Come Back
7 Kiss You
Notas iniciais
Harry estava determinado, ele tinha que fazer isso, não podia esperar nem mais um minuto, precisava vê-la e ninguém o impediria nem o clima frio e chuvoso da noite. Era uma obrigação, uma ordem que ele mesmo lhe propunha, ele iria a sua casa mesmo que ela estivesse dormindo, falaria algo bobo fazendo a rir, ele veria seus lábios abrirem e dar espaço aos seus dentes brancos que poderiam iluminar até a noite mais escura for fim veria as pequenas rugas no canto de seus olhos quando ela sorrisse.
Colocou um casaco por causa do vento frio, andou sorrateiramente pela casa até chegar à porta, abriu lentamente e saiu em disparada pela rua.
E ai estava ele perto da cinco horas da manhã de frente a casa de Amie, sua respiração estava ofegante, sua mão relada e suas pernas tremiam. O vento era forte e gelado, ao longe se via pequenos raios de sol, no céu uma mistura de azul e um pouco de vermelho tomava conta.
Procurou uma pedra ou algo que pudesse fazer barulho no vidro, acho apenas uma pequena pedra, ele só teria uma chance, uma única chance, a probabilidade era minúscula, os matemáticos diriam que as possibilidades eram mínimas, os físicos diriam ser impossível, qualquer ser humano diria que não daria certo, mas os românticos diriam ser uma possibilidade perfeita de acerto.
Harry pegou a pedrinha e jogou duas vezes para o céu, duas ritmadas vezes, depois a segurou forte deu três passos para trás, fixou seus olhos na janela e jogou.
Físicos e matemáticos estavam errados, e os românticos venceram a pedras bateu no centro da janela, fazendo um barulho não muito alto, mas que se dava para ouvir.
Nenhuma sombra, barulho ou luz, nem sinal de Amie na janela. Harry já estava preparado para ir embora quando uma pequena luz no canto da janela – o que provavelmente era um abajur – se acendeu. Um enorme sorriso apareceu no rosto do menino quando uma garota de cabelos avermelhados e olhos claros, apareceu entre a cortina.
A primeira reação da menina foi o canto da sua boca levantar formando um leve sorriso, mas que foi logo desfeito. Ela queria parecer brava por ele ter acabado de acorda-la, cruzou seus braços.
Ele fez sinal para que ela descesse para que eles pudessem conversar, ela atendeu ao pedido.
- O que você está fazendo aqui? – foi à primeira coisa que ela falou quando o viu.
- É que você sabe, eu só queria conversar.
- Às cinco horas da manhã?
- É – ele agora estava sem graça.
- Bem eu só queria dizer – ele continuou – que você é muito especial para mim Amie, não sei depois que você chegou à escola você me fez mudar, eu deixei que ser aquele galinha como todos dizem, eu agora sou Harry o verdadeiro Harry. Obrigado, por tudo.
- Você também é muito especial para mim Harry, você é o melhor amigo que eu podia ter – espera ela disse “amigo” de novo, será que ela não se cansa de acabar com o clima.
Os dois agora se encarravam, era um pouco estranho porque a palavra “amigo” chocou Harry deu um jeito tão forte que ele nem conseguia falar, a palavra ficou se repetindo milhares de vezes em sua cabeça, aquilo já estava o enlouquecendo.
- É isso agora eu vou – Harry disse se virando sem nem se despedir dela.
Amie viu Harry se distanciando cada vez mais dela, agora o sol estava começando a aparecer lentamente entre as casas e prédios, os cachos do menino ficavam mais claros por causa do sol e ela não podia o deixar ir, mas não sabia o que fazer. Se ela corresse o que diria depois? Um eu te amo? Ela não podia dizer! E se não fosse correspondida? Aquilo a machucaria demais, o que ela não queria era se machucar como tantas vezes. Mas se dessa vez ela não se machucasse? Ela podia ser feliz ao lado dele. Feliz.
Fechou a porta e correu, correu em direção à felicidade, em direção ao que ela gostava, ao que ela tinha se apaixonado, ou que ela queria ter só para ela, ela correu em direção a Harry.
Mas em que quadra ele tinha virado? Aonde era casa dele? Ele tinha sumido!
Virou em qualquer rua, ele não podia sumir ela tinha que o achar e tinha que ser agora, enquanto ela tinha coragem, ela apenas correu.
Virou mais uma rua ela sentiu seu cheiro, ou era apenas sua imaginação, fechou os olhos com força e os abriu com esperança de o ver. Nada ele não estava na rua, nenhum sinal de vida, nada. Agachou-se na calçada e colocou a mão em seu coração, ele estava acelerado, as batidas não estavam mais ritmadas sua respiração estava ofegante. Colocou os cotovelos apoiados em seus joelhos e sua cara apoiada em suas mãos, deixou uma lágrima cair de seus olhos e depois os fechou com força.
- Amie – ela ouviu alguém a chamar, mas pensou ser coisa de sua cabeça – Amie.
O chamado se repetiu, ela sentiu um cheiro familiar e a voz algo nela lhe fez lembrar alguém.
Não podia ser a voz, o cheiro, era com certeza dele.
- Harry – Amie gritou se levantando e olhando para todos os lados a sua procura – Harry!
E lá estava ele no final da rua com uma expressão um pouco confusa na cara. Mas era ele isso que importava, a menina correu – agora o mais rápido que podia – em direção a ele.
Ela o abraçou forte e encostou sua cabeça nos ombros dele, depois que ela encostou-se a ele sentiu o quanto estava fria, seus dentes batiam ela tremia por causa do frio.
- Você está fria – ele disse.
Harry abriu o zíper de seu casaco e o tirou colocando depois em volta dos braços da garota, ela ainda tremia e ele a abraçou de novo, colocando seu queixo sobre a cabeça dela e os braços envoltos dos seus braços, com uma das mãos eles passava a lentamente nos braços da garota para esquentá-los. Eles ficaram assim por um tempo, apenas abraçados sem dizer nada, até a garota cortar o silêncio.
- Harry eu preciso lhe falar algo muito importante – ele a interrompeu.
- Não diga nada.
Ela foi o deixando chegar cada vez mais perto dela, até seus lábios se encostarem lentamente começando um beijo doce e delicado, como ela nunca imaginou ter em sua vida.
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