Come Back To Me
1 Single Chapter — Like I'm Gonna Lose You
Notas iniciais
Come Back To Me
By: Archie-sama
Single Chapter — Like I'm Gonna Lose You
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Capítulo Único — Como se eu fosse te perder
Então vamos usar nosso tempo para dizer o que quisermos
Usar o que nós temos, antes que tudo se vá
Não, o amanhã não nos é prometido
…
Então eu vou te amar como se eu fosse te perder
Eu vou te abraçar como se eu estivesse dizendo adeus
Onde quer que estejamos, eu vou te valorizar
Pois nunca sabemos quando
Quando o nosso tempo irá acabar
Então eu vou te amar como se eu fosse te perder
Eu vou te amar como se eu fosse te perder
Like I'm Gonna Lose You — Meghan Trainor feat. John Legend
Está de noite. Iki Hiyori está sentada sobre sua mesa de estudos. Mordendo a ponta da caneta azul, o que indica sua ansiedade, ela folheia um caderno cheio de anotações, mesmo que não esteja prestando atenção em nada do que está escrito ali.
Seus pensamentos estão bem longe.
Faz alguns dias que Yato partiu, e sua avó faleceu a despeito de todos os esforços de sua família para que ela continuasse viva. E o que mais dói, apesar de tudo, é que a garota entende bem o desejo dela de estar junto a seu avô. Entende muito mais do que gostaria.
Isso, no entanto, não a impede de estar triste.
Ela está arrasada, na verdade. E se juntar isso com o fato de que, na noite anterior, ela esteve no lugar em que Yukine foi encarcerado e morto pelo próprio pai, o seu coração se encontra em frangalhos. Simplesmente não há nada que a possa consolar agora.
— Está chorando, garota? — Nora questiona, observando-a cautelosamente de onde está: sentada em sua cama, vestida com um dos pijamas antigos que cedeu a ela.
— Não é nada. — Hiyori balança a cabeça, deixando de lado a caneta e enxugando com a manga da blusa as grossas lágrimas que agora rolam em seu rosto. Está extremamente triste, porém não há nenhuma possibilidade de dividir seus medos com essa garota que já causou tanto mal a seus amigos.
Embora a tenha acolhido em sua casa, ela ainda não é confiável.
Depois da dolorosa ida da avó de Hiyori para o outro mundo, os pais dela decidiram que era hora de voltar para a casa deles, então aqui está ela, em seu antigo quarto. Não bastasse essa situação, Nora também está presente, tratando-a com a costumeira frieza — isso depois de ter chorado dramaticamente e exposto os sentimentos de ódio e inveja que nutria por ela.
— O que planeja fazer agora? — Nora pergunta, e Hiyori percebe que a garotinha talvez esteja tão agoniada quanto ela.
— Eu não sei — responde com sinceridade. Tudo ainda parece muito irreal para sua mente processar.
— Você o ama, não é? Faça alguma coisa! — insiste a shinki, apontando para ela e franzindo o cenho.
Hiyori sabe que agora seu rosto está todo vermelho e que, mesmo que esteja ultrajada, não tem para onde fugir. Essa é a mais pura verdade.
— Pra você é fácil falar, não é uma humana limitada como eu! — ela acusa, tentando fazer Nora entender, sem que precise dizer diretamente, que ela não é a única entre as duas a sentir inveja de algo. — Você pode ir agora até o Yukine-kun e fazê-lo mudar de ideia, mas e eu?! Eu não posso… — ela respira fundo, abaixando a cabeça. — Não posso alcançar o Yato. Já é tarde demais. — As lágrimas retornam aos seus olhos ao lembrar-se das palavras cruéis de Kazuma e de como havia se sentido impotente naquele momento.
— Isso não é verdade — discorda a garotinha, passando por cima de seu próprio orgulho para dar alguma esperança à sua adversária. — Talvez você não possa fazê-lo mudar de ideia, já que quando o Yato coloca algo na cabeça é impossível tirar. Mas você, humana, pode convencê-lo a voltar.
Hiyori a encara sem entender, fazendo-a revirar os olhos.
— Entregue seu coração a ele… — ela diz pausadamente, gesticulando — …e ele retornará para te dar o dele.
E, ao ouvir essas palavras, a garota Iki arregala os olhos. Seu coração começa a palpitar. Ela olha para a paisagem além da janela, e a lua cheia por algum motivo a faz lembrar de Yato. Do quanto ele, apesar de desleixado, consegue ser majestoso. Do quanto o sorriso dele brilha. Do quanto seus olhos azuis são os olhos mais gentis que ela já viu na vida.
Então, ela percebe que está mesmo cogitando fazer isso.
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….
Quando Hiyori os encontra no outro dia, eles estão articulando um plano para resgatar Yukine das garras do feiticeiro. Ao perceberem sua presença, antes que Kazuma possa intimidá-la mais uma vez, ela é mais rápida: sua mão corta o ar num movimento rápido, atingindo-o em cheio no rosto.
Ele fica sem reação. Yato, entretanto, está boquiaberto.
— Nunca mais me diga o que fazer, Kazuma-san! — A garota aponta para ele com um olhar determinado, vendo-o esfregar a pele da bochecha e ajeitar o óculos no rosto. — Eu sou humana, mas não sou um brinquedo que você pode manipular.
Kazuma a mira com repreensão, mas está surpreso que ela tenha conseguido sobrepor-se à sua maldição. O semblante de Yato se torna sombrio no mesmo instante.
— Kazuma, o que você fez com a Hiyori? — ele indaga, num tom gelado que causa arrepios na espinha de sua nova regalia.
Ainda assim, Kazuma apenas fita seu novo mestre com uma expressão misteriosa e, como o bom teimoso que é, permanece calado. O rapaz não quer um confronto com Yato.
— Responda! — ordena o deus, de punhos cerrados, prestes a dar um passo em direção ao servo. Ele não está brincando.
Hiyori, contudo, não está ali para isso. Ela odeia vê-los brigar, apesar de ter revidado o mal que Kazuma lhe fizera semanas atrás. O motivo pelo qual saiu de casa é outro, um que ela não pode mais adiar.
— Yato… — Ela caminha até o deus e segura a mão dele suavemente, surpreendendo-o. Ele encara o rosto da garota e cora de vergonha ao tomar consciência desse toque.
O foco em Kazuma se perde. Agora, é como se só existissem os dois ali. Perdidos um no outro.Percebendo isso, o shinki dá as costas e se retira do local, mesmo que ainda não aprove a aproximação da garota humana. Porém, ele sabe que é impossível para Yato voltar atrás na sua decisão de derrotar o feiticeiro. Afinal de contas, Yukine foi tomado dele, e nem mesmo Hiyori pode pará-lo agora.
— O que você está fazendo aqui, Hiyori? — interpela Yato, preocupado, sem fazer menção de afastar sua mão da dela.
A garota respira fundo e, ignorando seu coração acelerado, o olha diretamente nos olhos. Está determinada a expor seus sentimentos, mesmo sabendo que isso pode não mudar nada.
— Eu preciso te dizer algo.
— O quê? — Yato, de repente, está ansioso. Ele aperta a mão de Hiyori na sua. Não sabe o que esperar dela.
— Eu… estou apaixonada por você — ela revela ao mesmo tempo em que sente a garganta começar a se fechar. Seus olhos estão cheios de lágrimas novamente.
As íris de Yato vacilam de uma forma que ela nunca pensou que fosse ver.
— H-Hiyori… — Ele engole em seco, puxando-a para um abraço apertado porque não aguenta vê-la chorando. Precisa confortá-la. A despeito das circunstâncias, ele ainda está vivo. — Por que está me dizendo isso agora? — pergunta, bastante confuso. Há um redemoinho de sentimentos dentro de seu peito.
— Porque… — Hiyori começa a fungar, agarrando com força o casaco dele enquanto chora em seu ombro. — Eu não te dei aquele templo porque queria que você reencarnasse. — Ela continua chorando, sabendo que seu emocional nesse instante está sendo levado ao extremo. Ele ainda está ali,mas ela sabe que o medo de perdê-lo nunca irá embora.
Yato a aperta com mais ímpeto contra seu corpo, como se quisesse garantir um lugar seguro para ela entre seus braços.
— Shh… — o deus sussurra no ouvido dela, esfregando devagar a cabeça de fios castanhos a fim de acalentá-la. — Não precisa dizer mais nada.
— Não. — Ela chacoalha a cabeça, afastando-o apenas o suficiente para olhá-lo, o rosto coberto de lágrimas. — Eu preciso, sim. — Seus dedos se enroscam ainda mais na roupa dele, trazendo-o para mais perto simplesmente porque tem medo de que ele desapareça novamente. — Eu te dei aquele templo porque eu te amo, Yato. Consegue entender isso?
Um rubor ascende ao rosto de Yato, e a vermelhidão se estende até as suas orelhas. O deus se encontra totalmente desnorteado com a declaração e não consegue fazer mais nada além de segurar o rosto da garota entre suas mãos e beijá-la com certa afobação.
O beijo é rápido, instalando uma sensação calorosa nos corações de ambos. A jovem Iki pisca seguidas vezes, tentando processar o momento. As lágrimas em sua bochecha são enxugadas por um toque carinhoso dos polegares dele. Em seguida, tudo volta a ser um borrão. Seus pensamentos, seus batimentos cardíacos, as sensações em seu corpo…
Ele está beijando seus lábios novamente.
Dessa vez o contato é mais calmo, mais vagaroso e preciso, e expõe numa erupção todos os sentimentos outrora reprimidos. As cartas finalmente estão na mesa.Não há mais o que esconder, o que negar.
Há somente dois seres que se amam com tudo o que têm.
E está tudo bem que um deles não seja humano. Yato é um deus, porém, diferente do que Kazuma disse a Hiyori, ele é capaz de amar tanto quanto qualquer pessoa. E seu amor por essa garota é dolorosamente real. Ele a ama, e ela está na sua frente, mas não pode tê-la. Não como gostaria.
O deus a prende pela cintura, aprofundando o beijo. Sua língua adentra a boca dela numa invasão cálida, e ignora o gosto salgado das lágrimas que ela derrama. Ele quer apenas aproveitar um pouco mais esse momento, pois teme que seja o último. Hiyori, por sua vez, enreda as mãos nos cabelos dele, entregando-se ao beijo com igual sofreguidão. Ela quer provar dele tanto quanto puder, pois sabe que logo será o fim.
— Eu também te amo, Hiyori... — Yato diz entre um beijo e outro, respirando forte pela falta de fôlego e pelo medo da separação. — Amo tanto que dói — confessa, acariciando o rosto dela. Seus olhos nunca estiveram tão sérios, e ainda assim tão brilhantes como duas pedras de safira.
— Eu sei que não posso te fazer mudar de ideia — afirma a garota. — Sei que não posso te proteger, também. Mas, por favor, Yato, eu só tenho um pedido…
O deus segura a mão dela afetuosamente, levando-a até seus lábios para depositar um beijo demorado.
— Diga.
— Volte para mim. — E isso é uma súplica. Dolorida e sufocante. — E eu prometo, eu juro que todos os dias valerão a pena.
E, mesmo que agora o rosto de Yato esteja contorcido numa expressão de pura dor, mesmo que ele saiba que talvez não possa cumprir essa promessa, ele a aperta mais forte contra si, dizendo:
— Seu desejo foi ouvido em alto e bom som.
Porque, embora tudo esteja contra eles, os dois estão determinados a se encontrar novamente. O amor que sentem um pelo outro, afinal, é inabalável. E o fio vermelho do destino talvez se encarregue de tornar esse desejo uma realidade.
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