Come Back

2 Dream of Californication


Notas iniciais
Ah, eu esqueci de dizer, já deixei tres capitulos prontos por causa da minha viagem.
Boa leitura
Espero que gostem

Abri os olhos atordoada, minha cabeça explodia, sentia que meu estômago estava do avesso. A luz forte do sol fez com que eu piscasse várias vezes ainda meio atordoada. Notei que estava no chão, sobre uma grama verde, rodeada de árvores altas, levantei o tronco até ficar sentada e olhei com um pouco mais de atenção para o lugar em volta, era um parque, com muitas árvores, ciclovia, pessoas correndo, e uma lagoa de água um pouco turva ali próxima. Levantei-me por inteiro, cambaleando um pouco, parecia que eu tinha ficado de cabeça para baixo por uma eternidade, era uma sensação semelhante a isso, um bolo no estômago, sei lá. Então comecei a reconhecer o parque em que eu me encontrava, um sorriso enorme atravessou meu rosto de orelha a orelha, qualquer Avenger observador reconheceria aquele parque.

“Look the size of that fucking Stallion Duck”

Definitivamente aquele era o Central Park de Huntington Beach, Califórnia. Eu nunca havia colocado o pé pra fora do estado de Wisconsin, então pra mim até a salinidade do ar daquela cidade era algo totalmente novo e encantador. Era maravilhoso pisar onde eles pisaram, respirar o ar salgado que eles respiraram, eu quase podia ouvir a voz da mãe do Brian gritando o nome dele, era engraçado como mesmo sem nunca ter ido ali, me parecia tão familiar.

Joguei a mochila nas costas e fui caminhando sem pressa pela calçada, ainda sentia como se tivesse engolido um saco plástico, mas esperava que logo essa sensação passasse. Eu realmente estava andando nas terras do Condado de Orange County, só restava saber em que ano. Caminhei por alguns metros até encontrar um rapaz, aparentemente bem jovem, de uns 17 anos por aí, estava com a bicicleta encostada em uma árvore enquanto ele, que estava sentado na grama macia, tomava uma Coca-Cola. Parei um pouco sem graça ao lado dele e dei um pigarro, esperando que ele olhasse para mim.

– Ahm, oi

Ele olhou um pouco desconfiado

– Oi

– Er... Será que você pode me dizer que horas são? E que dia é hoje?

Ele arqueou uma das sobrancelhas e pareceu conter o riso, devia estar pensando que eu era uma drogada

– São 8h, moça... E hoje é sexta feira, 31 de julho

Eu queria gritar

– Já que você está achando que eu sou uma louca, pode me dizer de que ano?

Ele deixou uma gargalhada sonora escapar dessa vez, eu também sorri, estava muito eufórica

– Bom, moça, se não me engano acho que estamos em 2009. Mas, escuta que droga forte foi essa que você andou tomando?

Eu dei um grito eufórico

– Garoto eu tomei uma droga tão forte que eu acho que voltei no tempo!!

Ele sorriu, e logo eu saí correndo, deixando uma singela reputação de doida varrida. Quase não consegui acreditar, aquilo realmente tinha dado certo, eu estava em 2009, eu havia voltado no tempo!!

Corri feito uma maluca pela calçada até meus pulmões começarem a arder e então parei ofegante, tentando colocar as ideias em ordem, vamos pensar, para onde eu deveria ir? Precisava de um lugar para ficar primeiro. Fui até o fim da ciclovia e pedi um taxi, pedi para que ele me levasse a um hotel na Pacific Coast que tivesse um preço razoável, não queria torrar tudo o que eu tinha logo de cara. Ele me levou até um hotel 3 estrelas, meio escondido atrás dos enormes e luxuosos hotéis costeiros, não era grande coisa, mas dava pra eu colocar a cabeça para funcionar por algumas horas. O quarto não era grande, tinha uma cama de solteiro, uma TV pequena e um frigobar meio velho, estava mais do que bom. Joguei-me de bruços na pequena cama e fiquei aspirando o cheiro das cobertas finas por alguns segundos, minhas costas doíam do peso da mochila, mas se eu realmente encontrasse o que eu pretendia ali, tudo valeria a pena. Soltei a mochila das costas e puxei para mim, procurando o mapa que Max havia me dado, eu tinha que começar a agir. Hoje era aniversário do Matt, onde eu poderia encontrá-los?

Se estivessem na casa do Matt eu nunca conseguiria me aproximar dele hoje, me barrariam logo da porta. Estava torcendo para que eles tivessem resolvido sair para beber hoje à noite, me facilitaria muito. Olhei o mapa com um pouco de cuidado, eles poderiam ir ao Johnny’s Bar, ao Tuna Town ou ao Sugar Shack. E se optassem por algum lugar que eles não haviam citado no All Excess? Eu só podia rezar para ter sorte.

Passei o restante da tarde pensando em inúmeras formas de diálogo para ter com eles, mas nenhum me perecia ser bom o suficiente, eu não podia apenas chegar dando uma de fã histérica agarrar na perna de Jimmy e pedir pra que ele vivesse para sempre? Parecia-me tão mais simples. Quando olhei para o relógio já eram cerca de 18h da tarde, talvez fosse hora de tomar um banho e ir zanzar pelas ruas californianas em busca dos 5 integrantes do Avenged Sevenfold.

Não me vesti feito uma puta, ainda tinha sérios problemas com salto altos, coloquei uma calça jeans azul em bom estado, uma camiseta regata qualquer e um par de All Star preto, não era nada chamativo, e normalmente isso me ajudava em minha tarefa de parecer invisível, odiava chamar atenção. O cabelo preto parecia não querer cooperar muito, estava meio elétrico hoje, tive que prendê-lo em um rabo de cavalo, ou então eu espantaria todo mundo com meu cabelo de Elvira a rainha das trevas.

Peguei outro taxi e pedi que me deixasse na porta do Tuna Town, esperava que meu palpite não estivesse errado. O lugar cheirava a carpete molhado com cerveja mofada, só em pisar ali já fiquei meio entorpecida. Caminhei até o balcão do bar sem que ninguém virasse o rosto para me olhar, minha intenção de ser invisível parecia estar dando certo. Sentei em um dos bancos e sorri timidamente para o barman, ele sorriu de volta e me perguntou o que eu queria.

– Uma ahm... Marg.. margan..

– Marguerita?

– Isso

Ta eu não sou retardada, só não sou uma alcoólatra de primeira linha, conheço pouco de bebidas, mas lembro que uma vez no aniversário de uns amigos tomei uma dessas e achei gostoso, foi o primeiro nome de bebida que me veio à mente. O barman logo chegou com minha bebida, ainda sorridente

– Você está sozinha?

– Ahhm... – O que eu devia responder? Não sabia se quem eu queria encontrar apareceria por ali

– Está esperando alguém?

– É, estou – permaneci calada por um instante e ele pareceu desistir do interrogatório, mas eu precisava de uma informação – Ahm, será que você sabe me dizer se Matthew Sanders anda por aqui?

Ele pareceu pescar o nome na mente e ele pareceu se lembrar, pois logo seu rosto se iluminou

– Ta falando do Shadows? Por que se for, ele costuma vir aqui sim, mas hoje provavelmente deve ter ido pro Johnny

– Ah, você tem certeza?

– Bom, ele costuma comemorar o aniversário dele lá, por quê?

– Ahm, por nada, só curiosidade

Entornei o restante da Marguerita goela abaixo e joguei uma nota de dez dólares no balcão, logo em seguida saí às pressas até a avenida e pulei no primeiro taxi que parou. Eu tinha ido ao bar errado, mas ainda era cedo pra considerar aquilo um fracasso. Quando o taxi parou em frente ao bar, senti meu estomago recomeçar a dar voltas, mas dessa vez eu tinha certeza que era de nervosismo. Empurrei a porta e o ambiente não tinha um cheiro mais agradável do que o outro, mas era mais escuro e estava mais lotado, havia muitas vozes e uma música que não reconheci tocando ao fundo. Assim como no outro bar, caminhei sem ser notada até o balcão do bar, o barman não foi menos simpático e veio sorridente me atender, dessa vez pedi um pouco de Vodca pura, que eu logo descobri que era um porcaria, o barman riu ao me ver cuspir parte do liquido de volta no copo, logo ele me ofereceu uma outra bebida, que ele chamou de Bloody Mary, era mais gostosa, com toda a certeza.

Entre um gole e outro eu observava as pessoas do bar, tentei ver algum rosto conhecido, mas o ambiente escuro não facilitava e foi então que eu a ouvi. Alta, sonora, parecida com um trovão rompendo a música do ambiente, era aguda, mas ao mesmo tempo soou como veludo para meus ouvidos, a gargalhada mais perfeita de todo o mundo, a gargalhada dele.

Meus olhos então iniciaram uma busca inquieta pelo rosto dele, sentia meu coração quase saltar e por fim eu o vi, alto, na verdade, gigante, mas diferente da maioria dos caras altos que eu conhecia, ele não era desajeitado, pelo contrario, parecia equilibrar perfeitamente seu 1,93m. O cabelo preto arrepiado caía sobre a testa pálida meio bagunçado, o sorriso se estendia por toda a sua face e os olhos azuis que eu passava horas babando em fotos no meu computador estavam escondidos atrás de lentes de óculos de grau. E eu havia prendido a minha respiração, meus olhos estavam fixos nele, era impossível desviar. Só então notei que ele estava acompanhado por Johnny Christ, a diferença de altura era gritante, mas Johnny era lindo, tinha o nariz fino com um piercing de argola, os cabelos castanhos em moicano, um sorriso que mal cabia no rosto, assim como o de Jimmy, pareciam rir de alguma piada. Senti meu peito apertar por um instante ao pensar que dali a poucos meses algo romperia com aquele sorriso de Johnny e não deixaria que ele voltasse a ser o mesmo. Agitei a cabeça tentando afastar aquilo da minha mente, eu tinha rompido com toda a lógica justamente para evitar que aquilo acontecesse e se dependesse de mim o sorriso dos dois só aumentaria, e permaneceriam estampados naqueles rostos por muitos anos.

Eles também se encostaram no balcão, Jimmy parou ao meu lado, eu sentia meu coração dar saltos mortais e ainda não havia conseguido soltar a respiração, meu corpo inteiro tremia, ele estava a apenas um braço de distância de mim.

– Hey Jake bundão, canecas transbordando okay?

Enquanto ele pedia as cervejas eu o encarava com a boca aberta, estática, como se estivesse diante de uma obra prima a ser reverenciada, e considerando a situação, eu realmente quase o reverenciei.

Ele tamborilava os dedos pelo balcão e cantarolando enquanto aguardava, Johnny piscava para uma loira ao seu lado e conversava um pouco com ela, foi então que o rosto de Jimmy se virou e seus olhos caíram sobre mim, ele viu que eu o encarava feito uma estátua.

– Hey – ele sorriu para mim e eu tentei mexer a boca para responder, mas não saiu nenhum som, ele voltou a olhar para o barman, que aparentemente se chamava Jake. Ele colocou as duas canecas de cerveja no balcão, realmente transbordando a espuma branca, Johnny pegou uma e Jimmy logo deu um gole na outra e foi saindo com a caneca em mãos, eu não podia deixá-lo ir, eu tinha que falar com ele, droga Allie, por que você é tão retardada, onde já se viu ficar parada feito uma bobona encarando ele?

Ele deu as costas e eu num súbito saltei do banco em volta do balcão, mas ao invés de uma elegante aproximação eu apenas saí cambaleando tonta por causa da quantidade de álcool no meu sangue que eu não estava acostumada a ingerir, o resultado foi um empurrão nem um pouco delicado em Johnny Christ, que acabou derramando quase toda a sua caneca de cerveja pelo bar.

– Argh! Mas que porra

Os dois se voltaram para trás e eu estava boquiaberta com o que eu acabara de fazer

– O-oh meu deus, me desculpe eu... Eu não tinha a intenção, eu...

Uma gargalhada histérica e aguda preencheu meus ouvidos, Jimmy ria que chegava até a se contorcer. Foi então que os outros apareceram, pareciam uma legião de deuses do Olimpo descendo ao mundo mortal, talvez a comparação tenha sido exagerada, mas quando eu vi aqueles três homens enormes, Matt, Brian e Zacky, vindo em nossa direção, foi logo a primeira coisa que me veio a mente.

– Wow Little Johnny, não consegue mais nem segurar a cerveja dentro da boca? — Matt perguntou sorrindo ao ver Johnny encharcado

– Não, na verdade eu – o olhar dele se voltou furioso para mim – essa doida aí me empurrou!

Dessa vez os quatro estavam sorrindo, menos Johnny que ainda parecia meio emburrado, as risadas deles pareciam trovões graves e assustadores, mas ao mesmo tempo era tão acusticamente perfeito que era difícil se sentir incomodado.

– Acho que você acabou de batizar o Little Johnny, sweetheart, qual o seu nome?

Eu estava trêmula

– A-alison Wade – Ele agarrou minha mão e me puxou para junto dele em um abraço

– Prazer em conhecê-la Alison, sou Matt – ele me soltou, mas ainda me deixou perto dele, e então apontou para cada um dos rapazes, apresentando um a um e fazendo com que eu ganhasse uma porção de abraços de ursos com aroma de cevada, Johnny apertou a minha mão, já que estava todo molhado, mas seu humor havia melhorado e agora ele sorria normalmente, foi quando Matt apontou para ele que meus ossos recomeçaram a tremer, quase a tilintar.

– E aquele ali é o Jimmy

Ele abriu um sorriso encantador e me envolveu em um abraço quente e apertado, eu não sabia se sorria, chorava ou o colocava num saco e levava pra minha casa. Achei que ia morrer ali nos braços dele.

– Jimmy Sullivan, mas pode me chamar de 40cm de prazer na sua cama – eu sorri um pouco além do que realmente devia e ele deu uma piscadela, automaticamente todos os pêlos da minha nuca se arrepiaram

– E então Allie, você está aqui sozinha?

Syn perguntou olhando em volta

– É, na verdade eu cheguei hoje na cidade, vim até aqui para ver se conhecia alguém

Pela primeira vez saiu um improviso decente da minha boca

– Ah, então por que você não se junta a nós? – Matt perguntou com um meio sorriso

– Ahm, claro, mas ahm... Só com vocês?

É claro que eu não me importava de sentar sozinha com aqueles 5 em uma mesa, mas eu estava tentando parecer normal, e uma mulher normal não sentaria tão facilmente numa mesa com 5 homens. Novamente os trovões em forma de gargalhada recomeçaram, era incrível como a diversão fluía tão facilmente por eles, deviam estar bem bêbados, com toda a certeza.

– Não, relaxa, tem outras mulheres com a gente, você vai gostar delas.

Eles foram caminhando na frente e eu os acompanhei, quando chegamos à mesa Brian me puxou para perto dele.

– Hey pessoal, essa aqui é a Alison, ela acabou de derramar cerveja no Little Johnny, está sozinha e achamos que ela podia se juntar com a gente, não reclamem, ela é nossa convidada.

Apesar do tom autoritário dele, todos pareceram aceitar numa boa. Ele me ofereceu um lugar na mesa e depois a contornou e sentou ao lado de uma loira que eu já sabia quem era. Cada um deles se acomodou ao lado de suas respectivas mulheres, mas meus olhos só seguiam um deles, que estava na cadeira diante de mim, com o braço em torno de uma loira de pele um pouco bronzeada e que eu tive me conter para não torcer o nariz, Leana McFadden.

O clima leve continuou na mesa, as gargalhadas-trovão ganhavam mais intensidade com as de outros amigos que também estavam na mesa, reconheci os irmãos Berry, e o restante devia ser da equipe de apoio. Eles falavam da última turnê e da expectativa para o novo álbum. Senti o arrepio de antes percorrer minha espinha novamente, o que aconteceria com o álbum Nightmare?

– Hey Wade, planeta terra chamando

Jimmy falava comigo, era estranho vê-lo me chamar apenas pelo sobrenome, mas ouvir sua voz trazia uma sensação tão boa que meu sorriso era quase automático

– Sim?

– O que veio fazer aqui na Califórnia?

Meu rosto se iluminou, a resposta para essa pergunta eu já tinha ensaiado.

– Ah, eu vim explorar novos lugares, conhecer o litoral, estou com alguns meses vagos e pensei em vir sentir o sol californiano

– Que legal, e de onde você é?

– Sou de Wisconsin, Madison.

– Uhm. Acho que já fizemos show por lá, não é mesmo Zacky?

Zacky confirmou com a cabeça enquanto tomava um gole de sua cerveja, Gena, que até aqui ainda era só sua namorada, cochilava em seu ombro, devia estar acostumada com as gargalhadas-trovão.

Johnny parecia prestar atenção na minha conversa com Jimmy

– Você ainda a pouco disse que chegou hoje na cidade, já tem onde morar?

– Ahm, na verdade não, estou hospedada em um hotel simples na Pacific Coast

– Não tem onde morar? Vai passar pouco tempo aqui? – Pela primeira vez na noite ouvi a voz de Leana, e me pareceu insuportavelmente irritante, eu sei que não devia detestá-la assim, mas meu lado de fã ciumenta me impedia de ser neutra.

– Sim, ainda não procurei nenhum lugar pra morar

– Você devia ajudá-la Jimmy, consegue encontrar casas melhor do que ninguém – ela então se virou para mim e continuou falando – Jimmy já morou por toda parte aqui dessa cidade, deve ajudá-la a encontrar um lugar bacana

Ela estava sendo legal comigo e isso me irritava ainda mais, eu devia parar com esse ciúme ridículo, mais era mais forte do que eu.

Jimmy encheu o peito orgulhoso e começou a contar de alguns lugares que morou aqui em Huntington Beach, aceitou me ajudar com as casas sem pensar e isso me deixou muito feliz, ele era um doce.

As conversas, piadas, gargalhadas-trovão, cervejas e até uma ou outra zombaria duraram por bastante tempo, quando olhei no relógio já passavam das duas da manha, era hora de eu ir embora, ir dormir. Meu corpo estava pedindo por isso, mas era como se minha alma não quisesse se separar deles, de toda aquela alegria e descontração, da aura tão encantadora de Jimmy, na verdade eu tinha medo de me afastar e descobrir que tudo não passara de um sonho e eu acordaria em minha cama no ano de 2013 outra vez.

Com um pouco de relutância eu levantei da mesa

– Bom gente, foi muito bom passar a noite com vocês, mas acho que já deu a minha hora

Uma onda de pedidos para que eu ficasse soou por toda a mesa, e eu sorri. Estava feliz por tê-los agradado

– Bom eu realmente tenho que ir, vejo vocês por aí?

– Mas é claro! – eles falaram e eu sorri novamente, acenei e dei as costas, andando timidamente pelo bar em direção a porta quando ouvi uma voz gritar meu nome. Virei-me e dei de cara com o gigante sorridente que acabara de me alcançar

– O que foi Jimmy?

– Você vai querer mesmo que eu te ajude com a casa?

– Ah, claro

– Então me dá seu telefone ué, não sou adivinho

– Ah é, me esqueci desse detalhe – ele tirou uma caneta do bolso e puxou um guardanapo da mesa ao lado e me entregou, minha letra saiu trêmula, acho que eu sempre tremia quando estava perto dele.

– Okay, então vejo você amanhã?

– Amanhã? Já vai ser assim tão rápido?

– É, eu estou de férias, não tenho muito o que fazer – ele deu de ombros

– Por mim tudo bem

– Então até amanhã Wade

Ele me deu um abraço apertado, como os outros e beijou meu cabelo, dando as costas para mim e voltando para a mesa. Eu estava em êxtase.

Saí do Johnny’s renovada e voltei para o hotel, estava um pouco frio, mas nada comparado ao inverno de Madison, devia ser por causa do mar. O hotel não tinha vista para ele, mas eu podia ouvir o farfalhar das ondas deitada em minha cama.

Ainda não conseguia acreditar que havia mesmo passado uma noite com a melhor banda do mundo, que havia feito amizade com eles e que amanhã o baterista mais perfeito do universo me ajudaria a encontrar uma casa. Eu estava feliz de um modo como eu nunca havia me sentido antes, meu corpo estava cansado, mas minha mente parecia não querer aquietar-se. Comecei a planejar um pouco o dia seguinte, pensar no que dizer a ele, era bom demais para ser verdade.

Tudo parecia um sonho, mas então o pensamento voltou a minha mente, e se as coisas dessem errado? E se eu não conseguisse salvá-lo? Ou melhor, e se eu conseguisse? O que ia acontecer?

Talvez fosse muito cedo para pensar nisso.