas, um poco mais de comédia, muuuuuuuito romance, tretas e coisas assim. Prometo caprichar. No mais, boa leitura ^^ Espero que gostem :3 Dois PSs importantes: Prestem MUITA atenção nas datas que virão no topo dos capítulos E os capítulos iniciais serão mais curtinhos. Com o tempo, eles vão aumentar ^^Boa leitura :) O Nyah! não me deixou avisar aos leitores sobre a segunda temporada :/ sinto muito, pessoal

”Pra tão longe, eu fui embora. Por favor, não me siga hoje à noite.
E enquanto eu estiver fora, tudo ficará bem.”

–– I Won’t See You Tonight Part 1, Avenged Sevenfold

27 de Setembro

A lua estava completamente encoberta por espessas nuvens quase brancas, que traziam consigo o prelúdio de uma chuva torrencial. As poucas estrelas que se aventuravam naquele céu solitário, lutavam arduamente para manterem seu brilho vacilante iluminando, ainda que minimamente, a noite fria que remetia lembranças tão dolorosas quanto reconfortantes à garota. Secou os olhos com as pontas dos dedos, erguendo o queixo quando a brisa gelada acariciou seu rosto cansado. As mãos calejadas reuniram e prenderam o cabelo praticamente sem vida em um rabo de cavalo, enquanto ela se erguia com relativa dificuldade –– apesar de tão jovem, os longos anos de trabalho a haviam transformado em uma pessoa cansada ––, apoiando-se no primeiro tronco de árvore que surgiu em seu campo de toque, e caminhava de volta à cidade pacata na qual morava. Precisava retornar ao trabalho, a despeito de seu corpo implorar por uma noite de descanso que durasse mais do que apenas duas horas

Ajeitou o casaco fino no corpo e desceu a colina, empregando uma força quase inexistente nos pés para se manter firme e não acabar por sair rolando. Quando chegou ao final, sentia como se houvesse corrido uma maratona. Ofegante, deixou o vento refrescar seu pescoço suado e, após alguns minutos, obrigou-se a caminhar. De que adiantava adiar o inevitável? De uma forma ou de outra, ao nascer do sol, estaria lá, esperando pelas próximas ordens. E ingressaria, então, em mais um dia de trabalho árduo para conseguir o pouco necessário para seu sustento. Não era tão difícil depois de acostumada com a rotina pesada.

Perguntava-se o que ele diria se a visse na situação atual. Provavelmente, bradaria aos quatro ventos de ódio, surraria o mestre que a encarregava de tais tarefas e a levaria embora, para bem longe, onde pudessem se amar como se o amanhã não importasse.

Sorriu sozinha, os lábios delineando uma linha entristecida em seu rosto. Os orbes cor de chocolate carregavam uma carga de sentimentos tão intensa que pareciam palpáveis, todos resquícios de um passado conturbado e, ainda assim, tão gostoso de ser lembrado que ela às vezes se pegava divagando nas memórias. Imaginava que ele, provavelmente, vivia feliz ao lado de alguém que fosse bem mais simples e transparente do que ela. Já devia ter filhos, uma família bem unida e enraizada em valores de amor e carinho. Com certeza, Natsu Dragneel devia estar vivendo bem melhor sem a confusão chamada Lucy Heartfilia. Suspirou resignada, girando a maçaneta enferrujada do pequeno cubículo onde morava. Não era um lugar espaçoso, mas, com os ajustes certos, acabou se tornando aconchegante para se viver.

E qual não foi sua surpresa ao ver seu “chefe” encostado ao batente da porta da cozinha, analisando com o olhar crítico cada canto. Arregalou levemente os olhos, mas se recompôs segundos depois, pronunciando-se com uma voz firme até demais se comparada à sua aparência frágil.

–– Boa noite, senhor Higurashi. Em que posso ser útil?! –– O homem de meia idade sorriu cínico, aproximando-se e erguendo o queixo da loira com a ponta dos dedos. Em um ato reflexo, Lucy deu um breve mas estalado tapa na mão que a tocava e recuou, cruzando os braços na altura do tronco. Arqueou as sobrancelhas e exibiu sua expressão mais indiferente e ameaçadora. –– Em que. Posso. Ser. Útil? –– Repetiu entre dentes, ainda fuzilando seu superior com o olhar.

–– Essa relação poderia ser tão mais simples se você simplesmente recuasse e casasse comigo. Mas como você prefere o caminho mais difícil, não me sobram muitas opções. –– Comentou, caminhando pela casa e parando para observar alguns objetos pessoais da garota. Os porta-retratos continham diversas fotos da loira com os antigos companheiros de guilda e foram elas que despertaram o interesse do homem.

–– Eu nunca me casaria com um homem sujo como você, Higurashi. –– Cuspiu em um rosnado, começando a se estressar com toda aquela embromação. –– Por favor, diga logo o que precisa que eu faça, tenho outras tarefas, se o senhor se esqueceu.

Ele revirou os olhos, sorrindo em escárnio. Lançou a bomba que tomaria o chão da garota.

–– Você e eu vamos à Magnólia realizar um trabalho para a guilda Fairy Tail.

Ah.

De fato, cutucar a ferida ainda aberta era deveras cruel.

Mas não é como se aquele homem se importasse com isso, de qualquer forma. Adorava ver a expressão vazia e perdida que, agora, pintava o rosto angelical da ex-maga celestial. O pavor que tomou conta dos olhos castanhos era palpável, ela parecia se contorcer por dentro. Seus pés vacilaram e Lucy tombou levemente para o lado, apoiando-se na pequena poltrona que ficava centralizada sobre o tapete da sala. O mundo havia, mais uma vez, desabado sobre os frágeis ombros e ela estava completamente sem saída. A batalha mais árdua que travava no momento era contra suas glândulas lacrimais que teimavam em querer mostrar serviço na hora mais inoportuna do dia.

Não iria chorar na frente dele. Nem em um milhão de anos.

Respirou fundo e abaixou a cabeça, mordiscando o lábio inferior, já terrivelmente ferido devido à constância da mania. Sentiu o gosto de ferro amargar sua boca e trincou o maxilar, os olhos fixados em nada exatamente. Fizera tanto para fugir dos fantasmas de seu passado, mas, como a sina de sua vida, eles retornavam com força total para assombrá-la. Não bastava ficarem apenas nos diários sonhos em suas noites perturbadas.

O fato era que Lucy não esperava retornar depois de todo esse tempo desaparecida.

Sete anos podem ser considerados realmente um longo tempo.

Talvez eles não se lembrem mais de sua existência. Talvez tenham se esquecido de seu rosto, de sua voz ou de sua personalidade. Talvez tenham seguido em frente, como sempre fazem, dotados de toda aquela força emocional que irradia quando se unem. Talvez, se ela for, não a reconheçam.

Talvez ele tenha seguido em frente como ela tanto implorara naquela carta infame.

Eram tantas possibilidades que faziam sua cabeça girar alucinadamente. Precisou erguer o rosto para se situar, a visão já estava se tornando turva. Lutou para recobrar os sentidos, sentia-se enjoada, com um bolo formado na garganta que a impedia de pronunciar qualquer palavra.

Mas não podia negar que o simples pensamento de ser abraçada novamente pelos braços calorosos de seus nakamas a aqueceu internamente. Uma coisa que não acontecia em anos.

E ainda havia ele.

Ah, aquele sorriso. A lembrança a fez querer sorrir, mas o momento era inadequado. Sentiu um calor terno abrasar seu coração palpitante, e as sensações nostálgicas arrebataram-na com força total, mas, apesar de tudo, apesar da dor e da saudade, Lucy gostava de senti-las. Era como se aquilo fosse sua luz no fim do túnel; o sopro que lhe restava dizendo para prosseguir. Aqueles eram sentimentos que a faziam ter certeza de estar viva.

Além de seu pequeno Tatsu.

Tatsuya Heartfilia, sete anos de idade, cabelos róseos puxados para um tom mais coral, olhos castanhos, personalidade firme e ao mesmo tempo infantil. O sorriso radiante do pai; o olhar doce da mãe. Os poderes e força do pai; a magia e determinação da mãe.

O fruto legítimo e remanescente do amor entre Natsu Dragneel e Lucy Heartfilia.

Notas finais
*Tatsuya em japonês significa tornar-se Dragão e possuir sua sabedoria e longevidade :3 Bom, espero que tenham gostado desse prólogo. No AS, a Fanfic já está em seu terceiro capítulo. Assim como lá, as postagens serão todos os sábados. Um beijão.E até sábado o/