Notas iniciais
refazendo a história novamente, espero que dessa vez dê certo.

— Você precisa descansar um pouco mais, Sally. Ficar estudando o tempo inteiro vai acabar te consumindo — Kate estava preocupada. — Sei que esse ano está mais puxado, mas não quero ver você pirar.

Sally suspirou e ajeitou o cachecol amarelo e preto no pescoço. Estava um pouco nublado, mas ainda era possível ver alguns raios de sol passando pelas nuvens.

O ano letivo mal começara e os estudantes já estavam cheios de tarefas para realizar. O sexto ano com certeza era desafiador.

— Sinto que já estou pirada. Tô aliviada que consegui passar com notas boas nos N.O.M.s, mas pensar que ano que vem temos o N.I.E.M. de certa forma me dá dor de barriga.

Sally conseguira três "Ótimo" (Herbologia, Poções e Trato das Criaturas Mágicas), quatro "Excede Expectativas" (Defesa Contra as Artes das Trevas, Feitiços, História da Magia e Transfiguração) e dois "Aceitável" (Adivinhação e Astrologia). Como não atingira a nota mínima para Adivinhação e Astrologia, teve que largar as disciplinas, mas agradeceu que não eram suas matérias preferidas.

— Pois é, sei o que você tá sentindo. Mas por Merlin, você tem que aprender a descansar. Hoje é domingo.

Sally sorriu. Nesses seis anos de amizade, Kate sempre fora a figura "mãe" e protetora. As duas se tornaram carne e unha desde o primeiro ano e não se desgrudaram desde então.

— Você tem razão, vou tentar relaxar mais. Não adianta eu me estressar à toa, né?

Embora Sally tenha dito aquilo, passou o restante de seu domingo preocupada com o trabalho sobre o Tentáculo Venenoso, especialmente porque não sabia nada sobre ele. Por mais que tivesse se divertido voando pelos arredores de Hogwarts e conversado com Kate, sua mente voltava à lição e martelava com força.

— Você pensa em fazer parte do time de Quadribol? — perguntou Kate.

As duas lufanas estavam deitadas no gramado úmido, olhando para as nuvens se movendo devagarinho.

— Se eles abrirem vagas esse ano vou tentar. No terceiro ano não deu certo, mas dessa vez eu tenho um pouco de esperança. Você vai?

— Acho que prefiro assistir.

— Principalmente se o Potter estiver jogando, né?

— Cala a boca, Sally.

Kate tentou parecer séria, mas suas bochechas ficaram rosadas e tornou a rir. O primeiro jogo de Quadribol que assistiu com entusiasmo foi quando Sally a arrastou, no início do quarto ano. Lufa-lufa contra Grifinória. Por mais que não gostasse de admitir, foi ali que começou a gostar do esporte e a entender mais sobre. Naquele dia, sua casa levara a vitória, mas James levara seu coração. Kate se levantou e deu tapinhas nas pernas para tirar um pouco da grama que ficara grudada.

— Acho que já vou indo, Peter disse que precisava da minha ajuda com poções. Te vejo mais tarde?

— Aham!

O fim da tarde estava chegando, o céu adquirira uma coloração alaranjada, que deixava Sally com uma sensação nostálgica. O pôr do sol a lembrava das férias tranquilas na casa da avó. Voltou para o castelo e antes do banquete passou pela biblioteca.

Sally passou os últimos três minutos pensando em como pegar o livro que estava no alto da estante. Havia esquecido sua varinha no dormitório e não era tão habilidosa para executar feitiços sem ela. O trabalho de Longbottom era para a manhã seguinte e ela não tinha nem começado a escrever sobre o Tentáculo Venenoso.

— Mark? — Ela se aproximou da pessoa mais perto dali, um estudante da Sonserina. O garoto a olhou. — Você poderia pegar um livro pra mim? Eu não consegui alcançar e estou sem minha varinha.

O garoto se levantou da cadeira. Tinha uma estatura mediana, mas se sentiu mais alto do que aparentava ser quando ficou ao lado da lufana.

— Qual livro é?

— "Guia da Herbologia VII" da Vera Hopkins, é aquele com a lombada vermelha.

Ele tirou a varinha do bolso e com um gesto, conseguiu pegar o livro desejado.

— Obrigada, te devo uma!

Sally já tinha visto Mark por Hogwarts, conversaram poucas vezes apesar de terem bastante aulas juntos.

— Trabalho do Neville?

— Isso mesmo.

— Bons estudos, então.

Sally agradeceu e voltou para sua mesa. O ambiente estava calmo e tranquilo, era possível ouvir apenas páginas virando, escrita nos papéis e conversas ocasionais, quase como um ASMR ao vivo. Depois de uma hora, ela finalmente terminara de fazer o trabalho e respondeu as quinze questões de História da Magia.

Semanas depois, Sally estivera usando seu período livre para praticar feitiços não verbais. A professora Mia tinha pedido para que treinassem, pois essa é uma das habilidades que os alunos devem aprender pro N.I.E.M. John, estudante do sétimo ano a estivera ajudando, visto que estava tendo dificuldades na matéria.

Como previsto, os professores estavam exigindo cada vez mais dos alunos e era cada vez mais difícil ficar relaxado. A biblioteca possuía cada vez mais pessoas, os estudantes estavam se organizando em grupos de estudo. Enquanto os primeiranistas estavam cheios de energia, os alunos mais velhos estavam cada vez mais cansados.

O céu estava limpo e o vento gelado, como os dias típicos de outono. O chão estava coberto de folhas laranjas e secas. Sally estava sentada em um dos bancos do pátio, olhando para o livro que estava a alguns centímetros, no chão.

Cruzou as pernas e levantou uma das mãos voltada para o objeto, mentalizando Accio livro diversas vezes.

— Respira fundo, Sally — aconselhou John quando viu que a amiga estava quase perdendo a paciência. Apesar da expressão irritada, ela fez o que fora pedido.

— Se concentra no livro e fale o feitiço mentalmente.

Antes que Sally pudesse pensar na palavra, o livro voou para a mão da pessoa que estava vindo na direção dos lufanos. Sally reconheceu os cabelos curtos e as vestes da Sonserina.

— Nada mal — comentou ela. Sally reparara que a professora de Feitiços sempre elogiava Mark em suas aulas, visto que tinha facilidade na disciplina. Estava preocupada que talvez tivesse um pouco de inveja do colega.

O sonserino tamborilou os dedos no livro e então o devolveu para a garota.

— E aí, Sally. — Acenou com a cabeça para John. — Lembra quando você disse que me devia uma? Pois bem, eu preciso de uma ajuda.

— Eu disse isso?

— Sim, você falou exatamente “Obrigada, te devo uma” — Ele a imitou, com a voz mais fina.

— Minha voz não é assim — reclamou Sally.

— De qualquer jeito... Você pode me ajudar?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.