Come Down With Love
9 As Palavras da Dor
Notas iniciais
Capitulo 9 – As Palavras da Dor
Enquanto Nina e Ryan estavam juntos perto do lago, James caminhava calmamente por uma praça. Ele parecia bem atento, mas como sempre seus pensamentos estavam bem longe dali, focados em uma menina de cabelos pretos e olhos negros.
Ele sorria inconscientemente quando pensava nela, mas ao mesmo tempo se entristecia. Por que tinha que o amor tinha que ser tão complicado? Por que não podia ser mais fácil? Por que ele não podia simplesmente ter se apaixonado por Nina? Era isso que ele queria saber.
Isso já estava ficando repetitivo! Ele queira acabar logo com tudo aquilo, mas não tinha coragem para isso. James se sentia fraco. Será que eu sou mesmo filho de Apolo? Ele se perguntava. Apolo era o deus mais pegador do Olimpo, ele destruiu milhões de corações antes de se fixar e casar com Artemis. Por que eu não sou como ele?
Mas no fundo ele sabia que havia puxado mais a mãe do que o pai. Ele sempre gostara mais da noite do que do dia, ele sempre gostara mais do frio, sempre fora mais reservado, mais tímido. Ele era o oposto de Clara.
Por mais que fosse mais parecido com Apolo na aparência, ele era mais parecido com Artemis no interior, só que ninguém desconfiava. Eles agiam como todos achavam que deveriam, mas não sabiam disso.Talvez eles tivessem criados para parecer assim, mesmo que não desconfiassem.
Enquanto devaneava, não percebeu que uma menina morena vinha em sua direção.
Isabela havia pensado por muito tempo. Sabia que era bobo e de certa forma errado. Sabia que os riscos de ele sentir o mesmo eram pouquíssimos e sabia que a única pessoa que poderia ajudá-la, talvez negasse essa, mas não ligava.
Ela não agüentava mais esconder esses sentimentos. Precisava contá-los para alguém e já sabia quem era esse alguém. Bela sabia que tinha o risco de encontrá-lo com alguma pessoa, mas não ligava. Se ele estivesse com alguém, o puxaria pelo braço e pediria sua ajuda.
Enquanto corria procurando-o, pensava o quanto não estava parecendo uma filha de Hades. Afinal, desde quando filhos de Hades saiam correndo pelo Olimpo por causa de amor? Era bizarro.
Mas ela não ligava. Naquele momento nada importava. Ela precisava fazer aquilo, ela iria fazer aquilo. Que o resto se dane! Ela pensou.
A corrida a estava cansando, mas a deusa não poderia e nem queria parar antes de encontrá-lo. Diferente dos outros dias, que ela sempre esbarrava nele sem querer, naquele dia ela não conseguia encontrá-lo de forma alguma.
Quando estava prestes a desistir, conseguiu avistá-lo. Ele estava andando calmamente por uma praça olimpiana. Ele parecia tranqüilo e nem esperava o que estava por vir.
— James! – Isabela gritou e ele se virou rapidamente.
Ele parou e observou vindo em sua direção. Mesmo suada e descabelada, para ele, ela estava fantástica. Sem perceber o que fazia, James sorriu bobamente, mas logo se recompôs.
Assim que ela o alcançou, botou as mãos nos joelhos, ofegando muito. Agora ela percebia o quanto havia corrido. Estava exausta, sua garganta estava seca e ela pingava suor, mas não a impediria de falar o que queria falar.
— Você está bem? – o filho de Apolo perguntou.
— Sim, claro. Ótima. – a filha de Hades disse se recompondo.
— Hm, parece que você fez uma corrida e tanto, não? – James disse tentando manter um clima agradável.
Ela assentiu ainda ofegando.
— E eu posso saber o motivo dessa corrida? – perguntou curioso.
— Pode. Eu preciso te falar uma coisa. – ela disse se recompondo.
Assim que Isabela pronunciou essas palavras, o coração de James foi a boca. Vários deuses e sátiros já haviam lhe falado que quando uma mulher fala isso ela quer terminar ou ela quer se declarar. Como eles não estavam namorando a segunda opção era a mais provável. Ele sorriu.
— Pode falar. – ele disse.
— Bem, já faz um tempo que eu preciso falar isso para alguém e eu não conssigo mais me conter!
Os olhos dele brilharam.
— James, eu estou apaixonada pelo seu pai. – ela disse e o coração dele doeu.
E não foi uma dorzinha à toa, foi uma dor completamente devastadora. Parecia que seu coração havia congelado, seus olhos e seus cabelos perderam brilho, ele parecia pálido e sua voz perdeu toda a emoção.
Ele sentia como se o chão tivesse fugido dos seus pés e ele estivesse em uma eterna queda. Ele estava com vontade de chorar, mas não demonstraria fraqueza numa hora daquelas e principalmente na frente dela. Afinal, demonstrar dor para a deusa da dor e da tortura.
— E por que você está me contando isso? – perguntou frio.
— Bem, é que eu... eu só senti que deveria falar isso para você. – ela disse estranhando o jeito frio dele.
James nunca havia sido frio ou mal educado com ela. Ele sempre fora gentil, doce e educado. Mas dessa vez ele tinha motivos para ficar bravo, afinal ela tinha acabado de falar que estava apaixonada pelo pai dele e tinha intenções de roubá-lo da mãe dele, mesmo sem dizer isso.
Agora ela percebia o quão idiota ela fora por ir falar isso para James, mas algo nela a ordenava a fazer isso com ele. E naquele momento ela se arrependia. Era estranho vê-lo frio e com os olhos sem brilho, ela não sabia porque mas se sentia muito culpada. Algo nela queria abraçá-lo, mas quando ela ia fazer isso, ele apareceu.
Apolo estava passando por ali para mais uma reunião na Sala de Tronos. Enquanto andava, ele sorriu e acenou para os dois, fazendo o coração de Isabela vacilar e deixando James ligeiramente raivoso.
Ele olhou para o lado e viu ela quase babando e sorrindo bobamente para seu pai que já havia passado e não agüentou, saiu dali com passos largos e decididos. Não queria ficar mais ali, vendo sua amada babar pelo seu pai.
Ele parecia firme e decidido, mas assim que atravessou a porta do seu quarto, despencou na cama e chorou como um bebê. A dor que sentia era tanta que ele poderia chorar para sempre, mas logo se recompôs.
Se ela não o amava, de que adiantaria ficar sofrendo daquela forma? Ele ainda tinha Nina e era isso que importava. Ele só precisava esquecer Isabela e tudo voltaria a ficar bem entre ele e Nina, mas ninguém disse que isso era uma tarefa fácil.
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