Combinação
4 Capítulo 4 — Místico
Notas iniciais
Coisas não oficiais tendem a construir rachaduras onde viria a ser moradia de dúvidas e medo, esse caso não seria exceção. Emoções grotescas devoravam o estomâgo de Sting, que ao nada fazer além de alimentá-lo, passava a possuir todos seus músculos até chegar a sua mente e alma, contudo, sendo devorado pedaço por pedaço, mantinha seu fiel abrir de dentes que iluminavam a todos do local, até a si mesmo ao beirar da solidão, mesmo que se desfizesse em poucos segundos para vir a frustação.
Rogue estava ciente das bestas que corroíam seu amado, porém escolhera observar como lidaria com isso. Se tinha algo que afirmava era o espaço pessoal, este que ultimamente parecia se desfazer ao som das palavras trocadas quando se livravam dos pensamentos ansiosos ao preencher o vazio entre os dedos, constatando que o calor era além do corporal, que ironicamente era a raiz de seus receios.
Ele nada dizia ao perceber que estava sendo olhado de soslaio pelo parceiro, apenas revidava com uma feição séria, como se dissesse ''Você acha que não eu não consigo te ver aí, idiota?'', que Sting ouviria cada tom ilusório ecoar em seus ouvidos complementando o xingamento que ele mesmo identificava para si. O loiro bufava, enquanto imaginaria um possível futuro harmônico, até o dragon slayer das sombras ir lhe ver, fingindo indiferença. Então, teria que conter o impulso de rodear os braços no amante e se contentar em ficar simplesmente ao seu lado.
Sting era vaidoso e convencido, chegar num 'top' de homens desejados do país era algo que alimentava seu ego no passado, onde posaria semi nu sorrindo sarcasticamente. Mas agora, sentia-se um imundo traidor, onde expunha o que Rogue lutava em conseguir ver, numa cama luxuosa para alguns repórteres e pessoas que o idolatravam superficialmente. Eles podiam admirar com olhos brilhantes cheios de luxúria, diferente de Rogue que carinhosamente passava os dedos desnudos pelo local, sentindo o que sempre esteve a mostra mas que não era tocado. O pior de tudo, era que o dono dos olhos vermelhos parecia não ligar, já chegara a perguntar, mas recebeu um dar de ombros que muito lhe pareceu sincero.
Foi então que a insegurança adentrara. Não era medo de ser traído por qualquer, não, não. Era de seus sentimentos estarem muito elevados e que o amante não sentisse o mesmo, o êxtase ao se verem, um amor não mútuo o suficiente. Admitia que era armadilha da sua mente que experimentava um desconhecido, porém...
E isso se acabava quando sentiu uma mão a preencher a sua, um sorriso tímido direcionado a si que significava tudo, que refletia sua insanidade e sua felicidade. Apertou levemente, sabendo que mais tarde contaria sobre seus demônios e seu parceiro traria de extermina-los, fazendo-o ter uma noite tranquila enquanto encaixava-se entre os braços do outro sentindo-se aninhado. Logo, Rogue lhe confessaria sobre suas emoções, sentindo-se igualmente protegido, formando o místico yin e yang, com o mais puro dos sentimentos, mesmo que eles não tivessem consciência ainda.
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