Come Home

3 Capítulo 2 –– Partindo, para nunca mais voltar.


Notas iniciais
Boa leitura :)

“Não importa o quão solitária eu fique, eu sinto que nos encontraremos de novo
Eu não preciso de um motivo, eu sei que não posso voltar atrás
Do jeito que as coisas vão, eu vou ser apenas um parte da sua memória, não é?
Minhas emoções se mostraram como profundas lágrimas”

–– Love and Truth, Yui

28 de Setembro

–– Pegou tudo mesmo, Tatsu? Você tem certeza? –– Lucy perguntou pelo que pareceu ser a décima vez para o pequeno Heartfilia.

–– Mãe, eu já disse que peguei. Será que você pode trocar o disco? ‘Tá arranhado já. –– Tatsuya revirou os olhos, entediado, mas correu para longe quando foi fuzilado pelo olhar furioso da mãe. Apesar do rosto angelical e da voz meiga, ela conseguia ser muito assustadora quando queria.

–– Tatsuya Heartfilia, é bom você ter se escondido muito bem, porque, se eu te achar, as coisas vão ficar feias para o seu lado. –– O garoto tampou os lábios para segurar uma risada ao observar Lucy apertando os olhos à sua procura. Por um momento, sentiu-se maravilhado quando o Sol que despontava à leste incidiu sobre a mulher: como ela era linda! Pensou então em como seu pai havia sido sortudo por ter alguém com tamanha beleza para amar. E entendia, também, os motivos para ele ter se apaixonado.

Para Tatsuya, sua mãe era a pessoa mais bela, humilde e adorável que já conhecera e se perguntava, todas as noites antes de dormir, como o mundo conseguia ser tão cruel com ela. Queria ser forte para poder proteger Lucy de todo e qualquer mal. Ninguém mais a faria chorar.

E esse fora um dos motivos para ele ter aceitado treinar com um Dragão chamado Igneel.

Desde que nascera, Tatsu havia observado sua mãe treinar arduamente e se tornar cada dia mais forte, enquanto ele não sabia nem ao menos quais eram seus poderes. No entanto, quando já tinha 6 anos, Lucy surgira em casa, após ter ficado algumas semanas longe, –– o garoto precisara pedir ajuda a uma vizinha para sobreviver e, por mais que amasse sua progenitora, ele quis esganá-la quando a viu irrompendo pela porta –– dizendo que havia alguém que queria ensiná-lo a magia de Dragon Slayer.

E qual não foi a surpresa do garoto ao descobrir que seu professor era ninguém mais ninguém menos que Igneel.

Um Dragão.

Tatsuya nunca pensou que sua vida era normal, a bem da verdade.

Mas aquilo, de fato, já passava dos limites.

–– Primeira regra: se você está se escondendo do seu inimigo, não se distraia. –– Foi o que ouviu antes de sentir um peso sobre seu corpo, lançando-o em direção ao chão. O cheiro de rosas da mulher o fez reconhecê-la e Tatsu riu, abraçando a mãe.

–– Você é uma chata, sabia disso? E está pesada demais.

–– Está me chamando de gorda, abusado?

Os dois fitaram-se por instantes e então caíram na gargalhada. Lucy afagou os cabelos rosados, mantendo o sorriso bobo no rosto. Apesar de todas as dores que ainda angustiavam seu coração enfraquecido, olhar para Tatsu trazia uma calmaria absurda a si e ela, por alguns instantes, conseguir recobrar o trejeito de felicidade em suas feições. Tê-lo perto, dando-lhe forças para seguir em frente cada dia que se passava, e, acima de tudo, o sorriso dele lembrar-lhe tanto o sorriso de seu amado Natsu eram coisas que realmente tornavam a vida difícil um pouco mais aprazível.

–– Eu amo você, meu pequeno. –– Ela sussurrou, apertando-o em seus braços. Tatsu se sentiu aquecido pelo carinho e, ao senti-la tão frágil buscando forças em si, retribuiu, beijando a testa pálida.

–– Eu amo mais, sua melosa. –– Tentou quebrar o clima melancólico com a provocação. Sabia, mais do que ninguém, que sua mãe sofria todos os dias com a saudade da antiga guilda e, principalmente, de seu pai. Não sabia, entretanto, o que levara-os a se separarem, mas Lucy sempre dizia que o homem não possuía uma única parcela de culpa em toda a história. Apesar da curiosidade, evitava maiores perguntas por odiar vê-la tão cabisbaixa com o assunto. Odiava ver a loira chorando, como odiava.

Se um dia pudesse conhecer seu pai, a vontade dentro de si era abraçá-lo e agradecê-lo por ter feito Lucy tão feliz quanto ela diz ter sido ao lado dele.

Lucy, por outro lado, estava longe de conseguir ler seus próprios sentimentos naquele momento. Seu coração batia tão acelerado e um misto de sensações conflitava dentro do peito. A angústia batendo de frente com a ansiedade; a saudade combatendo a contenção; a vontade de retornar enfrentando a hesitação. E, por fim, seu coração travando uma árdua batalha contra sua razão.

Céus, como era difícil não chorar.

Olhou para o filho e suspirou, segurando-o pela mão e, após pegarem todas as malas, caminharam para fora de casa. De acordo com Higurashi, a Fairy Tail estava com seus melhores magos em missão e, por isso, não conseguiriam resolver alguns problemas mágicos que ocorriam em Magnólia. Por saberem da fama de uma maga extremamente forte na prestadora de serviços do homem, requisitaram-na.

Era em horas como essa que a loira se arrependia de ter evoluído e construído uma reputação.

Os poderes que havia adquirido com o passar dos anos se tornaram significativos e bem eficientes. Quanto mais lutava, mais forte ficava. E o mesmo acontecia com seu parceiro de brigas, Tatsu.

Era o negócio da família, afinal. Ele tinha a quem puxar.

Aproximaram-se do chefe da guilda que os aguardava apoiado em um dos pilares da estação. Ele sorriu para Lucy, vitorioso, e a mulher precisou apertar a mão da criança para que a mesma não voasse no pescoço do homem. Em silêncio, caminharam para dentro do vagão, acomodando-se lado a lado enquanto ele sentava-se no banco a frente. Soltou um suspiro pesado ao olhar pela janela, vendo a pequena vila onde morava se tornar um borrão conforme o trem ganhava velocidade. Estava partindo e, algo dentro de si, tinha certeza de que não voltaria. Não fazia ideia do que poderia vir a ocorrer em Magnólia, mas aquela esperança estúpida não queria se afastar de forma alguma. Com o coração se aquecendo aos poucos, encostou a cabeça no ombro do filho e fechou os olhos, se deixando levar pelos sonhos onde estava nos braços de Natsu mais uma vez.

No final das contas, ela estava voltando para a Fairy Tail.

Estava voltando para casa.

Notas finais
O que acharam? Podem criticar a vontade, okay? Se estiver uma bosta, podem falar que eu prometo que vou me esforçar para melhorar. Um beijo ^^