Come Home

4 Capítulo 3 –– Querida nostalgia


Notas iniciais
Olá, pessoal. Queria pedir desculpas pela demora s: E agradecer a Yukari chan e linda da Ivis dono pelos comentários mega lindos

“Eu quero voltar aos tempos em que nada estava errado
Eu sinto a distância entre você e eu, que não sabia de nada”

–– Save Me, B.A.P

29 de Setembro.

Outono.

Não era a estação preferida de Lucy. No entanto, ela não podia negar que fazia Magnólia se tornar magnífica. Nada comparado a como ficava na primavera, na opinião da loira, mas, ainda assim, era uma visão de tirar o fôlego.

Quando cruzou os portões da estação e colocou seus pés no solo daquela cidade, foi como se fosse a primeira vez. Os olhos marejaram instantaneamente, enquanto seu coração se enchia de uma nostalgia que chegou a tomar seu ar. Lucy soluçou e apertou o peito. Um misto de dor, saudade e uma felicidade absurda tomava conta de seu corpo.

Caminharam em direção à HOSPEDAGEM e ela sabia que estava sob vigilância constante de Tatsu, pois ele a encarava com olhos clínicos e curiosos. Mais tarde, Lucy tinha certeza, viria a avalanche de perguntas. “Como ele é parecido com o pai, por Deus.” Pensou, respirando fundo.

O quarto em que se instalaram era confortável e, após deixarem as malas em um canto perto das camas, foram convocados pelo mestre. Higurashi havia avisado que os aguardaria . Vestindo-se com todos os resquícios de força que gostava de acreditar que tinha, colocou uma capa que tampava seu rosto muito bem, fitando-se no espelho uma última vez.

E pensar que sua aparência era outra quando partiu.

Tocou os fios longos e loiros que, apesar de opacos e relativamente mal cuidados, continuavam com a mesma leveza e fragrância de sempre; desembaraçou as madeixas com os dedos, deslizando-os, em seguida, ao rosto. Desenhou a linha fina dos lábios agora ressecados, subindo pela pele que, mesmo com todo o trabalho forçado e os dias sob o Sol intenso, permanecia delicada e macia. Chegou, então, aos olhos castanhos, marcados por profundas olheiras arroxeadas, decorrente de todas as noites em CLARO, atormentadas por pesadelos que a faziam abraçar os joelhos, chorar como uma criança e implorar por acalento. Mas a dor maior vinha e o sono se esvaía quando ela lembrava que estava completamente sozinha. Era por essas e outras que Lucy se apegara tanto ao filho.

Lembrou-se de como os orbes cor de chocolate eram intensos e vívidos. Agora, após tudo que decorrera em sua vida, pareciam tão mórbidos, lúgubres e apagados. Sem brilho. Através de seu reflexo, enxergou algo que, desde pequena, nunca quis: tristeza. Muita tristeza. E, no fundo de sua alma cansada, queria mesmo retornar ao lugar onde tudo começou e recuperar aquela felicidade de tempos atrás, que agora parecia tão distante de si.

Natsu não estava em Magnólia, afinal.

Ajeitou a capa sobre o corpo mais uma vez e a prendeu bem firme para que, caso entrasse em algum combate, ela não caísse. Apesar de tudo, Lucy queria passar despercebida.

–– Sabe, eu ainda acho que essa capa não vai adiantar nada. –– A voz da criança se fez ouvir e retirou a loira bruscamente dos devaneios que invadiam a mente exaurida. Ela franziu o cenho para ele, crispando os lábios. Algo dentro de si dizia a mesma coisa, mas, em hipótese alguma, Lucy poderia ser vista. Não era certo.

–– Tatsu, eu-

–– Por que você está fugindo deles tão desesperadamente? –– Ele a cortou, incisivo. Lucy abriu e fechou a boca algumas vezes, momentaneamente perdida e sem palavras. Como aquele garoto conseguia sempre estar tão certo?

–– Eu não estou fugindo, Tatsu. Mas o que fiz não foi certo e eu não me sinto capaz de aparecer por aqui, de cara limpa, como se não houvesse feito nada demais, depois de tantos anos. –– Suspirou, passando as mãos pelo rosto. Nunca imaginou ter que conversar logo sobreaquele assunto com o filho. Era doloroso demais. –– Simplesmente não é correto!

–– Você está com medo de encontrar o meu pai, não é? –– Soltou, aproximando-se um pouco mais da mulher.

Tatsuya não entendia. Sabia muito bem que a mãe sentia uma falta absurda da vida antiga, dos companheiros e daquele homem que queria tanto conhecer.

Então por que ela corria?

Lucy arregalou os olhos, sentindo o coração falhar uma batida. Sim, talvez aquele fosse o maior medo que a consumia. Mesmo sabendo que ele não estava por ali, a mera possibilidade de encontrá-lo uma hora ou outra causava algumas sensações estranhas em si.

–– Seu pai não está por aqui, Tatsu. –– Retrucou, com a voz e a cabeça baixas. –– É por isso que nós estamos aqui. Ele é um dos magos mais fortes da guilda e está ausente em missão, e é por essas e outras que eles precisam dos nossos serviços. –– Fitou-o finalmente e bagunçou os fios claros, recebendo um resmungo incomodado. –– E, falando nisso, já estamos atrasados, Higurashi deve estar soltando fumaça pelas orelhas.

–– Ele que se exploda. –– Tatsuya murmurou e a mãe o fitou severamente.

–– Tatsuya! –– Repreendeu, vendo-o revirar os olhos castanhos.

–– Okay, okay.

Quando estavam prestes a atravessar o portal do quarto, Lucy agachou-se e segurou a mão do filho. Puxou-o para um abraço, mantendo-o ali por alguns minutos. O garoto acariciou os cabelos loiros da mulher, suspirando. Odiava vê-la tão frágil porque sempre a admirou pela força absurda que possuía, emocional e fisicamente falando.

–– Eu não sei o que seria de mim sem você. –– Ela sussurrou baixinho, apertando-o mais contra si. Engoliu o choro que se embolou em sua garganta por saber que ele não suportava vê-la chorando.

–– Você continuaria sendo essa mulher incrível que você é, dona Lucy Heartfilia. –– Ela arregalou os olhos e o encarou, embasbacada com a firmeza da voz de Tatsu. –– Mesmo tendo passado por tanta coisa, você nunca jogou a toalha, nunca se deixou vencer. Você foi forte durante todo esse tempo e eu te admiro por isso. Você é uma pessoa incrível, mãe. Eu acho que eu é que não sei o que seria de mim sem você. –– Vê-lo corado, batendo um indicador no outro e desviando os olhos fez Lucy se sentir a mãe mais especial e sortuda de todo o mundo.

–– Você às vezes me faz pensar que não tem apenas sete anos. –– Riu-se a loira, fitando-o com carinho transbordando pelos orbes cor de chocolate. –– Tatsu, eu te amo tanto.

–– Okay, agora vamos, tudo bem? Quero acabar logo com isso. –– Ele resmungou, desvencilhando-se do aperto da mulher e caminhando para fora do quarto. Lucy riu e seguiu-o e, observando-o de costas, ela jurou ter visto uma figura muito conhecida andando ao lado dele. Balançou a cabeça e coçou os olhos, constatando que o vulto de Natsu havia desaparecido do seu campo de visão.

A nostalgia a estava fazendo ver coisas.

Caminharam em silêncio e, quando se deparou com a entrada tão imponente da guilda mais barulhenta de Magnólia, Lucy quis chorar e rir ao mesmo tempo. Tantas coisas passavam por sua cabeça e coração naquele momento que ela mal conseguia segurar os sentimentos: eles estavam prestes a transbordarem por seus olhos. Sentiu, então, os dedos de Tatsu se entrelaçarem aos seus, logo em seguida tendo o aperto intensificado. Sem precisar ser dito em voz alta, o pequeno gesto fazia Lucy ter certeza de que não estava sozinha e que ela e Tatsuya enfrentariam aqueles fantasmas do passado juntos.

Ele estava ao lado dela assim como Natsu esteve durante todos aqueles anos.

Notas finais
Espero que tenham gostado :3 Até o próximo ^^ Beijos, amo vocês
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.